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A extrema direita democrática

por henrique pereira dos santos, em 31.03.24

Este post começou a germinar a partir de uma peça sobre Georgia Meloni, no Observador (conheço mal o que se passa em Itália, apesar das minhas ligações familiares italianas, e tinha interesse em ter mais informação).

A tese da jornalista é a de que Meloni afinal não é tão extremista como diziam, sobretudo na política externa, mas continua a ter um discurso interno de extrema direita.

O que me chamou a atenção foram os exemplos dados para ilustrar a tese, de que escolhi um.

"Nada disto significa que Meloni tenha abandonado todas as suas bandeiras mais radicais. ... O discurso a favor da “família tradicional” é outro dos pontos que Meloni não larga e uma das áreas onde tem apresentado medidas é na limitação de direitos da comunidade LGBT: o seu governo, por exemplo, passou a proibir que casais gay possam ambos registar-se oficialmente como pais de uma criança (algo até aqui permitido) e está a criminalizar o recurso a barrigas de aluguer no estrangeiro — até aqui, apenas era crime se o processo tivesse lugar em Itália, razão pela qual muitos casais do mesmo sexo recorriam a agências estrangeiras de barrigas de aluguer".

A jornalista (Cátia Bruno) passa como cão por vinha vindimada sobre as complicações éticas associadas às barrigas de aluguer (que não são matéria de políticas LGBT, mas esqueçamos isso agora), fala de uma alteração administrativa como se fosse uma questão de vida ou de morte mas, e foi aí que começaram a piscar luzes encarnadas no meu cérebro, identifica a defesa da família tradicional como uma das bandeiras mais radicais de Meloni.

Saltemos também por cima do facto de, implicitamente, se estar a dizer que é preciso destruir a família tradicional para defender os direitos LGBT (acho que a jornalista nem se apercebeu que é isto que diz o que escreve), um disparate, para realçar esta afirmação extraordinária: a defesa da família tradicional é uma bandeira radical da extrema direita.

Quando este absurdo já me tinha feito decidir escrever um post, houve duas coincidências que me ajudaram a pensar no que escrever sobre isto.

Primeiro foi um lamento de Pedro Santa Clara sobre a forma como uma jornalista (Margarida Davim) tinha noticiado a retirada de uma proposta de Carlos Moedas para trazer o projecto TUMO para Lisboa, em termos inqualificáveis, em que a jornalista faz questão de caracterizar Pedro Santa Clara como um perigoso liberal "Parte das dúvidas tinha que ver com a forma como o projeto TUMO chegou a Lisboa e foi parar às mãos de Pedro Santa Clara, professor de Economia da Nova SBE, mandatário da IL nas últimas eleições e membro do Instituto +Liberdade".

O mais extraordinário desta história, e da forma como a jornalista a vê, é alguém achar que pegar num projecto estruturado, com provas dadas, com resultados verificáveis, em execução noutras partes do mundo, deve ser posto no mesmo pé que um concurso de ideias para ver se há propostas na área da educação digital.

Como é evidente, pode estar-se ou não de acordo com o apoio da Câmara ao TUMO (eu não estou), pode discutir-se se esse apoio é excessivo mas, manifestamente, o que não faz sentido é ir buscar argumentos de treta, sinalizadores de virtude, sobre uma suposta falta de transparência, apresentando uma proposta alternativa, sem qualquer base sólida, cujo único objectivo é sabotar a política de Carlos Moedas e noticiar isso chamando a atenção para o facto do promotor ser um perigoso liberal e amigo de Carlos Moedas.

A segunda coincidência foi eu ter tido acesso a uma intervenção pública de Vítor Bento, em Abril de 2023, no Grémio Literário, na apresentação de um livro de Miranda Sarmento, em que Vítor Bento defende que muito mais que contestar políticas que se consideram erradas, o mais importante é mesmo combater ideias erradas que acabam a influenciar as políticas públicas (por exemplo, o ataque constante ao lucro das empresas, ou a ideia parva com que comecei, a de que defesa da família tradicional é uma bandeira radical da extrema direita).

Como vai longo o post, acabo a explicar o seu título, porque me parece um exemplo evidente de como a esquerda tem condicionado o debate na sociedade, de tal forma que me parece que a quase toda a gente acaba por parecer estranho falar-se em extrema direita democrática.

Se há alguma coisa que me parece útil no que o Chega faz, é exactamente o facto de, tal como fez Cavaco Silva na sua altura de governante (como presidente não é bem assim), se recusar terminantemente a submeter-se aos limites da ditadura das ideias que podem ser defendidas, discutindo nos seus termos, e não nos termos que os seus adversários acham aceitáveis.

O facto é que a extrema esquerda, que foi toda ela defensora da ditadura do proletariado e outras ditaduras subsequentes (mesmo quando não eram do proletariado), evoluiu e é hoje considerada democrática - e bem, se o PC ganhar amanhã as eleições, não se acaba a democracia em Portugal, seguramente - mas se considera que a extrema direita congelou em 1930, sendo inevitavelmente anti-democrática, apesar das evidências em contrário (de que é exemplo o Chega, se ganhar as eleições, não se passa nada, governa e quando perder as eleições, sai, ao contrário do que fez a esquerda na Venezuela).

Já é tempo de deixarmos de aceitar os limites da discussão de ideias que a esquerda tem imposto e passar a discutir nos termos que nós próprios definirmos.


21 comentários

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De lucklucky a 31.03.2024 às 19:54

"... se o PC ganhar amanhã as eleições, não se acaba a democracia em Portugal, seguramente.." 



É mesmo de quem não tem a noção do que é o Comunismo..
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De Anónimo a 31.03.2024 às 21:58

E com que exército é que os comunistas se iriam manter no poder?
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De lucklucky a 01.04.2024 às 02:59


Com os pelo menos quase 2 milhões de pessoas que votariam neles não é preciso exército nenhum, aliás o mais provável é já estaria uma parte controlado pelo PCP.

Eu lembro-me bem da arrogância e controlo da rua- a ante camera do golpe - do PCP com 10-12% dos votos agora imagine com 35%.


Nada mudou no PCP excepto o seu poder mais reduzido e capacidade logistica também mais reduzido como consequência . Se sentirem outra vez poder a ideologia totalitária acordará.
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De passante a 31.03.2024 às 20:14

se o PC ganhar amanhã as eleições, não se acaba a democracia em Portugal, seguramente


Toda a existência e teoria política deles é pelo "poder dos sovietes", e não acabavam com a "democracia burguesa" se tivessem a mínima chance?



Por amor da santa. E coros de anjinhos celestiais. 


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De Anonimo a 31.03.2024 às 21:12

Não sei quem intitulou certos partidos de esquerda e outros de direita, nem que lhes atribuiu "causas", faltei às aulas de polisociologia.
Isto é debate woke, americanices, ambos os lados odeiam a sociedade ocidental,  uns acham que nunca esteve tão desigual e as minorias tão oprimidas, outros acham que isto é só bichanice e que as mulheres mandam mais que os homens. Há excesso de cores de pele para uns, para outros falta diversidade. 
Tomaram de assalto a política, o "activismo", uns com apitos outros a mostrar a espingarda, ambos apregoam a virtude e acham-se bússolas morais infalíveis, ambos querem queimar livros e eliminar discurso dissidente. 
Os políticos profissionais deixam-se levar, alguns fruto do efeito bolha das redes sociais, evangelistas da Bíblia em vez da Constituição, malucos do latinx, o debate sério acabou, a política é um espectáculo à hollywood, hashtags e buzzwords, não conseguem falar durante mais que 15 segundos sem se engasgarem. A maioria,  essa vai votando. E pagando.
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De O apartidário a 01.04.2024 às 08:23

A turbulenta eleição do Presidente da Assembleia da República confirmou a tese do perspicaz Rui Tavares. Efetivamente, os três blocos são uma realidade, porém, a sua constituição e visão ideológica diverge substancialmente daquela que o porta-voz do Livre sugere. O modelo, a matriz, a grelha de interpretação do mundo político ocidental, alicerçado na clássica dicotomia entre esquerda e direita, desmoronou. A tradicional divisão assente na organização económica cedeu lugar a um novo paradigma cujo âmago é a identidade. A gritante clivagem que se manifesta é entre globalistas e nacional-populistas, dado que é a identidade nacional a única com força para se opor à avalanche da “governança” global. 

Confrontada com o impasse, a corrente do liberal globalismo em Portugal optou por uma solução pouco inovadora: consensualizou-se dividir o mandato em períodos de dois anos, atribuindo os primeiros dois a Aguiar-Branco e, posteriormente, outros dois a Francisco Assis. Esta é uma prática estabelecida ao longo dos anos no Parlamento da União Europeia (UE), um dos mais infames centros do liberal globalismo, resultante do consenso entre os grupos políticos que o Partido Socialista (PS) e o PSD integram, respetivamente o Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas (S&D) e o Partido Popular Europeu (PPE). O leitor não se engane: a atual elite política dominante na UE é vincadamente anti-nacional. O Chega destaca-se, inequivocamente, como o único partido com representação parlamentar que se posiciona em oposição ao globalismo. De facto, a defesa de uma “Europa das nações” traduz essa postura num ambiente de marcada clivagem identitária.

Jorge Humberto Pinto no Observador (artigo Esquerda e direita já não existem) 


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De O apartidário a 31.03.2024 às 21:14

"Saltemos também por cima do facto de, implicitamente, se estar a dizer que é preciso destruir a família tradicional para defender os direitos LGBT" ---------------------- Só não o dizem explicitamente porque seria demasiado ostensivo. É que há mesmo uma agenda política nesse sentido, e não faltam indicios a apontar para isso,inclusive ao mais alto nível político e institucional(especialmente na UE e afins) . 
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De Anonimo a 31.03.2024 às 21:41

Quem explicitamente o diz é a PM de Itália. Que diz querer defender a família tradicional, e para isso impede as barrigas de aluguer (que não sendo exclusivamente LG..Z, se-lo-ão na maioria). Como se os factos estivessem relacionados. 
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De balio a 01.04.2024 às 11:41


a PM de Itália [...] diz querer defender a família tradicional, e para isso impede as barrigas de aluguer


O que é a priori um disparate, uma vez que uma barriga de aluguer tanto pode estar a gerar um bebé para uma família não-tradicional (por exemplo, para o Cristiano Ronaldo, pai solteiro), como para uma família tradicionalíssima.
Em particular, em Itália há muitos casais tradicionais que contratam os serviços de barrigas de aluguer ucranianas.
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De marina a 31.03.2024 às 23:42

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De lucklucky a 01.04.2024 às 03:07

Já falei aqui várias vezes do conceito de Overton Window - as ideias que são permitidas discutir com legitimidade pela corrente dominante -. O PSD por exemplo é um partido que obedece á Overton Window desenhada pelo PS, BE, ou melhor pelos seus padres  nas igrejas contemporâneas: os jornalistas  nas TV's e jornais, são eles quem determina o que é pecado - CO2 por exemplo - e o que é virtude.
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De lucklucky a 01.04.2024 às 03:13

Outra coisa de que não se fala é o Extremismo do Centro.
Por exemplo a Comissão Europeia "moderada" na voz dos próprios jornalistas quer acabar com boa parte da agricultura na Europa.
Quer mudar radicalmente a produção de energian um curto espaço de tempo e como consequência pratica desindustrializar partes importantes da economia. Tudo isto é radicalismo do centro. 
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De balio a 01.04.2024 às 10:36


implicitamente, se estar a dizer que é preciso destruir a família tradicional para defender os direitos LGBT, um disparate



É, concordo, um disparate. No entanto, há muita gente que subscreve esse disparate. Especialmente, muita gente que defende a família tradicional considera que permitir que os homossexuais se casem ou que adoptem crianças contribui para destruir a família tradicional.
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De balio a 01.04.2024 às 10:39


as complicações éticas associadas às barrigas de aluguer


Eu não vejo com distinção que complicações sejam essas.


Se a barriga de aluguer assentar num contrato bem feito, e como tal defendido pelo Estado, não vejo que complicações haja.


Há barrigas de aluguer em muitos grandes países do mundo (Índia, EUA e Rússia, por exemplo, e também de forma muito notória na Ucrânia) e não vejo que daí venha grande mal ao mundo, ou grandes questões éticas fiquem por resolver.
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De marina a 01.04.2024 às 11:51

bom,  se a prostituição é ilegal , as barrigas de aluguer também o devem ser.  questões morais sobre que partes do corpo  se podem alugar e com que finalidade são absurdas : ou se pode alugar o corpo ou não.
e do ponto de vista da natureza , se alguém nasce estéril por alguma coisas será.
e com o excesso  que há de população , satisfazer caprichos também é disparate. adoptem , há imensas crianças sem pais.
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De balio a 01.04.2024 às 12:14


se a prostituição é ilegal , as barrigas de aluguer também o devem ser


Faz sentido.


Eu sou a favor de ambas as coisas (prostituição e barrigas de aluguer) serem legais (mas bem regulamentadas pelo Estado).


do ponto de vista da natureza , se alguém nasce estéril por alguma coisas será


Creio que boa parte das mulheres que são estéreis não o são por motivos naturais, mas sim por terem andado durante demasiado tempo a tomar a pílula. Isso desarranjou-lhes o sistema hormonal, tornando-as estéreis.


A pílula foi inventada com o sentido de impedir que mulheres que já tinham tido filhos tivesem mais. Atualmente é utilizada no sentido de impedir que engravidem mulheres que estão, precisamente, na idade ótima para engravidar. Passam 15 ou 20 anos a tomar a pílula e, quando finalmente decidem que já querem ter filhos, nessa altura descobrem que... estão definitivamente estéreis.
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De henrique pereira dos santos a 01.04.2024 às 11:55

Não te ofendas, mas acho mais útil discutir ética com a parede que está à minha frente que contigo
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De maria a 01.04.2024 às 13:12

É a maior aberração considerar a fartazana que há casais do mesmo sexo. Por acaso o Mundo foi criado por estas anormalidades mentais? Qualquer conversa deles está impregnada de desvios à racionalidade.
Porque não se  lhes aplica o nome correcto "Parelha" ou "Par"? Eles não dão continuidade.
É um insulto à família.
Um CASAL é entre um homem e uma mulher.
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De balio a 01.04.2024 às 16:35


Maria,
o casamento não se destina a formar um CASAL. O casamento tem objetivos financeiros.
Cá em Portugal, as pessoas casam-se para poderem pedir um crédito à habitação em conjunto. Nos EUA as pessoas casam-se para poderem ter um seguro de saúde em conjunto.
Uma vez que o casamento tem objetivos financeiros, e não outros, tanto deve poder ser entre duas pessoas do mesmo sexo como entre duas pessoas de sexo oposto.
A Maria estude bem os casais que conhece, e verificará provavelmente que todos eles (ou a grande maior parte deles) se casaram para pedirem um crédito à habitação. Todos aqueles que vivem em casa própria, ou em casa arrendada, permanecem solteiros.
O casamento não se destina à procriação, uma vez que, como a Maria provavelmente já terá notado, há muitos casais casados que não procriam, e muitos casais não casados que procriam.

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