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A estranha anomalia judaica

por henrique pereira dos santos, em 02.08.25

Conheço imensa gente qualificada, razoável, racional e informada que, quando chega a qualquer conversa sobre Gaza e Israel, desliza imediatamente para um nível de irracionalidade que eu nunca pensaria ser possível, como, por exemplo, acreditar que Israel inventou um sistema de distribuição de ajuda humanitária para atrair pessoas e fazer tiro ao alvo a crianças indefesas.

Sem título.jpg

Esta suposta verificação da veracidade desta frase chegou-me por via de uma pessoa com manifesta boa cabeça, que conheço pessoalmente (embora fugazmente, fomos convidados ao mesmo tempo, pela mesma pessoa, para discutirmos questões académicas com alunos), professor universitário de prestígio imaculado, escreve opinião em jornais regularmente, enfim, uma pessoa que, pensaria eu, ao olhar para este boneco concluiria, como acho que conclui qualquer pessoa com dois neurónios, que era treta.

Posto perante o facto de provavelmente ser treta, primeiro negou que o fosse e, a custo, lá admitiu que o embaixador de Israel dizia muitas mentiras nesta entrevista, mas não tinha encontrado esta frase concreta.

De resto, nesta entrevista há um momento que define a forma como grande parte do jornalismo está preso num nevoeiro que o impede de ver o que quer que seja.

O embaixador está a associar a fome de Gaza a uma campanha do Hamas e fala na famosa fotografia do miúdo com um problema congénito, a que grande parte da imprensa mais qualificada se agarrou para dizer que há uma fome terrível em Gaza. Explica o contexto da fotografia, e diz que a própria CNN Portugal (onde está a dar a entrevista) é conivente nessa campanha porque mantém a fotografia no seu site como demonstração da fome em gaza, quando a CNN internacional já não reproduz essa fotografia e o New York Times pediu desculpa por a ter usado, confirmando que o miúdo tem uma deonça congénita.

Resposta, antológica, da jornalista: o facto do miúdo ter uma doença congénita não quer dizer que não tenha também fome (a entrevista está cheia destes momentos Hamas por parte dos jornalistas).

Este grau de dissonância cognitiva não aparece noutro tipo de conflitos, ou melhor, não com este grau de descolamento da realidade e da lógica, como se o nome de Israel tivesse um efeito hipnótico suficiente para que gente inteligente, culta e informada deixasse totalmente de ver a realidade e fosse transportada para um mundo paralelo em que seria possível um embaixador, fosse de que país fosse, dizer a barbaridade atribuída ao embaixador de Israel.

Eu acho que isto daria um doutoramento fantástico em Sociologia (era preciso esperar pela extinção da FCT, doutra forma um doutoramento com este tema jamais teria a sua aprovação, claro).


18 comentários

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De Vitor a 02.08.2025 às 16:53

A comunicação abraça causas. Neste caso, a causa palestiniana. No conflito a leste, abraçou o heroísmo imaculado de Zelensky. Ora, partindo do princípio que escolhem sempre as causas erradas….
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De Pedro Oliveira a 03.08.2025 às 13:30

Caro Vítor:
"A comunicação abraça causas. Neste caso, a causa palestiniana. No conflito a leste, abraçou o heroísmo imaculado de Zelensky."
Esta frase é estúpida e já lhe explico a razão.
Defende que não faz sentido a comunicação social defender o "agredido" Hamas/Palestina  e o agredido Zelensky/Ucrânia. Logo se a comunicação social está errada num caso, estará errada no outro.
A questão é, quem agrediu quem?
No caso da Ucrânia não restam dúvidas, mal comparado, seria como se os mísseis galegos tivessem bombardeado Viana do Castelo, Guimarães e Braga e os tanques espanhóis tivessem entrado por Vilar Formoso.
E em Gaza (metade da área do município de Vinhais) o que aconteceu?
No dia 7 de Outubro de 2023 os terroristas do Hamas, invadiram o território de Israel, violaram, mataram e raptaram civis, homens, mulheres e crianças.
São dois casos comparáveis?
Israel e Ucrânia foram invadidos e tiveram civis mortos.
Apesar de tudo os soldados da Federação Russa usam uniforme.
O heroísmo imaculado de Zelensky é o mesmo que eu exigiria ao badameco de serviço que estivesse na presidência e ao badameco de serviço que chefiasse o governo aquando de uma invasão espanhola.
Pensa de forma diferente?
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De Vitor a 03.08.2025 às 17:20

Tudo o que sabemos destes conflitos é pela comunicação social. Se a comunicação social toma partido num conflito, quem me garante que não toma no outro? 
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De Pedro Oliveira a 03.08.2025 às 22:31

Hum, então no caso da Federação Russa vs. Ucrânia, se calhar foram os russos a serem invadidos, é isso?
Provavelmente nas Invasões Francesas, também, fomos nós (portugueses) a conquistar Paris.
[há casos que o melhor é procurar ajuda médica]
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De Vitor a 04.08.2025 às 08:34

Antes de mais, obrigado pelo insulto final, é sinal de falta argumento. Em relação à invasão da Ucrânia pela Rússia, acha que foi só porque sim? Que fariam os EUA, se o México ameaçasse fazer uma aliança militar com a Rússia com a intenção de instalar uma base militar junto à sua fronteira? A isto junte-lhe uma perseguição a cidadãos americanos. Garanto-lhe que os EUA não seriam nem tão pacientes nem tão suaves como os russos. O México teria o mesmo destino da Líbia ou do Iraque. Mas a mesma comunicação social que informa sobre o conflito da faixa de Gaza, tendo por base as informações do ministério da saúde do Hamas, é a mesma dá como verdadeiras todas as informações fornecidas por Zelensky em relação ao conflito da Ucrânia. E ter consciência disto não é tomar partido por um dos lados.
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De Anonimo a 03.08.2025 às 21:50

Também será estúpido pensar que de um lado estão os bons, e do outro os maus, sejam eles quem forem. E no entanto cá estamos. E não, não é uma equivalência moral...
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De Anonimo a 02.08.2025 às 17:04

Vale tudo
Agora inventaram uns audios corroborados por "fontes" em que membros de empresas de segurança americanas praticam tiro ao boneco e se divertem com isso.
Entretanto os países europeus declaram persona non grata ministros do único país democrático da zona.
É um fartote.
Não pode haver só ideologia, toda esta campanha tem que ter dinheiro por trás.  Quem pagará estas correntes de propaganda?
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De Anonimo a 02.08.2025 às 17:23

https://amp.expresso.pt/internacional/medio-oriente/guerra-israel-hamas/2025-08-01-video-o-que-se-passa-aqui-e-um-genocidio.-ja-estive-em-guerras-e-isto-aqui-e-diferente-psicologo-portugues-apoia-palestinianos-em-gaza-0430f7a7


Contraditório? Claro que não...
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De Anónimo a 03.08.2025 às 22:55

O "psicólogo" que explique porque aparece todo sorridente nas fotos visto que só vê tragédias, e já agora ele que explique porque é que as imagens da TV não corroboram com a realidade, as que mostram aqueles gordos que dizem que passam fome.
Pena são as crianças e bebes recém nascidos, esses pobres coitados até os fazem passar fome propositadamente pois não tem hipótese, pois há que continuar com a propaganda...
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De Anónimo a 02.08.2025 às 19:48

Eu vi parte desta entrevista o jornalista espumava de raiva contra Israel 
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De Anónimo a 03.08.2025 às 03:37

Há cada vez menos moscas no tecto.
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De Miguel Magalhães a 03.08.2025 às 13:09

Uma loucura extraordinária este regresso do ódio antijudeu. Já antes do holocausto, o mufti de Jerusalém era considerado pelos nazis um sábio 
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De Anónimo a 03.08.2025 às 15:44

Puro asco, aquilo que passa por "comunicação social" .
A evitar a todo o custo , quanto mais não fora por estritas razões "higiénicas"...
Juromenha
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De Anonimo a 04.08.2025 às 13:11

E no entanto contribuem, escrevendo e lendo...
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De Anonimo a 04.08.2025 às 14:19

Fazendo a analogia dos restaurante tão usada aqui, vão,  são mal servidos, comem porcaria, mas regressam todos os dias.
Mas falam mal e dão zero estrelas, por isso está tudo bem.
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De lucklucky a 03.08.2025 às 23:49

"Este grau de dissonância cognitiva não aparece noutro tipo de conflitos, ou melhor, não com este grau de descolamento da realidade e da lógica, como se o nome de Israel tivesse um efeito hipnótico suficiente para que gente inteligente, culta e informada deixasse totalmente de ver a realidade e fosse transportada para um mundo paralelo"


Resultado de décadas de lavagem cerebral de Expressos, Publicos, Diário de Notícias(enquanto existia), Correio da Manhã  TV's.
"Ministério da Saúde de Gaza " está ao nível de um conto de Orwell e é dito e escrito o conscientemente por jornalistas.
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De Anónimo a 05.08.2025 às 02:26

As moscas não leem jornais, não veem televisão, são imunes a lavagens ao cérebro, por razões óbvias. Têm canais próprios de informação. Mais subterrâneos que os túneis do Hamas. 
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De Octávio dos Santos a 05.08.2025 às 13:20

Precisamente, sobre essa gente (supostamente) «inteligente, culta e informada»... Conheço pessoas (sim, em Portugal) que estudam a História, que até escrevem livros, abrangendo os períodos da Idade Média, do Renascimento e dos Descobrimentos, do Iluminismo, e que por isso têm de saber que aconteceu o massacre de Lisboa (a matança da Páscoa, o pogrom) de 1506 e a execução na fogueira de António José da Silva (além de, deduzo, o Holocausto durante a Segunda Guerra Mundial), mas que desde há quase dois anos revelam publicamente que acreditam, e reproduzem, (n)as mentiras e (n)a propaganda do Hamas e de outros extremistas terroristas islâmicos, autênticos neo-nazis (porque assumida e frequentemente elogiam Adolf Hitler). O anti-semitismo é como uma doença, uma epidemia, secular, que resiste às curas feitas de factos e de sensatez.

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