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A diferença essencial

por henrique pereira dos santos, em 17.11.21

Um dia destes vi uma pessoa explicar que estava com uma grande gripe ou constipação, com os sintomas clássicos. Se fosse no ano passado, acrescentava, estaria muito preocupada, como é este ano, estando vacinada, estava perfeitamente tranquila e não ia fazer nada a não ser baixar a febre com paracetamol e pôr gengibre ralado no  chá.

A vacina é de facto a diferença essencial da última época gripal para esta (parece que agora já toda a gente, com excepção dos matemáticos que voltaram a aparecer, aceita o papel das condições ambientais para explicar variações na incidência de doenças respiratórias).

É essencial porque reduz o risco de desenvolvimentos graves da doença, reduzindo a probabilidade de morte, mas é igualmente essencial por devolver tranquilidade às pessoas.

Houve quem tivesse defendido as máscaras por desempenharem esse papel (semelhante ao papel dos aviões num grande incêndio, não alteram grande coisa o desenvolvimento do incêndio, mas dão tranquilidade às pessoas), mas o que se verifica é que as máscaras funcionam essencialmente como um sinalizador de risco, e não como um tranquilizante.

A vacina não, a vacina é um verdadeiro tranquilizante.

A hipótese das vacinas terem um papel determinante na redução da incidência ou no bloqueio de surtos é hoje tão evidentemente falsa - vejam-se a Bélgica e os Países Baixos com mais de setenta por cento da população vacinada, que inclui a quase totalidade da população de risco, o que não as defende de aumentos brutais de incidência nas últimas semanas, embora com pouca tradução, pelo menos para já, no crescimento de mortos - que apenas uma minoria completamente alienada a defende seriamente.

Mas actua sobre o risco e, muito mais importante, actua sobre a percepção do risco.

Isto é, a pessoa que citei no início tinha, no ano passado, um baixíssimo risco de desenvolvimento de complicações de saúde decorrentes da covid, e este ano tem um risco ainda mais baixo.

A somar a esse benefício há outro bem mais difícil de medir, mas com consequências na forma como a sociedade gere a resposta à pandemia: no ano passado a pessoa em causa pensava que tinha um risco relevante e este ano acha que tem um risco irrelevante.

E isso é razoavelmente independente do risco real, sendo um benefício marginal bem grande que as vacinas vieram trazer.

Há espaço social para mais bom senso este ano que no ano passado.



25 comentários

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De Anónimo a 17.11.2021 às 08:12

as vacinas...  se a malta não se tivesse juntado toda nos centros de vacinação durante o verão não tínhamos tido 3.000 casos por dia com dias de 30 graus!
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De Susana V a 17.11.2021 às 08:30

Tranquilidade? É impressão minha ou ouvi falar num novo estado de emergência, hoje nas notícias da rádio? E o regresso da obrigatoriedade  de máscara na rua. As vacinas afinal não serviram para muito...
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De henrique pereira dos santos a 17.11.2021 às 08:35

Não tenho como o demonstrar, mas tenho a convicção de que se não fossem as vacinas não estaríamos agora a discutir essas possibilidades, estaríamos, com um conjunto muito grande de restrições, a discutir restrições ainda mais severas
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De Susana V a 17.11.2021 às 09:24

Espero sinceramente que tenha razão, mas tenho dúvidas de que não estejamos a entrar novamente na rampa deslizante. Daqui a pouco estamos todos em casa outra incluindo os miúdos. 
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De Carlos a 17.11.2021 às 09:22

Essa da máscara na rua é da autoria do nosso presidente da República. Ele, está mais do que provado, tem a mania das doenças e está convencidíssimo de que sabe como diagnosticá-las e tratá-las, pois deve ser daqueles que lêem as bulas de fio a pavio. Esperemos que lhe dêem grandes ouvidos. 

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De Susana V a 17.11.2021 às 15:09

Sem dúvida. Este presidente nesta altura foi o pior que nos podia acontecer... 
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De Carlos a 17.11.2021 às 15:42

Queria escrever "esperemos que lhe não dêem". As minhas desculpas.
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De W a 17.11.2021 às 08:56

as vacinas prometiam uma redução de casos graves e numero de mortes e claramente cumprem! não prometiam mto sobre os contágios já que só de maneira indirecta poderia haver beneficio ao nivel dos contagios.
sabendo istos desde que foram lançadas as vacinas não entendo porque o seguimento da pandemia continua a ser em base a contagios e nao em base a internados/mortes.
convém ter sempre presente que no inverno morrem cerca de +100 pessoas do que no verao! 
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De Anónimo a 17.11.2021 às 22:45

Tem toda a razão.
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De João Távora a 17.11.2021 às 09:38

Veremos o que "sai" da reunião do Infarmed. Estou bastante apreensivo com a tempestade de histeria que se está a formar no horizonte, de que já sinto consequências práticas. 
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De henrique pereira dos santos a 17.11.2021 às 09:41

Repara que não estou a dizer que não haverá histeria (parece-me que dependerá essencialmente do número de mortos diários), estou apenas a dizer que o nível de histeria será mais baixo e mais limitado no tempo que em períodos semelhantes anteriores porque a percepção pública de risco diminuiu.
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De João Távora a 17.11.2021 às 09:45

Para mais temos eleições em Janeiro, facto que coloca pressão no discurso securitário dos políticos. Mas espero que tenhas razão. 
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De JPT a 17.11.2021 às 09:45

Posso falar do meu caso. Fui vacinado em Julho. Tenho sinusite crónica e tinha os sintomas naturais para a época: corrimento nasal, expectoração, pouca tosse. Não estava preocupado. Todavia, como, na 2.ª da semana passada um colega com que almocei na 5.ª anterior deu positivo (mas tinha estado numa festa de Halloween), fui fazer o teste (pela primeira vez, noto), e bingo!: Covid. Eu e toda a gente cá em casa. Ninguém com sintomas - para lá dos que descrevi (e de eu ter perdido o olfacto e o paladar de forma radical) - e, apesar de convívio com várias pessoas nos dias anterior, não a pegámos a ninguém. Creio que, devido à tal (bendita) tranquilidade, é o que vai acontecer brevemente: um disparar de casos, com gravidade reduzida, mas que, infelizmente, vão ser explorados até à medula pelos media e pelos políticos. 
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De balio a 17.11.2021 às 16:20


como, na 2.ª da semana passada um colega com que almocei na 5.ª anterior deu positivo (mas tinha estado numa festa de Halloween), fui fazer o teste (pela primeira vez, noto), e bingo!: Covid. Eu e toda a gente cá em casa.



Não devia ter ido fazer o teste. Nem você nem ninguém em sua casa. Se não estava (nem está, felizmente) doente, para que raio andou a incomodar-se a fazer testes?


(A não ser que queira ter arranjado uma desculpa para ficar de quarentena, claro.)



Você (e eu, e toda a gente) carrega no seu corpo milhões de vírus, de milhões de variedades diferentes. A generalidade desses vírus não lhe faz mal nenhum (ou faz-lhe pouco mal). Agora tem mais uma variedade de vírus, que também não lhe faz mal, no corpo. Por que se há de incomodar por esse facto?
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De JPT a 17.11.2021 às 22:57

Eu explico: não quero pegar a coisa a ninguém. Em particular aos meus parentes a bater nos 80 anos ou com graves problemas imunológicos. É uma mania que eu tenho…
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De Carlos Sousa a 17.11.2021 às 09:46

Para mim o único benefício que as vacinas trouxeram foi psicológico, porque em termos práticos só trouxeram a discriminação social.
Porque é que não falam da Suécia que tem 15000 mortos enquanto nós temos 18000?
Ou porque é que não falam de África em que a vacinação é tão irrisória como os mortos covid?
Porque é que não passam esse tipo de informação na comunicação social?
A quem é que interessa manter este clima de alarme social?
Se até somos felicitados pelo êxito da vacinação, porque carga de água é que estão a falar em novas medidas restritivas?
Deixem de meter medo às pessoas, aceitem de uma vez por todas que os hospitais entopem na altura do Natal e Ano Novo. Sempre foi assim, sempre houve caos nas urgências, para que é esta histeria?
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De JPT a 17.11.2021 às 10:51

Em termos estatísticos, o que mais me incomoda é mesmo o conceito "morto de Covid" - como decorre, por exemplo, do facto de Colin Powell, com 84 anos e um mieloma múltiplo em estado avançado (cancro do sangue, em regra incurável), ter sido considerado "morto de Covid", porque estava infectado à data da morte (suponho que se eu, nos 50 e com colesterol elevado, tivesse, agora, um AVC fatal, também iria para as estatísticas dos "mortos de Covid"). PS: tratando-se de uma doença em que a esmagadora maioria vítimas terá mais de 70 anos, dificilmente poderia haver muitas vítimas em África, onde a esperança de vida média é muito inferior.
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De Carlos Sousa a 17.11.2021 às 14:52

Há uma piada nos meios estatísticos que diz o seguinte:
- Torturem, torturem os números que eles confessam.
A mim o que mais me incomoda é o mundo todo aceitar os mortos por covid sem haver autópsias. 
E se em África o número de mortes é irrisório, para quê esta pressão mundial para vacinar os africanos?
Há muita coisa mal explicada, para não entrar nas teorias da conspiração. 
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De Carlos a 17.11.2021 às 15:52

Ah pois, ia contar como vítima do covid. Oxalá nada lhe aconteça, também para não aumentar o número de vítimas do covid… 

Podiam dizer e escrever: morreu com covid, mas não, preferem dramatizar, mais xis vítimas do covid. 

Publicidade enganosa, é o que é. Deviam ser multados. E os reincidentes, encarcerados.

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De Anónimo a 17.11.2021 às 11:40

Considero sempre a opinião do Sr.Arquitecto, por isso gostaria muito que se pronunciasse sobre o recente caso da líder do Pan. Obrigado.
St


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De henrique pereira dos santos a 17.11.2021 às 15:51

Agradeço o comentário simpático, mas eu não tenho nada que ache relevante a dizer sobre esse assunto
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De JPT a 17.11.2021 às 22:58

Se me permite, é daqueles casos em que está tudo dito. 
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De Anónimo a 17.11.2021 às 12:05


Estas "vacinas" têm demonstrado, felizmente mas aparentemente, ser um razoável atenuador de mais graves consequência nos sintomáticos. Para serem vacinas genuínas falta-lhes no entanto eficácia quanto ao imunisar e quanto ao retransmitir.
Biliões de dolares depois -com beneplácito dos envolvidos governos(!)-  lá irão sair das gavetas da industria farmaceutica os comprimidos para os que realmente apresentam sintomas, graves, de infecção Covid-19...mas com preço actualizado.

Entretanto sabe-se que alguns Estados da União Indiana não esperaram. E ganharam.
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De Elvimonte a 18.11.2021 às 00:33


«É essencial porque reduz o risco de desenvolvimentos graves da doença, reduzindo a probabilidade de morte, ...»


Não é isso que se vê nos dados brutos (de quem tem coragem de os publicar claramente, embora nas vielas da net). Exemplos do Reino Unido tendo como fonte relatórios oficiais de que deixo os links, que nada melhor do que "ver para crer":
«32. The resurgence in both hospitalisations and deaths is dominated by those that have received two doses of the vaccine, comprising around 60% and 70% of the wave respectively. This can be attributed to the high levels of uptake in the most at-risk age groups, such that immunisation failures account for more serious illness than unvaccinated individuals. This is discussed further in paragraphs 55 and 56.» [Março de 2021]
(https://assets.publishing.service.gov.uk/government/uploads/system/uploads/attachment_data/file/975909/S1182_SPI-
M-O_Summary_of_modelling_of_easing_roadmap_step_2_restrictions.pdf )


Relativamente à variante delta, dos dados apresentados na tabela 4 que figura na página 12 [Table 4. Attendance to emergency care and deaths by vaccination status among Delta confirmed cases (sequencing and genotyping) in England, 1 February 2021 to 14 June 2021.], pode concluir-se que a taxa de mortalidade dos vacinados é 6 vezes maior do que a dos não-vacinados. 
Números a reter:
- não-vacinados: 35521 casos, 34 mortos, taxa de mortalidade 0,096%
- vacinados, 2ª dose> 14 dias: 4087 casos, 26 mortos, taxa de mortalidade 0,636%
(https://assets.publishing.service.gov.uk/
government/uploads/system/uploads/attachment_data/file/994839/Variants_of_
Concern_VOC_Technical_Briefing_16.pdf )


(continua)
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De Elvimonte a 18.11.2021 às 00:40


(continuação)
Ainda relativamente à variante delta, 3 relatórios depois a taxa de mortalidade dos inoculados é cerca de seis vezes maior do que a taxa de mortalidade dos não inoculados, conforme  Tabela 5, páginas 18-19 do relatório  "SARS-CoV-2 variants of concern and variants under investigation in England Technical briefing 19", de onde podemos chegar a estas conclusões:
- não vacinados: 121400 casos, 165 mortos, taxa de mortalidade 0,136%
- vacinados, 2ª dose >14 dias: 28773 casos, 224 mortos, taxa de mortalidade 0,779%
(https://assets.publishing.service.gov.uk/government/uploads/system/uploads/attachment_data/file/1005517/Technical_Briefing_19.pdf )


Nota: taxas de mortalidade relativas a casos confirmados (a chamada CFR em inglês); as taxas de mortalidade de infectados (IFR) serão bastante menores, grande percentagem dos infectados (60%-80%) são assintomáticos.


«...mas é igualmente essencial por devolver tranquilidade às pessoas.»
«A vacina não, a vacina é um verdadeiro tranquilizante.»


Com estas duas últimas afirmações, concordo.
Em consequência da tranquilidade que geram (mesmo que seja ilusória, em face dos números que apresento)  e da validade de 6 meses (confirmado por fonte credível) do certificado de vacinação, há que ir arregaçando a manga para a terceira dose. E a do outro braço para a quarta.


PS - Humor negro, mesmo muito negro: quem não tiver certificado de vacinação válido prepare-se para fazer a viagem turística da sua vida até Mauthasen ou talvez Vught; ao que parece há para lá umas magníficas estâncias para os acolher com todo o conforto; imagens bonitas de morrer nos links abaixo
https://en.wikipedia.org/wiki/Mauthausen_concentration_camp
https://en.wikipedia.org/wiki/Herzogenbusch_concentration_camp

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