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A descrença, ou o vírus mais letal

por João Távora, em 20.11.20

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Se a história dos 68% dos casos de Covid19 terem origem no meio familiar a justificar o recolher obrigatório instaurado raiava o absurdo – como se o vírus nascesse de geração espontânea dentro das nossas casas - agora que sabemos que afinal só 10% dos casos ocorrem comprovadamente nas famílias e que mais de 80% dos casos de coronavírus em Portugal são de origem desconhecida, fica claro que estamos a ser governados de improviso por incompetentes: assim são implementadas medidas placebo para que se mantenha a ilusão na comunidade de que a propagação do vírus está sob o controlo dos políticos e da ciência. De nada interessa que ontem tenham sido reportados 6994 novos casos de infecção, o segundo na escala desde o inicio da pandemia, que surge mais de três semanas depois de ter entrado em vigor o tão ansiado uso obrigatório de máscara, e duas semanas depois de declarado o estado de emergência. Referia muito bem há dias Marcelo Rebelo de Sousa que as medidas não servirão para nada se as pessoas não acreditarem nelas. O problema é que o vírus também nelas descrê e faz o caminho a que estava destinado, pouco tendo sido feito pelos governantes para adaptar o SNS ao esperado embate.
Se admito que, por falta de estudos sérios e concludentes, crer ou descrer na utilidade das medidas restritivas que vêm sendo implementadas é um acto de fé, o descalabro que grassa na nossa frágil economia é uma evidência, que ao contrário do que muitos nos querem fazer crer não se limita ao sector do turismo e à hotelaria. Percebo que para grande parte dos portugueses que têm rendimento garantido ao final do mês, custe a perceber o que é cumprir um plano de negócios, gerir uma empresa, criar riqueza, cumprir com os compromissos e pagar ordenados. Desses portugueses instalados também começo a duvidar que se lembrem o que é a vida daqueles que têm todos os dias de se levantar de madrugada para, com o seu suor, levar algum sustento para casa, e os equilíbrios precários de que depende a “dignidade” da sua existência. Desconfio que já não elegem ninguém, mas um dia destes ainda os vamos ver na rua em desespero.
Evitemos contactos sociais supérfluos, obedeçamos ao protocolo respiratório, lavemos as mãos e usemos máscara onde o distanciamento físico não seja possível, mas não façam de nós parvos com a improvisação de engenharias sociais catastróficas para a nossa subsistência económica, sanidade psicológica e coesão social.
Vai ser necessário uma enorme energia e espírito de missão para liderar a fase de reconstrução que aí vem. Mas duvido muito que isso seja possível com os actuais protagonistas.



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