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A democracia disfuncional

por Jose Miguel Roque Martins, em 28.03.21

Na sua crónica do Expresso desta semana, Henrique Monteiro, fala de alguns exemplos que custaram biliões aos Portugueses, por inépcia do Estado.

Por estranho que pareça, pela enormidade dos montantes envolvidos, não são estes casos o maior prejuízo que sofremos, todos os dias, todas as semanas meses e anos, ás mãos da nossa “vontade colectiva”.

As denuncias de Henrique Monteiro, justas, evidentes, enormes, nada são comparadas ás consequências das pequenas e anónimas mordaças que são impostas permanentemente ao bom funcionamento da Economia.

Se tivéssemos o mesmo rendimento per capita de Espanha, já corrigido das paridades de poderes de compra, temos um prejuízo colectivo de cerca de 11.000 Milhões de euros anuais.

A mesma comparação com a Irlanda, hoje um campeão do bom funcionamento económico, daria uma perda anual de 308.000 milhões de Euros.

Uma aproximação simplista? Com certeza. Mas como poderemos de outra forma explicar o nosso atraso? Por sermos preguiçosos ou pouco inteligentes? E sim, existe uma correlação estatística forte entre o desempenho dos países e o seu grau de liberdade, que suportam este tipo de comparações. Não são por isso balelas as comparações apresentadas.

O nosso prejuízo não pode ser apenas medido pelo produto que podíamos ter e não temos. A essa diferença adiciona-se outra perda: quanto mais é o Estado a escolher como se gastam os recursos, ao invés de dar a liberdade aos cidadãos para escolherem eles próprios como gastar o seu dinheiro, menos satisfação o mesmo rendimento permite. Eu queria comprar uma bicicleta. Mas afinal dão-me uma trotineta electrica, que até custa o mesmo, mas não é o que queria.

Não é apenas a economia que está amordaçada. São também as escolhas dos cidadãos.  Cada vez mais a liberdade de como se gasta o que se produz é decidido pelo Estado. Cada vez mais, a população beneficia menos de cada euro produzido.

Ainda vivermos em relativa democracia, é um milagre. Mas a nossa democracia, é cada vez mais disfuncional.



1 comentário

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De Anónimo a 28.03.2021 às 13:55

Pergunte à Ministra das Finanças da Suécia o que acha dos cidadãos portugueses. Uns tansos! Claro que educada e civilizadamente não o afirmou assim taxativamente, mas com muita subtileza considerou-nos um "caso de estudo" muito interessante... Um eufemismo muito caridoso, diga-se. 
Não há pobreza maior que a nossa "nativa" e endémica pobreza de espirito. Confere com a nossa "qualidade" democrática (de fancaria),  propensa a nenhuma espécie de exigência!  Quase meio século perdido, desperdiçado. Foi pena! 
Até à queda final quanto tempo?

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