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João Miguel Tavares tem um comentário sobre as eleições que é muito interessante por corresponder, no essencial, ao que pensam muitas pessoas, mas por raramente ser expresso de maneira tão clara.
"A partir do momento em que os resultados foram muito piores do que as mais baixas expectativas, Passos Coelho deixou de ter qualquer margem de manobra. A única saída é a demissão da liderança do PSD."
Até aqui, nada de novo, há vários anos que esta ideia é expressa de muitas maneiras diferentes e em muitas circunstâncias. O interessante vem depois, quando João Miguel Tavares exprime o que raramente é expresso como a consequência natural da premissa citada acima.
"Qualquer que seja o sucessor de Passos Coelho, aquilo que tem diante de si, com altíssima probabilidade, é uma via sacra de seis anos na oposição e de grandes convulsões internas ... A liderança do PSD é, desde a noite de Domingo, o emprego mais difícil do país."
Com uma cristalina candura, João Miguel Tavares põe-se do lado da cobardia de Guterres e de Durão Barroso, aconselhando Passos Coelho a tratar da vidinha, deixando atrás de si um molho de bróculos para que alguém resolva, em vez de exigir a Passo Coelho que, como qualquer general que se preze, fique com os seus homens nos momentos das derrotas, aprendendo o que tiver a aprender com essas derrotas.
E que, quem achar que faz melhor, que se apresente com outra visão que não a de um molho de bróculos, explicando tin-tin por tin-tin, o que quer, como quer e o que pretende fazer para lá chegar.
PS O erro tático de Passos Coelho não apoiar Cristas em Lisboa, que se saldou por um resultado miserável do PSD e por perda de 10% dos votos no lado da geringonça, fazendo Medina perder a maioria absoluta, tem sido considerado, justamente, um erro colossal de gestão das percepções públicas. Já o erro tático de António Costa ao romper com Rui Moreira no Porto, que se saldou por um resultado miserável do PSD, mas também por uma maioria absoluta de Rui Moreira e a perda total da forte influência do PS no governo da cidade, aparentemente, nem sequer um erro é, do ponto de vista das percepções públicas. Talvez a leitura pública que está a ser feita destes dois erros, esmagadoramente monolítica, explique muito mais os problemas de Passos Coelho que os seus próprios erros, e explique melhor o êxito mediático e eleitoral de António Costa, apesar dos seus próprios erros.
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