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A conspiração da TAP

por Jose Miguel Roque Martins, em 27.05.20

Rui Moreira, a propósito dos poucos voos previstos pela TAP para o Porto, brinda-nos com um discurso populista tão na moda,  adicionando um traço de bairrismo. Claro que foi prontamente secundado por muitas figuras quer do PSD quer do PS e por um acompanhamento preocupado do Presidente da República.  Nos grandes  disparates parecem existir sempre consensos.

Afinal se a TAP, não garante todos os voos que Rui Moreira entende como necessários, então trata-se de um ato de sabotagem. O facto de ser participada pelo Estado, isenta a empresa de critérios de  gestão. Perder ou ganhar dinheiro é um detalhe mesquinho e sem importância. A velha tese do interesse nacional, que não deve ser contabilizada nem paga por quem dela beneficia, mas pelo Orçamento geral do Estado (ou seja dos impostos pagos por todos os portugueses) é um êxito garantido. Deus nos livre de uma nacionalização!

Obviamente é também uma ocasião demasiado boa para não denunciar o que não pode deixar de ser uma cabala sulista, uma conspiração regional.  O facto de a TAP prever mais voos a partir de Lisboa do que do Porto,  nada tem a ver com opções económicas. E mais uma vez, se as rotas derem prejuízo, é um mal necessário, a ser pago por todos. E repartindo por todos, a despesa  fica muito pequena  a cada um!

Sofismas que  tornam o Estado num sorvedouro permanente de dinheiro , muito mal aplicado e que tanto custa aos Portugueses pagar. O que parece ser indiferente para a grande maioria da classe política.

 

PS: ouvi na rádio um argumento esmagador, de um qualquer comentador, que provava a estupidez inultrapassável da administração da TAP e a sua falta de vontade de ganhar dinheiro. No exemplo apresentado , a TAP tinha eliminado um voo diário do Porto para Bruxelas, no dia em que uma low cost tinha aberto dois voos diários entre as duas cidades. Se uma low cost ganha dinheiro, uma empresa de bandeira com custos superiores (nomeadamente de pessoal) só pode ganhar muito mais.

 

 



27 comentários

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De Anónimo a 27.05.2020 às 18:23

mureira, el guito
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De Anónimo a 27.05.2020 às 18:59


A TAP, a transportadora aéria, assim como outros casos de PPPs, pontes, auto-estradas, hospitais ..., são fenómenos do âmbito "mercado bolsista". Supra-nacionais. De valores, de acções em Bolsa.

Uma das regras básicas destes mercados, que não perdoa, é as ditas "Long or Short positions".


A curto prazo as acções em bolsa e a própria empresa TAP, são, tóxicas. Sobretudo na conjuntura actual, ninguém em seu prefeito juízo, compra aquele papel. Nem vale a pena oferecer "de borla". Curiosamente foi isso precisamente o que aconteceu, e o que tem acontecido, sempre, à TAP. Vai para muitos anos.


Porquê?. Os governos vivem num espasmo "short". Curtos quatro anos de governação são incompatíveis com um negócio de transporte aéreo, qualquer que ele seja. Não é negócio de "governos" muito menos de bairro.

Acabados que foram os monopólios, sem o "Ultramar" e dentro do colete "União Europeia" (por vontade dos governantes portugueses de ontem e de hoje) a TAP é basicamente uma discutível "fonte de despesas" sem controlo.



Deduz-se que o caso TAP, num pseudo "País" como Portugal, inserido de facto (mal ou bem) na dita "União Europeia" tem, e terá que ter, sempre, uma solução: extra-nacional e em bolsa. O governo "nacional" não risca. Assina de cruz, como sempre.

Ou falir, uma falência dita "nacional" autorizada e supervisionada por Bruxelas!. Ambas as opções são simples e claras. 

...

Entretanto quem manda na UE tem o seu próprio caso "TAP" para resolver, "sarna que chegue para se coçar" e sobrar.
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De Anónimo a 29.05.2020 às 23:02

Se Portugal é um pseudo país não sei o que estás cá a fazer. Junta-te aos teus. Opiniões como as tuas (pseudo intelectual) são fruto da sarna, e muitas outras coisinhas más, que te atrofiam o cérebro.
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De Manuel da Rocha a 27.05.2020 às 22:45

O pessoal do norte já devia ter percebido que Rui Moreira já anda em campanha eleitoral para a presidência há 6 anos... Com o apoio, disfarçado, do CDS e dos partidos todos de direita, secundado pela CIP e por uma dúzia de grandes empresas do norte, tem atacado a TAP, não por causa dos voos mas, porque o governo não aceitou que 100% fosse privatizada. É que o grupo Barraqueiro também tem ligações a negócios do presidente da autarquia da invicta. 
Anteriormente, reclamaram do fim dos voos para Londres... o próprio reclamante ficou chocado quando um vereador de outro partido o confrontou com 179 viagens, pagas pela autarquia, como "deslocações de representação a Londres", onde ZERO foram feitas na TAP. Até o mesmo presidente (que se afirma como líder de tudo o que fica a norte do Mondego) fez 22 viagens, divididas entre a Ryanair e a Easyjet. O mesmo aconteceu com a rota de Milão, onde a Ryanair voou 3 meses e desistiu... porque a ocupação média ficava abaixo dos 20%.  
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De Anónimo a 28.05.2020 às 20:18

A TAP não consegue ser rentável.
Frankfurt e Madrid não me deixam a meio da ponte.
Vamos pagar todos para Lisboa ter voos diretos? Espera, acabei de ler o que escrevi.
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De Anónimo a 27.05.2020 às 22:57


A TAP é "to big to fail". E o País, Portugal?. Não será tempo de aceitar a realidade ?. 
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De Luís Lavoura a 28.05.2020 às 10:28

Excelente post. De acordo.
Rui Moreira, e o resto da cambada, deveriam saber que a aviação funciona em geral segundo o princípio de "hub and spoke". Meia dúzia de aeroportos são "hubs" (centros de distribuição do tráfego), a grande maioria deles são "spokes" (destinos finais). Ou seja, nem todos os aeroportos são tratados da mesma forma.
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De Rui a 29.05.2020 às 22:44

Verdade, desde que seja um hub. Por acaso o senhor Luís já fez (ou tentou fazer) alguma vez escala no “hub” de Lisboa para viajar do/para o Porto? Aposto que não.
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De Anónimo a 28.05.2020 às 15:53

A mesma conversa de sempre, somos mesmo uns parolos no norte. 
Viva Lisboa!
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De Jose Miguel Roque Martins a 28.05.2020 às 17:57


Aqui a vitima não é o Porto, é o contribuinte! 


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De Anónimo a 29.05.2020 às 16:53

Lendo o texto, parece que a culpa é sempre dos parolos do Norte, de facto.
E acho também piada à forma como se discute a tap (que é uma empresa a operar num sector muito concorrencial), de forma "paternalista", quase como se fosse a última coca cola no deserto.
O caso da CP é muito mais grave e preocupante, porque caso a tap desapareça (o meu mais sincero desejo) não faltam companhias aéreas. 
Agora, se a CP desaparecer, como é?
Andam todos a comer de lorpa, não sei é se é ingénuo ou propositado...
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De Gobess a 30.05.2020 às 05:33

Penso que na totalidade dos comentários se esquecem de um pormenor muito importante, o turismo contribui em 15% do PIB nacional, a TAP é a grande contribuição para esse valor. As rotas são pensadas e estudas com a estratégia do turismo de Portugal e assim conseguiram os turistas do continente americano.
Por outro lado e quando falam que a Ryanair e no hub da mesma no Porto, vão verificar se faz favor quanto a região norte paga por ano à Ryanair e a qualquer outra lowcost.  No fim até prefiro injectar dinheiro na TAP e que está fassa parte da estratégia de crescimento do turismo nacional , do que numa outra qualquer . Pagar vai acontecer sempre ....
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De Jose Miguel Roque Martins a 30.05.2020 às 08:25

 problema não são os parolos do norte ou do sul. O problema são as políticas que tornam todos os portugueses pobres. A própria política de preservação da TAP é como muito bem diz, questionável, porque há outras companhias que provavelmente nos dariam tudo o que precisamos. 
Mas o mesmo raciocínio se deve colocar relativamente á CP: se os Portugueses não estão dispostos a pagar do seu bolso, enquanto passageiros, não será de questionar porque temos de continuar a subsidiar a ferrovia? Se um comboio for com duas pessoas, será que teremos um transporte mais verde? 
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De Anónimo a 29.05.2020 às 22:07

concordo
Por isso eu tenho a ideia que a democracia é a maior ditadura porque só tem valor quem tiver muitos votos, nas aldeias não há nada e estão cada vez mais esquecidas porque os políticos têm lá poucos votos e3 então esqyecem nas porque não contam para eles serem eleitos É esse o grandemal da democracia, Lisboa tem tudo dos políticos porque é lá que eles se apoiam para serem eleitos donos disto tudo
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De Jose Miguel Roque Martins a 30.05.2020 às 08:28

A exploração das minorias pelas maiorias, é mesmo um dos maiores riscos e problemas da democracia. Concordo. 
Mas, já agora, outra provocação: será justo que alguém que queira morar sozinho numa vila do interior, tem direito a que toda a sociedade se quotize para que ele tenha todos os serviços á porta de casa? 


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De Manuel Fernandes Fernandes a 29.05.2020 às 14:26

VOOS DE TODAS AS ORIGENS PARA TODOS OS DESTINOS... JÁ!
Isso de HUBs e voos de Ligação é coisa de antigamente e de países sub-desenvolvidos. Tipo Alemanha, França, Inglaterra. O Rui Moreira já tem a baba limpa pelo 1º. Siga a dança!
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De Rui a 29.05.2020 às 22:49

Quantas ligações OPO-LIS estão previstas. Já viu? Essa é a questão. NÃO É UM HUB !!!
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De Anónimo a 29.05.2020 às 15:24

Como transmontano que sou (sempre em 1°lugar) e nortenho mais do que assumido, lamento profundamente as decisões tomadas e as posições /declarações políticas posteriormente conhecidas. Já agora, é no âmbito do covid *2020* será que os pobres, sem cultura, iletrados, burros...retornaram ao local de origem? Ou seja Lisboa? 
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De eu mesmo a 29.05.2020 às 16:29

Ainda estás aí em cima não estás? Então...!
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De Jose Miguel Roque Martins a 29.05.2020 às 17:14

Porque não temos voos a partir de chaves ou Bragança para todo o mundo? 
Porque não tem Lisboa, os voos normais que tinha e só tem nas propostas 20% do que tinha? 
Porque Lisboa tem muito menos destinos do que Londres? 


Não é uma cabala. È uma questão de mercado. 
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De Rui a 29.05.2020 às 22:47

Total desconhecimento da realidade económica do país. Se é uma questão de mercado então deixem o mercado funcionar, mercado não é pedir dinheiro ao estado ( todos nós) para privilegiar apenas alguns. 
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De Anónimo a 29.05.2020 às 16:56

a TAP tem uma prioridade de forçar mais um aeroporto em Lisboa. Porque razão as pessoas do Norte e do Sul tem de deslocar a Lisboa para fazer os respectivos voos. Primeiro deveriam esgotar a capacidade dos aeropostos do Porto e Faro e só depois avançavam para novo aeroporto. Se as pessoas de Lisboa tivessem de deslocar a esses aeroportos paciencia. Nós já a temos para ir para Lisboa... e claro poupava-se uns milhões largos
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De João Gil a 29.05.2020 às 17:42

A vontade destes políticos mal amanhados que temos, presidentes de junta, de câmara, mesmo presidentes de ruas, de escaninhos e de travessas escuras, é que o governo decrete a nacionalização dos restantes 50% da TAP. Todos querem aspirar a governar, mandar, gerir, ter um lugarzinho para si e para os seus na transportadora de bandeira. 
O meu bairro é maior que o teu, diz um. Eu também tenho avião à porta, diz outro. O meu avião é maior que o teu, diz outro ainda.
O problema da TAP pública sempre foi este. E numa companhia em que o estado ameaçou que retirava aos privados para ficar com 50% e sem capacidade de mando efectivo e que não percebe um boi de aviação comercial, está tudo errado. Ou fica pública, ou fica privada. Assim, nem vale a pena. Mais a mais num governo que tem uma sanha persecutória contra as tão odiadas PPP. O que é que será a TAP semi pública e semi privada senão uma PPP. Mais vale ser pública para roubarem à vontade, como foram fazendo nos últimos 40 anos. O objectivo é sempre o mesmo. Roubar a 100%, que isto de roubar pela metade não satisfaz. Manter o povaréu sob o jugo dos impostos e funcionalizado o mais possível, para garantir o voto dependente e assim a perpetuação no poder dos de sempre. Gente de insuficiente categoria política que se esta verdadeiramente nas tintas para a realidade das pessoas comuns, que são as que os sustentam a todos. 
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De Jose Miguel Roque Martins a 30.05.2020 às 08:31

Se o Estado não tivesse ficado com 50% da TAP os privados teriam perdido mais dinheiro e o Estado poupado recursos que nos seriam preciosos! 
Os argumentos estratégicos, como bem refere, são sempre muito duvidosos. 

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