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No início da discussão sobre o orçamento de estado para 2016 o governo falava de um défice de 2,8%.
Depois, nas discussões com Bruxelas, comprometeu-se com um défice de 2,6% e finalmente comprometeu-se com um défice de 2,2%, para garantir a aprovação do orçamento por Bruxelas. (não tenho a certeza, mas tenho ideia de que Bruxelas defendia qualquer coisa como 1,8%).
Mal se garantiu a aprovação dos 2,2%, o governo virou a agulha para o momento seguinte em que era necessária a aprovação de Bruxelas, de modo a criar factos consumados que obrigassem Bruxelas a aceitar um défice maior, o que veio a suceder com a aprovação de um défice de 2,5%, apesar do governo continuar a assegurar que iria cumprir o défice de 2,2%.
Aprovada essa nova meta, o governo começou a trabalhar garantindo que iria conseguir um défice de 2,4%, mas sempre frisando que o essencial era estar abaixo dos 3%.
Parece que o governo está à espera do novo momento de avaliação, por estes dias, para depois abrir margem para que duas ou três décimas acima dos 2,4%, no fim do ano, não seja motivo para Portugal ser encostado à parede por Bruxelas (o que explicaria a inacreditável rábula dos quadros que faltam na proposta de OE para 2017).
Como o resultado final estará próximo dos pretendidos 2,8% a 2,6% iniciais, muita gente considerará que se trata de mais uma manifestação do génio negocial do primeiro ministro que consegue obter de Bruxelas o défice que pretendia, sem que haja nenhuma acção concreta por parte de Bruxelas e com a sua aprovação, mesmo que a contragosto.
Pela parte que me toca, eu acho isto tudo deplorável, por duas razões:
1) Ter um défice baixo, que nos permita a progressiva libertação do fardo da dívida não é uma questão de cumprimento de regras europeias, é uma questão de interesse nosso, somos nós os principais beneficiários de uma política financeiramente responsável;
2) Mais importante, muito mais importante, quando se depende de terceiros, como nós dependemos, não existe bem mais precioso que a confiança desses terceiros em nós. E, a ter um fundo de verdade o que agora escrevi, há poucas maneiras mais eficazes de proceder se se quiser perder a confiança do mundo.
Tudo isto pode ser uma especulação sem fundamento, é verdade, mas o facto de não parecer totalmente absurda (como seguramente pareceria com Vítor Gaspar) é um bom indicador da confiança que poderemos ter no actual primeiro ministro.
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