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Depois das eleições a imprensa faz o mesmo que antes das eleições: pergunta, responde, discorre sobre a magna questão das linhas vermelhas, um assunto que não interessa nada à generalidade das pessoas.
Algures no tempo, a esquerda reciclou o papão do fascismo, aplicando-o à direita populista, nacionalista, radical ou mesma extrema, como se queira chamar, sem sequer reparar que nem sequer é linear que grande parte dessa direita seja sequer direita.
Certo, certo é que não têm milícias partidárias armadas, que as suas manifestações não são organizadas com uma estética militar e enquadradas por essas milícias armadas, que não andam a partir montras de lojas de judeus, que não matam gatos nas ruas em rituais violentos, que não estão sempre a clamar contra as regras democráticas que alimentam a plutocracia, etc., etc., etc., sendo por isso difícil ver algum paralelismo entre os partidos dessa direita e os verdadeiros partidos fascistas, tanto mais que alguns chegaram ao poder e não o usam para liquidar fisicamente adversários e inimigos (as purgas internas são semelhantes às de qualquer outro partido actual, não há exemplos de noites de facas longas) nem para militarizar furiosamente os regimes a que presidem.
Depois de agitar o papão, a esquerda e a imprensa (desculpem o pleonasmo) passou a ameaçar a direita moderada de ir para o Inferno se fizesse qualquer acordo com os fascistas (em Portugal, representados pelo Chega, um pobre partido que governa três câmaras municipais e tem vereadores suficientes em mais umas quantas para decidir que propostas se aprovam ou chumbam).
Montenegro cedeu à chantagem da imprensa (neste caso, é mesmo da imprensa) e resolveu dizer que não faria uma coligação de governo com o Chega (suspeito que mais que o barulho da imprensa, Montenegro confiava pouco em André Ventura, por boas razões, e não queria perder a autonomia estratégica para um parceiro que, para além de ser pouco confiável, tinha como estratégia ter mais um voto que o PSD, passando a liderar o bloco que não é o bloco da esquerda).
Para além da insistência na pergunta, sempre respondida da mesma maneira, a imprensa, na sua maneira habitual de torturar a literalidade das palavras até que digam o que os jornalistas querem que digam, resolveu estender a ideia de não fazer coligações de governo com o Chega a toda a actividade política, passando a considerar que se Montenegro e Ventura se cruzarem na rua e, educamente, apertarem as mãos, Montenegro, o PSD e a direita moderada estão a violar a promessa de não passar linhas vermelhas em relação ao Chega.
Esta estupidez (as minhas desculpas, é mesmo estupidez) tem sido a base de análise dos resultados destas autárquicas, como um número não pequeno de jornalistas à procura da linha vermelha ultrapassada ou a ultrapassar em cada câmara ou junta de freguesia.
E, no fim, jornalistas que se preocupam com assuntos irrelevantes, que torturam a informação que diz respeito a esses assuntos irrelevantes, que andam à procura de sinais metafísicos de confirmação das teorias idiotas que inventaram sobre factos irrelevantes, queixam-se da crise do jornalismo que os faz ser mal pagos e ter poucas opções de trabalho.
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