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(Como profunda e respeitosa vénia a Charles Moore e Matt Ridley, da revista Spectator do Reino Unido, intensamente citados e copiados)

Bolsonaro deixa a Amazónia arder? Não. Esta foto é da Bolívia. Mas o chefe de Estado é Evo Morales, socialista e indígena.
Cristiano Ronaldo é um perito de florestas português que joga futebol nos tempos livres e publicou online uma fotografia dos fogos na Amazónia que, dada a sua fama científica, se tornou viral. Com a pressa de sair do laboratório para o relvado, não reparou, porém, que a fotografia era de 2013, e não de 2019. E fora tirada no sul do Brasil, a alguns milhares de quilómetros da Amazónia. Emanuel Macron é um biocientista célebre que nas horas vagas se ocupa da presidência da França. Macron divulgou uma fotografia dos terríveis fogos que devastam a Amazónia. A fotografia datava, porém, de há 20 anos. Madonna é uma famosa biocientista que por vezes se apresenta a cantar em palcos, e que, também ela, publicou uma fotografia alertando para o desastre da queima da Amazónia. Bateu o recorde dos outros três especialistas: a sua fotografia tinha 30 anos.
«Os pulmões que produzem 20 por cento do oxigénio do planeta estão a arder», disseram peritos florestais como Macron, Sousa Tavares, Marques Mendes, e, em geral, os media da imprensa, rádio e televisão portugueses.
Na realidade, a Amazónia não produz oxigénio. Como qualquer ecossistema, consome mediante a respiração praticamente tanto oxigénio como o produzido por fotossíntese. O governador da Amazónia já tinha explicado isto há bastantes anos, mas os factos não convêm à «narrativa». (E, já agora, os pulmões não produzem oxigénio).
«A Amazónia está a arder» (mas só a de Bolsonaro)
A Amazónia não está a arder. A grande maioria dos 75 000 fogos ocorridos este ano deram-se em terras de cultivo e áreas já deflorestadas, alguns iniciados por queimadas de que foi perdido o controlo. O número de fogos é muito maior do que no ano passado, mas o mesmo das ocorrências em 2016, e menor do que em 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2010 e 2012. Mas durante a maior parte desses anos o presidente do Brasil era um socialista (e corrupto), pelo que esses fogos não contam. Acresce que sendo o aumento do número de fogos no Brasil de 85% este ano, na Bolívia esse aumento é de 114%; mas, mais uma vez, sendo Morales socialista, os números da Bolívia não valem. O que vale é que pobres ministros de um governo socialista que deixou arder 100 pessoas em fogos ocorridos numa extensão comparativamente ínfima critiquem e ensinem coisas aos brasileiros.
Alguém dizia que nas sociedades modernas há muito quem tenha substituído as religiões pela adoração do homem e da natureza. Esta adoração ignorante da Amazónia, traduzida em ataques ao presidente do Brasil, que relevam da pura intoxicação política, e ataques ao Brasil (que resplandecem de intromissão em assuntos da soberania interna e escondem mal uma apetência neocolonialista -- «progressista», agora) repetem o mesmo sombrio caminho das velhas disputas sobre a soberania dos Locais Sagrados, que deram origem a tantos aventureirismos políticos e militares em séculos passados.
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