Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Ontem António Costa dirigiu-se ao País. Por aquilo que percebi, lembrou que é função de todos os governos captar investimento estrangeiro relevante, subentendendo-se que tudo o que terá acontecido terá sido no mais estrito interesse nacional, subentendendo-se que a justiça poderá estar a reagir a quente, mas distanciou-se dos envolvidos, subentendendo-se que se algo de errado for apurado, ele nada tem a ver com isso.  Lembrou ainda as dificuldades dos governantes, enredados por um mundo complexo de burocracias que, aparentemente, nos foram impostas por Marte. Tudo, sob uma digna intenção institucional de preservar o interesse dos Portugueses de forma a não diabolizar o investimento estrangeiro e os investidores e acalmar os mercados. Finalmente ainda lembrou que seria uma vitima da lentidão da justiça, (com a qual não tem aparentemente nada a ver).

Terei percebido bem? Ou afinal sou eu que tive cognitivamente um dia infeliz?

São precisos dois para dançar o tango

por Jose Miguel Roque Martins, em 09.11.23

Na faixa de Gaza a situação é um desastre humanitário descomunal. Multiplicam-se as acusações e os pedidos para que Israel salve os palestinianos, que faça uma pausa Humanitária ( que na verdade desapareça). Israel tem sido claro: para o fazer, quer receber reféns em troca.

O Hamas, responsável por um acto terrorista hediondo, sabendo que iria suscitar uma reacção necessariamente violenta por parte de Israel, insistindo em se esconder entre a população provocando horríveis danos colaterais, que tem moeda de troca para satisfazer as pretensões de Israel para uma pausa humanitária ( os reféns) , nada faz para auxiliar o sofrimento dos palestinianos que provocou. Ninguém acusa o Hamas das suas responsabilidades ao ponto de parecer não existirem duas partes neste conflito, apenas um agressor (Israel) que pratica actos que, esquecendo o Hamas, os seus actos e violência ( quem se lembra dos ataques de 7 de Outubro), só podem ser explicados por um desejo de violência genocida.

São precisos dois para dançar o tango, mas aparentemente a música é outra, a de manter um conflito acesso para sempre, com Israel no papel de potentado do mal. 

 

Obrigado Antonio Costa

por Jose Miguel Roque Martins, em 09.11.23

A maior parte dos portugueses, ao fim de 8 penosos anos, já tinham percebido que com António Costa não íamos lá. Apenas não havia alternativa (?). Fez-nos António Costa o favor de forçar a que haja uma mudança. Ainda não sabemos se vamos para melhor ou pior (parece difícil, mas pior é sempre possível). Não sabemos se melhor no curto prazo significa outro António Costa (imobilismo decadente) no longo prazo. Ou se pior no curto prazo não pode trazer coisas melhores no futuro. É a incerteza parte integrante da vida, ao contrário do que sempre pretendemos e da repulsa definitiva que temos ao risco e à mudança.

Se mudarmos sempre que não estamos satisfeitos, acredito que estaríamos melhor. Já que não assumimos riscos por nós próprios é bem vinda a mudança forçada. Obrigado Antonio Costa. 

Fala quando não é útil, cala-se quando não deve

por Jose Miguel Roque Martins, em 07.11.23

António Costa despediu-se com elegância, vai-se embora: que bom. O ministério publico tem que provar não ter feito um golpe de Estado. O presidente da república que fala quando não é útil, vai-se calar até quinta-feira. Portugal no seu melhor.

No final, vamos perceber que a vida não acaba sem Costa e, com um pouco de sorte, até poderá ser um pouco menos penosa.

 

Não há alternativas! Existem sempre.

por Jose Miguel Roque Martins, em 05.11.23

Na última década, parece termos entrado, de novo, numa pequena idade das trevas, daquelas que episodicamente entravam o progresso por algum tempo. Radicalismo, valores entorpecidos, crispação, ódio, instituições à beira do colapso, más decisões, guerras e absurdos em alta, que parecem condenar a uma reversão definitiva da Humanidade.  As forças do bem parecem colapsar (e colapsam) mas acredito que a moderação, o progresso, acaba sempre por vir ao de cima num equilíbrio, por vezes interrompido, abanado e sacudido, mas que no final tende para a estabilidade.

Em Espanha, podemos assistir ao mercantilismo democrático extremo, em que Sanchéz mostra estar disposto a tudo, para, ao arrepio da constituição e da mais elementar decência, comprar a sua investidura aos partidos autonómicos catalães e Bascos, em troca de amnistias, perdões de divida e a referendos mesmo que disfarçados por outro nome. Está disposto a abrir feridas profundas na sociedade Espanhola que se tivessem o desfecho pretendido pelos autonomistas o tornariam democraticamente minoritário.

A reacção de muitas pessoas, tal como acontece cá relativamente a Costa, é acharem que não há nada a fazer. Ou porque é o mal menor ou porque não existe outra alternativa.

Independentemente da investidura de Sanchéz me parecer quase inevitável, a inevitabilidade ( e mal menor) desta solução está longe de ser a melhor solução.

Numa sondagem publicada hoje pelo ABC, 60% dos Espanhóis gostariam de voltar ás urnas e, se assim acontecesse, o PP, mesmo que marginalmente, poderia constituir governo e evitar abrir uma caixa de Pandora. 

Captura de ecrã 2023-11-05, às 11.24.46.png

A investidura de Sanchez deverá acontecer. As consequências serão trágicas. O PSOE acabará por pagar o preço desta enorme loucura, juntamente com o povo Espanhol. Algures no futuro, as coisas acabarão por mudar para melhor. 

PS: outro dado curioso: enquanto quase 90% dos militantes socialistas estão de acordo, com os planos de Sanchez, 40% dos votantes socialistas estão contra. 

Unanimidade deprimente, reacção inexistente.

por Jose Miguel Roque Martins, em 02.11.23

Hoje li um artigo do Daniel Oliveira no Expresso. Sendo um defensor, no campo económico, de tudo aquilo que eu não concordo (uma economia de “esquerda radical” completamente ultrapassada) também aponta para a crescente unanimidade deprimente do consulado do Sr. Costa: nada, absolutamente nada, aconteceu de positivo, exceptuando os passes sociais, mesmo assim só em Lisboa e Porto e transformar o “mais troika do que a troika” em “contas certas”. E assim se passaram 8 anos e provavelmente (pelo menos) outros dois vão passar, em mais uma década perdida. Menos do que poucochinho no mais, já que no menos, podem ser escritos volumes de disparates.

Já quanto à conclusão de Daniel Oliveira, que a famigerada direita vai voltar, já não tenho tanto a certeza, apesar da aparentemente lógica e racionalidade que a deveriam tornar inevitável. Afinal é o povo que mais ordena e que parece considerar que não há alternativa à derrocada, numa lassidão aristocrática que o deixa afundar na decadência.

 

 

Autodeterminação, a pior herança do imperialismo?

por Jose Miguel Roque Martins, em 28.10.23

O conceito de autodeterminação ganha protagonismo, na Europa, a partir da década de 1860, foi consolidado por Woodrow Wilson em 1918 e mais tarde cristalizado na Carta das Nações Unidas.

Este princípio, definido por Wilson enquanto “os povos só podem agora ser dominados e governados pelo seu próprio consentimento”, foi a pedra angular que presidiu, pelo menos moralmente, ao processo de descolonização das potencias Europeias por esse mundo fora e suportou reivindicações de independência de muitos novos Estados desde o fim da primeira grande guerra. É, ainda hoje, um pilar fundamental do direito internacional.

Aparentemente um princípio á priori simples e adequado é de uma enorme complexidade filosófica e de difícil aplicação pratica. O conflito israelo-árabe é um, de muitos conflitos que orbitam á volta deste princípio, origem de soluções felizes, outras menos felizes, outras ainda não resolvidas e muitas ainda embrionarias. 

O conceito tem muito de Eurocêntrico, um continente com uma tradição de organização de Estados e nações antigas e consolidadas. Não é por isso surpreendente que os frutos da sua implementação, no desmembramento de Imperios Europeus multinacionais, tenha apresentado resultados razoavelmente bons. Noutros continentes,  em especial no Médio Oriente e em África, onde a organização social tradicionalmente prescindiu do Estado e se baseou em unidades sociais com pequenas populações, que ocupavam relativamente pequenos territórios, basicamente tribais, não tenha corrido bem. O pecado original começou nas fronteiras definidas por potencias coloniais que, de uma forma geral, não correspondiam a unidades sociais reconhecidas pelos próprios, mas a própria “transcendência” das noções de povo, de nação, de Estado, de comunidade alargada, têm provavelmente uma responsabilidade mais elevada nos problemas a que se assistem. 

O certo é que, com pequenas excepções, nem despontaram democracias, desenvolvimento económico interessante ou até de Estados fortes e plenos. Israel  (e a namibia) é o maior contra-exemplo de um destino  , para já menos promissor destas regiões para onde os Ocidentais exportaram conceitos alienígenas para outras regiões. As descolonizações, o fim dos mandatos, pelo menos como ocorreram, talvez tenham sido o pior do Imperialismo Europeu (e Americano).

Junto 3 mapas que procuram ilustrar sucessivamente o rendimento, a força (qualidade) do Estado e democracias plenas, de 3 fontes e que parecem validar a “tese” apresentada.

Captura de ecrã 2023-10-27, às 15.39.50.png

 

 

Captura de ecrã 2023-10-27, às 15.38.10.png

Captura de ecrã 2023-10-27, às 15.36.49.png

 

 

O que se passa?

por Jose Miguel Roque Martins, em 27.10.23

O governo anunciou que iria permitir que a actualização das rendas se fizesse de acordo com a lei ( e o justo), o que é surpreendente e maioritariamente impopular.

Ao mesmo tempo, continua a insistir no agravamento sem precedentes do IUC, para carros anteriores a 2007, um imposto que penaliza os mais pobres e é claramente impopular.

O que se passa?

 

Vingança e Defesa, Historia e Presente, Responsabilidade.

por Jose Miguel Roque Martins, em 26.10.23

Vingança é punir com o único objectivo de retaliar um agravo ofensa (ou pior). A situação em Israel tem levado muitos comentadores no espaço publico ou nas redes sociais, a criticar a guerra de vingança de Israel.

Enquanto isso, imaginemos qualquer pais que tenha sido alvo de uma invasão temporária por parte de uma organização terrorista. Pode não retaliar, por incapacidade ou, apesar de ter meios, nada fazer por opção, por grandeza moral, desejo de expiação ou outro qualquer motivo.

É exactamente não retaliar que propõe demasiados defensores da causa palestiniana, ligando a resposta de Israel a uma vingança gratuita, onde muitos inocentes irão sofrer a morte e muitos mais, pelo menos, graves prejuízos. Não é vingança responder com força, desde que o sentimento que presida á acção  tenha outra intenção, como por exemplo, autodefesa. Alguns Israelitas desejarão vingança, mas um estado democrático como Israel não age por impulso e sem razões, quando a sua sobrevivencia está em jogo. Não parece que Israel, depois da acção que sofreu e dos bombardeamentos que continua a sofrer, precise de justificar o que é evidente: tem que se defender. O primeiro pensamento que me ocorreu, como a reacção certa por Israel, seria o de erguer um muro intransponível: exactamente o que já tinha sido feito restando, mesmo assim, os rockets e os túneis. Tenho a sorte de nada ter que decidir sobre uma reacção adequada, já que não parecessem existir boas alternativas, mas quem calçar sapatos israelitas, tem que considerar que se tem que fazer alguma coisa.

Outros, lembram que a resposta do Hamas não nasce do nada, que há razões históricas para a explicar. O que nada acrescenta, nem á questão de facto (alguém responder a uma agressão) nem justifica o que quer que seja: todos podem reivindicar agravos passados, ninguém pode cometer barbáries para o justificar.

Todos lamentam as vitimas inocentes  palestinianas ( embora alguns não consideram as Israelitas), embora considere que o Hamas, não só contava com elas mas as consideravam um sucedâneo indispensável ao seu sinistro plano. Pode perceber-se que, com muito menos forças, o Hamas se esconda entre a população. O que leva a perceber que os Israelitas não poderão deixar de fazer vitimas civis e inocentes para confrontar o Hamas. O verdadeiro responsável pela situação que se vive hoje é incontestavelmente do Hamas, não a história, não os diabólicos sionistas, não os custos de contexto, não o mundo Ocidental nem o imperialismo americano.

TAP: boas noticias, más noticias

por Jose Miguel Roque Martins, em 25.10.23

A TAP registou um resultado positivo histórico nos primeiros meses de 2023 de mais de 200 milhões de Euros.

Tudo leva a acreditar que o plano de recuperação e a sua implementação estão a ser um êxito. É por isso importante privatizar a TAP o quanto antes e agora, a melhor preço.

Há exemplos de gestão de sucesso no universo publico, como a CGD sob a actual liderança, depois da injecção de 4 mil milhões de Euros. Acontece, mas a norma é a bons períodos sucederem péssimos desempenhos que tornam a gestão publica esmagadoramente negativa: é a história recorrente em Portugal e em todos os Países. Há explicações teóricas que explicam este fenómeno, mas, mais importante, há um histórico consolidado que não engana. Não importa. Tomar a nuvem por Juno, o circunstancial pelo geral  é especialidade da turba de demagogos que apenas procuram justificar as suas convicções.  

Com tão boas notícias, receio más notícias. Só uma alergia á TAP que o Sr Costa deveria sentir, nos pode salvar.

Se não queres pagar IUC, compra um elétrico

por Jose Miguel Roque Martins, em 24.10.23

A rabula “Se não têm pão, comprem brioches” foi finalmente ultrapassada neste maravilhoso novo mundo dos automóveis eléctricos e realistas politicos brilhantes. Os estúpidos dos pobrezinhos, têm que perceber de uma vez por todas, que não podem fazer birra, não comprar carros eléctricos, andar em carros velhos, poluir á brava e não sofrerem as consequências. Os burros, como eu, julgavam que atacar os contribuintes mais frágeis, mas que por milagre ainda têm uma carripana, seria impopular, mas devem estar enganados. Costa e Medina ou têm um plano, ou perderam completamente a noção ou então já estão por tudo e deixaram-se de fazer cálculos.

Só um país de mansos os pode salvar. Aos outros, não parece haver salvação possível.

 

 

 

É pena que só a rotura traga soluções.

por Jose Miguel Roque Martins, em 24.10.23

O mais elementar bom senso exigia-o. A OCDE e a Comissão Europeia pediam-no. O PS, finalmente, depois de décadas perdidas, finalmente parece querer impô-lo: que não sejam os médicos a definir as vagas em medicina. Os médicos reagem e o ministro da saúde desculpa-se.

Tenho vários amigos médicos. Nenhum assume a falta de médicos, os problemas são outros, entre os quais a impossibilidade de formar mais médicos de qualidade (?). Certo é que as pessoas comuns não têm acesso a médicos nem estes parecem estar a descansar.

É mais um episódio na luta por rendas excessivas que todos os grupos socioprofissionais tentam e quase todos conseguem. Neste caso pelos médicos, que durante décadas até fizeram serviço publico. 

O “equilíbrio”, durante anos, foi conseguido: o SNS fazia de contas que pagava aos médicos que, com consultórios, iam buscar em “horas extraordinárias” o que não ganhavam. Com a saúde privada, os seguros e as convenções, os médicos já não  podem abdicar de um salário condigno, o Estado não pode subsidiar-se nos privados (que pagavam consultas avultadas), mas não está preparado para pagar ordenados de mercado, numa disputa por poucos profissionais.

Finalmente um pouco de racionalidade: que tal deixar o mercado, daqui a uma década, regular-se um pouco? Só um pouco?

É pena que só a rotura traga soluções.

Kissinger e a Ucrânia

por Jose Miguel Roque Martins, em 19.10.23

Há cerca de ano e meio, Kissinger veio sugerir conversações de paz e a perda de território Ucraniano para a Rússia. Por pouco não foi apedrejado. Um exagero, mas os seus comentários parecem estar a envelhecer mal.

No entretanto, houve a efectiva conquista de uma parte importante de território, em Kherson e Kharkiv. A grande ofensiva lançada há uns meses, tem sido prodiga em actos de heroísmo que não se traduzem em grandes conquistas de terreno. Há já trechos de 100 metros que mudaram de mão várias vezes, regados, à vez, por sangue Ucraniano e Russo. Os resultados práticos, aparentam ser pífios: posições defensivas previamente bem preparadas são difíceis de transpor, para Russos e Ucranianos. E o tempo ajuda a reforçar e substituir as linhas dolorosamente destruídas por quem avança.

Os Ucranianos não dependem apenas deles: mesmo que queiram continuar a combater, precisam do apoio em armas e dinheiro dos parceiros Ocidentais que, por sua vez, parecem satisfeitos em manter a frente em lume brando. A queda de Putin talvez seja considerada demasiado perigosa.

Conversações de paz não parecem interessar à Ucrânia: não conseguem avançar mas a Rússia também não dá sinais de o conseguir fazer, nem parece possível que a Rússia aceite sequer voltar à situação anterior à invasão: o Azov Nostrum e a ligação à Crimeia fazem, para já, todo o sentido e os custos materiais e humanos parecem ser perfeitamente aceitáveis para o Kremlin.

Não valerá a pena revisitar Kissinger, bastará, querendo-se, ir diminuindo o ritmo de ofensivas para atingir um resultado equivalente ao da má paz, que mantenha as pretensões jurídicas de Kiev sobre o seu território. E ás vezes há milagres.

Questões difíceis que só o tempo resolve.

por Jose Miguel Roque Martins, em 18.10.23

A resposta à minha provocação de ontem mostra-nos que cada um tem as suas posições cristalizadas e que a posição de Israel é difícil: o que quer que faça não ficará isento de críticas, não existindo nenhuma acção que a torne impermeável ao ódio de muitos.

 A culpa de Israel vem do seu pecado original cuja responsabilidade é das Nações Unidas: ter nascido numa terra ocupada por habitantes não judeus. A criação de um Estado, mesmo com um nível de cuidados pouco habituais na historia , numa zona já povoada por outros, nunca poderia correr bem. Quem gostaria que uma entidade externa, a ONU ou outra, declarasse como de outros o direito de governar o seu território? Quem aceitaria alegremente que a sua terra deixasse de o ser, apenas porque os novos senhores já lá tinham estado há dois mil anos?

Em cada pedaço de terra, por esse mundo fora, já mandaram, à vez, muitos povos, pequenos ou grandes, centralizados ou descentralizados, homogéneos e organizados ou não, até que outros tomaram esses territórios e os chamaram seus. Sem ONU. Sem direito internacional. Sem nunca poderem dizer que seria até ao final dos tempos. Apenas a força tem legitimado a soberania de um povo e, cada País hoje existente, está construído na conquista de territórios que não eram seus. Uma injustiça pré existente a que ninguém escapa. Nem os palestinianos do Século XX, que por sua vez tinham ocupado a terra de outros. Todos nós beneficiamos de atrocidades anteriores. Uma verdade terrivel mas nem por isso menos verdadeira. Legitima novas injustiças? Não. Apenas explica como as coisas acontecem. 

Não importa que Israel, ao longo dos seus quase 80 anos, tenha respondido a ataques constantes desde as primeiras horas da sua criação. Não importa que quem ataca Israel o faça de forma desproporcional e barbara. Não importa se Israel é uma democracia que respeita os direitos humanos dos seus cidadãos e quem a ataca sejam países pouco recomendáveis ou facções terroristas sem respeito por nenhuma regra e que consideram o martírio de inocentes, até palestinianos, como uma boa causa. Haverá quem se foque apenas nas barbaridades que Israel também comete. Haverá sempre quem se agarre ao pecado original de que Israel não é responsável. Tivesse Israel sido criado num território sem população, talvez as coisas podessem ser diferentes.

Israel já existe há 80 anos. É um país prospero, capaz, com quase 10 milhões de habitantes, dos quais 25% são palestinianos árabes e muçulmanos. Os judeus são um povo milenarmente perseguido, que percebeu que tem que depender de si mesmo. Alguém pode pensar que vai abdicar de se defender como puder? Faz sentido não reconhecer o direito de existência de Israel? Faz sentido não impor a paz a quem não a aceita de forma nenhuma? Faz sentido legitimar novas barbáries? 

Não me parece. E daqui a umas centenas de anos, acredito que toda esta questão estará completamente ultrapassada.

Provocação

por Jose Miguel Roque Martins, em 17.10.23

Um grupo terrorista mata mais de mil Portugueses, faz reféns e refugia-se num prédio onde estão uns milhares de inocentes. Pedem a rendição incondicional de Portugal.

Como deve reagir António Costa?

 

  1. Aceder às exigências;
  2. Enviar as tropas de choque tomar o edifício, mesmo que isso implique a morte de milhares de inocentes;
  3. Cortar água electricidade e comida, esperando que os terroristas se rendam;
  4. Não fazer nada e prometer atribuir uma medalha de mérito cívico aos terroristas;
  5. Cercar o edifício, providenciando o conforto possível a reféns, terroristas e inocentes, na esperança que um dia a coisa passe ( o que já tinha feito no passado com outro edifício ainda cercado há já uns anos).

Qual a sua resposta honesta?

 

O cavalo do Inglês

por Jose Miguel Roque Martins, em 12.10.23

Uma lenda apócrifa conta-nos a historia de um Inglês, que decidiu ensinar o seu cavalo a deixar de comer. Todos os dias, tirava um punhado de palha da ração do dia anterior. Quando o cavalo estava quase a aprender.....morreu.

O Estado faz o mesmo, cada ano que passa, aumenta a carga fiscal, na esperança de poder vir a governar todo o dinheiro dos cidadãos.

No entretanto faz uns números de sedução eleitoral, baixa uns impostos ( este ano o IRS),  dá com uma mão para depois tirar mais com a outra. Os Portugueses, lá vão aprendendo a dar cada vez mais ao Estado, mas desconfio que mais dia menos dia, vão perceber o que está a acontecer. 

Nem tudo é negativo. As “contas certas” que substitui o mote “mais troika do que a troika”, parece que veio para ficar. Cada vez será mais difícil fazer acreditar a todos os grupos de interesse que o Estado pode resolver tudo a todos.

Um dia destes, olhar para o verdadeiro problema, a despesa e boa gestão de recursos pelo Estado, vai tornar-se inevitável. Ou então o cavalo morre.

PS: o tempo em que se vai questionar porque não se cria riqueza, vai demorar ainda mais tempo, mas com sorte tambem há de acontecer. 

 

A crise das migrações

por Jose Miguel Roque Martins, em 07.10.23

Querer viver acima das possibilidades assenta que nem uma luva a Portugal mas está longe de ser uma característica que lhe seja exclusiva. Todos, ou quase todos, os países europeus assumem a sua imensa disponibilidade humanitária aos migrantes e na prática vivem uma total hipocrisia. Pagam a outros países para conterem refugiados. Não ajudam os países periféricos que por eles são invadidos. Criticam asperamente os países que assumem a sua indisponibilidade para receber migrantes. Inventam todos os pretextos para, com “humanidade”, se desembaraçaram do problema. 

É politicamente impossível acolher todos os que, atingidos pela mais absoluta miséria e insegurança, tentam rumar á Europa, a não ser que o Divino Espírito Santo baixasse sobre os europeus, o que, ao que consta, nunca aconteceu.

Somos Humanistas, somos solidários, mas sobretudo nas palavras.

 

 

A insuportável vertigem da perfeição

por Jose Miguel Roque Martins, em 04.10.23

Em Portugal, país que não tem dinheiro para fazer cantar um cego, somos de uma exigência de perfeição absurda.

Não há professores, mas a hipótese de professores sem um mestrado em pedagogia, não havendo objectivamente hipótese alternativa, no curto prazo, de conseguir professores com as habilitações exigidas, é olhada com opróbrio.

Os lares de terceira idade, são obrigados a cumprir maravilhosas condições. Como nem o Estado, nem os utentes têm dinheiro para pagar a qualidade obrigatória, florescem os lares ilegais e situações de aflição desumanas;

A qualidade e requisitos da construção nova, são extraordinários, mas depois só os muito ricos têm dinheiro para os pagar, enquanto os outros se amontoam em quartos;

Estabelecem-se legalmente direitos apetecíveis, para depois não os cumprir por falta de verba.

Os exemplos multiplicam-se, ad nauseam. Apontamos à perfeição para depois termos desastres. Não será tempo de realismo?

Ainda vamos piorar para poder (eventualmente) melhorar.

por Jose Miguel Roque Martins, em 03.10.23

Desde o 25 de Abril, que temos governos de esquerda. Vivemos hoje melhor do que vivíamos em 1974, muito pior do que poderíamos viver se tivéssemos políticas simples, conhecidas e testadas, todas recusadas em Portugal com horror, um País alérgico ao liberalismo (mesmo em moldes escandinavos), bom senso, noção das realidades e, sobretudo, recusa da liberdade e responsabilidade individual. Ao Estado o seu papel: poder satisfazer as necessidades dos imensos grupos de pressão a que pertencemos. Uma esmola a cada um, reparar uma câmara de ar com a própria borracha que ainda está boa.

Estarmos na cauda da Europa, sermos ultrapassados por quase todos no espaço Europeu, não convergirmos com os nossos “semelhantes”, não impressiona minimamente os Portugueses. Em equipas que perdem não se mexe.

Durante décadas fomos recorrendo ao endividamento Publico para fazer face ás necessárias esmolas para manter uma ilusão de progresso, mas atingimos os limites do nosso endividamento na ultima bancarrota.

O reconhecimento que as coisas vão mal, já existe. No dinheiro que acaba antes do fim do mês, na saúde, na habitação, na educação, nos jovens que emigram, no problema demográfico, na incapacidade de aumentar a produtividade, na impossibilidade de garantir “direitos irrevogáveis”.

Se nada de substancial mudar, o futuro só pode ser pior. A questão é mesmo esta: será que perante a total falencia do rumo escolhido, que mais dia menos dia vai ser consensual, os Portugueses se vão questionar quanto á necessidade de mudar, ou vão antes decidir "aprofundar" e "aprimorar" o sistema? 

Como dizia Margaret Thatcher , o socialismo acaba quando acaba o dinheiro dos outros, o que já aconteceu. A única duvida será se, a um socialismo relativamente feliz, vai suceder o socialismo absolutamente tirânico, uma evolução ou uma revolução.

Ainda vamos piorar para poder (eventualmente) melhorar.

A democracia decadente e insuficiente

por Jose Miguel Roque Martins, em 01.10.23

O resultado das eleições de ontem na Eslováquia é mais um sinal da falência crescente do modelo Democrático. Radicais de esquerda e direita cresceram, sendo muito provável que cheguem ao poder. A acontecer, para horror do mundo ocidental, vão juntar-se à Hungria e à Polónia, como Estados que podem ameaçar o estado de direito e a Democracia. Não podemos, todavia esquecer que, nestes países, as escolhas foram democráticas e que na maior parte das democracias, ditas plenas, são cada vez mais versões crescentemente pálidas de Estados de direito.

Em Portugal, os atropelos á lei são pratica comum e despudorada, servindo os interesses partidários e não o interesse, nem do País, nem são opções ideológicas. António Costa advoga ponderar a lei de actualização de rendas, com os interesses dos inquilinos, mais numerosos, mesmo sabendo estar a contribuir para o agravamento do problema habitacional. Montenegro advoga a reposição das progressões automáticas dos professores, mesmo sabendo que o cumprimento da Lei, representa um agravar das desigualdades entre os Portugueses dos sectores privado e publico, correspondendo a um agravar dos impostos e da miséria colectiva para todos.

A democracia tornou-se, em muitos países, uma enorme confusão, sem ideologia nem equilíbrio, em que a sedução de eleitores é dominante e contraditória, já que cada votante pertence a diferentes grupos de pressão, com sortes normalmente diferentes.

No final, resta o desajustado espanto pelo crescimento do radicalismo e populismo, quando resulta de uma tradição democrática que perdeu o equilíbrio dos valores e dos objectivo primários de qualquer regime, a protecção dos direitos e garantias de todos os cidadãos. Não basta democracia, um mero instrumento de organização política.  São estritamente necessárias a liberdade,  justiça e desenvolvimento. 


Corta-fitas

Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

Contacte-nos: bloguecortafitas(arroba)gmail.com



Notícias

A Batalha
D. Notícias
D. Económico
Expresso
iOnline
J. Negócios
TVI24
JornalEconómico
Global
Público
SIC-Notícias
TSF
Observador

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes


Links

Muito nossos

  •  
  • Outros blogs

  •  
  •  
  • Links úteis


    Arquivo

    1. 2024
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2023
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2022
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2021
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2020
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2019
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2018
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2017
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2016
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2015
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2014
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2013
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D
    157. 2012
    158. J
    159. F
    160. M
    161. A
    162. M
    163. J
    164. J
    165. A
    166. S
    167. O
    168. N
    169. D
    170. 2011
    171. J
    172. F
    173. M
    174. A
    175. M
    176. J
    177. J
    178. A
    179. S
    180. O
    181. N
    182. D
    183. 2010
    184. J
    185. F
    186. M
    187. A
    188. M
    189. J
    190. J
    191. A
    192. S
    193. O
    194. N
    195. D
    196. 2009
    197. J
    198. F
    199. M
    200. A
    201. M
    202. J
    203. J
    204. A
    205. S
    206. O
    207. N
    208. D
    209. 2008
    210. J
    211. F
    212. M
    213. A
    214. M
    215. J
    216. J
    217. A
    218. S
    219. O
    220. N
    221. D
    222. 2007
    223. J
    224. F
    225. M
    226. A
    227. M
    228. J
    229. J
    230. A
    231. S
    232. O
    233. N
    234. D
    235. 2006
    236. J
    237. F
    238. M
    239. A
    240. M
    241. J
    242. J
    243. A
    244. S
    245. O
    246. N
    247. D

    subscrever feeds