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Tempos estranhos

por João Távora, em 12.12.15

Desgosta-me muito e desinteresso-me da política por estes dias em que os reaccionários recuperaram o poder, desconstruindo à golpada todas as convenções em que se foi fundando a nossa jovem democracia. As convenções que afinal deveriam ser preservadas e respeitadas como regras de uma constituição não escrita, emanada da da experiência e aplicada para o bem (mesmo) comum. Não é só o recuo das (poucas) difíceis reformas instituídas pelo governo do resgate, em favor das mais poderosas corporações que teimam bloquear o mérito e a exigência como valores cruciais, mas a estética revolucionária e desconstrutiva com que teremos de conviver impotentes, que esse é o preço que os socialistas pagam aos seus parceiros para aplicarem mais “austeridade”, tolerada agora como virtuoso "rigor". A semântica é uma batata. É tempo da comunicação social assobiar para o lado, para as ameaças da ascensão das extremas-direitas na Europa ou do fenomenal papão Donald Trump nas eleições americanas. Por cá o regime foi devolvido aos seus donos e a nova oposição está condenada a uma longa noite assombrada pelos seus esqueletos nos armários. Ou de crescimento e reconstrução.

40 anos do 25 de Novembro

por João Távora, em 25.11.15

25 de Novembro.jpeg

Tenho para mim que, se celebramos a liberdade no 25 de Abril, deveríamos festejar a democracia no dia 25 de Novembro. Num país cujas efemérides sacralizadas são tantas vezes duvidosas, é importante relembrar os acontecimentos e os protagonistas que, faz hoje quarenta anos, travaram o "Processo Revolucionário" que então paulatinamente instaurava um regime militar comunista em Portugal. É bom hoje lembrar esses tempos agitados, com as cadeias cheias de presos sem culpa formada, a comunicação social condicionada pelos comunistas, uma deriva de nacionalizações e muitas empresas e propriedades ocupadas por piquetes revolucionários. Hoje é bom lembrar que foi a partir do 25 de Novembro de 1975 que as armas e os militares iniciaram a sua lenta recolha aos quartéis e uma verdadeira transição democrática pode ser finalmente negociada entre as forças politicas sobreviventes. Encaremos a democracia não como uma conquista, mas uma tarefa que não acaba mais. 

Afeições

por João Távora, em 08.06.15

José Sócrates ao fim de seis meses já sofre do Síndrome de Estocolmo: não quer sair da prisão de Évora

O regime a chafurdar da lama

por João Távora, em 19.03.15

voyeurismo.jpg

O barulho causado por este “caso” das listas VIP confunde e desvia a atenção daquilo que deveria ser a preocupação primeira das pessoas: como se promover a protecção eficaz do sigilo fiscal, defender os cidadãos do simples voyeurismo do funcionário das finanças e no limite à sua utilização como arma de arremesso ou exibição pública na comunicação social. Parece-me muito pertinente que a Autoridade Aduaneira estude e ensaie estratégias profilácticas para esta perversão. Parece-me também bastante óbvio que há um conjunto de cidadãos que, pelo seu protagonismo social e político se encontram mais expostos a abusos e ataques, aspecto que em nome da eficácia legitima que se trate de forma diferente aquilo que é diferente – é evidentemente pouco provável que algum funcionário das finanças perca tempo a bisbilhotar ilicitamente a declaração de IRS do Manuel dos Anzóis vice-presidente do Grupo Recreativo e Cultural de Alguidares de Baixo. Pelo que venho lendo aqui e ali (seria interessante a comunicação social fazer uma pesquiza do que é a metodologia utilizada nos outros países) estas listas são prática comum onde impera a norma do sigilo fiscal para defesa da confidencialidade dos dados de cidadãos mais expostos à ira sectária de alguns ou sentimentos baixos da turba.

Custa por isso a entender como o governo, e principalmente o CDS cujo grupo parlamentar se reduziu a um silêncio ensurdecedor, se deixou tiranizar pelo igualitarismo politicamente correcto - proteger toda a gente é o mesmo que não proteger ninguém, como é fácil entender: por exemplo, não se preparam contingentes especiais de polícia onde o perigo de tumulto seja mais evidente, ou de vigilância numa exposição de preciosidades artísticas? Também me parece certo que António Costa ao cavalgar este caso, se no imediato ganha com a confusão - a mensagem que passa é de que o governo quer proteger os poderosos de serem fiscalizados -  a prazo compromete e enterra com mais lama o regime de que depende a sua carreira.  

Amargura

por João Távora, em 26.02.15

Pouca gente terá notado que ontem à noite Freitas do Amaral deu uma “Grande Entrevista” à RTP Informação a qual com alguma amargura resisti assistir aos primeiros 10 minutos. O caso José Sócrates suscita muitas dúvidas a Freitas do Amaral, constato... E Freitas do Amaral nunca teve dúvidas sobre a actuação de José Sócrates, pergunto-me?
O que explica esta patética irrelevância alcançada, que triste fim de vida este, de um político que tanto prometeu e acabou passando totalmente ao lado da História. A falta que faz a um homem inteligente e culto ter um carácter forte.

Epifania

por João Távora, em 26.02.15

Alfredo Barroso teve uma epifania e enquanto dormíamos anuncia o abandono do PS. A realidade não se cansa de nos surpreender. 

O desespero é mau conselheiro

por João Távora, em 31.01.15

salgadoesocrates.png

Com os patéticos ataques de Ana Gomes a Paulo Portas e da Comissão de Inquérito ao BES a Passos Coelho e ao Presidente da República está lançada a chicana politica em que o Partido Socialista aposta na tentativa de radicalizar um discurso vazio de soluções. Com José Sócrates na cadeia, o último primeiro-ministro que governou numa relação íntima com a oligarquia dos negócios, a António Costa restam poucas alternativas além de lançar a confusão e ajavardar a disputa para gáudio dos canais de notícias sedentos de conteúdos sensacionais e baratos. Acontece que a "merdização" da política apenas favorece a descredibilização dos partidos do "arco da governação" e promove as franjas radicais: em Ana Gomes já poucos acreditam, e a tentativa de aproveitamento da carta de Ricardo Salgado ainda vai virar o bico ao prego - trata-se afinal de atirar lama para a ventoinha. Como escreve o insuspeito Pedro Santos Guerreiro hoje no Expresso, “Querem falar da relação entre Salgado e políticos? (…) Então chamem ao Parlamento outras pessoas: Rosário Teixeira e Carlos Alexandre. Eles sabem.” Eu cá por mim obrigava os socialistas (e não só!) a assistir a um seminário sobre a decadência e queda do nosso rotativismo liberal no século XIX.

Respect

por João Távora, em 26.10.14

Concedo que talvez nos tivessemos livrado de muitos problemas para o País tendo sido evitado o último Orçamento de Estado da primeira legislatura de José Sócrates (em 2009, lembram-se da folgança?), mas duvido que seja essa a preocupação dos moralistas que perante a perspectiva duma arriscada sobreposição de eleições agora reclamam a antecipação das legislativas. Não me parece razoável que se mudem as regras do jogo no pressuposto de que os participantes não estejam à altura do desafio. O que é espectável e exigível depois de quarenta anos de democracia é que as instituições funcionem e os intervenientes tenham aprendido com a História e estejam à altura das suas responsabilidades. O caminho que nos resta é estreito e os mercados não deixarão de cobrar com língua de palmo qualquer aventureirismo. Os pressupostos são claros, jogue-se de acordo com as regras então.

A importância de se chamar António

por João Távora, em 14.09.14

 

Prova provada de que nem sempre a substância prevalece sobre a forma são as eleições primárias no partido socialista, em que tal matéria foi definitivamente banida da discussão. Simplificando, o que está verdadeiramente sujeito a sufrágio resume-se ao António. Ou ao outro, o tempo o dirá. Tem razão Jorge Coelho para se preocupar: o processo eleitoral no dia 28 tem que transparecer absolutamente imaculado, o que não é líquido, sabendo-se como as disputas dentro dos partidos tendem para deslealdade, obscuridade, fraudes e chapeladas. Se assim não for nem a vitória clara do António salvará o Partido Socialista de uma enorme catástrofe. 

Podia ter sido bem pior

por João Távora, em 12.09.14

Ultrapassado o susto da iminência da bancarrota de José Sócrates e consequente intervenção dos credores em Portugal é curioso como vingou a tese critica de que a crise poderia ter sido menos maligna se o governo não tivesse usado de excesso voluntarismo, ou o intuito “de ir além da Troika”. Na minha opinião tenho ideia de que os anos de chumbo do “Memorando de Entendimento” nunca teriam sido levados a bom termo como foram se o governo tivesse sido temerário e exibido publicamente hesitações ou reservas na sua aplicação. Se a “brutal” firmeza com que as intenções governamentais foram anunciadas foi factual, tal resultou de um posicionamento para um confronto negocial de vida ou de morte com interesses instalados que se adivinhava extremamente difícil. O certo é que mesmo assim essas “intenções” expectavelmente jamais tiveram correspondência à realidade, sempre duramente “negociadas” nos limites da constitucionalidade com os lóbis e as forças de protesto que há pouco mais de um ano ainda cavalgavam o descontentamento num clima de pré-guerra civil encenado para as televisões. Salvos da falência e com o acesso aos mercados em condições há pouco tempo impensáveis, o certo é que no final, prevaleceu uma inaudita carga fiscal e um Estado hegemónico que captura o mérito e a iniciativa privada. Ao fim e ao cabo os socialistas deviam dar-se por felizes com o empate técnico alcançado: a terceira república abanou mas não caiu, o liberalismo nem vê-lo... e o País foi resgatado aos credores e consegue financiar-se. Podia ter sido muito pior, ou não?

Os invertebrados

por João Távora, em 05.09.14

Esta entrevista a Nuno Godinho de Matos é muito relevante sobre as "elites" promovidas pelo regime que nos apascentam há décadas. Gosto particularmente da imagem a si próprio aplicada sem qualquer pudor, "um acessório de toilete de senhora", a propósito do seu papel nas meia dúzia de reuniões anuais do conselho de administração do BES em que participava e pelas quais auferia uns tentadores doze mil euros por ano. Claro que a causa do desastre foi a "supervisão". Deve ter sido também como berloque de fancaria que “no tempo dele” transportou uma mala cheia de dinheiro do grupo socialista do Parlamento Europeu para entregar a Mário Soares, uma revelação feita a propósito da falta transparência do financiamento dos partidos políticos. Como é bom de ver o enquadramento do vice presidente da Ordem dos Advogados e ex-deputado socialista Nuno Godinho de Matos que “toda a vida lutou contra a bandalheira e o facilitismo” está rigorosamente posicionada ao centro: é apoiante de António Costa para primeiro-ministro e de Marcelo Rebelo de Sousa para presidente da república. 

 

Igualdade

por João Távora, em 08.08.14

Parece-me óbvio que, como refere Roger Scruton em “As Vantagens do Pessimismo”, a igualdade como principal desígnio do ensino só será plenamente alcançada eliminando escrupulosamente qualquer intenção de instruir. Só quando estiver instituído um “objectivo zero” de saber, os alunos sairão finalmente todos iguais. Mas mesmo assim suspeito que um mínimo de discriminação será sempre necessária à escola, por forma a moderar os danos da alarvidade e da força bruta que ascenderá ao topo da cadeia hierárquica.

Para além do BES/GES…

por Vasco Mina, em 05.08.14

Desemprego acentua tendência descendente e cai para 13,9%

A percentagem é ainda elevada mas não deixa de ser positivo ser o 5º trimestre consecutivo que regista uma queda desta taxa. Preocupante mesmo é Assim, a percentagem de desempregados de longa duração que se encontram nesta situação há pelos menos um ano pois passou de 61,5% no segundo trimestre de 2013 para 67,6% no segundo trimestre deste ano. É que para estes não existem programas de estágios e mais dificilmente, do que os jovens, encontrarão alternativas profissionais…

A vitória da senhora gorda e a dor de cotovelo

por João Távora, em 16.07.14

A propósito das manifestações de júbilo da chefe do governo alemão na vitória da selecção do seu País no mundial de futebol do Brasil, tenho a dizer que de algum modo chocou-me o despudor de algumas manifestações de ódio irracional testemunhadas em comentários nas redes sociais - às vezes provenientes de pessoas supostamente bem formadas. As apreciações à aparência física ou modo de vestir e demais injúrias feitas a Angela Merkel definitivamente qualificam mais quem as emite: além de má criação, reflectem afeições bem obscuras e mesquinhas que no mínimo deveriam ser disfarçadas por pudor.  

Persistir no erro de pensar que os alemães, que elegeram a sua sua chanceler democraticamente com 41,5% dos votos, são os responsáveis pelos males dos países como o nosso que mostram mais dificuldades em sair da crise do crédito fácil é demasiado básico, e assim sendo, uma fatalidade para nós portugueses. Recusar aceitar que o sucesso económico da Alemanha reunificada é essencialmente mérito dos alemães, que para tanto se sacrificaram durante anos, negar assentir que no actual modelo de organização europeu ainda compete a cada governante privilegiar os objectivos e interesses do seu País e pugnar pelo progresso e bem-estar do povo que os elegeram, é um erro trágico que denúncia acima de tudo os nossos logros. Finalmente, pretender reduzir a herdeiros do nazismo ou boçais comedores de salsichas aquela que é a Pátria de Bach, Beethoven,  Goethe, Thomas Mann, Kant, Hegel, Marx, Schopenhauer, Nietzsche, Einstein, Habermas ou  Marlene Dietrich, não será uma caprichosa criancice?
Pela minha parte tenho a confessar que após da eliminação do Brasil apoiei a Alemanha, selecção que já vinha demonstrando desde o início do torneio ser a equipa mais bem preparada, revelando um invejável (!) poder atlético, apuro técnico e eficácia táctica. Notas duma excelência cuja dor de cotovelo não nos deveria fazer cegar, antes saber tomar como bom exemplo. No futebol e no resto.

 

Os bloquinhos de esquerda

por João Távora, em 14.07.14

Agora que o BE se vai fragmentando em bloquinhos pequeninos todos contra o capitalismo, os ricos e essas coisas hediondas, como lhes será redistribuído o tradicionalmente generoso tempo de antena na comunicação social? 

O aprendiz de feiticeiro

por João Távora, em 06.07.14

 

A defesa da imperfeição intelectual humana

começa por desautorizar a procura de ideais utópicos,

sejam eles revolucionários ou reaccionários,

porque as quimeras assentam na arrogância própria de quem se considera omnipotente ou omnisciente,

ignorando «a sua própria cegueira»

e as contingências inevitáveis que

sempre se abatem sobre a conduta humana.*

 

Sei que corro o risco de resgatar da completa irrelevância a entrevista dada por Joana Amaral Dias (JAD) a Nuno Ramos de Almeida publicada ontem no jornal i, que nas entrelinhas da ambiguidade em que mergulha a psicóloga e activista de esquerda, autora do livro recentemente publicado “O cérebro da Política“, não deixa de inquietar qualquer espírito livre e democrata.
Uma pessoa lê e relê o artigo e não acredita: partindo da consideração enunciada no seu livro de que o “posicionamento esquerda direita está ligado a uma estruturação psicológica que se dá por volta dos 18 meses”, que “as pessoas de esquerda e de direita tem personalidade, cognição e ambições diferentes” a entrevistada conduz-nos à conclusão cientifica de que “aquilo que nós sabemos (!) de uma maneira geral (!!!), é que a grande diferença entre os eleitores de esquerda e de direita é que os primeiros têm mais a capacidade de transformar aquilo que é inerente à condição humana, o ódio, o medo e a angústia, em laços com os outros – o tal poder para mudar”. Se restassem dúvidas, fica assim comprovada a génese e os sintomas da perversão de que padecem as pessoas que como eu têm tendências conservadoras e de direita. Mas deixa-nos mais descansados o facto de a psicóloga nos garantir esse defeito de carácter não constituir uma fatalidade pois que “essa estruturação é sempre passível de ser alterada”. “Sou psicoterapeuta e esse é em grande medida o meu trabalho.” Daí que desconfiamos que a propaganda política tenderá a breve trecho transitar dos discursos, debates e cartazes, para os infantários ou gabinetes do psicólogo. Subsidiado pelo Estado, esse Grande Irmão, está-se mesmo a ver.
Agora falando sério: na entrevista, JAD acaba por não se atrever a tirar grandes consequências de tudo isto, evitando até de forma habilidosa as soluções finais para as teses que defende, não concretizando “o tal caminho radical” para uma “transformação absoluta da sociedade” condicionada pela “política capitalista” na sociedade que temos.
Refere às tantas a ex-bloquista: "é pensar como é que educamos ou socializamos as pessoas que chegam ao mundo para ter um resultado diferente. Se as educamos assim, não podemos esperar que o resultado seja diferente” e "o que digo é que os primeiros anos do desenvolvimento têm estado arredados das questões políticas”. Mas pergunto eu, não serão tais “condicionalismos” de “uma estruturação psicológica infantil” em que JAD pretende a intervenção "terapêutica", a génese do individuo único e irrepetível, e manipular tal matéria por causa duma utopia política uma completa barbaridade? Trazer a interferência  política para a infância precoce não será uma intromissão no plano mais íntimo das liberdades individuais e um descarado assalto à instituição famíliar? Se como defende a entrevistada a “questão racional na política são amendoins”, não manda a prudência sermos muito cautelosos na forma como desejamos implementar as nossas crenças?
Agora temos finalmente uma pista para entender o percurso de Joana Amaral Dias que, dos anos noventa, no auge do projecto “O Independente” e da revista K de Miguel Esteves Cardoso quando chegou a ser militante monárquica inscrita, chega aos nossos dias a cortejar a extrema-esquerda totalitária. Tal itinerário terá certamente sido percorrido com o auxílio de gabinetes de psicoterapia e psicanálise, espera-se que sem recurso a muitos expedientes farmacológicos. Porque nesse âmbito da saúde mental e psicológica navegam-se ainda mares pouco conhecidos e a prudência aconselha a que não se brinque com coisas sérias, sob o risco de se criar monstros.

 

*João Pereira Coutinho – “Conservadorismo” D. Quixote 2014 pp 153

Dar a volta

por João Távora, em 01.06.14

"Nós os Cristãos não podemos fazer de Pilatos e lavar as mãos. Temos de nos meter na política - é uma das formas mais altas de caridade."

Papa Francisco

 

Quem assina o Contrato?

por Vasco Mina, em 20.05.14

O PS apresentou um documento com 80 compromissos para um futuro Governo e a que apelidou de Contrato de Confiança. Isto a uma semana das eleições para o Parlamento Europeu. Eu preferiria que os partidos apresentassem as suas propostas para as futuras intervenções na política europeia; por outras palavras gostaria que se discutisse a Europa e as várias abordagens políticas. Mas, infelizmente, não é essa a opção das candidaturas partidárias e o PS vai até mais longe ao propor que estas eleições sejam a manifestação da vontade popular quanto a um futuro Governo. Ou seja, pede que os portugueses assinem o Contrato de Confiança através do voto para o Parlamento Europeu. Aqui começa a minha desconfiança pois está o PS a convidar-nos a esquecer a causa primeira deste próximo ato eleitoral e que ao colocar o voto na urna pensemos não naquilo que os eurodeputados (que agora elegeremos) irão fazer mas sim em quem queremos para formar novo Governo. Por um momento apenas aceito este convite do PS e por isso pergunto: qual a confiança que poderei ter na proposta socialista? A confiança de que vai fazer diferente daquilo que a governação PS/Sócrates fez? A confiança de que vai assegurar saldo primário positivo nas contas nacionais, ou seja, que a despesa não vai ser superior à receita (juros da dívida não incluídos)? Não, não tenho confiança. Não assino este contrato!

Troika - e depois do adeus?

por João Távora, em 17.05.14

O problema é que o sucesso do resgate português deixou um rasto de destruição no que restava da reputação do regime e das suas instituições. E para ganhar um balão de oxigénio o regime necessita da imolação dum cordeiro, leia-se dos executantes do programa da Troika: o pouco provável descalabro da Aliança Portugal nas eleições europeias. Um fenómeno explicável pelo o vazio estético e mediocridade intelectual que reflectem os movimentos e protagonistas alternativos, que não conseguem aproveitar a fragilidade das instituições e do modelo partidário agonizante. É do seu interior que, numa despudorada cacofonia esquizofrénica, surgem as vozes das desgastadas elites que por mais que estrebuchem não conseguem emergir da lama – Capuchos, Marcelos e quejandos - mais do mesmo como é fácil concluir. Dado como certo, é a crise moral que emergiu do ajustamento financeiro que se apresenta como uma oportunidade de remissão. Para uma profunda reforma do regime, que tarda. 

Mistérios celestiais

por José Mendonça da Cruz, em 05.05.14

Pobre esquerda, remetida ao triste recurso de dizer que os Portugueses não servem para nada, que os seus sacrifícios não serviram para nada, que a consolidação orçamental não serviu para nada, que o excedente comercial não serviu para nada, que a recuperação da credibilidade externa não serviu para nada, que o c rescimento não serve para nada, que a diminuição do desemprego não serve para nada, que a reprogramação dos picos de dívida não serve para nada, que a almofada de segurança de 1 ano não serve para nada, e que a saída limpa se deve tão só aos mercados (que ela considera «um casino»), e à União Europeia e BCE (que ela acha «não solidários»), e aos gregos e aos italianos e aos espanhóis, a todos menos aos Portugueses e ao governo. Pobre esquerda que não aprendeu nada e só tem como consolação uma coisa, a coerência. Coerência, porque o que pensou e pensa da bancarrota, é o que pensa da saída limpa: são coisas que caem dos céus, estranhas e imprevisíveis. 



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