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Prémio JV

por Corta-fitas, em 02.05.07
Para o título mais confuso do dia: «Porco preto alentejano é branqueado e vendido como gato por lebre». Público, pág. 24. Mas, pelo menos e lido o artigo, fico a saber que existe um «Livro Genealógico Português de Suínos». Vou comprá-lo e lê-lo, por razões que prescindo de explicar.

Umbiguismo

por Corta-fitas, em 30.04.07

A rubrica «Gente» do Expresso afirma que foi «ao baú e desencantou uma entrevista» dada por José Sócrates ao Dna em Setembro de 2000, para retirar de lá uma citação. A rubrica «Gente» omite que essa citação foi retirada do livro agora lançado e da autoria de João Pombeiro, «Pela Boca Morre o Peixe», que o Francisco já citou há vários dias aqui e nós depois disso também, para além de diversos outros blogues. Que o Expresso na sua habitual sobranceria ignore os blogues, é algo que não espanta. Mas que não cite o livro de onde retirou a citação, o qual foi distribuído a todas as redacções, já me parece umbiguismo a mais e desprezo pelo trabalho do autor. Ou então, a «Gente» foi mesmo ao baú. Ele, às vezes, há mesmo coincidências...

A escassa minoria

por Corta-fitas, em 27.04.07
Imagino que o João Pedro Henriques não tenha tido muito tempo, depois de receber e analisar os resultados da sondagem, para escrever este artigo de hoje no DN. Nele, fala-se por duas vezes numa «escassa maioria» que acha que Sócrates saiu fragilizado do caso UnI. A «escassa maioria» são 50,2% dos inquiridos e isso, de acordo com JPH, «choca com a opinião de alguns comentadores, que afirma que o caso produziu um abalo forte na sua imagem». Lido isto, fico com a impressão de que se cria uma discordância onde ela não existe. Quanto muito, seria a escassa minoria dos 41,8% a «chocar» com os comentadores. Ou não? Não quero armar-me em Paulo Gorjão, mas há aqui uma lógica qualquer um bocado desafinada.

Este post não tem imagem

por Corta-fitas, em 23.04.07
Tenho consciência de que isto, vindo de mim, pode parecer incongruente. Mas a revista FHM está uma decadência consumada. Podia desfilar aqui, e desfilo, o rol de motivos que estão na base desta polémica afirmação: As anedotas com décadas de estupidez transmitida ao longo de gerações; as pseudo histórias vividas pelas leitoras que já eu lia quando folheava as revistas pseudo pornográficas do meu pai; os conselhos de engate que parecem ser dados a rapazinhos que nunca viram uma mulher em 3D na vida ou, simplesmente, aquela entrevista à rapariga da capa que acaba com o jornalista a dizer «estamos satisfeitos». Para além, acrescente-se, daquele permanente salivar da prosa de quem priva com gajas boas todos os dias e ainda é pago para isso, mas continua ter a que parecer que tira daí alguma satisfação e nem precisa do ordenado.
É certo que, nos píncaros da mencionada decadência, a melhor peça do último número da revista (literariamente falando) é a experiência de um redactor da FHM no Second Life, na vã tentativa de abrir um bar onde se jogue aos dardos e ao snooker. Mas também é certo que o artigo é tão, tão desenquadradamente bom, porque é escrito por um inglês. Tudo o resto é triste e não é fado, mas antes uma música de elevador para entreter quem não pode comprar as t-shirts a cento e tal euros, os gadgets que custam balúrdios, ou as acompanhantes a 150 paus a hora. É a modos que assim triste, muito triste. Como se não houvesse lugar para o amor. E um homem e uma mulher fossem coisas tão artificiais como um ecrã de plasma, onde imagens e legendas só falam do que não queremos ter, a não ser que não tenhamos uma vida. Ou sejamos qualquer coisa de imbecil, olhando para uma mulher como cãezinhos ou engatatões ao bom estilo da Mouraria antes de começarem a levar estalo das ditas. Enfim...um anacronismo que se alimenta dos subúrbios da alma. Adenda: Caro Pedro, não linko o nome porque não me parece coerente ligá-lo para a Atlântico. Mas aqui estou, de braços e estômago abertos, pronto para o contraditório e tendo por ti a amizade e reconhecimento que sempre tive. Agora, ele há coisas que um homem tem que dizer quando as sente. E hoje, ao ler a revista de fio a pavio, senti-as. Um abraço.

Prémio JV

por Corta-fitas, em 23.04.07
Para o melhor título e entrada do dia.
Título: «Que tal legalizar a prostituição na África do Sul no Mundial de 2010?»
Entrada: «Haverá um binómio Campeonato do Mundo de Futebol/comprar sexo, do género ir a Roma/ver o Papa?». Ana Cristina Pereira, Público, pág. 20

A entranhar

por Corta-fitas, em 19.04.07
Há quem ainda não tenha entendido o P2, suplemento do Público. É aquele cliché pessoano coca-colense do «primeiro estranha-se e depois entranha-se». Em mim já se entranhou. Hoje, o caderno deu-me a ideia de levar os meus filhos a visitar uma prisão para lhes retirar da cabecinha eventuais comportamentos de risco. E, além disso, tem esta pérola da Kahleen Gomes, que de bom grado plagiaria se soubesse que ninguém dava por isso:
«Você, tu, vossa excelência, senhor doutor, senhor engenheiro, excelentíssimo senhor, sôtor, senhora dona...Como explicar a um não-português a diplomacia da linguística portuguesa?». Também fiquei a saber que este fim-de-semana há uma Feira do Livro no Second Life, mundo virtual onde a nossa Universidade de Aveiro, mais uma vez bem «à frente», já começou a construir as suas instalações.

O DN visto por um míope

por Corta-fitas, em 16.04.07

Estou bem, abelha
Finalmente explicado o meu atraso na hora de chegada ao domicílio: «Radiações impedem abelhas de encontrar caminho para casa».

Quiçá
Terá a A.R. entendido o significado conceptual de ter - no chão dos Passos Perdidos - 2.200 mãos em suplicante chamada de atenção?

À atenção do Planeta Terra
Na Rússia nasceu a primeira central nuclear flutuante.

Vá lá um espectador da «Gabriela» entender isto
Sónia Braga é a nova «desesperada».

E a melhor notícia da edição de hoje é
«Vines for Mines», ó cínicos.

Ainda na Tabú...

por Corta-fitas, em 16.04.07

«O vendedor de castanhas tem de sobreviver vendendo castanhas - e não oferecendo ursinhos de peluche aos quais junta um cartucho de castanhas (que muita gente deitará fora). Um jornal tem de arranjar maneira de se vender por si, pelo trabalho dos seus jornalistas, e não pelas pérolas, faqueiros, tachos ou DVD que ofereça. Se não conseguir ter leitores, então é preferível fechar a porta». José António Saraiva

Caro João Marcelino et al

por Corta-fitas, em 13.04.07
Como leitor do Diário de Notícias em ambos os formatos, considero que não faz sentido que se tenha remodelado a edição em papel, mas na edição online continue tudo na mesma como a lesma. Não se pode tratar do assunto?

A tempestade

por Corta-fitas, em 10.04.07
Este post vai ser um bocado longo, desculpem qualquer coisinha. Acontece que li o texto de José Vítor Malheiros (que considero um dos melhores cronistas que temos) hoje no Público, a excelente síntese de Ricardo Dias Felner no mesmo jornal, o post nº 541 do Paulo Gorjão e este outro do Eduardo Pitta. Logo à noite, a SIC Notícias debate «O Silêncio do Primeiro-Ministro». Ora eu entendo que o silêncio do Primeiro-Ministro foi das melhores manobras estratégicas de comunicação a que assisti nos últimos tempos. E, antes de pensarem que ensandeci, considerem o seguinte:
Luís Bernardo, o principal assessor de José Sócrates e do Governo, sabe bem como as coisas funcionam e decidiu lançar a linha para ver até que distância consegue correr o peixe. Que é como quem diz, até perceber o que a comunicação social consegue efectivamente apurar e provar, relativamente aos assuntos que verdadeiramente interessam ao comum dos mortais e que são apenas dois: O Primeiro-Ministro concluiu efectivamente a licenciatura? E, em caso afirmativo, houve algum favorecimento na obtenção da mesma? Sim ou não.
Quanto mais dias de silêncio decorrem, menos respostas surgem e mais questões a imprensa coloca, até elas ficarem finalmente limitadas (ver Público de hoje), numa equação em que mais questões equivalem a mais ruído e que origina de leitores habitualmente bem informados e exigentes, como o Paulo Gorjão e o Eduardo, críticas a essa ausência de clareza. No fundo, à inexistência de resultados. E tudo isto, finalmente, leva a que comece a solidificar-se a imagem de perseguição, de ataque, de tentativa sabe-se lá de que interesses para minar a credibilidade de José Sócrates, imagem essa construída por aqueles que vão falando em seu lugar.
Chegado o momento marcado, na próxima quarta-feira, José Sócrates estará mais do que preparado. Já saberá até onde chegou a investigação, já terá o discurso todo ensaiado e os documentos de que necessita, já os assessores o convenceram a surgir menos crispado, mais descontraído, com indignação q.b. mas sem nervosismo. E, entretanto, a montanha terá parido um rato: Quanto mais agigantada a montanha, menor parecerá o rato saído do seu interior. Para a próxima, quando houver próxima, lá virá alguém dizer: «Pois, lá estão eles outra vez como no caso da Independente. Lembram-se do barulho que foi e do que isso deu?». Caro Vítor Malheiros: Pessoas como o Luís Bernardo já leram os livros de que fala há muito tempo.
Nota importante: Claro que tudo isto tem como base o pressuposto de que José Sócrates responderá às duas perguntas fundamentais de uma forma clara na próxima quarta-feira e não as desvalorizará. Se optar pelo contrário, retiro tudo o que disse e fustigo-me em pleno Terreiro do Paço.

Efeitos do novo Milénio

por Corta-fitas, em 10.04.07
A propósito do post abaixo, o Correio da Manhã de hoje também afirma, citando uma fonte anónima, que se pagaram horas extraordinárias a «avançados que nunca puseram os pés na Câmara». A razão de ser comum a estas gralhas, que hoje abundam na nossa imprensa, é um software chamado Milénio, cuja introdução na maioria dos principais jornais sucedeu ao despedimentos dos antigos revisores (um profundo abraço a todos os que conheci e me aturaram).
Hoje, os jornalistas escrevem directamente na página que será depois impressa, com a ajuda de um corrector ortográfico. Sucede que, para um corrector, as palavras «avançados» e «avençados» estão ambas correctas. Tal como «garça» e «graça». Redacções cada vez mais reduzidas, o consequente excesso de trabalho e prazos de fecho cada vez mais apertados, limitam o tempo à disposição dos jornalistas e editores para que prestem a devida atenção ao texto final. E depois há «grolhas». Umas mais divertidas do que outras.

Este blogue não tem grolhas

por Corta-fitas, em 10.04.07

Há gralhas com piada. Hoje, o Jornal de Negócios cita Carlos Magno para dizer que «o estado de garça do Governo de José Sócrates acabou». Pensei de imediato nas garças boieiras, umas avezinhas que se alimentam dos parasitas que atormentam os bovídeos. Por outro lado, estou mais interessado em ver quando acaba o estado da cegonha e, depois de tantos anúncios de partos, começam os apagões. Título roubado à saudosa revista «Pão Com Manteiga», Ilustração de Albrecht Durer.

Um lugar no céu por 3,90€

por Corta-fitas, em 07.04.07
Se quisesse, já tinha a colecção toda destes CDs com música portuguesa que o Público decidiu distribuir com o jornal completamente à borla. Imagino que esta bombástica declaração colha de vós, leitores e leitoras, um mero encolher de ombros e a seguinte reacção: «Mas os CDs não são grátis? O que há nisso de tão extraordinário?». Não, não são. Mas ninguém percebeu ponta de um chavelho de como é que a promoção funcionava. E vai daí, não há quiosque ou loja onde eu não receba, das mãos solícitas de alguém, o dito cêdezinho e o comentário «Ora, aqui está, é grátis». E eu, invariavelmente, respondo à Cunhal: «Olhe que não...Só o de sexta-feira é que é. Veja aqui, escrito na primeira-página: 3,90€! Está a ver?». Seguem-se, invariáveis, uma pausa e um «Ah!» compungido. «Mas temos estado a dá-los a toda a gente e nunca ninguém reparou». «Pois», digo eu, «mas alguém vai reparar quando tiverem que acertar as contas». Não é com esta ausência de pedagogia promocional que o Público vai diminuir os seus prejuízos, ah não é não! Mas eu, pelo menos e de tantos CDs que já recusei, vou ter direito ao céu. Alguém que saia a ganhar.

Critérios

por Corta-fitas, em 02.04.07
A questão dos alinhamentos. Qual é a questão dos alinhamentos? É, como dizia o outro, «prioritizar». Hoje, TVI, RTP e SIC abriram os jornais da tarde com «confrontos» no Estádio da Luz. Vem aí um novo aumento dos combustíveis. Fica para depois. Há novas taxas moderadoras em vigor. Ficam para depois também.
Mas nas revistas tenho visto algo que não tem já a ver com a «prioritização», mas sim com um critério equalizador de temas de reportagem que não devem ser equalizados. Outro dia, na Pública, uma reportagem fotográfica sobre a fome em África - com fotografias fortíssimas por sinal - era sucedida pelas tendências de uns copos com substâncias comestíveis tricolores, pelos vistos a nova tendência nos restaurantes da moda. No último número da Notícias Magazine, a um trabalho feito por uma investigadora sobre a fome - sim, a fome - que passa grande parte da população portuguesa, seguia-se um artigo sobre um paraíso turístico nas Caraíbas ou lá onde raio era.
Recordei o génio editorial de Pedro Rolo Duarte. O Pedro era capaz de tirar do armário artigos completamente diversos na origem e no ângulo e juntá-los numa edição do Dna, de uma forma tão coerente que parecia que os textos e as imagens tinham nascido para estarem ali, alinhados, não numa lógica uniforme mas integradora e capaz de suscitar leituras. Diversas, isso sim. Mas nunca esquizofrénicas.
Gostaria de ter um telejornal com critérios distintos daqueles que colocam umas berlaitadas futebolescas na abertura. Gostaria. Mas gostaria, ainda mais, de ler revistas que tratam a realidade com o respeito que ela merece. E que percebam que há diferença entre a fome e o luxo, mesmo que ambas vendam papel.

Querer nem sempre é poder

por Corta-fitas, em 14.03.07


Uma Lisboa iluminada e eu num restaurante habitualmente agradável mas hoje infestado por um grupo de adolescentes, jovens adultos, pequenos animaizinhos tão descontrolados que nem os saltos hormonais as desculpam (sim, elas gritam sempre mais alto. Desconhecem os decibéis adequados da fala). Leio e abstraio, ou tento abstrair-me.
Há duas revistas com que sonham desde sempre os melhores editores e fotógrafos que temos, os mestres gráficos, sem que alguma vez tenham conseguido emular uma delas: A New Yorker e a Vanity Fair. Ou mellhor, a Atlântico será em essência a primeira e mais meios tivesse mais alcançara. A segunda, essa, não é para pobrezinhos. Um homem saliva com a publicidade mas é com as reportagens que atinge o orgasmo. Elas têm todo o tempo do mundo, todo o espaço. A Vanity Fair vai directa aos mecanismos de prazer no cérebro e daí espalham-se os tremores para todo o corpo.
Este número que li foi o que tem capa de Março, dedicado aos Óscares e a Hollywood. Mas não é pela fotografia de Warren Beatty por Herb Ritts que falo, Warren em meias brancas, imaginem vós ó consciências bobones do correcto pronto-a-vestir. Nem do dossier deslumbrante de fotografias de Annie Leibovitz, «Killers kill, dead men die» numa homenagem ao film noir, com os actores e actrizes de hoje (ver imagem junta). Não.
Falo do perfil traçado por Michael Wolff da mulher que ascendeu e caiu no império Murdoch. Judith Regan, a bitch que liderava a Harper Collins e cujo descalabro está umbilicalmente ligado ao livro de O. J. Simpson que não chegou a atingir os escaparates, tal era a sua obscena manipulação dos reflexos salivares de uma nação tablóide.
Uma revista que se lê porque toda a informação é nela servida com o savoir faire de um (mais do que um) verdadeiro chef da prosa e o empratamento de fotografias que estão para além da classificação das estrelas. Beleza pura (onde é que já ouvi isto?).

Há que dizê-lo com frontalidade

por Corta-fitas, em 09.03.07

O ípsilon de hoje tem 72 páginas. Todas boas, tirando o Jorge Mourinha
a falar mal dos Heróis do Mar. Tsc, tsc.

Cara Rita Ascenção

por Corta-fitas, em 28.02.07
A Rita coloca em comentário no post anterior a questão do silêncio do Corta-Fitas relativamente à demissão da direcção do Diário de Notícias e pergunta se é uma questão de «falta de coragem para defender os colegas».
Parece-me evidente e natural que o facto de vários autores deste blogue serem jornalistas no DN os impeça de fazerem quaisquer comentários sobre esse assunto, e que carece de sentido falar em «solidariedade, luta e greves» no caso em apreço. Se tivessem demitido o meu Director-Geral, também não seria aqui que abordaria o assunto com toda a certeza.
Por outro lado, pessoas como eu que não trabalham no DN poderiam ter escrito sobre o tema, dirá alguém (ou dirá a Rita). Não me parece. Aqui no Corta-Fitas tem cada um de nós a liberdade de escrever o que bem entende, mas não tem – obviamente – o direito de comprometer outras pessoas com as suas opiniões o que, neste caso, poderia suceder.
Além disso, e ao contrário da Rita, não considero que as referidas demissões sejam um tema «que aflige as pessoas no quotidiano». Aliás, creio que as pessoas no quotidiano se estão bem nas tintas para quem dirige o DN ou aliás outro qualquer jornal ou revista. Em suma, uma coisa é certa: Aqui no Corta-Fitas não há «falta de tomates» (para citar eruditamente o nosso AJJ). Mas também não há falta de juízo e senso comum.

À atenção do Luís e do Paulo Gorjão

por Corta-fitas, em 22.02.07
O DN diz que João Marcelino anunciou ontem, numa reunião com os seus editores, que ia deixar a Cofina não desvendando os seus planos para o futuro. É um facto. O Público e a Meios e Publicidade dizem que Marcelino está de armas e bagagens para a Controlinveste e o DN. É um rumor. Mas um rumor que corre nos mentideros há uma semana. Um rumor com fundamento. Um rumor que é notícia.
Ao não antecipar, não confirmar ou desmentir, o DN não presta um serviço aos seus leitores. E os leitores e leitoras, Luís e Paulo, são pessoas. Fiéis enquanto lhes dizem a verdade. Trocando de amante quando ela lhes é ocultada ou camuflada. O resto são teorias. Estimulantes teorias, mas nada mais.

É o Carnaval?

por João Távora, em 20.02.07
Qual a razão para a publicação daquela incrível fotografia (não disponível on-line) de João César das Neves na transcrição do debate sobre as perspectivas para o governo Sócrates na página 7 do Diário de Notícias? Se não gostam do homem porque é que o convidam? Não acabou já a campanha para a liberalização do aborto?




Num post do seu Bloguítica, Paulo Gorjão faz considerações com as quais não concordo. Costumo lê-lo, quando escreve sobre jornalismo; e, ao contrário do que ele pensa, o autor comete o erro que costuma criticar em outros: não domina o assunto. (Embora isso não lhe retire o direito de opinar).
Neste caso, Gorjão tem o desconto de escrever na qualidade de leitor, mas esta passagem resume o seu pensamento: "Aquilo que me leva a estar disposto a pagar jornais é muito simples: informação de qualidade, análise de qualidade, opinião de qualidade. Uma trilogia de 3Q. Sem ser exaustivo, para eu sentir que há valor acrescentado que me leve a pagar, devo encontrar nos jornais: informação segura e devidamente confirmada; análise imparcial e por quem conhece de facto os assuntos; e opinião credível, plural e independente".
Aparentemente, isto é bom senso à solta, mas na realidade este excerto não passa de um conjunto de generalidades sem substância. Passo a explicar.
O dono de jornais que souber o que é a "qualidade" fará uma pipa de massa. Infelizmente, ninguém parece ter uma fórmula mágica para se chegar a esse objectivo utópico. Estamos num período de extinções em massa (como os dinossauros), mas ninguém sabe ao certo se tem as capacidades para sobreviver.
Paulo Gorjão afirma saber o que é a qualidade. No primeiro ponto, refere "informação segura e devidamente confirmada". Ora, só um louco ou alguém desonesto publica uma informação que sabe ser insegura e não confirmada. Ou seja, a regra é publicar apenas aquilo que está seguro e confirmado. Não me parece que o jornalismo português seja muito diferente dos outros nesta matéria. Na profissão de jornalista é fácil errar, porque ninguém está livre de ser manipulado ou, em muitos casos, não há tempo para o máximo rigor.
Costumo dizer que o jornalista é o tipo mais ignorante no local do atropelamento: o polícia tem informação, o bombeiro chegou logo a seguir, a testemunha ouviu a travagem, a vítima diz que estava na passadeira. Pode até haver uma teoria sociológica sobre atropelamentos. Uma coisa parece garantida: a notícia não coincidirá com nenhum dos testemunhos recolhidos, antes será uma amálgama de todos eles. Querem outro exemplo? Num Benfica-Sporting, o estádio estará dividido em dois, na análise de determinado lance. Foi pantufada, simulação ou penalti? Cada jornal desportivo terá uma versão ligeiramente diferente. Estamos perante um terrível exemplo de desonestidade? Não, apenas perante o facto de que a objectividade é sempre um ponto de vista.



Corta-fitas

Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

Contacte-nos: bloguecortafitas(arroba)gmail.com




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