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Ainda as eleições: no distrito de Braga

por João-Afonso Machado, em 07.06.19

Salvo melhor opinião, os resultados eleitorais para o Parlamento europeu, no distrito bracarense, traduzem uma nova realidade, sobre a qual valerá a pena reflectir.

A abstenção foi da ordem dos 30%.

O PS o partido mais votado (33,5%) e o PSD o segundo (27,5%).

Seguem-se o BE (8,1%), o CDS (7,4%) e a CDU e o PAN (3,8% cada).

Os votos em branco atingiram o record de 5,6%, e os nulos ficaram nos 2,6%.

O mesmo significa a coligação brancos/nulos alcançou os 8,2% da votação. É, na realidade, pois, a terceira formação neste ranking.

Por isso, uma primeira conclusão, imediata: o eleitorado (com "apenas" 30% de abstencionistas) foi, apesar de tudo, participativo; e - segunda conclusão - pautou expressivamente a sua participação por um protesto (votos em branco e nulos) sem precedentes na estatística destas "corridas".

Posteriormente às eleições, mais dois autarcas socialistas (Santo Tirso e Barcelos) foram "de gancho", indiciados por corrupção. Ainda esta vez tais actividades de caracter egocentrico, tão frequentes no género PS, não produzirão efeitos nos próximos episódios eleitorais?

 

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Há dias, no parque de estacionamento do ginásio que frequento, um automóvel cor-de-rosa, que exibia bem visível na traseira um autocolante contra a exploração de petróleo na costa portuguesa deixou-me a pensar…  Afinal os valores ecologistas da feliz proprietária (presumo que fosse uma senhora) daquela viatura acabavam nos limites da nossa fronteira, não prescindindo ela de se locomover num veículo com motor de explosão, com carburante importado de terras recônditas. É como aqueles que se insurgem contra a exploração de lítio na sua freguesia, mas que não prescindem de o usar no telemóvel de última geração, e quem sabe até ambicionam ter um carro de motor eléctrico. Este é o padrão adoptado pelas nossas crianças que, massacradas na escola com o aquecimento global, vêm para casa com intenções de deixar de beber leite e proteínas animais mas não prescindem de um duche de quinze minutos, e toda a sorte de artefactos electrónicos e viagens se possível de avião para os mais exóticos destinos. É difícil educar…
A maior parte dos fariseus do aquecimento global, talvez não saiba que os grandes alertas ecológicos acerca dos plásticos, da poluição e das suas consequências têm quase 50 anos (esta bela canção de Peter Gabriel sobre a subida dos níveis dos mares é de 1977). E para lá duns quantos excêntricos, poucos foram aqueles dispostos a prescindir das comodidades que consomem o nosso planeta, e desde então tem sido sempre a "piorar": aquecimento no inverno, ar condicionado no verão, no mínimo dois automóveis à porta de casa, sem contar com a interminável parafernália de objectos descartáveis que transbordam todos os dias nos caixotes de lixo da nossa rua. E dizem-me que há por aí uma criancinha em tournée a avisar-nos de que o mundo está em perigo. Ontem, uma notícia do Observador referia que talvez a civilização se venha a extinguir em 2050 por causa das alterações climáticas (que evidentemente são culpa de Donald Trump). Perante a incoerência que grassa na cabeça dos recém-convertidos ambientalistas, desconfio que o que eles querem é que seja o governo a obrigar-nos a mudar os hábitos de consumo, que nos proíba a todos de andar de automóvel, nos obrigue a andar de transportes públicos, a desligar os electrodomésticos, a não viajarmos para muito longe de casa (de preferencia de bicicleta), e a fazer a barba com a navalha do bisavô com cabo feito de osso.
Agora a sério, antes de exigirem tirânicas “políticas” milagrosas vindas do além (que ninguém vai querer pagar), o que é que cada um de nós está disposto a prescindir em favor da sustentabilidade da nossa Casa Comum?

 

* adágio que o meu pai usava para confrontar os filhos quando adiavam tarefas e deveres. 

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O quê?! Como?! Qu`é que foi?! Onde?!

por José Mendonça da Cruz, em 05.06.19

Eu julgava que ia ler ou ver e ouvir alguma coisa sobre o acordo comercial preferencial que está a ser peparado entre EUA e Reino Unido - a «união dos povos de língua inglesa» de que outro personagem importante falava. Mas não. Foi só um boneco de plástico, o temperamento duma tal Meghan e do seu instável marido, e os «insultos» contra um mayor que começara por insultar. É assim. É a altura e dimensão intelectual e noticiosa dos media que se queixam da escassa audiência, e pedem «apoios» para esta espécie de informação que julgam vital para a democracia.

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Efemérides e a mais nobre causa

por João Távora, em 04.06.19

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Reparei há dias que por esta altura faz dez anos que me envolvi nas lides monárquicas, a convite do saudoso João Mattos e Silva. Foi num almoço numa tarde destas nas Amoreiras que o João e o Nuno Pombo me desafiaram a passar das palavras aos actos, para se reerguer a Real Associação de Lisboa que vinha duma crise complicada. Poucos meses depois estávamos a publicar o 1º número do Correio Real e estreávamos um blogue. Então, estávamos a um ano do centenário da república, o apelo era desafiante. Nesta empresa, com mais turra ou menos turra, envolvido em diferentes direcções, o facto é que a minha vida nunca mais foi a mesma: alimentei enganos e ambições, ilusões e pretensões, ajustei.me, sempre ocupando aquele lugar onde se esconde o trabalho, muitos projectos por concretizar, só possíveis quando nos sabemos bem acompanhados. Durante este tempo, para casa nunca levei nada a não ser o orgulho de militar na mais nobre das causas, precisamente porque o que tem para nos oferecer é a noção de que fazemos falta (mal de nós quando não tivermos a quem servir), que este sonho de um Portugal que emerge dos confins da História e encarna em figura de gente, não morre.
Entretanto a Real Associação de Lisboa no passado sábado celebrou o seu 30º aniversário com uma inesquecível festa na Lourinhã. Gratos ficámos todos para com aquelas gentes pelo acolhimento, em especial os voluntários envolvidos na realização desta jornada que permanecerá para sempre na nossa memória. Venham de lá os anos que forem necessários para cumprirmos o desiderato do reconhecimento do rei dos portugueses. Para que, quando aí chegarmos, com a consciência tranquila fecharmos finalmente as portas e voltarmos para casa. 

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Joe Berardo na Feira do Livro

por Vasco Mina, em 03.06.19

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O cartaz será resultado da dislexia?...

 

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Domingo (Da ascensão do Senhor)

por João Távora, em 02.06.19

Leitura dos Actos dos Apóstolos 

No meu primeiro livro, ó Teófilo, narrei todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar, desde o princípio até ao dia em que foi elevado ao Céu, depois de ter dado, pelo Espírito Santo, as suas instruções aos Apóstolos que escolhera. Foi também a eles que, depois da sua paixão, Se apresentou vivo com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando-lhes do reino de Deus. Um dia em que estava com eles à mesa, mandou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, «da qual – disse Ele – Me ouvistes falar. Na verdade, João baptizou com água; vós, porém, sereis baptizados no Espírito Santo, dentro de poucos dias». Aqueles que se tinham reunido começaram a perguntar: «Senhor, é agora que vais restaurar o reino de Israel?». Ele respondeu-lhes: «Não vos compete saber os tempos ou os momentos que o Pai determinou com a sua autoridade; mas recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra». Dito isto, elevou-Se à vista deles e uma nuvem escondeu-O a seus olhos. E estando de olhar fito no Céu, enquanto Jesus Se afastava, apresentaram-se-lhes dois homens vestidos de branco, que disseram: «Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu». 

Palavra do Senhor. 

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A inclusão da bagunça e a envolvência com os espaços

por José Mendonça da Cruz, em 01.06.19

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Agora, durante 50 horas, Serralves abre as portas à multidão. É à vontade! É para todos! É gratuito!, proclamam eles. É um «espaço inclusivo da arte contemporânea e da cultura».

É um equívoco costumeiro neste paísinho cheio de parvoíces igualitárias e demagogia social. O resultado, revelador, é que mais uma vez, Serralves em festa não inclui porra nenhuma, senão a bagunça, o barulho e a boçalidade num espaço de beleza, serenidade e cultura.

Um coreógrafo que por lá anda a fazer apresentações ficou espantado, disse ele,  ao saber que há um ano a «grande parte das pessoas preferiu dar destaque aos momentos de fruição pessoal e à envolvência com o espaço em detrimento das próprias propostas artísticas».

É a mesma coisa: barulho, boçalidade, bagunça... ah, desculpem, «fruição pessoal».

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...

por José Mendonça da Cruz, em 28.05.19

A fúria do ateu ao ressuscitar... isso sim, seria um espectáculo digno de ser visto.

- Julian Barnes

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O PAN é intrinsecamente totalitário

por henrique pereira dos santos, em 28.05.19

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Adenda 2, durante um dia ou dois (os fusos horários trocados baralham-me e portanto não sei) neste post estava escrito meio milhão onde na minha cabeça estava 500 milhões. Apesar de vários dos comentários de amigos meus sobre este número, entrei naquele mecanismo de 2+2=5 que impede de ver o erro na conta, tanto mais que a estimativa que me interessava usar era a mais pequena que encontrasse, porque mesmo para a estimativa mais baixa que existe sobre o assunto, o argumento do consumo destes 500 milhões de gatos e cães é um argumento poderoso, mas que aparentemente ninguém parece interessado em discutir

Adenda, esqueci-me de dizer que a escala de 1 a 8 representa a percentagem de votos no PAN em cada concelho

Pedro Magalhães fez este mapa, de forma totalmente amadora, de acordo com o próprio, mas é um mapa muito interessante para usar como base de uma discussão sobre o PAN, um partido que essencialmente responde a preocupações de urbanos que sonham com o restabelecimento de um paraíso perdido, ao mesmo tempo que ignoram a dura realidade da gestão dos recursos naturais que nos permitem viver confortavelmente, com índices historicamente baixos de mortalidade infantil, com uma esperança de vida longa, com baixíssimos níveis de miséria global como nunca houve na história.

Não tenho nada contra o PAN, tenho várias pessoas no facebook que estão muito ligadas a este partido (incluindo Francisco Guerreiro, agora eleito para o Parlamento Europeu), já colaborei em debates organizados pelo PAN (tendo previamente deixado claro que, não sendo aficionado nem caçador, iria defender a caça e a tourada como instrumentos de gestão da conservação do território, o que não representou qualquer problema para os organizadores do debate), já tive uma reunião com André Silva e respectivos assessores na Assembleia da República, a seu pedido, sobre questões de sustentabilidade (penso que o PAN agrada a minha sistemática defesa de que o dinheiro público para o mundo rural não deve ser usado para apoiar a produção de leite ou de carne mas o pagamento da gestão de serviços de ecossistemas), defendo claramente a diminuição do consumo de carne e de leite, como questões centrais da sustentabilidade e muito mais.

Que me lembre, devo ter sido das primeiras pessoas a admitir que o PAN poderia eleger um deputado nas eleições legislativas anteriores por ter visto a sua campanha, e a diferença, por exemplo, para a campanha do LIVRE. A campanha do PAN era muito focada no enraizamento social, pequenas acções, como pic-nics, com gente diferente, nem toda alinhada com o PAN, olimpicamente ignoradas pela imprensa, ao contrário do LIVRE que tinha uma campanha muito mediatizada, assente na cobertura jornalística do que dizia Rui Tavares, muito mais preocupada em difundir o que o LIVRE defende, que em ouvir o que as pessoas comuns pensam do LIVRE.

Se grande parte do que descrevo acima me poderia aproximar do PAN, há muitos anos que tenho uma posição radical sobre o movimento animalista, considerando que há incompatibilidade profunda entre a defesa dos direitos dos animais, enquanto indivíduos (Peter Singer é a base filosófica de tudo isto, um filósofo utilitarista radical que me parece profundamente desumano), e a defesa da conservação da natureza e a gestão sensata do património natural.

Os exemplos dessa incompatibilidade radical são imensos, uns mais fáceis de explicar, outros mais difíceis de defender.

Qualquer organização que queira discutir sustentabilidade a sério tem de olhar para os mais de 500 milhões (estimativa claramente prudente) de gatos e cães que existem no mundo, alguns ferais, que não levantam problemas estritos de consumo de recursos, mas com efeitos brutais na mortalidade de alguns grupos (por exemplo, os gatos são temiveis predadores, responsáveis por matar milhões de pássaros todos os anos), e muitos outros são animais de estimação com um peso não negligenciável no consumo de recursos, não apenas alimentares. Não tenho muitas dúvidas de que o PAN estará do lado dos indivíduos, contra os sistemas naturais nesta matéria.

Se é verdade que há questões filosóficas relevantes, e difíceis, na existência de touradas (uma sociedade decente não faz espectáculos que possam causar sofrimento), também é verdade que o abandono da tourada (seja por via regulamentar, como defende o PAN, seja por evolução da sensibilidade social, como estava a acontecer até os movimentos radicais anti-tourada terem provocado um movimento de resposta que voltou a fazer aumentar o número de espectadores das touradas) tem um efeito real de diminuição da competividade da gestão de terras marginais, com efeitos negativos na perda de biodiversidade e na gestão do fogo, por exemplo (para não falar dos efeitos de perda de controlo social sobre o território que o abandono do mundo rural tem vindo a provocar). Não tenho muitas dúvidas de que o PAN estará do lado dos indivíduos (paradoxalmente, forçando a extinção das raças de touros bravos por lhes retirarem a utilidade social) contra os sistemas naturais.

Estes dois exemplos (poderia escrever sobre muitos outros, como sejam o abate de espécies invasoras como instrumento de reposição do equilíbrio ecológico) são apenas consequências do problema central de partidos como o PAN, que está muito longe de ser um partido verde: o PAN pretende ser a voz dos que não têm voz.

Há muitos exemplos de como esta pretensão, a de ser a voz dos que não têm voz, que se opõe à pretensão das correntes políticas que pretendem dar voz a quem não tem voz, uma impossibilidade no caso dos animais, tem apenas um desfecho: a progressiva defesa da limitação da liberdade de terceiros, em nome de valores mais altos que ninguém sabe como validar.

Desse ponto de vista é muito elucidativo o facto do PAN aceitar facilmente a detenção de animais domésticos cuja única função é satisfazer as necessidades dos seus donos, mesmo com limitação quase total daquilo que seria o caracter intrínseco de um ser vivo, impedindo a sua reprodução, a busca por alimentação, a socialização entre pares ou com inimigos externos, o mero usofruto da liberdade de movimentos durante longas horas do dia, etc., sem fazer qualquer proposta de restrição à detenção, quer por razões de respeito pela natureza intrínseca dos indivíduos, quer por razões de sustentabilidade, e pelo contrário, aponte todas as baterias a uma actividade, como a tourada, em que os animais gozam de uma quase liberdade durante anos, são criados em grandes espaços ao ar livre, com total respeito pela sua natureza intrínseca, produzindo bens difusos que nos interessam a todos, apenas porque numa tarde participam num espectáculo que levanta questões filosóficas sobre a violência (como se a natureza não fosse, ela mesma, violenta e cruel).

O facto do PAN pretender decidir o que pode ou não fazer-se em cada comunidade, no que diz respeito à caça, à tourada, à produção animal, ao controlo da proliferação de cães e gatos ferais e vadios, não é apenas um pequeno preço a pagar pelo seu compromisso com a sustentabilidade e a natureza, é exactamente o inverso, a necessidade do PAN alterar do seu nome de Partido Animais e Natureza, para partido das Pessoas, dos Animais e da Natureza é a forma encontrada para contrabandear ideias totalitárias de defesa dos animais como se fossem opções "verdes", para usar uma expressão que de maneira geral evito usar para caracterizar o movimento social transversal que entende que a sustentabilidade é uma questão séria que deveria estar no núcleo base de qualquer organização política, ao lado da liberdade e do respeito pela opinião das pessoas comuns.

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A decência como desafio vital

por João Távora, em 27.05.19

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A vitória do Sporting na final da Taça no passado sábado, outros já o terão dito, representa além de tudo o mais, o enterro definitivo da peste brunista que num passado recente se apoderou e ia liquidando de vez o nosso amado Clube. De caminho também representou a afirmação de valores como o Fair play e da boa educação no futebol – até por contraste com a atitude do treinador adversário - um distintivo que sempre esteve no ADN do Sporting. Agora podemos envergar as nossas cores com a cabeça erguida.

Mas não será fácil fazê-lo sozinhos no ambiente doentio que grassa à volta do futebol. Tenho para mim que a sobrevivência desta indústria depende de uma inversão radical na forma como os clubes têm gerido a sua comunicação (e a sua conduta), transformando esta salutar paixão numa guerra sem quartel, com uma batalha verbal em que vale tudo, no total desprezo pela ética e civilidade, no demente propósito de amesquinhar os adversários. Basta escutar cinco minutos os protagonistas de alguns programas televisivos a dizerem disparates impróprios para crianças e pessoas decentes que gostariam de continuar a frequentar os estádios com as suas mulheres e os seus filhos em vez de os entregar às hordas alienados. Por isso não me surpreenderam os comentários hostis dos sequazes portistas a um tweet do escritor e comentador Francisco José Viegas, quando no rescaldo do campeonato apelava que os adeptos dessem os parabéns ao Benfica, deixassem de comentar os árbitros e que se concentrassem no jogo do Jamor.  Eu também acredito que o desporto, mesmo sendo espectáculo, tem de permanecer uma actividade nobre e pedagógica, caso contrário, não vale a pena.

Repito o que atrás afirmei: é urgente que se coloque um travão à grosseria que vem sendo transposta das antigas tabernas insalubres para os painéis das televisões e para as salas de imprensa dos clubes, criando um ruído insuportável que tanto mau nome dá à modalidade. Pela minha parte ficarei muito orgulhoso que o Sporting se torne exemplo de integridade e Fair-play, remetendo para dentro do campo toda a virilidade e arrebatamento, e que eu jamais me venha a envergonhar de frequentar um estádio de futebol.

 

Fotografia daqui

Publicado originalmente aqui

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No dia seguinte

por João-Afonso Machado, em 27.05.19

A empregada da nossa casa foi ontem votar. No desejável, aliás. Mas não sabia para quê. No breve intervalo do pequeno-almoço, o cabo dos trabalhos - explicar-lhe que não se tratava do Parlamento português, mas sim do europeu.

Este é um dado importante, a contrariar a tese de que a abstenção - elevadíssima - não deriva da apatia lusa ante a problemática das eleições "europeias".

No resto, - como é sabido - temos um elevadíssimo movimento abstencionista que valerá 68,6% do eleitorado. Por mim - eu só não voto nele porque me traduziriam em votante da praia. Fosse antes da pesca no rio... E, de qualquer modo, é tempo da Constituição da República morrer de pneumonia, e, ao Presidente da dita, dar uma coisinha cardíaca.

Costa segue em frente, vitorioso, com menos de 10% do eleitorado. Os mais partidos no seu encalço (x% de 30%), a discutir vitórias e derrotas. É a festa. Sobre a qual a gente decente deve pensar.

(Não como Ana Gomes, a quem só assusta o fantasma da extrema-direita, qualquer coisa que o PPE, além dos mais, liquida num instante. Mas isso nada quer dizer, porque Ana Gomes foge de falar na abstenção).

Em suma:

- Não sabemos ao que andamos.

- Em Portugal - neste nosso Portugal dos brandos costumes - não vale a pena falar na "extrema-direita", totalmente inexistente. Previsão de futuro - a Esquerda, e o seu poderio na Imprensa, hão de pôr o CDS nesse estúpido e deslocado lugar.

- Mas, risco grave, se assim for, os tugas irão nessa conversa.

- A maioria dos portugueses (2/3) não sabem, não querem saber, não acreditam nesta história eleitoral.

- Há - haverá sempre - a militância quase só localizada à esquerda, e daí os resultados dos PS, BE, CDU (este o somatório PCP+favor PV).

- A Direita (que é Portugal) não consegue adequar o seu discurso às circunstâncias.

- Essas circunstâncias são como a noite e o dia, mas a realidade do presente. V.g. dos machos (ou fémeas) juntos adoptarem um filho. Em sociedade um qualquer barbado careca apresenta outro barbado careca qualquer, e diz - É o meu marido. - Já não é do outro mundo, queiramos ou não, é do nosso.

- Tem, pois, de haver uma actualização do discurso à direita. Qual? Como? Os senhores da política, devidamente assessorados, que o determinem.

- A vida nova (pior que melhor) tem causas outras. A dos animais, por exemplo. Esta malta urbana - só agora convivendo com eles - não percebeu (feito o credo, jamais entenderá) que cães e gatos sempre foram os velhos companheiros dos solitários. Por isso a emergência de um blá-blá-blá destituido de nexo, só apenas o varrer as ruas dos animais vadios e a guerra contra as touradas. Na prática não mais do isso e uma ideologia sem ideias. Mas não faltará muito, qualquer directiva da UE, qualquer negociação do PS e do PAN (riam-se, riam-se...), a bicharada alcança, por decreto, alma e transcendências congéneres. É esperar e ver...

- Enfim, o PS e a Esquerda vão na crista da onda. Sobra ver "o depois".

E por isso me manifesto absolutamente a favor de uma próxima vitória eleitoral (nas Legislativas) da Esquerda. Ela terá de suportar as sequelas das suas maquinagens. Com a vaga esperança (a última a morrer...) de que os portugueses saibam estabelecer a conexão Sócrates-Costa. 

Deixemos chegar os os dias que vém...

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As pessoas não são estúpidas

por Pedro Picoito, em 27.05.19

Não estou muito preocupado com a abstenção. Os eleitores já mostraram que vão votar quando a escolha é clara ou o seu voto conta. É uma das enormíssimas vantagens da democracia. O que explica, parece-me, a menor abstenção na generalidade dos nossos vizinhos europeus: as ameaças eram maiores. Mas quem arranca o tuga à praia para escolher entre o PS de Pedro Marques e o PSD de Rui Rio, um líder que "estaria no PS se não fosse Sá Carneiro"? As pessoas não são estúpidas.

Rui Rio, que  tinha uma imagem de seriedade e rigor, conseguiu a proeza de ceder essa imagem a Costa, um dos principais ministros de Sócrates. É obra. Com a "crise dos professores", entregou de bandeja o seu único trunfo, destruiu o trabalho de meses e ainda mostrou que não acompanha de perto a política educativa do partido. Os resultados estão à vista. As pessoas não são estúpidas. 

Em parte, o mesmo se pode dizer do CDS, mas com uma agravante. O problema do CDS não é de liderança, é de discurso. Quer crescer ao centro, mas sem perder à direita. Quer ganhar novos eleitores, mas sem perder os fiéis. Numa semana é complacente com o Vox, na outra pinta as passadeiras de arco-íris. As pessoas ficam baralhadas. Mas não são estúpidas.

Santana, afinal, não vale tantos votos como pensa. O oportunismo paga-se (que o digam os Tories). As pessoas não são estúpidas.

Basta de Basta. Por enquanto (mas eles hão-de voltar). As pessoas não são estúpidas.

A votação do PAN é uma tragédia civilizacional. Só o terror do fim do mundo explica o resultado de um partido que quer legislar sobre a sesta nas escolas. As pessoas não são estúpidas, mas às vezes parecem.

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Pior era impossível

por João Távora, em 27.05.19

A haver uma boa notícia nestas eleições, cuja brutal abstenção fere de morte a representatividade dos eleitos, é que a envergadura da catástrofe exigirá uma profunda reflexão de todos os participantes. Ninguém em boa consciência tem razões para festejar. No que à direita diz respeito, reduzida a escombros (note-se que os votos brancos e nulos foram a 4ª força política com mais de 7%, bem à frente do CDS) não tem tempo de se refazer das feridas até às legislativas de Outubro, e só um milagre evitará a repetição duma humilhação. A grande questão é: como operar esse milagre em três meses, numa direita que só será viável em coligação mas nunca esteve tão dividida. Pobre país...

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Resultado de imagem para berardo ag do bcp

A propósito da notícia  "Fundação obrigada a sustentar Berardo e família para sempre", lembrei-me deste tempo (da fotografia), em que Berardo era "amado" pelos media  sempre que acusava Jardim de fazer "aldrabices" no BCP.

O mesmo Joe Berardo, que assumiu “respeitabilidade mediática” em 2007/2008 por fazer uma campanha contra a pensão de Jorge Jardim Gonçalves, o autor e fundador do BCP; e por se indignar com as regalias vitalícias do fundador do BCP, fez exatamente o mesmo na sua Fundação Berardo.
Isto só prova uma tese secular. Cuidado com os moralistas. Fujam deles. São sempre os maiores carrascos e críticos do comportamento dos outros e nas costas fazem exatamente o mesmo ou pior. São sempre os piores pecadores. São fariseus.

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Domingo

por João Távora, em 26.05.19

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quem Me ama guardará a minha palavra e meu Pai o amará; Nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada. Quem Me não ama não guarda a minha palavra. Ora a palavra que ouvis não é minha, mas do Pai que Me enviou. Disse-vos estas coisas, estando ainda convosco. Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos recordará tudo o que Eu vos disse. Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como a dá o mundo. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração. Ouvistes que Eu vos disse: Vou partir, mas voltarei para junto de vós. Se Me amásseis, ficaríeis contentes por Eu ir para o Pai, porque o Pai é maior do que Eu. Disse-vo-lo agora, antes de acontecer, para que, quando acontecer, acrediteis».

Palavra da salvação.

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Gonçalo Ribeiro Teles, 97

por João Távora, em 25.05.19

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Hoje, quando o Arq. Gonçalo Ribeiro Telles celebra o seu 97.º aniversário há que sublinhar a perenidade das suas ideias como líder monárquico que se foi afirmando desde a Convergência Monárquica de 1961 até ao regime emergente da revolução de Abril através do partido monárquico que ajudou a fundar, uma referência democrática e de vanguarda na abordagem de problemas fundamentais para o futuro de Portugal como cultura, paisagem e território. Esse duplo compromisso com a tradição monárquica e lealdade à Casa de Bragança na pessoa do Senhor Dom Duarte Pio e a modernidade ecológica — representada pelo seu alerta precoce para a degradação da tão estimada ruralidade e pela sua defesa dos solos agrícolas de qualidade — não se esgotou no passado recente: antes pelo contrário, vivifica-se e renova-se continuamente, diante do actual estado das coisas. Na verdade, a mensagem de Gonçalo Ribeiro-Telles parece-nos das mais poderosas e inspiradoras do nosso tempo. 

Estamos-lhe gratos por tudo que tem feito por nós, Senhor Arquitecto.

 

Imagem daqui

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Talvez mudar de povo?

por João Távora, em 24.05.19

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A Europa começa aqui

por João Távora, em 23.05.19

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Tem sido confrangedor assistir aos noticiários da campanha eleitoral, já para não falar dos debates televisivos que alcançaram momentos dignos de uma caricatura humorística, tal a euforia e sobreposição de vozes que definitivamente não chegaram ao céu. Nos noticiários, muito por conta da edição feita pelos jornalistas, que pela natureza do seu trabalho acabam por salientar o excesso ou a tolice que vai acentuar o picante à notícia, fica-se com a ideia que os candidatos chegam a estas duas semanas que antecedem as eleições empenhados em por à prova a fidelidade dos cidadãos que já haviam decidido votar neles, e afugentar os poucos indecisos que procuram fazer uma escolha sensata. De facto, parece que até o mais cordato e sofisticado candidato, com uma camara de televisão à frente, perde a compostura e foge-lhe o pé para a chinela dificultando assim a descodificação da racionalidade que pudesse haver no discurso.

Dito isto parece-me que os portugueses se quiserem têm do seu lado informação suficiente para escolher os 21 deputados que os vão representar no Parlamento Europeu nos próximos quatro anos. De resto, sendo realista não vou ser hipócrita exigindo que toda a gente vote no dia 26 – se é para assumir desejos, confesso que são demasiados aqueles que eu gostaria de ficassem em casa. Contente ficaria eu que aqueles que pensam mais ou menos como eu, que desejam uma Europa garante de paz, que preserve a diversidade de nações e pluralidade de culturas que a compõem no reconhecimento das suas raízes comuns, se deixassem de desculpas de mau pagador e no Domingo descalçassem as pantufas para ir votar. É a esses, que entendem a Pátria como um legado antigo que hoje nos exige fazer das tripas coração para lhe dar um futuro, que eu apelo ao voto. Porque a Europa começa aqui, e eu quero o Pedro Mota Soares no Parlamento Europeu..

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São Pedro, tu que foste imigrante no Mediterrâneo e chegaste a Itália vindo da Síria, livra-nos dos católicos.

Não de todos, claro, mas pelo menos do Salvini, que é tão, tão, mas tão católico que saca do terço num comício e dá a Nossa Senhora o lugar da Marine Le Pen à frente da extrema-direita europeia.

Que ele vá para casa fazer filhos, muitos filhos, a única maneira de combater a ameaça islâmica. Se não conseguir, então que reze o terço.

Que ele deixe em paz Nossa Senhora, que teve de fugir para o Egipto por causa de outro político que não gostava de crianças nascidas fora da aldeia dos pais.

Que  ele não invoque São Bento, que já teve muitas chatices com uns bárbaros do Norte parecidíssimos com o Geert Wilders, e recorra a São Paulo, o turco que evangelizou Roma, e a Santo Agostinho, o africano que se converteu em Milão.

Que ele não cite João Paulo II, Bento XVI e o Cardeal Sarah só para contrariar o Papa Francisco, e cite o actual Papa, um tal de Francisco.  

E, sobretudo, ah, sobretudo, que não cite o Chesterton sem perceber nada. Que o leia antes. Por exemplo: "Os piores nacionalistas não amam a Inglaterra, mas uma teoria da Inglaterra. Se amamos a Inglaterra por ser um império, talvez exageremos o nosso sucesso no domínio dos Indianos. Mas se a amamos por ser uma nação, podemos enfrentar qualquer acontecimento  porque seria uma nação mesmo que os Indianos nos dominassem. Só aqueles cujo patriotismo depende da história permitem que o seu patriotismo falsifique a história. Um homem que ama a Inglaterra por ser inglesa não se preocupa como é que ela nasceu. Mas um homem que ama a Inglaterra por ser anglo-saxónica é bem capaz de ir contra todos os factos  por uma fantasia." 

Ámen.    

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Mudam-se os tempos...

por João Távora, em 22.05.19

O único carro de campanha eleitoral daqueles à antiga com megafones no tejadilho que encontrei até hoje nesta campanha para o parlamento Europeu, foi esta manhã, e espectavelmente era da CDU. Estava num chinfrim junto à estação de comboios de S. João do Estoril... a ser multado pelo funcionário da "Emel" cá do sítio.

Por falar em moda antiga: quem se lembra daqueles plásticos coloridos que o PCP e os Verdes penduravam por todo o lado, e que ficavam meses a esfarrapar-se nas árvores e candeeiros? Livrámo-nos de boa, hem? 

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