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Ad Amicos

por Luísa Correia, em 07.04.14
Em vão lutamos. Como névoa baça, 
A incerteza das coisas nos envolve. 
Nossa alma, em quanto cria, em quanto volve, 
Nas suas próprias redes se embaraça. 

 

O pensamento, que mil planos traça, 
É vapor que se esvae e se dissolve; 
E a vontade ambiciosa, que resolve, 
Como onda entre rochedos se espedaça.

 

Filhos do Amor, nossa alma é como um hino 

À luz, à liberdade, ao bem fecundo, 

Prece e clamor d'um presentir divino; 

 

Mas n'um deserto só, árido e fundo, 

Ecoam nossas vozes, que o Destino 

Paira mudo e impassível sobre o mundo. 

 

Antero de Quental

Na Lapa

por Luísa Correia, em 04.04.14
Estava a ler, a boa velocidade, o vencedor do Grand prix du roman de l'Academie française de 2012, La verité sur l'affaire Harry Quebert, da autoria do jovem suíço Joël Dicker, quando, subitamente, dei por que tinha entrado nas páginas do diálogo amoroso e travei para reflectir. Trouxe à memória outras páginas com outros diálogos amorosos, elaborados, elegantes, oitocentistas, pensei em Eça e Flaubert, e compreendi, no mesmo instante, do que pode privar-nos a verdura dos anos. Julgo ter compreendido também por que razão Dicker falhou o Prix Goncourt e arrebatou apenas o Prix Goncourt des lycéens.
PS: Ainda só li um terço da obra e não perdi a convicção de que serei, lá mais para diante, agradavelmente surpreendida.

Num dia de chuva...

por Luísa Correia, em 01.04.14
No suelen ser nuestras ideas las que nos hacen optimistas o pesimistas, sino que es nuestro optimismo o nuestro pesimismo, de origen fisiologico o patologico quiz, tanto el uno como el otro, el que hace nuestras ideas. (Unamuno)

... e o rio (2)

por Luísa Correia, em 31.03.14
... «E por tanto vinham de desvairadas partes muitos navios a ela, em guisa que com aqueles que vinham de fora e com os que no reino havia jaziam muitas vezes ante a cidade quatrocentos e quinhentos navios de carregação; e estavam a carregar no rio de Sacavém e à ponta do Montijo da parte de Ribatejo sessenta e setenta navios em cada lugar, carregando de sal e vinhos; e por a grande espessura de muitos navios que assim jaziam ante a cidade, como dissemos, iam antes as barcas de Almada aportar a Santos, que é um grande espaço da cidade, não podendo marear por entre eles». (Fernão Lopes, Crónica de D. Fernando).

A cidade... (1)

por Luísa Correia, em 31.03.14
«Havia outrossim mais em Lisboa estantes de muitas terras não em uma só casa, mas muitas casas de uma nação, assim como genoveses, e prazentins, e lombardos, e catalães de Aragão e Maiorca, e de Milão, que chamavam milaneses, e corcins e biscainhos, e assim de outras nações, a que os reis davam privilégios e liberdades, sentindo por seu serviço e proveito; e estes faziam vir e enviavam do reino grandes e grossas mercadorias, em guisa que afora as outras coisas que em esta cidade abastadamente carregar podiam, somente de vinhos foi um ano achado que se carregaram doze mil tonéis, afora os que levaram depois os navios na segunda carregação de Março.»...

Da Ribeira das Naus

por Luísa Correia, em 27.03.14
Fazia-me falta este rio de prata.

Na Ribeira das Naus

por Luísa Correia, em 27.03.14

Asseguraram-me no quiosque - como gosto dos quiosques de Lisboa! - que o café que aí tomei era o melhor café da cidade. Não posso confirmá-lo, porque percebo pouco de cafés e tendo a açucará-los excessivamente, o que, presumo, adulterará os sabores. Mas posso confirmar, sim, que um café tomado naquele lugar, à beira-Tejo, é, no mínimo, um café muitíssimo agradável e estimulante.

Não fora o Mar!

por Luísa Correia, em 26.03.14
(Castelo)

 

Não fora o mar, 

e eu seria feliz na minha rua, 

neste primeiro andar da minha casa 

a ver, de dia, o sol, de noite a lua, 

calada, quieta, sem um golpe de asa. 

[...]

 

Fernanda de Castro

Sobre o meridiano

por Luísa Correia, em 25.03.14
"O Terreiro do Paço, excluído o rei, passava a Praça do Comércio, epíteto hoje pouco usado, apesar de evidente nas placas das esquinas. A via central evocava a Augusta Majestade, e é das poucas que se mantém, embora poucos lisboetas saibam de que Augusta se trata." (José Sarmento de Matos e Jorge Ferreira Paulo, Um sítio na Baixa)

Do Arco da Rua Augusta

por Luísa Correia, em 25.03.14
A Pequena Alface está muito compostinha. Do topo do arco, o panorama sobre o meridiano da Rua Augusta é surpreendente. E o Terreiro do Paço está - ou é - indiscutivelmente, uma praça magnífica.

"Place du Commerce. La plus grande place de Lisbonne et une des plus belles de l'Europe. Elle mesure 177 m. sur 92 m. formant un rectangle dont la partie méridionale s'ouvre sur la Tage [...]." (Marquês de Bombelles, Journal d'un Ambassadeur de France au Portugal)


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