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No meu tempo só havia bisnagas

por Pedro Correia, em 04.04.08

Material a incluir na mochila escolar a partir do próximo ano lectivo. Com o aval dos "pedagogos" de serviço, convictos de que não existem criancinhas más.

Medalha Miguel Sousa Tavares

por Pedro Correia, em 22.01.08
A historiadora Maria de Fátima Bonifácio fez as mais inteligentes intervenções do Prós e Contras de ontem, dedicado às novas regras sobre o consumo de tabaco. Arrisco mesmo vaticinar que conquistou a imortalidade com várias frases que proferiu nesse debate, das quais destaco: "Não vale a pena deixar de comer umas tripas à moda do Porto para viver mais uns dias." Impressionaram-me estas sábias palavras, que culminaram no seu brado: "Eu quero comer tripas!"
Eu, confesso, não quero comer tripas. Mesmo assim, só consigo equiparar aquela admirável exclamação ao grito do Ipiranga. Mas melhor ainda esteve a ilustre historiadora quando, em defesa do sacrossanto princípio da liberdade, exclamou: "As crianças não devem ir a restaurantes porque incomodam os adultos."
Fátima Bonifácio quer fumar em todos os restaurantes. Em nome da liberdade, que a seu ver se encontra "ameaçada" em Portugal, como se pode ver pelo "controlo" do Estado às chamadas de telemóvel e às vias verdes. É também em nome da liberdade que a preclara historiadora pretende eliminar dos restaurantes as criancinhas que tanto a incomodam.
Rolou-me pela face uma furtiva lágrima ao ouvir isto.
Fátima Bonifácio, ardente defensora da liberdade, merece só por isto ser distinguida com a Medalha Miguel Sousa Tavares no próximo 10 de Junho. Em sessão rigorosamente interdita a menores de 18 anos, não vá algum vagido infantil perturbar tão comovente cerimónia.

Porreiro, pá

por Pedro Correia, em 17.01.08
"Crise económica leva a que só 53% dos portugueses gozem férias", revela hoje o DN, em notícia da minha colega Cátia Almeida. Aqui está uma informação mais reveladora do que muitas sondagens.

Pouco fumo, muito fogo

por Pedro Correia, em 07.01.08

Qual petróleo a cem dólares? Qual morticínio no Quénia? Qual duche escocês da senhora Clinton no Iowa? Qual Lisboa-Dacar abortado antes da partida? Qual desemprego a subir em flecha no paradisíaco país de Sócrates? Lendo os colunistas vitalícios da Lusolândia, após uns dias de pousio, fica-se com a certeza de que só existe um problema em Portugal e no Mundo: a lei 37/07, que interdita o consumo de tabaco em alguns espaços públicos cá na terrinha, nomeadamente nos restaurantes que não tenham feito as necessárias obras para exaustão de fumos.
Miguel Sousa Tavares garante que este é "um país onde o terror passou a ser lei", assegura que o diploma foi feito "à medida de um país de polícias e de eunucos", compara Portugal ao Irão e à Arábia Saudita e conclui com a elegância que o caracteriza: "Qualquer dealer de drogas duras tem mais credibilidade moral do que o Estado português." Isto na mesma edição do Expresso que publica uma lista (muito provisória) de 37 restaurantes onde continuará a ser possível fumar.
Daniel Oliveira, na mesmíssima edição do Expresso, dispara bem ao seu jeito: "O mesmo Estado que fecha urgências quer convencer-nos a deixar de fumar." Não se detecta qualquer indício de demagogia num argumento com tanta solidez...
Vasco Pulido Valente, sempre original, atira-se no Público a Cavaco Silva: "Um Presidente da República para quem a liberdade contasse, não aceitava, calado e quieto, a proibição (na prática absoluta) de fumar em público. Porque ela própria limita o direito de propriedade e se intromete na vida privada de cada um." Inútil explicar-lhe que poderá continuar a fumar no seu bem-amado Gambrinus: nem assim a sua fúria contra a proibição "absoluta" de fumar abrandará.
António Barreto, igualmente no Público, não faz a coisa por menos: "O primeiro-ministro José Sócrates é a mais séria ameaça contra a liberdade, contra a autonomia das iniciativas privadas e contra a independência pessoal que Portugal conheceu nas últimas três décadas."
Mesmo sem fumo, o fogo não vai faltando. Fogo verbal, pelo menos. Nisto continuamos a ser eternamente bons.

O verdadeiro líder

por Pedro Correia, em 19.12.07

Parece que foi inaugurada uma estação de metro em Lisboa. As televisões berram o acontecimento em directo como se a coisa tivesse impacto nacional. Ouço Sócrates falar. Este homem não se cansa de discursar. Fala pelos cotovelos em qualquer lado, a qualquer momento. A ele, que tanto gosta de citações, recomendo-lhe esta, do general De Gaulle: "Um líder é aquele que não fala. Nada contribui tanto para a autoridade como o silêncio."

Retórica e mais retórica e mais retórica

por Pedro Correia, em 11.12.07

"A cimeira União Europeia-África foi muito importante", proclamam os propagandistas de serviço. Porquê? Simplesmente por se ter realizado, respondem, como se estivéssemos perante uma questão de fé: a escassez de resultados é inversamente proporcional à propaganda política em louvor e glória dos chefes. E no entanto há sempre um ou outro jornalista que faz as perguntas incómodas. De concreto, o que adiantou esta cimeira sobre o genocídio no Darfur? E sobre o drama do Zimbábue, onde diariamente são espezinhados os mais elementares direitos humanos? E sobre a gravíssima questão das migrações em massa? Nada de concreto. Houve umas proclamações genéricas sobre a necessidade de assegurar a "boa governança" no continente mais desgovernado do mundo, garantiu-se outra monumental injecção de capitais com a certeza antecipada de que a maior parte desta verba só servirá para engordar a corrupta e despótica classe dirigente africana. O que sobra? Retórica, pura retórica. Já ficámos todos com as consciências um pouco mais aliviadas a troco de coisa nenhuma. E toca a consumir, que é Natal.

Candidata a uma das frases do ano

por Pedro Correia, em 05.12.07
"Os meus hobbies são a câmara e o PSD."
Ribau Esteves, secretário-geral do PSD, citado pela revista Sábado

José Pinto de Sousa

por Pedro Correia, em 28.11.07
Encontrei ontem na minha caixa do correio uma carta destinada a um tal José Pinto de Sousa. É a prova que faltava para me convencer: os correios portugueses estão muito longe de funcionar com a eficiência que deviam.

Portugal

por Pedro Correia, em 28.09.07
“País de homens importantes, que não atendem ao telefone porque pode fazer mal aos ouvidos, país de homens dilatados que estão sempre a despacho e não têm horas para descanso; heróis de uma pátria que só compreendem nos jornais.”
Ruben A., O Mundo à Minha Procura



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