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Recortes

por João Távora, em 24.12.11

Apesar de tudo, amanhã será Natal
(Excerto da minha crónica publicada hoje no jornal i)

Se considerarmos a racionalidade a prática da boa interpretação da realidade, podemos atribuir ao século xx, o do advento das repúblicas, das independências e das “igualdades”, o cognome de “O irracional”. O conhecimento e a aptidão tecnológica definitivamente não conferiram racionalidade ao ser humano: para não nos determos em demasia nos três maiores monstros do século passado, Mao Tsé-tung, José Estaline e Adolf Hitler, aos quais, por junto, se pode atribuir a responsabilidade de quase 200 milhões de vítimas, observe-se o caso do jovem norueguês Anders Breivik, que dominava técnica suficiente para fabricar as bombas que fez explodir em Oslo. Continuar a ler »»»»

O grande Advento (pub.)

por João Távora, em 23.12.11

 

 

O Criador jamais descurou a comunicação do grandioso Advento, insistentemente anunciado pelos profetas nos séculos que o antecederam. Para o Natal de Jesus não esteve com meias medidas.

Memórias do Natal

por João Távora, em 20.12.11

Um misto de ingénuo espanto e ansiedade define a comoção com que eu na minha infância vivia a festa de Natal. Tudo começava na véspera, noite dentro, quando nós os cinco manos, lá íamos com os nossos pais, todos ao monte no velho carocha bege, bem agasalhados e aperaltados, para a missa do Galo. Ainda pequeno, era um sentimento muito especial o de entrar acordado no mistério da noite profunda e estrelada. Lisboa lá estava deserta e fria, mas calorosamente engalanada para a festa. Excepcionalmente para as solenidades natalícias íamos à Igreja de S. Pedro de Alcântara ou Santos o Velho. A ocasião era toda ela especial: a Igreja, quente e iluminada a preceito, tinha um cheiro especial, os cânticos também eram especiais, e o grande presépio ao fundo dominava o panorama. Num autêntico estado de graça eu sentia-me também especial, como Jesus que nascia... 

Intimamente eu ansiava pelo fim da missa, pelos presentes e a ceia, na Avenida da Liberdade em casa dos avós, noite adentro com os tios e a primalhada toda. Era essa a primeira etapa do glorioso dia que então começava.

Além das coloridas iluminações de rua, o Natal era então também mundanamente anunciado por alguns sinais “televisivos”, que avisavam a chegada das festas. Eram os anúncios de brinquedos, chocolates e perfumes, o inevitável Natal dos Hospitais, e os magalas que logo a seguir ao telejornal mandavam saudades à família, em diferido das colónias.

Ontem como hoje, para as sedentas criancinhas eram os presentes o êxtase da grande festa. Lembro-me de alguns que me marcaram como um Mercedes Dinky Toys, que especialmente para mim, o meu pai pintou de preto e verde para satisfazer o meu capricho de ter um Táxi “como os verdadeiros”. Recordo também um pequeno “transístor” (rádio a pilhas) revestido de cabedal castanho, oferecido pelo meu padrinho e avô, donde eu ouvi as minhas primeiras canções, o “Quando o Telefone Toca” e os “Parodiantes de Lisboa”. E num qualquer Natal mais próspero lembro-me de ter recebido dos meus pais uma enorme caixa de Mecano, um jogo de construção que fez as minhas delicias durante meses…
E depois havia o chocolate quente na Avenida, cheia de primos, sonhos e outros fritos. E havia o acordar tarde e estremunhado já em Campo d' Ourique, para com os meus irmãos acorrermos estonteados ao nosso sapatinho junto ao presépio... onde como por magia já lá estava devidamente deitado nas palhinhas o Menino Jesus.
E ao final do dia, com uma réstia de preciosa energia, ainda íamos jantar casa da minha avó paterna na Travessa do Patrocínio... para um derradeiro banho de festa, de tios e de outros tantos primos, uns quantos chegados de longe e de alguma "cerimónia" que eram mais "crescidos"...
O dia seguinte era uma ressaca feliz. Depois, restavam ainda uns dias de férias para empenhadamente brincar com os meus irmãos e com tantos e brinquedos novos. E para numa ida à matinée, a ver um filme de Walt Disney, estrear umas meias de lã, ou uma camisola 

nova tricotada pela minha mãe. E por esses dias, com a minha curiosidade endiabrada, ia desventrando meticulosamente alguns dos mais fascinantes e plásticos presentes, de corda ou a pilhas, até serem depositados ao monte no grande caixote. Inúteis e abandonados.
Finalmente, depois da passagem de ano, o suspiro moribundo das festas, a vida retomava a normalidade, a rotina. Até a escola implacável, ensonada e fria recomeçar.

 

 

Ilustração 1 - António Balestra, Adoração dos Pastoresc. 1707. Óleo sobre tela, 564 x 261 cm,  São Zacarias, Veneza. Roubada daqui

 

Ilustração 3 - Travessa do Patrocínio nº 15 em 1898

 

Texto reeditado

Cartões de Natal

por João Távora, em 15.12.11

 

 

Desde que trabalho em comunicação empresarial que todos os anos na véspera da quadra natalícia se me põe o mesmo dilema: que fazer com o costume das “Boas-festas” aos clientes e parceiros?  Será esta uma eficaz acção de relações públicas ou antes uma irritante espiral de desperdício da qual as empresas e instituições não se conseguem libertar, aprisionadas que estão umas às outras em cumprimentos meramente protocolares?

À parte desta tradição poder constituir por parte da empresa a assunção duma política de responsabilidade Social (através da aquisição dos cartões a um organismo caritativo, por exemplo), parece-me definitivamente que o que sobra do intimismo e generoso espírito do Natal para o mundo empresarial e para as marcas, é coisa pouca. Mas até hoje nunca tive a coragem suficiente para assumir o corte do ritual das boas festas "empresariais": é difícil uma boa desculpa para não retorquir educadamente a um simpático Cartão de Natal e acabo todos anos condescendendo à dança de cartões, de preferência com alguma originalidade e em apoio de alguma instituição caritativa, e sem esquecer a imprescindível "versão electrónica”.

Vêm estas palavras a propósito duma provocação de alguém que afirmava não haver Cartões de Boas-festas grátis. Tirando a doentia leitura darwinista das relações sociais, e reconhecendo que por estes dias os "verdadeiramente desinteressados” estarem em vias de extinção, o facto é que ainda os há: são os cartões daquele parente diplomata, ou de um ex- colega e amigo mais antiquado ou extravagante que teima, com palavras sentidas e calorosas, fazer-se presente na nossa alegria, na nossa festa. Um resultado impossível com as milhentas bonecadas que entopem as caixas de correio electrónico ou a página do facebook nesta quadra. 

 

Publicado originalmente aqui

 

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Menino estás à janela

por Jorge Lima, em 12.12.11

 

 

É impressão minha, ou este ano quase não se vê aqueles estandartes do Menino Jesus à janela? A minha zona, que eu saiba, não é especialmente ímpia. Mas o nosso Menino Jesus, postado à janela, a sorrir ao mundo, Tejo incluído, é o único. Para além de ser único, claro. Está para ali, com ar meio aborrecido de filho único que não tem com quem brincar nas férias de Natal e, para passar o tempo, entretém-se a chamar materialistas, hedonistas ou consumistas a uns Pais Natal que estão a subir a uma varanda, a ver se se enervam e caem do sexto ao relvado, para os salvar no último instante.

A gente já sabe, e o Menino Jesus já sabe, sem ter sequer de apelar à sua omnisciência, que o seu caminho é meio solitário, mas, que diabo, no ano passado, eram tantos estandartes nas janelas, tantos meninos a testemunhar nesta casa mora gente que acredita em mim, e este ano, estou para aqui sozinho? Será que não foi, ao contrário do que se disse,  um acto de afirmação orgulhoso no meio da orgia consumista, mas apenas mais uma moda, lançada pelos bispos e publicitada nos púlpitos? Será que a coisa teve mais laivos de manifestação cultural, género sou do Sporting e vou aos touros, que de manifestação de dentro para fora, vejam no que eu acredito? Será que foi uma moda, que como moda que é se estiola dum ano para o outro, como as sementes à beira do caminho?

Quero crer que não, que é só no meu bairro que o Menino Jesus é o único, e que o meu bairro tem uma percentagem superior à média de católicos desorganizados, que de um Natal a outro Natal enfiam o Menino num caixote na arrecadação, e quando chega o Advento já não se lembram de onde o puseram, género alguém que escondeu um tesouro no meio do campo, e já não se lembra onde. O problema é que este menino, de tão delicado que é, de tão cioso que é da liberdade alheia, não usa os seus superpoderes para emergir do caixote da arrecadação e se ir colar ao vidro do janelão. Este menino não é de se colar. Feitios.

É pena. Cartazes de meninas seminuas, já ninguém liga, uma em cada esquina. Um cartaz dum menino seminu, de braços abertos, sem agenda escondida, que só quer brincar, que só quer companhia, sem fazer perguntas, sem chatear, sem vender berbequins e férias de sonho, é coisa, é menino, é Deus Menino, digna de se mostrar aos vizinhos.

 

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O Natal, o vazio e a tralha dos imensos carnavais

por João Távora, em 11.12.11

Admitindo que os efeitos festivos das decorações natalícias nas ruas da cidade podem contribuir para o Espírito que a quadra encerra, confesso que não sou seu incondicional aficionado, antes pelo contrário. Em plena crise financeira, a sua notória ausência não me incomoda: o mais das vezes, o seu efeito ostentatório resulta na tendência para a adulteração da festa do nascimento de Jesus, como mais uma pândega do calendário pagão.

Lisboa tem este ano, sob os auspícios do Zé “que faz falta”, dos esfregões 3M, da Câmara Municipal e mais 150.000 euros, em vez das habituais iluminações, sete “instalações” foram concebidas por “verdadeiros artistas da modernidade" para assinalar a quadra, de que afinal nenhum lhe conhece o sentido. Não consta que nalguma ”instalação” se encontre uma única menção ao nascimento de Jesus: na Praça do Chile são molhos de chapéus-de-chuva iluminados, junto ao Parque Eduardo VII exibe-se um conjunto de repugnantes gaiolas em forma de árvores de Natal entulhadas de lixo “para reciclar”. Nos ajardinamentos centrais da Rotunda foram espetados uma série de “sinais de trânsito” reflectores que anunciam a “Lapónia”, o “Bacalhau”, a “Neve”, o “Peru”, o “Pai Natal” e toda a vasta gama de iconografia mundana referente às festas. Este absurdo puritanismo laicista está também patente num anúncio da TV ao jogo da lotaria em que o apresentador enumera uma séride de tradições do Natal português evitando olimpicamente referências a Jesus ou ao presépio, mas mencionando uma inexistente “Noite do Galo”, como alusão disfarçada à Missa do Galo.
Através da abordagem mediática e demais tralha publicitária que invade as nossas casas através da imprensa, rádio e televisões, constatamos a tenacidade do regime tornar o Natal uma festa pagã. Afonso Costa por estes dias se não ardesse no Inferno, chocalharia veemente os seus ossos exultando no caixão: todas as festas perfilhadas pelo todo-poderoso Estado Laico, se vão assemelhando cada vez mais, a uma série de variantes do Carnaval: sejam elas protagonizadas pelo Pai Natal, por simples foguetório e embriaguez, por brasileiras desnudadas a tiritar de frio, coelhinhos de chocolate ou até sardinhas assadas. O motivo e finalidade comum é a simples alienação num tanto quanto possível desregrado folguedo.

~o~

Voltando ao essencial, não desisto de apregoar que, ultrapassada a perspectiva infantil, o Natal não é magia mas dum Milagre que se trata… a diferença é profunda e o fenómeno não requer luminárias ou artifícios. Porque esse incomensurável Milagre de Deus encarnado no humilde Menino acontece no coração das pessoas. Um Menino Jesus que Se nos entrega para derrotar a nossa soberba com o seu Amor, chegando desta forma tão próximo de nós que “podemos tratá-lO por tu e manter com Ele uma relação íntima de afecto profundo, como fazemos com um recém-nascido*”. 
É a preparação para este Natal, na intimidade do Presépio em que cada um de nós possui a graça de participar a 25 de Dezembro, que me concede a mim uma profunda paz e a sensação mais parecida com felicidade que conheço e que se me exige dar testemunho.
Porque a felicidade é incompatível com o egoísmo e o júbilo impele-nos a partilhá-la, entristece-me que a república laica tenha expulsado o Menino Jesus desta magnânima festa, e a sua mensagem seja tão militantemente censurada. Finalmente, urge perguntar: quem ganha com tudo isto, quem fica de facto a perder? 

 

* In "Pensamentos sobre o Natal" de Bento XVI, 1ª edição da Lucerna - Novembro de 2011.

A urgência do Natal

por João Távora, em 07.12.11

 

Ao contrário do que nos impinge a cultura hedonista vigente, o Natal não é tempo de consumo, de "sacar" o mais que se possa. Ao contrário o Natal é tempo de entrega, de dádiva incondicional. Se reduzirmos ao mínimo a expressão mercantilista da quadra que atravessamos termos certamente mais espaço interior para o essencial.
A profunda crise que vivemos tem nome e cara: uma anafada esquerda aburguesada que travestida de diversas cores partidárias há muito se imiscuiu em todos os meandros do Poder. Na ilusão do capitalismo popular e no mito igualitário, entreteve-se nos últimos anos com a bolha do experimentalismo social, tendo-nos conduzido à falência financeira e… moral.  Porque não há almoços grátis o preço será pago com altos juros.
Aqui chegados, o Natal é apelo a retornarmos ao essencial e olharmos para o que se torna aberrantemente prioritário acorrer: à pobreza das pessoas. Aquelas que não frequentam bares do Bairro Alto, que não frequentam os blogues ou vernissages. Aqueles que não têm dinheiro para fazer uma sopa, ou dar um presente a um filho. Deslocados, escondidos, sozinhos, vivem envergonhados do mundo, sem pagar ou receber pensão de alimentos. A pobreza é humilhação e solidão; corrói a humanidade da pessoa, é dor profunda, mortífera. Há demasiados portugueses em sofrimento e é tempo de se atender à realidade e acudirmos às pessoas. Essa é a mais genuína fórmula de materializarmos o apelo do Amor a que somos chamados a partilhar nesta quadra. Um dever que se impõe a todos nestes tempos duros de crise, também ela de valores. 

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Uma única razão de ser:

por João Távora, em 26.12.10

 

esperança

Aleluia, é Natal!

por João Távora, em 25.12.10


O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para aqueles que habitavam nas sombras da morte uma luz começou a brilhar. Multiplicastes a sua alegria, aumentastes o seu contentamento. Rejubilam na vossa presença, como os que se alegram no tempo da colheita, como exultam os que repartem despojos. Vós quebrastes, como no dia de Madiã, o jugo que pesava sobre o povo, o madeiro que ele tinha sobre os ombros e o bastão do opressor. Todo o calçado ruidoso da guerra e toda a veste manchada de sangue serão lançados ao fogo e tornar-se-ão pasto das chamas. Porque um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado. Tem o poder sobre os ombros e será chamado «Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz». O seu poder será engrandecido numa paz sem fim, sobre o trono de David e sobre o seu reino, para o estabelecer e consolidar por meio do direito e da justiça, agora e para sempre. Assim o fará o Senhor do Universo.

 

Do Livro do Profeta Isaías

 

Imagem: Natividade do Duccio de Siena 1308 - 1311 - agradecimento especial ao amigo Luís Barata

Natal e almoços grátis

por João Távora, em 23.12.10

 

 

Temos uma certa tendência a domesticar o Natal. Usamos uma infinidade de palavras bonitas e simpáticas que, às vezes, acabam por esconder a força da sua fragilidade. Falamos vagamente de um espírito de família que se renova mas, tirando as críticas repetidas ao consumismo, parece haver pouco em que o Natal nos ajude a olhar para a cultura na qual vivemos, descobrindo-lhe os enganos e as falácias.


A crítica ao consumismo tem o mérito de nos ajudar a compreender como uma boa parte das farsas que condicionam o modo como olhamos a realidade está associada a teorias económicas. Na sua pretensa objectividade científica, tais teorias dizem-nos que o seu olhar sobre a realidade é neutro. Mas não é. Qualquer teoria económica tem associada a si uma visão concreta do ser humano, uma ética e, ao colocar em prática os seus princípios, ela pode também moldar o ser humano e a sociedade à sua imagem.

A máxima "não há almoços grátis", celebrizada pelo economista Milton Friedman, é um bom exemplo de uma aparentemente inócua regra económica que acaba por afectar, de um modo decisivo, o modo como nos olhamos a nós próprios e o modo como avaliamos a nossa capacidade de nos relacionarmos uns com os outros. Basta pensar em alguns estudos psicológicos que procuram provar o interesse próprio (um certo 'egoísmo') como ponto de partida de toda a acção humana, para compreender como esta forma de olhar a realidade se pode converter num modo cínico de pensar o ser humano. Tal cinismo está muito presente em discursos que falam da impossibilidade do amor gratuito e desinteressado ou da generosidade. Tal cinismo é também revelado nas ideias dos que se dizem descrentes do bem comum e apenas exigem todas as garantias para que cada um procure livremente o seu próprio bem e o possa viver sem condicionalismos. Num mundo assim, ninguém dá nada a ninguém. Ninguém se dá a ninguém. Todos os almoços têm um preço.

Enganos, falácias e farsas são palavras fortes. Mas, se confrontarmos a visão de um mundo sem almoços grátis com aquilo que na tradição cristã nos é revelado pelo Natal, não será difícil entender como aquela visão economicista é pobrezinha e falseia a dignidade do ser humano criado à imagem de Deus. O Mistério da Encarnação (concepção, nascimento de Jesus e a sua vida no meio de nós) é um momento decisivo de uma aventura em que Deus se comunica de um modo pessoal ao ser humano e lhe indica o caminho de uma humanidade vivida em plenitude. Esse caminho abre-nos a possibilidade de um amor desinteressado e gratuito, ensina-nos a mesa como lugar onde a comunidade se constrói e o seu ponto culminante é antecipado por uma refeição onde a vida nos é oferecida de graça. Se não deixarmos que esta economia de Deus transforme pouco a pouco os princípios do nosso agir económico, então o Natal será humana e culturalmente irrelevante e os pendões que orgulhosamente colocamos à janela não passarão de um adorno que rapidamente voltará ao armário das arrumações e de que nos esqueceremos até que no próximo ano voltemos a fingir o Natal.

 

Zé Maria Brito daqui

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Uma meia meia feita e outra meia por fazer...

por João Távora, em 21.12.10

 

Os publicitários, como as crianças, são uns exagerados: só assim se compreende a maneira fanfarrona como nesta Santa Quadra menosprezam o tradicional par de meias no sapatinho de Natal. O grau de decepção ao desembrulhar umas meias de lã oferecidas por uma extremosa tia é proporcional à leviandade do presenteado: no pico do nosso Inverno, que ao contrário do que diz a propaganda é bastante agreste, estes nobres artefactos aquecem-nos o corpinho, que o milagre do Natal aconchega a alma.

De resto lembro-me bem do aborrecimento quando na minha infância ia para a escola fria e húmida com meias velhas e deslaçadas a deslizar para o calcanhar. Estas são ingratas arrelias difíceis adivinhar por um adulto incauto num infante estoicamente concentrado em sê-lo. Recordo-me na casa dos meus pais em que éramos cinco irrequietos irmãos, que havia um grande cesto das meias no quarto dos armários, e do duro desafio que constituía aí encontrar um par em condições: atrasado para sair para a escola, de olhos turvados pelo sono, mergulhava em desespero no cesto em busca de umas que emparelhassem. Pesados os factos, tudo indica que algures naquele andar de Campo d’ Ourique, havia uma misteriosa dimensão para onde desapareciam meias desirmanadas.

Talvez por isso hoje dou valor a um bom par de meias, que convenhamos, é coisa difícil de encontrar: para o calor há-as de algodão fino que depois de calçar três vezes tendem a enrijecer irremediavelmente. Para o frio, muitas delas até caras e felpudas, perdem rapidamente o fio no calcanhar e no dedo grande. Suspeito que seria grande motivo de risota se um dia fossem inspeccionados os pés de muito boa gente, como por exemplo os nossos deputados na assembleia: não sabemos verdadeiramente a realidade que um rebrilhante par de sapatos Sebago pode ocultar.

Por tudo isto considero que um par de meias é um belo e irrecusável presente, mais ainda se forem das boas, umas resistentes Falke ou felpudas Burlington (que já tiveram melhores dias). Por mim não se façam rogados, e… tenham um Santo Natal.

Coisas realmente importantes

por João Távora, em 25.11.10

Pelo sim pelo não, já cá moram “as farramentas do Manny” que prometi ao pequenito pró Natal quando ainda estávamos no Verão. Não devemos mentir, muito menos às crianças.

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O insondável mistério do Bolo Rei

por João Távora, em 02.01.10

 

É para mim um grande mistério a tradição do Bolo Rei,  um pitéu que afinal  poucos apreciam, mas que nem a fúria jacobina de Afonso Costa conseguiu liquidar, vai fazer cem anos. Disponíveis em impressionantes quantidades pelos cafés e pastelarias, e empilhados em promoções nos supermercados,  há  casas especializadas onde se faz bicha para comprar um exemplar. Mas pelo que me é dado observar, com mais ou menos frutas, mais ou menos ovos ou açúcar, esta é, entre as iguarias da quadra, a menos apreciada: as crianças regra geral enojam-se só de ver as frutas cristalizadas, e os adultos estão de regime, depois do peru e das filhoses. Quando muito  é o dono da casa que come uma fatia por descargo de consciência ou sentido de missão. Assim, chego à conclusão que o Bolo Rei é uma espécie de penitência pagã para “aliviar” a sã alegria da quadra, não vá o diabo tecê-las.

Em tempos, quando o Bolo Rei tinha um brinde, (em boa hora eliminado em nome da sacrossanta segurança alimentar, que isto de engolir bijutaria não é agradável) o pessoal ainda o escarafunchava para habilitar-se a ir à fava. Já o bolo que me oferecem no escritório todos os anos, por norma resiste incólume à consoada e segue directo para o congelador, donde é sacrificado ainda antes do fim de ano no aniversário da minha filha. Acaba feito em torradas numa caixa de lata ilustrada com animais de Beatrix Potter, donde segue para o caixote do lixo por ocasião das limpezas de Primavera. Tão certo quanto o Natal ser em Dezembro.

 

Inspirado aqui 

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De onde vem a Luz...

por João Távora, em 26.12.09

(...) Mesmo perante a morte de Deus há uma centelha sagrada que não se apaga. Mesmo na ausência de Deus eu sei que devemos reforçar a trincheira da bondade e fazer fogo sobre tudo o que ponha em causa essa mesma bondade. E o Natal, meus amigos, é o renovar anual dessa centelha. (...)

 

Henrique Raposo no Expresso

Valeu a pena esperar!

por João Távora, em 26.12.09

 

No sapatinho:

 

 

 

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O melhor presente

por João Távora, em 24.12.09

Gerrit Van Honthorst – Adoração dos Pastores (1622)

 

Há por aí um discurso simplista em que se confunde consumismo e opulência com a benigna tradição do "presente de Natal". Nesta quadra é importante evidenciar a nobreza que possui a materialização do nosso amor num objecto, um “presente” que, independentemente do seu valor material, nos tornará presentes no coração do próximo. Oferecer um presente a alguém - a quem desejamos homenagear ou queremos (re) aproximar - é com toda a certeza uma atitude de grande dignidade. Claro que é essencial não se confundir essa dádiva com marketing pessoal ou com qualquer forma de alienação da realidade. Presentear é aliás uma arte muito própria que requer imaginação, e, o que é mais importante, uma grande capacidade de nos colocarmos "na pele" do outro, o mesmo é dizer de “amá-lo”.

Os presentes do Natal cristão devem significar verdadeiros actos de amor: cada qual, um autêntico tributo ao Nosso Senhor e Salvador, que nesse dia de grande Festa se nos é de novo oferecido como um frágil e radiante Menino, que para nossa redenção. 

 

A todos os leitores e amigos do Corta-fitas desejo um muito feliz Natal.

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Ai Jesus que é quase Natal!

por João Távora, em 23.12.09

 

Do porta bagagens do meu carro aos inimagináveis espaços de arrumação que vou descobrindo na minha casa, multiplicam-se por estes dias caixas e caixinhas, sacos e pacotes. Muitos dos presentes estão por embrulhar... e hoje em dia poucas são os estabelecimentos, mesmo os caros, que embrulham condignamente a mercadoria que vendem; e quando o fazem, disponibilizam papel e Invólucros muito pouco natalícios, com referências demasiado gritantes à loja ou à marca. Isso leva a que, logo á noite, como se vai sendo tradição, terei de madrugar umas horas a embrulhar e a destinar. Lá em casa, há uns dias para cá que reina enorme excitação, mas o problema maior é o mais pequenito que, de olhos arregalados, anda num tremendo êxtase: temo bem que nem um potente calmante o iria sossegar antes da meia-noite para os pais poderem “trabalhar”.

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De novo, o Grande Advento

por João Távora, em 07.12.09

 

 

Para encanto dos mais pequenos e a satisfação dos mais velhos, na nossa casa já resplandece a festa de Natal: desde a porta da rua exibindo a coroa de azevinho dourado, até à sala onde a grande árvore de natal, cheia de luzes, estrelas, e tarecos coloridos se ergue ao lado do presépio de Jesus, Maria e José. À porta da cozinha um calendário do advento reserva para cada dia, além de um chocolatito para cada habitante, um pequeno texto para ser lido diariamente em família ao serão. De resto, este ano temos a novidade do estandarte vermelho à janela indicando o motivo da nossa alegria, O Convidado para a nossa festa. 

O mais fácil está feito: agora o verdadeiro caminho de Encontro será realizado dentro do coração de cada um, de modo que o profundo sentido do Natal não seja deturpado pela estéril berraria mundana. O caminho faz-se andando.

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Domingo (1º do Advento)

por João Távora, em 29.11.09

 

 

Evangelho segundo São Lucas 21, 25-28.34-36

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas e, na terra, angústia entre as nações, aterradas com o rugido e a agitação do mar. Os homens morrerão de pavor, na expectativa do que vai suceder ao universo, pois as forças celestes serão abaladas. Então, hão-de ver o Filho do homem vir numa nuvem, com grande poder e glória. Quando estas coisas começarem a acontecer, erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima. Tende cuidado convosco, não suceda que os vossos corações se tornem pesados pela intemperança, a embriaguez e as preocupações da vida, e esse dia não vos surpreenda subitamente como uma armadilha, pois ele atingirá todos os que habitam a face da terra. Portanto, vigiai e orai em todo o tempo, para que possais livrar-vos de tudo o que vai acontecer e comparecer diante do Filho do homem».

 

Da Bíblia Sagrada

Tanta gente amiga

por Pedro Correia, em 29.12.08

Actualizada a lista dos colegas da blogosfera que nos endereçaram boas festas. Com os nossos agradecimentos e votos de um excelente 2009 para todos.

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