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Cartas na mesa

por João Távora, em 25.08.15

Antonio_Costa_Foto_AndreKostersLusa.JPG

"Suspeito que António Costa percebeu tarde de mais que o eleitorado do centro está mais preocupado com a estabilidade e a segurança que com ressentimentos e fracturas ideológicas." 

O meu artigo no Diário Económico

 

Foto Andre Kosters Lusa

(In) competência

por João Távora, em 14.08.15

Sede-PS-Largo-do-Rato-Partido-Socialista.jpg

Estranhos tempos estes que julgámos interessantes, que ao invés de darem lugar à política revelaram os seus limites: com a soberania hipotecada aos credores e amarrados a uma moeda de país rico, as “alternativas” escondem-se em pequenos detalhes. Assim, para que a corda não quebrasse, o tão proclamado governo “liberal” rendeu-se às evidências e ao tribunal constitucional resolvendo o grosso da questão com um brutal aumento de impostos: o caminho era afinal bem mais estreito, e foi por uma unha negra que a coligação levou a bom porto o tal resgate. Com o exemplo da Grécia, os mercados atrás da porta e uma dívida de quase 130% do PIB, nada disto é irrevogável bem se vê.

Por tudo isto, não passaria de um mero fait divers o caso dos cartazes do PS se as pessoas de bom senso acreditassem que a 4 de Outubro estarão em jogo duas ou mais alternativas de enfrentar o monstro, em vez da gestão dum ajustamento sem precedentes com competência e firmeza. Com os resultados eleitorais em aberto, a incompetência com que os socialistas vêm gerindo a sua campanha deixa-nos a todos muito apreensivos.

 

Publicado originalmente no Diário Económico 

A tempestade perfeita

por João Távora, em 20.07.15

decapitation-d-Olivaro.jpg

Ao contrário das mais antigas democracias europeias, a arquitectura da república portuguesa está edificada para favorecer a conflitualidade entre instituições.

Não só as prerrogativas do “semi-presidente” da facção triunfante o convidam ao choque com o Parlamento (a sua dissolução, no limite), como o sistema eleitoral saído da nossa última revolução não favorece as maiorias, pelo contrário, promove a instabilidade política. Perante o impopular ajustamento económico que inevitavelmente se vai prolongar pela próxima legislatura, o quadro pode tornar-se verdadeiramente aterrador: imagine-se que à eleição de um governo minoritário e à proverbial incapacidade dos grandes partidos gerarem consensos, se junta um presidente lírico e “interventivo”. Para evitar uma tempestade perfeita que nos atire para uma sequela de mau gosto da tragédia grega, resta-nos confiar na sabedoria dos portugueses que várias vezes já nos surpreendeu com improváveis maiorias absolutas. Só assim se evitará o caos duma legislatura com os políticos às turras, mais preocupados com vantagens imediatas para as suas tribos que com o interesse público.

 

Publicado originalmente no Diário Económico 

O espírito ateniense

por João Távora, em 07.07.15

esparta.jpg

Começo com uma inconfidência: sou originário duma família em que se cruzam as mais antigas casas aristocráticas portuguesas, com o seu auge na primeira metade século XVIII, que em Lisboa distribuía audácia, cultura e erudição. Quando era pequeno não passava à frente daquele magnífico palácio em Santos onde o meu avô ainda nasceu, sem que o meu pai me recomendasse a responsabilidade e o legado das minhas origens. Acontece que a decadência económica da minha família, mais por aselhices práticas do que políticas, muito acentuada no século XIX, atingiu o zénite na sua geração. Por isso deploro o caricato da discrepância duma história grandiosa com uma mesa sem pão em que muito se ralha com pouca razão. 

Magoa aprender, mas a soberania como a auto-estima obrigam ao engenho e muito trabalho, a ter dinheiro para pagar as contas. Temo que o resultado do referendo na Grécia signifique um irreparável prejuízo para as negociações dos credores com os gregos. Inevitável será a assunção duma atitude espartana para a recuperação do antigo espírito ateniense.

 

Publicado originalmente no Diário Económico

 

 

O dilema

por João Távora, em 23.06.15

Com o País à beira da falência o governo José Sócrates foi obrigado a assinar um pesado caderno de encargos para que uma tragédia fosse travada.

Em clima de emergência, os danos do violento ajustamento e cortes no Estado esvaziaram muitos bolsos, aqueceram emoções e conduziram a um clima de pré-guerra civil.  
Sabemos como há poucos temas que provoquem mais alarme social que os relacionados com a saúde. E que o sofrimento alheio é um espectáculo tão sedutor quanto intolerável se não for controlado e causado artificialmente para um ‘reality show’. Depois, numa civilização de génese cristã uma pessoa é uma pessoa, uma vida é uma vida, única e irrepetível, e como tal um incontornável problema moral para quem tem responsabilidades na gestão da coisa pública.
Dificilmente um sector sensível como o da Saúde podia ter passado incólume à crise da dívida. Mas quero crer que as disfunções detectadas estão sentenciadas a ser rapidamente sanadas. É nossa condição civilizacional.

 

Publicado originalmente no Diário Económico

Amarrados

por João Távora, em 09.06.15

euro.jpg

 

Amarrados a um tratado orçamental, a uma moeda "estrangeira" e sem margem de manobra, é irónico que desta vez os partidos de governo se apresentem a eleições valorizando o debate dos seus programas no lugar dos tradicionais e vazios slogans.

Aproveita aos portugueses o curso de economês tão intensivo quanto involuntário ministrado nos últimos cinco anos. O que separa o programa socialista do da coligação são as suas "boas intenções" ideológicas - mais estaticistas por um lado e mais liberais por outro, que serão sempre dissolvidas pela tirania da realidade: uma dívida tão pesada quanto um inadaptado tecido social, ainda viciado num agonizante modelo económico. 

Como se não bastasse uma constituição socialista, quaisquer reformas liberalizantes esbarram nessa sociedade civil temerosa e infantilizada por um ancestral paternalismo centralista. O que nos salva é que as dispendiosas "reposições" prometidas pelo Largo do Rato, sobre o olhar atento dos credores, se circunscreverão a uma ou outra medida de cariz meramente simbólico.

 

Artigo publicado originalmente no Diário Económico.

Esperanças

por João Távora, em 27.05.15

assuncao-cristas.jpg

Assunção Cristas, com um discurso indómito e desempoeirado, brilhou pública e decisivamente numa noite de Janeiro de 2007.

Aconteceu na campanha do referendo ao aborto numa conferência no Hotel Tivoli organizada pelo “Blog do Não”, em que participei. O resto da história já sabemos: adoptada por Paulo Portas que não é parvo nenhum, a ministra da agricultura hoje aproxima-se incólume do fim duma dificílima legislatura, tendo pelo meio sido mãe pela quarta vez – como uma parábola sobre uma pessoa inteira. Inoportuno nesta fase, o tema da sucessão no CDS também não pode ser tabu. 

Porque o desafio na recuperação do seu espaço, que se esconde nos seus princípios fundadores, conservadores e democratas cristãos, revelar-se-á hercúleo.

Se Assunção perceber que o espaço do CDS se espelha nas suas próprias convicções humanistas e católicas, se a Assunção tiver a coragem de abrir mais o partido aos militantes, tenho esperança que conseguirá resgatar um eleitorado desapontado, após Paulo Portas.

 

Artigo publicado originalmente no Diário Económico.



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