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Cartilha da desinformação

por José Mendonça da Cruz, em 06.06.11

Os agentes socialistas em cargos jornalísticos registam a vitória da direita, mas não gostam dela. Vão agora começar o seu trabalho:

 

1º passo -  A MENORIZAÇÃO DA VITÓRIA.

A capa e o editorial do Público de hoje enunciam um programa. Na capa, um Passos Coelho sucumbido ao peso das circunstâncias. Nem o Passos vitorioso, nem o Passos do programa liberalizante que foi justificado; não, o Público dá-nos um Passos vergado ao peso. O editorial é mais explícito: explica-nos que não foi Passos que ganhou, foi Sócrates que perdeu; diz-nos que o país político mudou, mas isso não tem importância, porque (acha o Público) o país continua na mesma. E remata sentenciando que o alto nível de abstenção sinaliza que «a crise inspirou mais a indiferença do que o sentido de urgência». Estejam atentos e divirtam-se a ver como estes 3 elementos (não foi uma vitória; estamos na mesma; nem sequer houve eleições) serão glosados nos próximos dias pelos Teixeiras, os Nicolaus, os Metellos, os Costa Pinto, os sociólogos, os Carvalho&Judite, os Alcides, os Costa).

 

2º passo -  A PROMOÇÃO DO HERDEIRO

Nas próximas semanas e meses teremos desenvolvidas notícias e debates sobre as enormes qualidades pessoais, morais, políticas e de gestão de António Costa, Francisco Assis e António José Seguro. Em cada um deles, os agentes que ocupam cargos jornalísticos descobrirão capacidades. Como se lembram, Ferro Rodrigues também tinha sido «o melhor ministro dos assuntos sociais da história da democracia», embora nunca fosse explicado porquê. Como se lembram, António Vitorino foi «o mais respeitado comissário europeu», embora nunca tenhamos sabido por que feitos. Como se lembram, José Sócrates foi um «dos mais capazes, senão o mais capaz» dos membros de governo de Guterres, embora, esse, já saibamos de que é «capaz» realmente. Estejam, portanto, atentos, e divirtam-se, com os perfis, as entrevistas e os testemunhos de amigos acerca destes heróis da coisa pública, em breve, na imprensa, na rádio e na televisão.

 

3º passo - OS RETOQUES NA MONTAGEM

Desde hoje e daqui para a frente, a sequência de cada notícia será alterada. Se bem se lembram, sempre que houve um tema noticioso desfavorável ao PS, a apresentação seguia esta ordem: «O PS desmente que», vendo-se e ouvindo-se um membro do PS, desmentindo; «a acusação do PSD/CDS/CDU/BE de que», vendo-se/ouvindo-se a breve acusação do partido em causa; e, remate, «mas o PS diz que essa posição revela má fé», seguindo-se nova intervenção socialista.

Com um governo de direita passará a ser assim: 1. acusação do PS; 2. Resposta do governo de direita; 3. Réplica do PS.

Vejam com atenção e divirtam-se com o descaramento da montagem.

 

4º passo - OS RETOQUES NO ALINHAMENTO

Lembram-se dos erros orçamentais grosseiros relegados para o minuto 47 dos telejornais ou uma página par em baixo? Lembram-se das re-re-reinaugurações de obras promovidas ao primeiro minuto ou à 1ª página e uma ímpar inteira? Troquem, por favor, a ordem. A partir de hoje, tudo o que for desfavorável ao governo da direita terá honras de primeira página e abertura. Tudo o que for prova de bom trabalho, virá depois das facadas, dos atropelamentos, dos desastres, das graçolas internacionais, dos palestinianos e dos instantâneos. Prestem lá atenção, não se habituem, mas divirtam-se. O melhor jogo de todos é tentar encontrar o critério jornalístico ausente. 

 

5º passo - A REMODELAÇÃO DO LÉXICO

Lembram-se dos «tiros no pé» do PSD quando alguém falava fora da estrita sintonia com o que outra fonte do PSD dissera? Lembram-se do «saco de gatos»? Lembram-se da «desintegração»? Lembram-se do partido «à beira da extinção»? Esqueçam, acabou-se. A partir de agora, todas as dissensões, todos os conflitos, todos os ataques e contradições entre socialistas serão o espelho de «um debate interno muito rico», a prova «da vivência democrática do PS», uma sã inevitabilidade dentro de um partido que «é a charneira da democracia». Estejam atentos e divirtam-se. Divirtam-se muito porque vai chegar a ser ridículo.

 

6º passo - AS TRAPALHADAS

Lembram-se de como Sócrates mentiu sobre o défice de 2009? Lembram-se de como mentiu sobre o défice de 2010? Lembram-se de como mentiu sobre o crescimento? Lembram-se de como mentiu sobre o desemprego? Lembram-se da Cova da Beira? Lembram-se das vendas de imóveis públicos? Lembram-se de como mentiu sobre o FMI? Lembram-se de como mentiu sobre o Acordo de Entendimento? Lembram-se de como mentiu sobre os pagamentos atrasados? Lembram-se de como mentiu sobre as nomeações?

Lembram-se do silêncio noticioso, ou da vida surpreendentemente curta das notícias?

Pois a anemia jornalística acabou. Agora vai ser tudo «trapalhadas». Coelho espirrou? Trapalhada! Bagão Félix faz cumprir o Acordo? Trapalhada! Portas corta os laços com Chavez? Trapalhada! Coelho baixa substancialmente a TSU? Trapalhada! O ministro das Finanças disse bom dia, e Passos deu boa tarde? Contradição, impreparação, incompetência! E etc.

Observem com atenção e divirtam-se. O travesti de jornalismo é uma coisa muito engraçada.

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Foi impressão minha ...

por José Mendonça da Cruz, em 01.06.11

... ou os telejornais de sinal aberto de ontem relegaram a política para os segundos 20 minutos? A campanha já não é engraçada? Doi-lhes alguma coisa?

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