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A norma travão

por henrique pereira dos santos, em 05.05.19

António Costa já tinha ensaiado a dramatização com a lei de bases da saúde, mas foi com os professores que achou que estavam reunidas as condições certas para levar à cena a peça que vinha a ensaiar há já bastante tempo.

Ao contrário do que seria a minha ideia, se alguém me tivesse perguntado, Rui Rio é capaz de, apesar da imprensa, ter estragado o espectáculo.

Se os partidos são coerentes, se recuam ou não, se os tapetes são tirados aos deputados, a isso os eleitores ligam muito pouco, parece-me (ainda estou para encontrar um eleitor que acredite na letra do que lhe é dito em publicidade, comunicação ou política).

Mas Rui Rio trouxe para o ponto focal da cena a "norma travão", isto é, arrumou a questão da contagem de serviço dizendo que já toda a gente votou a favor disso, e concentrou as atenções de toda a gente (incluindo dos jornalistas que parecem ter andado distraídos nesta matéria, se as coisas forem como Rui Rio as apresentou) na votação da norma travão que terá sido proposta e que o PS terá chumbado.

No dia da votação do diploma, esta norma vai ser de novo votada e vai ser impossível passar por essa votação como cão por vinha vindimada: o PS vai mesmo ter de, explicitamente, aprovar ou chumbar a norma travão.

Ao concentrar todas as atenções neste ponto, Rui Rio parece ter resolvido a questão, do ponto de vista de percepção pública.

A seu tempo se verá. 

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Domingo

por João Távora, em 05.05.19

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João 


Naquele tempo, Jesus manifestou-Se outra vez aos seus discípulos, junto do mar de Tiberíades. Manifestou-Se deste modo: Estavam juntos Simão Pedro e Tomé, chamado Dídimo, Natanael, que era de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e mais dois discípulos de Jesus. Disse-lhes Simão Pedro: «Vou pescar». Eles responderam-lhe: «Nós vamos contigo». Saíram de casa e subiram para o barco, mas naquela noite não apanharam nada. Ao romper da manhã, Jesus apresentou-Se na margem, mas os discípulos não sabiam que era Ele. Disse-lhes Jesus: «Rapazes, tendes alguma coisa de comer?». Eles responderam: «Não». Disse-lhes Jesus: «Lançai a rede para a direita do barco e encontrareis». Eles lançaram a rede e já mal a podiam arrastar por causa da abundância de peixes. O discípulo predilecto de Jesus disse a Pedro: «É o Senhor». Simão Pedro, quando ouviu dizer que era o Senhor, vestiu a túnica que tinha tirado e lançou-se ao mar. Os outros discípulos, que estavam apenas a uns duzentos côvados da margem, vieram no barco, puxando a rede com os peixes. Quando saltaram em terra, viram brasas acesas com peixe em cima, e pão. Disse-lhes Jesus: «Trazei alguns dos peixes que apanhastes agora». Simão Pedro subiu ao barco e puxou a rede para terra, cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes; e, apesar de serem tantos, não se rompeu a rede. Disse-lhes Jesus: «Vinde comer». Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar-Lhe: «Quem és Tu?», porque bem sabiam que era o Senhor. Jesus aproximou-Se, tomou o pão e deu-lho, fazendo o mesmo com os peixes. Esta foi a terceira vez que Jesus Se manifestou aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dos mortos. Depois de comerem, Jesus perguntou a Simão Pedro: «Simão, filho de João, tu amas-Me mais do que estes?». Ele respondeu-Lhe: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta os meus cordeiros». Voltou a perguntar-lhe segunda vez: «Simão, filho de João, tu amas-Me?». Ele respondeu-Lhe: «Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta as minhas ovelhas». Perguntou-lhe pela terceira vez: «Simão, filho de João, tu amas-Me?». Pedro entristeceu-se por Jesus lhe ter perguntado pela terceira vez se O amava e respondeu-Lhe: «Senhor, Tu sabes tudo, bem sabes que Te amo». Disse-lhe Jesus: «Apascenta as minhas ovelhas. Em verdade, em verdade te digo: Quando eras mais novo, tu mesmo te cingias e andavas por onde querias; mas quando fores mais velho, estenderás a mão e outro te cingirá e te levará para onde não queres». Jesus disse isto para indicar o género de morte com que Pedro havia de dar glória a Deus. Dito isto, acrescentou: «Segue-Me». 


Palavra da salvação. 

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Se bem entendo...

por henrique pereira dos santos, em 04.05.19

... parece não haver dúvidas nenhumas de que amarrar o PS, nas próximas campanhas eleitorais, à ideia de que não há alternativa à austeridade, é um golpe de génio político de António Costa.

Amarrar o PS, todo o PS, ao discurso de Passos Coelho para os próximos meses é realmente o que é mais mobilizador para o eleitorado que, ao que parece, é todo muito sensível ao discurso das contas certas e da responsabilidade orçamental, como os últimos anos em Portugal têm demonstrado.

Eu estou como o Luis Aguiar-Conraria dizia ontem no 360 da RTP3: dar uma borla fiscal de 400 milhões aos restaurantes, ou resolver o problema dos 600 milhões da segurança social, ou os não sei quantos milhões dos professores, é uma questão de opção política, e a opção de António Costa, para os próximos meses, ficou amarrada à ideia de que não se pode pagar aos professores porque gastámos com os restaurantes, ou seja, a mim parece-me que há algum risco do eleitorado estranhar esta opção.

Mas se quase toda a gente me garante que António Costa empenhar todos os trunfos no discurso da falta de alternativa e da persistência da austeridade é de génio, quem sou eu para duvidar.

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Quem é que defende os nossos interesses?

por João Távora, em 03.05.19

"Quanto perderam os portugueses que trabalham no sector privado, que têm empresas ou que trabalham por conta própria nestes 9 anos, 4 meses e 2 dias?" E a nós quem nos devolve o que perdemos? 

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Sou um velho reaccionário

por henrique pereira dos santos, em 03.05.19

Decididamente sou um velho reaccionário com preocupações que parece que simplesmente já só existem marginalmente em Portugal.

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Ainda recentemente a Comissão Europeia, com o seu velho reaccionarismo, ficou muito nervosa porque uma Comissária usou meios da Comissão para uma acção partidária (falou numa sala da Comissão para apoiar Pedro Marques).

Nesta fotografia (que pensei que fosse uma brincadeira qualquer) vê-se a secretária geral de um partido a participar numa reunião do núcleo de coordenação política do Governo.

Para um velho reaccionário como eu, isto é de uma simplicidade extrema: ou este núcleo de coordenação política é um orgão do Estado, e portanto a Secretária-Geral do PS não participa nas suas reuniões, ou é uma estrutura de coordenação partidária, e portanto não reúne em São Bento.

Mas claro, é com certeza rabugice de velho, aparentemente a fotografia não causa grande frisson a quem a divulgou e a reproduziu como se fosse a coisa mais normal do mundo.

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Viver acima das possibilidades

por henrique pereira dos santos, em 03.05.19

A encenação que decorre sobre o tempo dos professores tem tudo para ter o público rendido aos pés dos actores, em especial este último acto fabuloso em que se aprova uma mão cheia de nada que dá origem a uma tempestade criada pelo governo para ver se o focus group diz que se ganha mais provocando infantilmente eleições agora ou aguentando estoicamente a degradação de perspectivas até às eleições previstas.

Tirando esta parte, a única coisa substancial é que, finalmente, o governo de António Costa e o PS resolveram admitir que a situação anterior, que agora não se pode repôr por ser insustentável, é o que tem sido definido como "viver acima das possibilidades".

Se não há recursos para repôr a situação anterior é, evidentemente, porque a situação anterior era insustentável.

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O complexo edipiano do PP

por Pedro Picoito, em 02.05.19

O caso bué farsolas das passadeiras arco-íris propostas pelo PP resume-se a uma coisa muito simples: o eterno complexo de direita do partido. É uma das razões pelas quais, pertencendo à mesma área ideológica, nunca votei "centrista" (ou lá como eles gostam de se definir). Mas estamos em 2019.  Não será tempo de matarem o pai e portarem-se como pessoas crescidas? 

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25 de Abril às vezes

por Pedro Picoito, em 01.05.19

Para os portugueses mais amigos de Maduro do que dos venezeluanos, o 25 de Abril é só para consumo interno. A Venezuela não tem direito à liberdade. Nada que surpreenda: o único problema da extrema-esquerda com as ditaduras é não serem as suas ditaduras. 

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Descubra as diferenças

por João-Afonso Machado, em 30.04.19

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Entre Bernardino, deputado do Partido Regenerador, Par do Reino, com o guardanapo que é a bandeira nacional, a da nossa Monarquia que ele abjurou (o próprio, segundo os jornais da época, um «quase conterrâneo» famalicense),

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e o Bernardino, o presidente populista, com o cachecol do F. C. Famalicão, após a garantia da subida do nosso glorioso clube à primeira Divisão do futebol nacional.

 

 

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Mortalidade infantil

por henrique pereira dos santos, em 30.04.19

No meu post anterior, estupidamente, falo de uma coisa no texto (mortalidade infantil) e remeto para outra na ligação (mortalidade materna).

A razão para ter feito esta parvoíce reside no cansaço de estar à procura de um gráfico da mortalidade infantil que fosse mais abrangente que o habitual (que começa em 1961) e de saber que a evolução da mortalidade materna (como da generalidade dos dados de saúde ao longo do século XX) ser bastante semelhante. Mas devia ter assinalado isso.

Os comentários, para além de assinalarem, bem, o disparate, repetem, alguns, a lenga lenga do costume: mas os indicadores em 1974 eram maus, logo, o regime era mau e era responsável pelos maus indicadores económicos e sociais.

De maneira que procurei um bocado mais e neste blog encontrei o gráfico que me servia.

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O que é claro no gráfico é que a base de partida no início do Estado Novo era verdadeiramente miserável e que, à semelhança da generalidade dos indicadores sociais, em especial educação e saúde, não são visiveis rupturas na evolução dos indicadores de uns regimes para outros (quer na entrada do Estado Novo, quer na implantação da Democracia).

Esta ausência de rupturas na evolução dos dados é especialmente notada nos indicadores de saúde porque há uma grande componente de evolução tecnológica e científica nessa evolução, mais que na educação, por exemplo, mas também resulta do facto dos governos serem muito menos importantes do que pensam para a evolução dos grandes indicadores económicos e sociais, que dependem mais da economia, da evolução social e tecnologia que das políticas públicas.

O que me interessou nesta sequência de posts foi fazer realçar o facto da vulgata antifascista que apresenta os dados de 1974 como demonstração da iniquidade de um regime que pretendia manter o povo analfabeto e pobre é uma mistificação: a evolução do país ao longo do Estado Novo foi muito grande, quer na economia, quer no rendimento das famílias, quer no desenvolvimento tecnológico, quer na transformação social, quer na saúde, quer na educação.

Em sectores que dependem mais das políticas públicas para garantir o acesso dos mais pobres a melhores condições de vida, como na educação e a saúde, o investimento público para garantir esse acesso foi enorme (mais na educação que na saúde), demonstrando uma vontade clara do regime em alterar as condições de vida miseráveis da generalidade da população, expressa no famoso "viver como habitualmente" de Salazar, que aparece num contexto que não lhe dá o significado mais corrente (o que Salazar queria era manter tudo na mesma) mas sim como complemento da ideia expressa, na entrevista em causa, de que se pretendia um país sem miseráveis e sem grandes magnatas (aquilo a que hoje provavelmente se chamaria o reforço da classe média).

Nada do que escrevi autoriza alguém a dizer que estou a branquear o Estado Novo, a defender ideias neo-salazaristas, a justificar a ditadura pela simples razão de que estou simplesmente a desmontar mitos sobre a evolução da sociedade durante o Estado Novo para melhor se poder compreender o que se passou.

O Estado Novo era ilegítimo por não depender do consentimento expresso dos governados, repito, e isto chega para tornar qualquer regime ilegítimo, independentemente da sua performance económica e social.

Questão diferente é discutir se com mais liberdade, mais envolvimento das pessoas, mais abertura à inovação social e económica não teria sido possível ter melhores resultados. Eu acho que sim, mas é muito mais uma questão de fé nas pessoas que de dados objectivos sobre eventuais modelos alternativos de governação.

É a liberdade e os mecanismos para o seu reforço que é pedra de toque que me faz separar as diferentes formas de governo, não é o facto dos resultados poderem ser favoráveis do ponto de vista económico e social.

Mas se continuamos a falar de mistificações em vez de falar da realidade, torna-se difícil fazer melhor do que fazemos actualmente, e por isso me parece que vale a pena continuar a contestar versões fantasiosas do Estado Novo que, essencialmente, têm servido para dar legitimidade a opções que acham que os resultados podem justificar restrições à liberdade das pessoas e organizações, sob o manto, infelizmente pouco diáfano, do estatismo paternalista e desconfiado de nós em que confiamos.

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Espanha

por João Távora, em 28.04.19

Os resultados em Espanha mostram-nos a presunção que é acreditar que a revolução nos resultados eleitorais reside nos abstencionistas - o mito da maioria silenciosa. Os espanhóis votaram massivamente e a distribuição desses votos parece previsível e relativamente equitativa - o Vox só vai colher ao PP (e talvez umas migalhas à extrema esquerda), e estou em crer que a grande maioria dos espanhóis votou ao centro. Se eu fosse ao Pedro Sánchez não desenterrava mortos.

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Agora o 23 de Abril

por henrique pereira dos santos, em 28.04.19

"Os meus avós, na sua aldeia, nasceram e passaram 40 anos sem saneamento básico e a beber água das fontes e de poços. Só após o 25 de Abril o tiveram. E eletricidade, nas vésperas, muitos ainda não tinham. Na saúde, recorria-se aos médicos de aldeia, ou melhor das sedes de freguesia, que serviam tanto para pôr pensos, como para tirar dentes. Ir às sedes do concelho para tratamento mais complicados era uma aventura, porque os acessos e transportes eram maus. A grande maioria das crianças nascia em casa, o que provocava uma mortalidade infantil das mais elevadas da Europa. A imensa maioria ficava-se pela escola primária. A maior parte do mundo rural manteve-se primitiva, sem grandes mudanças, durante quase 50 anos de Estado Novo. O salto, nesse mundo, que era a maior parte do país, foi gigantesco em poucos anos. Não me lixem".

Este comentário ao meu post anterior é muito interessante e ilustra bem a dificuldade da racionalidade nesta matéria.

Que na generalidade das aldeias não havia saneamento básico, água corrente e electricidade no dia 24 de Abril de 1974 é um facto. Que Portugal era um país pobre e dos mais atrasados da Europa (se descontarmos vários de Leste), é também um facto. Que a assistência na saúde era frágil, quando existente, é ainda um facto. E que as estradas eram más, é mais um facto.

O problema do comentário aparece quando se conclui: "A maior parte do mundo rural manteve-se primitiva, sem grandes mudanças, durante quase 50 anos de Estado Novo".

É que todos os factos enunciados anteriormente sobre o Portugal do dia 24 de Abril de 1974 dizem muito pouco sobre os dias anteriores, isto é, de onde vínhamos e para onde se estava a andar.

Saltemos por cima do absurdo de se dizer que o mundo rural não teve mudanças durante os quase cinquenta anos do Estado Novo quando é exactamente nesse período que Portugal deixa de ser o último país da Europa em que o PIB agricola era maior que o PIB industrial e em que se esvazia o mundo rural com o movimento migratório dos anos cinquenta e sessenta.

Não percamos tempo a demonstrar o programa de obras públicas, incluindo estradas, do Estado Novo, de tal maneira é conhecido. Saltemos ainda pelo facto de se dizer que a grande maioria se ficava pela escola primária, quando esse é um avanço mais de documentado: antes do Estado Novo a grande maioria nem sequer ia à escola.

Centremo-nos apenas na famosa evolução da mortalidade infantil, que tem nesta ligação dois gráficos muito interessantes.

O que os gráficos mostram é que em 1974 os números portugueses ainda eram maus, mas que mortalidade infantil vinha a cair expressivamente desde o fim da segunda guerra mundial, em especial com uma queda muito rápida na segunda metade dos anos 40, e que não é visível nos gráficos nenhuma ruptura da tendência em 1974, isto é, havia um processo de melhoria e continuou num ritmo semelhante depois de 1974.

É absurdo atribuir esta melhoria ao Estado Novo em si, grande parte desta melhoria resulta do progresso social e da medicina, e ocorreria com ou sem Estado Novo, mas mais absurdo ainda é pretender negar que esta melhoria ocorreu durante o Estado Novo.

Negar factos perfeitamente comprováveis não parece ser o melhor caminho para compreender de onde vimos e para onde poderemos ir no futuro.

O que nos deveria verdadeiramente ocupar era o estudo das razões pelas quais se manteve uma ditadura em Portugal quase cinquenta anos, sem grandes convulsões e sem grande oposição. E mais ainda, por que razão o essencial dessa oposição não provinha de uma crítica liberal e da procura de liberdade, mas de uma outra opção de ditadura e de um caminho alternativo igualmente iliberal.

Que características sociais tem a nossa sociedade que a faz aceitar tão facilmente trocar a liberdade por um pouco de segurança ou de previsibilidade do futuro?

Isso sim, é o que nos devia preocupar, e não a repetição permanente de lugares comuns errados sobre a sociedade que viveu num regime que acabou vai para 45 anos.

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24 de Abril, outra vez

por henrique pereira dos santos, em 28.04.19

Frequentemente, quando tento um mínimo de racionalidade na conversa sobre o tempo do Estado Novo (não, não é sobre o Estado Novo que escrevo, é mesmo sobre a sociedade no tempo do Estado Novo), usando para isso informação concreta, sejam dados primários (as estatísticas sobre a matéria que, no caso do mundo rural, até são a base da minha tese de doutoramente que é sobre a evolução da paisagem rural do Portugal continental ao longo de todo o século XX), sejam os trabalhadores de terceiros que se debruçaram sobre o assunto (Pedro Lains, por exemplo, cuja falta de simpatia pelo Estado Novo é inquestionável), o resultado não é uma discussão racional sobre os argumentos de cada um, mas acusações de branqueamento, de apoio, de glorificação do Estado Novo. Seguido da vulgata que um dos comentários sobre o meu post anterior exemplifica bem: "Neste seu panegírico do salazarismo, não dedica uma linha que seja aos presos político? Ao campo de concentração do Tarrafal e aos que lá morreram por discordarem do regime? Às cadeias dedicadas a quem discordava do regime e às visitas nocturnas aos opositores do regime? Às "eleições" onde até os mortos votavam? Nem uma linha sobre o assassinato de Humberto Delgado? E sobre o assassinato do estudante Ribeiro dos Reis? Foi um dano colateral? E a guerra colonial, não fala nada?".

Aparentemente, para dizer que é simplesmente falso que o Estado Novo tenha feito uma opção a favor do analfabetismo, fundamentando na comparação dos números entre o início do Estado Novo e o seu fim (que ainda se poderia atribuir a uma evolução da sociedade apesar do Estado Novo e não a um esforço do Estado Novo no sentido de acabar com o analfabetismo) e reforçando a fundamentação com os dados sobre o investimento em escolas, em formação de professores, em mecanismos para obrigar as crianças a ir à escola e por aí fora, eu teria de previamente escrever um libelo acusatório a falar dos presos, dos mortos, dos torturados.

Ora eu não tenho de estar sempre a reafirmar a minha vigorosa oposição a todos os regimes ilegítimos, anti-democráticos, repressivos para falar de cada problema social, eu tenho simplesmente de falar desse problema social da forma mais informada e racional que me for possível e, na medida em que isso se cruzar com a natureza do regime, aí sim, referir o seu carácter ditatorial.

Mais que isso, eu tenho um imenso respeito por todos os que, com a sua oposição ao regime, ajudaram a criar as condições para que ele acabasse, em especial aos que foram presos, torturados e mortos, mesmo que, em muitos casos, esses presos, torturados e mortos não fossem de facto combatentes da liberdade mas combatentes por uma ditadura diferente: a falta de amor que muitos deles demonstraram pela liberdade não lhes retira um átomo ao papel favorável à liberdade que desempenharam.

Mas ainda que eu aceitasse que deveria primeiro prestar uma homenagem a todas estas pessoas antes de dizer simplesmente que o maior período de convergência económica com os países desenvolvidos e o período de maior crescimento da riqueza do país nos últimos 200 anos é o período de vai da adesão à EFTA, nos anos 50, até ao primeiro choque petrolífero, em 1973, em pelo Estado Novo, sobrar-me-ia uma pergunta: e por que razão teria de ser assim apenas para o Estado Novo?

De onde vem a legitimidade do silêncio sobre o sofrimento dos muitos milhares (entre meio milhão e um milhão) dos que foram expulsos das suas terras estritamente por serem brancos (há de outras cores neste grupo, é certo, em especial grupos igualmente mal queridos pelos novos poderes instalados, com destaque para os de origem indiana, mas a maioria foi mesmo por serem brancos)? Talvez com a excepção de Helena Matos, e poucos mais, onde estão os artigos de imprensa que respeitem o sofrimento dessas pessoas?

Sim, eu sei que a conversa é a desqualificação moral sob a acusação de que eram colonialistas, mas essa conversa é falsa, colonialista era o Estado Novo, estes de que falo eram, na sua maioria, pessoas normais que viviam vidas normais em terras que consideravam suas, há duas, três, quatro gerações, sem qualquer ligação à terra dos seus ascendentes, sem qualquer vontade de sair da pátria que consideravam sua (muitos deles claros simpatizantes, e às vezes militantes, da independência da terra que consideravam, legitimamente, sua), alguns foram mortos, outros foram roubados de tudo o que tinham e quase todos foram postos fora da sua terra pelo crime de terem uma pele mais clara.

Onde estão as longas introduções sobre os mortos e o sofrimento destas pessoas?

Não falo de mim, o meu pai foi adulto para África, foi funcionário colonial durante quase toda a sua vida, mas sempre considerou que a sua terra era aqui e preparava-se para se reformar e voltar à terra que considerava sua (provavelmente aceitando que alguns dos filhos não quereriam sair das terras que consideravam suas, eu era demasiado novo para ter ideias claras sobre o assunto mas apesar disso ainda hoje não consigo responder de forma clara quando me perguntam de onde sou ou qual é a minha terra, não tendo qualquer pinga de simpatia por qualquer nacionalismo), e fui um privilegiado, mas para muitos outros, a esmagadora maioria, a situação não era esta, eram mesmo angolanos, moçambicanos, guineenses que nunca conheceram outra terra que não essa, independentemente de serem brancos, amarelos, indianos, pretos, mulatos e todos os tons de pele em que se queira pensar.

Respeitar os perseguidos pelo Estado Novo não é repetir os estribilhos gastos da propaganda, respeitar os perseguidos pelo Estado Novo é procurar ter um espírito suficientemente crítico sobre as ideias e as práticas inimigas da liberdade, independentemente dos desempenhos dos regimes sobre questões sociais ou económicas, o que pressupõe o esforço de informação e racionalidade que é necessário para conhecer as sociedades tal como elas foram e não tal como a propaganda, de qualquer dos lados, as descreve.

Infelizmente, no espaço público em Portugal, não há muito espaço para que se possa dizer, tranquilamente e sem receio de ser acusado de tudo e mais um par de botas, que o tempo do Estado Novo não era o que frequentemente se diz que era, e que a democracia trazida pelo 25 de Abril também trouxe com ela muitos inimigos da liberdade, como seria sempre inevitável.

Dizer isso não afecta minimamente a defesa da superioridade da democracia: a existência de liberdade.

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Dezassete...

por João Távora, em 28.04.19

...é este o número de Otelo Saraiva de Carvalho. Otelo e o seu grupo terrorista, FP-25 de Abril, assassinaram dezassete portugueses nos anos 80. Um bebé está entre as vítimas. Querem saber o seu nome? Nuno Dionísio, tinha quatro meses. Querem saber mais nomes dos outros dezasseis? Agostinho Ferreira, Diamantino Pereira, Gaspar Castelo-Branco. Querem saber o nome de baleados que sobreviveram? João Mesquita ou João Oliveira. Juízes, magistrados e polícias portugueses arriscaram a vida para prender Otelo. Pelo menos um polícia perdeu a vida. Querem saber o seu nome? Álvaro Militão, inspetor da PJ, que morreu durante uma perseguição a membros das FP-25, uma organização que funcionava como qualquer outra organização criminosa e terrorista: extorsão, roubo, assassínios à bala e bomba. Este rol de atrocidades não se passou lá fora ou no nosso passado remoto. Passou-se nos anos 80. Nuno Dionísio foi assassinado a 30 de abril de 1984. Este terror não pode ser esquecido, não pode ser branqueado. Não, Otelo não é uma espécie de avô cantigas da democracia. Aliás, Otelo lutou sempre contra a democracia. Quis destruí-la antes, durante e depois das primeiras eleições livres; quis destruí-la antes, durante e depois da primeira assembleia constituinte.

Este insalubre branqueamento das FP-25 de Abril não existe por acaso. É a consequência óbvia de duas exigências da corte mediática e política que nos apascenta. Primeira exigência: os fantasmas da esquerda não existem ou são notas de rodapé; um homem de esquerda não pode ser um assassino ou terrorista; a esquerda não tem pecado, a esquerda é pura, prístina, primordial, a esquerda é a virgem intocável, a nossa senhora laicizada; a esquerda não assassina, limpa; a esquerda não dispara sobre rótulas, a esquerda “ajoelha fascistas”.

 

(...) Se tivessem sido assassinadas por um grupo de extrema direita composto por “retornados” ou “católicos”, aquelas dezassete pessoas seriam hoje mártires nacionais. Como foram assassinados por um gangue de esquerda, as dezassete vítimas de Otelo não existem na foto da memória coletiva. Alguém queimou os seus rostos com a ponta do cigarro “progressista”.

 

Henrique Raposo no Expresso, a ler na integra aqui

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Domingo

por João Távora, em 28.04.19

Leitura dos Actos dos Apóstolos 


Pelas mãos dos Apóstolos realizavam-se muitos milagres e prodígios entre o povo. Unidos pelos mesmos sentimentos, reuniam-se todos no Pórtico de Salomão; nenhum dos outros se atrevia a juntar-se a eles, mas o povo enaltecia-os. Uma multidão cada vez maior de homens e mulheres aderia ao Senhor pela fé, de tal maneira que traziam os doentes para as ruas e colocavam-nos em enxergas e em catres, para que, à passagem de Pedro, ao menos a sua sombra cobrisse alguns deles. Das cidades vizinhas de Jerusalém, a multidão também acorria, trazendo enfermos e atormentados por espíritos impuros e todos eram curados. 


Palavra do Senhor. 

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Os espanholistas

por João Távora, em 27.04.19

 

Tenho muitas dúvidas de que o Vox possa ser considerado de extrema direita, que tradicionalmente é contra a democracia liberal e representativa: parece-me antes o outro lado do espelho dos nacionalismos separatistas e dos devaneios fracturantes da extrema-esquerda em Espanha. Quando muito é populista, mas quanto a isso, aquele partido que não cede a essa tentação em campanha eleitoral que atire a primeira pedra. Um partido como o Vox no mínimo tem a virtude de reposicionar a espinha da direita moderada que por cobardia vai capitulando na defesa das suas causas tradicionais.

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Bárbara Reis, o resto da imprensa e o 24 de Abril

por henrique pereira dos santos, em 26.04.19

Bárbara Reis, do Público, anda muito preocupada com "os adolescentes baralhados sobre a ditadura de Salazar".

Fica escandalizada quando "fala-se de analfabetismo e respondem que Salazar fez escolas nas aldeias", por exemplo.

E então propõe-se "abanar" estes adolescentes citando cartas de amor escritas durante o salazarismo "Meu muito querido Mário, mais um domingo sem sol e sem ti".

O facto de Bárbara Reis preferir falar das vidas de dois proeminentes membros das classes dominantes e privilegiadas , como Mário Soares e Maria de Jesus Barroso, em detrimento da vida das pessoas comuns, para abanar adolescentes baralhados com o regime de Salazar é uma opção exótica, mas mais exótico é pretender fazê-lo repetindo tretas sobre a sociedade anterior ao 25 de Abril, como aliás boa parte da imprensa fez por estes dias.

Estou convencido de que só o facto dos jornalistas que escrevem as peças que li serem muito novos, e portanto 1974 ser anterior ao paleolítico para eles, os impede de perceber o ridículo de publicarem o que publicam quando há ainda tanta gente que estava lá, viu directamente, e portanto sabe perfeitamente que usar calças à boca de sino, por homens ou mulheres, era perfeitamente banal.

Na verdade a repetição das fantasias que habitualmente acontece nesta altura, assenta na recusa de consulta das fontes, uma estranha opção do jornalismo actual "O pronto-a-vestir impunha-se nas ruas e nas revistas de moda portuguesas. A moda unissexo começava a surgir. Tanto mulheres, como homens começaram a frequentar as mesmas lojas, usavam cabelos longos ou curtos, calças de ganga e de boca-de-sino, blusões de cabedal, adornos variados" (A Moda e as Modistas em Portugal durante o Estado Novo – As mudanças do pós-guerra (1945-1974)".

Que os números do analfabetismo em 1974 eram maus, isso é inquestionável, mas eram incomparavelmente melhores que os de 1926. Só durante o Estado Novo se atingiu a taxa de escolarização anterior ao Marquês de Pombal, cujas opções reduziram o número de alunos das escolas em 90%, estupidez repetida pela primeira república (de forma muito mais mitigada) ao expulsar os jesuítas e pela segunda vez destruir o melhor ensino do país, e de que este governo, de forma ainda muito mais mitigada, resolveu assumir-se como herdeiro ao acabar com contratos de associação que permitiam menos despesa para o contribuinte e melhor ensino para os utilizadores, outra vez com os argumentos anti-clericais, agora disfarçados. Dizer que o Estado Novo fez escolas em aldeias é uma tontice face ao esforço de escolarização feito, passando dos 15% para os quase 100% de escolarização em trinta anos, mais ou menos.

Citando Rui Ramos: "temos, por exemplo, as comparações ignorantes entre o Portugal de 1974 e o de hoje. Sim, hoje os portugueses vivem melhor do que em 1974. Mas em 1974, também viviam melhor do que em 1926. O 25 de Abril aconteceu num país que estava a passar por uma transformação social e económica que começara antes e que continuou depois. Antes de 1974, o país industrializava-se, o “Estado social” (já era assim que Marcello Caetano lhe chamava) expandia-se, o futuro SNS já tinha os seus alicerces, e pela primeira vez na história toda uma geração frequentava a escola. Portugal até já iniciara a integração europeia, com a adesão à EFTA em 1960 e o acordo comercial com a CEE de 1972. Reconhecer isto, porém, passa por crime de louvor à ditadura. Mas o que justifica uma democracia não é a prosperidade – é a liberdade".

Cara Bárbara Reis (e restante jornalismo militante) deixe-se de grandes explicações sobre a superioridade económica e social do pós 25 de Abril de 1974, o que é preciso é dizer uma coisa simples: o Estado Novo era um regime ilegítimo por haver Governo sem consentimento expresso de governados, é só isto e nada mais.

Se entra por comparações "ignorantes" (para citar Rui Ramos) o mais natural é que os adolescentes fiquem mais "abanados" em relação à confiança no que dizem os jornais que em relação ao regime anterior ao 25 de Abril.

A liberdade é um bem em si mesmo, não precisa que torturemos os dados sócio-económicos até que eles digam o que queremos que digam, e o 25 de Abril justifica-se simplesmente pela liberdade, o que já não é pouco.

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O dia da Liberdade

por João Távora, em 25.04.19

Liberdade.jpeg

O 25 de Abril de 1974 cujo aniversário curiosamente este ano se celebra numa madrugada de quarta para quinta-feira como há quarenta e cinco anos, teve seguramente um grande impacto na minha vida, ao despertar-me aos doze anos para o valor primordial da Liberdade. Até àquela idade eu não tinha a mais pálida noção da realidade política em que vivia, a não ser uma vaga ideia de que vivíamos numa república e que isso não era muito dignificante. Nos dias seguintes à revolução, para lá da desconfiança do meu erudito Pai cuja mundividência alcançava outras eras, fui levado através do convívio com os meus familiares e amigos a acreditar que o tempo era de celebração e de expectativa (sim, também eu trauteei muita cantiga de “intervenção”). Celebração essa que, passado pouco tempo, se tornou em suspeita e de seguida virou receio e sobressalto: no final do ano de 1974, com 13 anos, já eu me envolvera na política e militava no Partido da Democracia Cristã de Sanches Osório e me apercebera que a minha gente era “non grata” à facção extremista que se apoderara do novo regime e da minha Liberdade - o partido, que não sendo de esquerda ou de centro era moderado, foi banido a 11 de Março de 1975. No espaço de um ano estive várias vezes sequestrado, apanhei pelo menos uma sova (no liceu) e houve um período em que com a família vagueei na clandestinidade em casas incógnitas com os passaportes nos bolsos para a eventualidade de termos de fugir do país. Só com o 25 de Novembro nos foi possível retomar uma vida com alguma normalidade.
É por tudo o que atrás referi que posso afirmar sem qualquer hesitação de que foi o 25 de Abril que me ensinou a dar valor à Liberdade e a respeitar os outros e a diversidade das suas ideias e perspectivas. Não há muitos valores pelos quais eu sinta que valha a pena dar a vida, mas por conhecimento de experiência feito, sei que a Liberdade dos meus filhos é um deles. Ironicamente, essa lição devo-a ao 25 de Abril.

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Foi para isto que se fez o 25 de Abril?

por João Távora, em 25.04.19

Medina.jpg

 

Uma enorme vergonha alheia é o que se sente quando se lê esta notícia: ontem o Presidente da Câmara de Lisboa tentava fazer passar discretamente um protocolo de colaboração com uma recém-formada Associação dos Amigos dos Cemitérios de Lisboa (!), cujos corpos sociais junta um friso de insaciáveis socialistas e seus familiares – desta vez foram apanhados. A suprema lata e impunidade com que eles usurpam os escassos recursos públicos, um protocolo aqui outro ali, a ver passa à socapa e garantem mais umas rendas para a sua insaciável estirpe.
Não se indignem que não é preciso, eles são de esquerda…

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Um poucochinho pela data de hoje

por João-Afonso Machado, em 25.04.19

Enfim, depois de muitas buscas na Comunicação Social (TV's e jornais), lá consegui encontrar no Observador notícia e imagens que fizessem luz sobre o incidente no aniversário do PS.

Em suma, Costa discursava e um jovem - daqueles magrinhos, de puxo no cucuruto da cabeça, - quis apossar-se do microfone para informar o mundo de uma qualquer hecatombe ecológica iminente. O dito jovem, acrescente-se, foi insistente qb e, ao que se sabe, pertence a uma organização próxima do Bloco.

O interessante do episódio consiste no breve, mas incisivo, olhar de Costa para uns camaradas engravatados, fardados de escuro, perto de si. O rapaz foi levado dali na forma mais indiscreta, vale dizer, apanhado de pernas e braços, aos baldões pelo palco abaixo. Desse-se a ocorrência com Passos Coelho ou com Víctor Gaspar e as suas origens ficariam plenamente justificadas, as suas consequências rotular-se-iam da mais sinistra violência. Qualquer jornal ou telejornal repetiria a notícia até à exaustão. Assim, não.

Aliás, Costa,recentemente, não se conseguiu esquivar a uma cachaçada de um "lesado do BES", em espera que lhe fizeram esses que, agora, além de lesados, se encontram ainda mais desesperados pelas muitas e costumeiras promessas não cumpridas. Também nesta "matéria" a Esquerda do "Povo Unido" nada se tem indignado.

Para rematar, a greve dos trasportadores de combustível, o auto-proclamado "sindicato democrático" que a promoveu, e Costa enfiado no buraquinho de rato em que se consegue encolher. Deixando para as pombinhas da Catarina o delírio de responsabilizar os anos da Troika por essa quase imobilização do País.

Mas vivemos a mais justa, equitativa e eficaz democracia! Isto é: vamos ainda a caminho do "25 de Novembro". Falta-nos percorrer o "Verão Quente"...

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