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Amanhã, Lisboa em debate

por João Távora, em 08.09.21

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A Real Associação de Lisboa, seguindo com interesse e proximidade o debate autárquico na capital do país que é da sua jurisdição, organiza no próximo dia 9 de Setembro (quinta-feira), pelas 18:30h no Auditório da Universidade Europeia (Quinta do Bom Nome, Estr. da Correia 53, 1500-210 Lisboa) um debate subordinado ao tema "A gentrificacão e a sustentabilidade das cidades antigas", para o qual convidámos representantes de todas as candidaturas à Presidência da Câmara de Lisboa.

Até ao momento obtivemos a confirmação das seguintes participantes:

Ana Jara - CDU
Bruno Horta Soares – Iniciativa Liberal
Filipa Roseta - Novos Tempos Lisboa Arquiteta
Maria João Rodrigues – Mais Lisboa
Pedro Cassiano Neves - Chega

Se é lisboeta, não falte!

Nota: Irá honrar-nos com a sua presença o Senhor Dom Duarte, Duque de Bragança.

Virar o bico ao prego

por henrique pereira dos santos, em 08.09.21

"assumiu esta terça-feira em conferência de imprensa o diretor executivo do Programa de Emergências em Saúde da Organização Mundial da Saúde.

“Penso que este vírus está aqui para ficar connosco e vai evoluir como o vírus pandémico da gripe, vai evoluir para se tornar outro dos vírus que nos afetam”, disse Michael Ryan. “As pessoas disseram que íamos eliminar ou erradicar o vírus. Não, não vamos, é muito, muito improvável.”

Se o novo coronavírus tivesse sido contido no início, disse na mesma conferência de imprensa Maria Van Kerkhove, a epidemiologista que lidera a equipa técnica de combate à Covid da Organização Mundial da Saúde, o resultado poderia ter sido bastante diferente. “Esta pandemia não tinha de ter sido tão má.”"

Isto é o que está escrito no Observador e, apesar da imprudência, não tenciono confirmar em fontes directas de informação porque já não vale o esforço.

Aparentemente, os dirigentes mais técnicos da OMS, encontraram o tom certo para virar o bico ao prego, sem se expor demasiado.

Um diz que "as pessoas" (não nós, claro) andaram (eu acrescento, andam menos, mas ainda há uns quantos que falam de covid zero, como a senhora da Nova Zelândia, e há muitos mais que, sem falar explicitamente nisso, continuam a vender a banha da cobra do esmagamento do vírus e parvoíces do género) a dizer que se ia eliminar o vírus e até já diz sem complexos que "vai evoluir como o vírus pandémico da gripe" (o malandro, a comparar o desastre sanitário da covid a uma gripezinha).

A outra diz que se o Rossio coubesse na Betesga é que era bom.

Agora avaliar o que andaram a fazer e se o que deixaram que os governos fizessem foi adequado, com o seu silêncio sobre a necessidade da proporcionalidade das medidas de gestão face aos riscos reais existentes, isso é que é mais difícil.

Na prática estão a tirar o tapete aos amigos jornalistas, e isso não se faz aos amigos, é uma ingratidão.

"Daí este meu cansaço"

por henrique pereira dos santos, em 06.09.21

Púrpuro acaso (gosto imento deste trocadilho que vi num livro de quadradinhos há muitos anos), fui dar com este excerto de uma intervenção de Graça Freitas que transcrevo (retirando o coloquialismo de quem está a falar, podem sempre ouvir o original para verificar se estou a distorcer o que disse Graça Freitas):

“O risco de transmissão ao ar livre é muito menor e com 85% da população vacinada a circulação de vírus será também muito menor, aquele efeito que no interior se pode, enfim, que é a criação de aerossóis a partir de pessoas que possam estar infectadas e portanto o uso de máscara ainda é mais importante no interior a opinião da Direcção Geral de Saúde é de que com 85% de vacinação, com o que os estudos indicam e não tendo o exterior essa capacidade de concentrar aerossóis, será uma medida positiva [a alteração da regulamentação do uso de máscaras no exterior]. Mas há excepções, mesmo ao ar livre, de vez em quando, nós temos ajuntamentos e portanto durante o Inverno é de bom tom andar sempre com a máscara”.

Resumindo, ao ar livre não se podem formar os aerossóis que são o problema potencial, por isso somos de opinião de que é bom que se acabe com esta parvoíce das máscaras ao ar livre, mas ao mesmo tempo achamos de bom tom que se ande sempre de máscara no Inverno, embora não consigamos explicar porquê.

O problema da gestão da epidemia (não da epidemia, da gestão da epidemia, o problema da epidemia é ser uma epidemia, claro) é termos transferido o poder de governar comunidades a quem não pode ser responsabilizado politicamente por dizer e, sobretudo, decidir, o que lhe apetece com base em fundamentos tão sólidos como os que são evidentes nesta declaração.

Note-se que o problema não é Graça Freitas, a DGS e o Instituto Ricardo Jorge publicam uns relatórios que são lidos pelos jornalistas (penso que essencialmente os resumos feitos) que até têm informação interessante, mas da qual não se retira nenhuma consequência.

Olhemos para este gráfico:

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O gráfico mostra a mortalidade ao longo da epidemia, em Portugal e o que é visível é que no fim de Dezembro/ princípios de Janeiro a mortalidade dá um salto de um nível elevado - por volta de 100 mortos por dia - para um nível brutal, chegando aos 350 mortos em cerca de três semanas.

A versão oficial é a de que foi por causa do Natal. A minha versão é a de que foi por causa de uma anomalia meteorológica que criou condições especialmente favoráveis ao contágio e à mortalidade.

Todos os fundamentos em que poderia basear a ideia de que foi o Natal - essencialmente a teoria de que o factor chave para o contágio é o número de contactos em meio fechado - foram cabalmente desmentidas pelos factos: o nível de contactos nessa altura não foi especialmente alto e ao longo do ano houve dezenas de semanas com mais contactos que no Natal.

Ao mesmo tempo, existe um facto excepcional demonstradamente presente naquele momento: a anomalia meteorológica.

O mais provável (é o que diz a teoria, de resto) é que o contágio seja o produto de um conjunto relativamente alargado de factores, o que seria normal que nos fizesse discutir o peso que cada factor na evolução da incidência. Infelizmente desde cedo a teoria foi esquecida partindo da ideia de que os factores externos não controlamos, portanto temos de nos focar naquilo que podemos controlar, os contactos sociais.

Mas como não fazemos essa discussão, aparecem umas pessoas, sabedoras, sem margem de dúvida, que dizem que o problema, neste momento é o facto da variante Delta ser 70% mais contagiosa. Essa variante entra em Portugal na primeira quinzena de Maio e é totalmente dominante a partir de meados de Maio e quando se vai à procura dos efeitos na curva da mortalidade (lembrem-se, mais contágios significam mais internamentos e mortes, dizem eles, com alguma razão), não encontramos o menor sinal do efeito dessa variante, muito menos um sinal da dimensão do que vimos em Janeiro.

Em circunstâncias normais, estariam uma série de investigadores e dizer que a hipótese mais provável para estes dados seria a de que os factores ambientais têm muito mais peso como motor da evolução da epidemia - em especial tendo em atenção que a taxa de vacinação se consegue relacionar com a taxa de internamentos e de mortalidade, mas não com a incidência - que o facto da variante ser mais ou menos contagiosa (se os factores ambientais tiverem um peso decisivo no contágio, então a variante ser mais ou menos contagiosa tem um peso menor e ser 70% mais contagiosa acaba por ter pouca importância).

E como é de mortalidade que estamos a falar, então valeria a pena ter em atenção o que diz o mesmo relatório onde fui buscar o gráfico:

“Entre as pessoas infetadas, 303 (1,0%) foram internadas com diagnóstico principal de COVID-19 e 100 foram internadas com diagnóstico secundário de COVID-19. Mais de metade (59%) das pessoas internadas com diagnóstico principal de COVID-19 tinham mais de 80 anos.

Entre os 29 373 casos de infeção por SARS-CoV-2 em pessoas com esquema vacinal completo contra a COVID-19 há mais de 14 dias, registaram-se 309 óbitos por COVID-19 (1,1%), dos quais 239 óbitos (77,3%) em pessoas com mais de 80 anos.”

Olha, olha, afinal parece que quando se discutem os efeitos das vacinas já é importante distinguir os que são internados (e os que morrem, que não são os mesmos) com diagnóstico primário e secundário de covid. E já vale a pena fazer notar que quase 80% têm acima de 80 anos. Não tarda, começam a escrever nos relatórios o que já vão dizendo por aí: além de terem mais de 80 anos, também estão em condições de saúde muito precárias.

Assim não admira que a mortalidade excessiva não se altere por aí além com esta doença, fora dos surtos de Outono/ Inverno: afinal a esmagadora maioria das pessoas que morrem com covid são pessoas cuja probabilidade de estarem vivas daqui a um ano é baixíssima, com ou sem covid.

Ou seja, Graça Freitas pode fazer as piruetas argumentativas que faz para decidir sobre a vida dos outros porque há um ambiente malsão na produção da informação sobre a epidemia que impede uma discussão racional sobre os modelos de gestão dos problemas criados pela epidemia.

Daí o título que usei, um verso de Luís de Macedo num fado lindíssimo que Amália canta, cuja parte final da letra (que inclui o verso que dá título ao post) é a última coisa que escrevi na minha tese de doutoramento.

Da adolescentocracia

por João Távora, em 05.09.21

"Aqueles que, entre nós, celebram a desdita americana e afegã são os adversários rancorosos do mundo livre, os neurasténicos das "responsabilidades do Ocidente" para com um mundo arcadiano onde, antes da Europa e da América, saltitava o bom selvagem de Rosseau, saracoteando por vales mimosos com coroas de flores no cabelo. Esses simples já comandam a academia e administram prédicas, em canal aberto, a multidões que se riem dos mistérios da fé, mas que, no fundo, adoram padres, desde que não usem cabeção."

Sérgio Sousa Pinto no Expresso

Domingo

por João Távora, em 05.09.21

Leitura da Epístola de São Tiago

Irmãos: A fé em Nosso Senhor Jesus Cristo não deve admitir acepção de pessoas. Pode acontecer que na vossa assembleia entre um homem bem vestido e com anéis de ouro e entre também um pobre e mal vestido; talvez olheis para o homem bem vestido e lhe digais: «Tu, senta-te aqui em bom lugar», e ao pobre: «Tu, fica aí de pé», ou então: «Senta-te aí, abaixo do estrado dos meus pés». Não estareis a estabelecer distinções entre vós e a tornar-vos juízes com maus critérios? Escutai, meus caríssimos irmãos: Não escolheu Deus os pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do reino que Ele prometeu àqueles que O amam?

Palavra do Senhor.

Comentário: Deus não faz acepção de pessoas. Assim também o cristão não a há-de fazer; pelo contrário, o amor de Deus, mostra-se mais benevolente para com os mais pobres e os mais desprezados. O cristão há-de dar maior atenção aos que dela mais precisarem.

Antes tarde que nunca

por Jose Miguel Roque Martins, em 04.09.21

Um ministro anunciou a criação de mais 3 cursos de medicina. Vem tarde, não se compreende que até há 15 dias dizer-se que não faltavam médicos. Não se percebe que se tenha limitado o curso de medicina privado ( sem custos para o estado) para agora o Estado assumir custos que teria evitado. Mas a noticia é muito boa. Antes tarde que nunca.

A sociedade ganha. Apenas os médicos instalados, que são contra um aumento de concorrência, protestam.

Faltaria, apenas, um aumento das propinas, acompanhada de empréstimos, evitando estar a formar médicos ás custas do contribuinte que, depois, emigram, ou mesmo que fiquem por cá, como todos os licenciados, colham benefícios individuais do investimento publico.

 

 

Insistindo na sua rábula sobre a traição do liberalismo, Louçã vem, agora, no expresso, reforçar a sua justificação  da sua tese da incompatibilidade entre liberais e democracia.

Que Hitler tenha empunhado a bandeira do socialismo, não legitima a presunção de que o socialismo seja fascista. Que uma ilustre desconhecida, alegadamente simpatizante do Chega, assuma que o liberalismo é oposto á democracia, não parece demonstrar coisa nenhuma.

Receio que na sua próxima crónica, Louçã nos venha falar do Zé vesgo, um rapaz do bairro dele, que lhe assegurou que os liberais realizam rituais satânicos anti democráticos.Tudo em favor da causa. 

 

 

Um momento de maravilha para ignorantes

por José Mendonça da Cruz, em 03.09.21

 A ignorância é fonte de maravilhas. Um ignorante digno do epíteto consegue descobrir, maravilhar-se e, orgulhoso, anunciar aos sete ventos coisas que toda a gente já sabia. Quando a ignorância é generalizada, as descobertas dos ignorantes passam por novidade e maravilha. Hoje, a Tvi foi gloriosamente ignorante, e proclamou-o. Hoje, a Tvi descobriu, maravilhada, que a morte e enterro da raínha Isabel II de Inglaterra, os procedimentos, o protocolo, estão previstos e programados passo a passo, gesto a gesto, protagonista a protagonista, num documento sob o título de «London Bridge has fallen».

A Tvi é, portanto, distraída (digamos assim), porque não sabe ou não se lembrou que também as cerimónias da morte do príncipe Filipe estavam previstas com minúcia, até com pormenores pelo punho do próprio. E não sabe que isso acontece com todos os membros da família real. Este tipo de preparativos e organização daquilo que é inevitável faz sempre muita confusão aos espíritos dos irremediavelmente impreparados. Julgo que a Tvi teria uma síncope, se compreendesse que o magnífico funeral de Churchill (que já foi há bastante tempo, apresso-me a informar, não vá a Tvi descobrir isso agora) também estava planeado com minúcia.

A Tvi também é ignorante, porque não explicou (o que não podia fazer, não sabendo), que «London Bridge has fallen down» é uma expressão inspirada numa das mais populares canções de embalar da língua inglesa, «London Bridge is falling down», cujo primeiro registo data do século XVII.

E como estas coisas da ignorância ufana têm sempre uma cereja no topo do bolo, ainda tivemos José Alberto de Carvalho a explicar que tudo isto vai acontecer «na eventualidade da morte de Isabel II». Ora, toda a gente sabe (menos a Tvi) que a morte de Isabel II -- como a de todos nós -- não é uma eventualidade, é uma certeza. Mas a culpa, neste ponto, não foi de JA Carvalho, que só leu e não pensa. A culpa foi dos tradutores da Tvi, que, como muitos tradutores ignorantes traduzem o «eventually» inglês, que significa «a seu tempo», por eventualmente, que em português significa casualmente.

De maneira que, a título de moral da história, esta é a confiança que a informação da Tvi merece. Porque é isto que ela vale.

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Isabel II - a Tvi espanta-se com «a eventualidade» da sua morte 

Corrupção

por henrique pereira dos santos, em 03.09.21

Não será segredo, para quem lê o que escrevo, que me considero liberal.

Um liberal intuitivo, sem base doutrinária sólida - nunca li uma linha de Hayek ou Mises, não o digo com orgulho, constato um facto - que vou aprendendo no que leio por aí, preferencialmente lendo também pessoas com sólida base doutrinária, embora tentando evitar os proselitistas e os que têm as mesmas soluções para todos os problemas.

Carlos Guimarães Pinto é talvez das pessoas com que vou tendo menos discordâncias quando leio o que escreve, com uma única excepção: a importância que dá à corrupção como objecto político.

Hoje, lendo este artigo muito instrutivo, de Ricardo Dias de Sousa, em nome de uma agremiação a que pertenço, de forma relativamente distante e onde aprendo umas coisas - Oficina da Liberdade - percebi melhor o que penso sobre o assunto (talvez seja estranha esta ideia de eu perceber melhor o que penso depois de ler terceiros, mas é muito, muito frequente isto acontecer-me) e as razões das minhas reservas em relação à eleição da corrupção como um tema político muito relevante.

"No fundo, a única lição a retirar da corrupção, tanto de liberais como de socialistas ou conservadores é que o poder tende a corromper e o poder absoluto corrompe absolutamente. Isso e que, por outro lado, o poder absoluto na mão de incorruptíveis como Savonarola, Cromwell, Robespierre e, presumivelmente, Louçã costuma acabar bastante pior".

O que acho que penso (o tempo me dirá se é mesmo isso que penso) é que a corrupção é uma mera consequência, entre muitas outras, da excessiva liberdade no exercício do poder, daí que não faça muito sentido para mim perder muito tempo a discutir a corrupção como fenómeno político quando o que é preciso discutir são as razões pelas quais é útil transferir poder dos indivíduos para as autoridades, em qualquer circunstância.

E também as circunstâncias do exercício desse poder delegado, em especial, as limitações que é útil estabelecer para que o poder delegado não ultrapasse o estritamente necessário - em rigor, o considerado necessário pela comunidade que submete os indivíduos a esse poder delegado - para que os ganhos sociais justifiquem a submissão dos interesses individuais aos interesses colectivos, coercivamente impostos pelo poder.

O combate à corrupção, em si, costuma ser uma bandeira de todos os regimes cesaristas ou, mais genericamente, de todos os regimes que dividem os indivíduos entre bons (nós) e maus (os que se recusam a reconhecer a nossa superioridade moral).

A mim custa-me ver liberais cavalgar politicamente este assunto tão popular, em vez de dizer simplesmente que a corrupção é como a febre, um sintoma, e do que precisamos é de bons diagnósticos sobre a doença de que a febre é apenas uma face visível.

O «mercado» da propaganda

por José Mendonça da Cruz, em 01.09.21

Os jornalistas da propaganda andam há dois dias a advertir-nos de que os preços da eletricidade «no mercado ibérico» atingem recordes. Que, para os jornalistas da propaganda, têm causas misteriosas e inexplicáveis, e não resultam de opções de política energética. Juntam, evidentemente, entediantes explicações do ministro do Ambiente e promessas de Costa de que não há problema, porque há «uma almofada». 

Sabemos, porém, sem que os jornalistas da propaganda precisem de dizê-lo, que, para efeito de carestia de preços de energia, os recordes do «mercado ibérico» situam-se sobretudo para Sul de Valença, para Oeste de Badajoz, e para Norte de Vila Real de Santo António.

Chover no molhado

por henrique pereira dos santos, em 01.09.21

"Qual é a explicação para o facto de a vacinação não estar a conseguir contrariar este planalto?

Manuel Carmo Gomes não vê outra explicação se não esta: a presença da variante Delta. Esta nova estirpe “é altamente contagiosa” — o que faz aumentar a incidência. “Estamos com uma incidência muito elevada — de cerca de 2.300 casos em média por dia — quando comparada com a mesma altura do ano passado. Estamos aproximadamente com três vezes mais casos por dia do que estavámos nesse período. É uma diferença dramática”, considera. O especialista admite mesmo: “Se em abril/maio me dissessem que em agosto íamos ter esta cobertura vacinal e me pedissem para traçar uma previsão do número de casos, desenharia um cenário mais otimista. Infelizmente, com a Delta, as coisas complicaram-se”."

Esta peça jornalística (tinha escrito notícia, mas na verdade os jornais são hoje conjuntos de peças, não necessariamente notícias, como neste caso) é de 29 de Agosto, hoje é 1 de Setembro e o que se desenha é uma queda brusca de casos.

Veremos se se confirma, claro, mas se se confirmar, isso altera alguma coisa a credibilidade das explicações de Carmo Gomes?

Claro que não, pode continuar a dizer o que entender que boa parte do jornalismo repete, sem qualquer escrutínio.

Adenda de 2 de Setembro: os números de ontem foram artificialmente baixos por constrangimentos informáticos. Assim sendo, a queda brusca que parecia desenhar-se ontem não parece verificar-se, mas antes a relativa estabilidade (aparentemente descendente) que tem caracterizado os últimos dias.

O estigma das touradas ou o atentado à nossa gente

por João-Afonso Machado, em 01.09.21

Quero ir à minha vida e a falácia política não deixa!... Concretizando: hoje mesmo, final da manhã, num desses canais que dão o que tiverem a dar ao Poder, discutiam-se as touradas. Intervenientes, além da senhora do programa, um cavalheiro hábil na palavra, não a deixando resvalar para o outra participante, uma senhora, deputada independente, que se perfilou nessa tolice chamada PAN.

O tema, adivinha-se qual é...

Fiquei com a vaga ideia que o dito debatente era Secretário de Estado. Eu daqui lhe envio os meus parabéns. Havia um telefone para o público ao qual tentei aceder - coisa rara! . sem conseguir. Havia uma panóplia de imagens: manifestações contra as touradas, repletas de algumas dezenas de imbecis que tentavam tourear a polícia; e outras do espectáculo, - se calhar por mera coincidência relembrando somente faenas do agora controverso João Moura (porque não Ribeiro Teles, Rouxinol, Ana Baptista e quejandos?)

O dito senhor explicou tudo tintim por tintim, realçando que a cultura nossa é nossa e não é a A.R. que a determina. A senhora deputada mastigava os direitos dos animais, ruminava-os como um bovino qualquer.

Depois, - azar dos azares - os comentários telefónicos dos seguidores do programa, apontavam todos no mesmo caminho... O das modas.

Sendo a questão muito simples. Vou começá-la - imagine-se! - na ictiologia. Nos peixes. Nesses desgraçados que, pescados à linha ou no arrasto, padecem longos minutos de asfixia fora de água! Alô defensores dos animais?!

E nos aviários. Nessas centenas de milhar de pintos e frangos, todos de pena branca, nascidos e crescidos, sem espaço para se movimentarem, em pavilhão estreito, onde engordam e são mortos, rumo aos supermercados. Alô defensores dos animais?!

E no gado leiteiro, acorrentado às grades, comendo ração e despejando leite, até ao dia destinado à sua morte. Alô defensores doa animais?!

E, ao invés, a defesa contra a extinção de espécies - o lince, o grifo, aves diversas, o lobo e tantas outras? Silêncio total. Alô defensores do animais?!

Tudo é demasiadamente óbvio. A tourada é - goste-se ou não - parte integrante da nossa Cultura. E é esta que interessa destruir, por decreto. Em nome de uma pretensa cultura uniformizada, urbana, incaracterística, massificada. O PAN é a guarda avançada, gramnschiniana, de um pretenso mundo novo, em que o que interessa é isso mesmo, o mundo novo, despojado de tradições.

Daí as minhas ganas em conseguir o telefonema, no dito programa, que me foi inviabilizado. E o meu renovado amor à tauromaquia! O mister Costa terá de lidar com esta tensão. Certo é, o PCP é o principal aval da Festa Brava. Eles que vão para as autarquias do Ribatejo e Alentejo anunciar que a tourada é morta...

 

Tretas

por henrique pereira dos santos, em 01.09.21

"queremos evitar que as páginas impressas ou digitais do nosso jornal se transformem em arenas de propaganda eleitorial", diz a direcção editorial do Público.

E para evitar isto, o que faz o Público?

"suspende a colaboração dos seus colunistas candidatos a esse acto eleitoral ou que tenham cargos partidários".

Mais, a direcção editorial do Público faz questão de dizer que a lei só o obrigaria a isso quando começasse a campanha eleitoral, mas o Público é muito mais rigoroso, acha que a campanha eleitoral "começa efectivamente mais cedo" pelo que em vez de uma suspensão de doze dias, o Público, corajosamente, promove uma suspensão de 26 dias.

Ou seja, o Público não confia na independência dos seus comentadores "que são candidatos ... ou que tenham cargos partidários", reconhecendo o que é óbvio - sim, eu sei que o óbvio é uma coisa muito subjectiva - para muita gente: estes comentadores são capazes de transformar "as páginas ... do nosso jornal" em "arenas de propaganda eleitoral".

E, para justificar o injustificável - a propaganda eleitoral nos restantes 339 dias do ano (340 nos anos bissextos) - a direcção editorial do Público manda publicar estas tretas, como se os seus leitores fossem completamente idiotas.

Por mim, que compro o jornal todos os dias, se quiserem ter um Rui Tavares a explicar que o modelo económico que defende pressupõe aumentar largamente o ordenado mínimo para que os trabalhadores de um lar de velhinhos passem a produzir teses académicas sobre o efeito económico do terramoto de 1755, nada contra mas, por favor, não façam de mim estúpido e não partam do princípio de que eu não sei que Rui Tavares não faz outra coisa que não seja proselitismo, sempre, todos os dias, seja ou não candidato ao que quer que seja, haja ou não haja campanhas eleitorais formais no horizonte.

O eterno Portugal dos pequeninos.

por Jose Miguel Roque Martins, em 31.08.21

Falta moderação exigente.

 

Somos 10 milhões e cada um pensa da sua forma. Mas estamos agrupados em famílias mais ou menos extensas.

Uma primeira grande família importante, mas minoritária, são os radicais. E já temos aqui vários ramos, que se vão agrupando em várias sub famílias. Os comunistas, cristalizados numa utopia tantas vezes provada como um desastre. Os bloquistas, sempre motivados pela continua subversão que conduza a um regime hediondo. O Chega, uma manta de retalhos incompreensível e  inconsequente. O PAN, um fenómeno para além da minha compreensão.

Depois temos os moderados, que não gostam de extremismos e gostariam de viver numa democracia liberal europeia. Também não são um grupo uniforme. A grande maioria vive satisfeita e ganha eleições. Claro que uns mais do que outros.  Apontam para os progressos na economia, na educação, na saúde, na luta contra a desigualdade e muitas outras conquistas que foram efectivamente acontecendo nas ultimas décadas. Globalmente, acreditam na visão do PS e do PSD, que cedências aos radicais são inevitáveis,  que devagar se vai ao longe e que o Estado tem que ir ao volante da extraordinária empresa que é fazer Portugal progredir. Os governos, merecem o aplauso, pelo grande esforço que os extenua, que a bronca não rebente no seu mandato, o único objectivo verdadeiramente ambicioso que têm para Portugal. Quando não conseguem e vem a troika, já ninguém gosta. Mas quando alguém, por milagre, tenta reformar e avançar Portugal, também é punido. À falta de outros argumentos, porque não comunica bem, porque não é um comunicador habilidoso, antes se atreve a dizer verdades inconvenientes.

Os outros moderados, são os insatisfeitos e que não ganham eleições. Ou que quando as ganham, perdem-nas. São aqueles que não aceitam porque estamos cada vez mais longe das democracias liberais realmente desenvolvidas. Que se irritam porque somos constantemente ultrapassados por tantos países antes mais subdesenvolvidos do que nós.. Aceitam que  houve progresso, mas que é tremendamente insuficiente em relação ás nossas potencialidades e até obrigações. Apesar de pertencerem à família dos moderados, passam, também, por radicais.

A responsabilidade pela mediocridade do nosso regime, não é dos radicais. É dos moderados felizes. Que governam de forma reiterada. Que com quase nada ficam satisfeitos. Que não percebem que, mantendo o rumo, nunca seremos nada de jeito, que seremos um pais atrasado para todo o sempre. Que apenas estaremos à frente de África e da América latina e de alguns países da Ásia, pelo menos mais umas décadas.

O que falta não é moderação. É algum radicalismo ou melhor, uma moderação exigente. Enquanto assim não for, continuaremos a ser, com toda a moderação, o Portugal dos pequeninos. As crianças tambem se contentam com pouco. 

Conclusões que não variam com as premissas

por henrique pereira dos santos, em 30.08.21

Ainda Manuel Carmo Gomes (apenas por ser o mais solidamente representativo de um modelo mental):

"Entre as 16.671 pessoas que ficaram infetadas, mesmo vacinadas, houve 91 mortes, até 26 de julho. “Mas 73 eram pessoas com mais de 80 anos — algumas delas tinham 100 anos e todas elas tinham muitas comorbilidades”."

Em primeiro lugar fico muito satisfeito que esta informação exista, embora eu nunca a consiga encontrar: parece que sempre se confirma que muitas das mortes atribuídas à Covid dizem respeito a pessoas em fim de vida com escassa esperança de vida e que, com elevada probabilidade, morreriam de qualquer forma no prazo de um ano.

Note-se que não estou a negar que nestes casos o factor final tenha sido a covid (não sei discutir isso), estou apenas a dizer que no prazo de um ano haveria sempre um factor final porque o estado geral da pessoa é de elevadíssima fragilidade.

Note-se que também não estou a dizer que é indiferente uma pessoa morrer hoje ou daqui a três meses, estou apenas a dizer que o factor que provocou hoje a morte a antecipou em semanas, mas na sua ausência isso não significaria que a pessoa vivesse muito mais tempo (e, já agora, com um mínimo de qualidade de vida).

Há meses que venho (é pretensão minha, desde sempre houve muito mais gente e muito mais qualificada que chamou a atenção para esta característica da covid) a chamar a atenção para o facto de ser muito provável que parte relevante (eu tenho falado em um terço, mas é uma especulação minimamente informada, não assenta em dados sólidos) da mortalidade covid seja de pessoas que morreriam em qualquer caso e testaram positivo.

Isto não é um esforço de desvalorização dos efeitos da covid, mas não podemos pôr no mesmo prato da balança doenças que matam pessoas muito velhas e doentes, doenças que matam essas pessoas mas também bebés muito pequenos (como a gripe) e doenças que matam outros grupos etários (por exemplo, no caso da gripe espanhola, para além dos dois extremos da estrutura etária, também havia um pico de mortalidade em jovens adultos), quando queremos avaliar o impacto da doença para o comparar com o impacto das medidas que temos à disposição para a combater.

Note-se que a conclusão lógica do que diz Manuel Carmo Gomes no que cito acima é a de que não faz sentido obrigar a sociedade a um esforço brutal para prolongar a vida de pessoas acima dos oitenta anos, com várias doenças e muito fragilizadas. Não porque essas semanas de vida não valham nada, mas sim porque o esforço que é pedido à sociedade se traduz em muitas mais semanas de sofrimento para muito mais gente.

Ou seja, tudo o que sejam medidas razoáveis e sensatas para reduzir o risco destas pessoas, como lavar as mãos, ter cuidado nos contactos com infectados, e por aí fora, com certeza, façamos esse esforço, agora tudo o que são medidas que restringem seriamente as liberdades públicas e individuais, durante tempos infindos, ou que tenham impactos económicos e sociais brutais, como fechar escolas, não fazem o menor sentido face aos valores em presença.

Pois bem, não é esse o caminho de Manuel Carmo Gomes, como sempre, quase desde o início da epidemia, Manuel Carmo Gomes acaba a falar do potencial da restrição de contactos:

“Enquanto continuarmos com incidência alta, vamos continuar a ter muitos idosos infetados. Uma pequenina proporção deles vai morrer. É inescapável. A única maneira de resolver isto era reduzir para metade, um terço, o número dos novos casos”.

Não, meu caro, em primeiro lugar não há maneira de resolver a morte de pessoas com mais de 80 anos, cheios de problemas e num estado de fragilidade física enorme.

Em segundo lugar, reduzir para metade ou um terço o número de novos casos não está na nossa mão.

Em terceiro lugar, pensar que é reduzindo contactos que se consegue essa redução de novos casos é um pressuposto por demonstrar empiricamente.

Por fim, ainda que fosse possível e eficaz, o preço que a sociedade no seu todo pagaria seria um preço muito elevado para prolongar umas semanas a vida dessas pessoas, preço esse que seria pago desproporcionadamente, como é sempre, pelos mais pobres e desamparados pela sorte.

Retaliação ou vingança - eis o problema

por João-Afonso Machado, em 30.08.21

Na sua rigidez teocrática, o Estado Islâmico (finalmente sediado), não será, porém, capaz de se governar a si mesmo. Jamais! A óbvia consequência resulta na insegurança e no medo em que há de ficar o mundo inteiro sofrendo, sempre na expectativa de uma brutalidade qualquer, em qualquer indeterminado lugar.

Assim o demonstra o recente atentado ao aeroporto de Cabul, e mesmo os mísseis hoje disparados, mas, ao que parece, neutralizados. Morreram, indiscriminadamente, ocidentais e afegãos e, de imediato, Joe Biden veio aos microfones informar o planeta - os americanos vingar-se-iam. E foi, - vingaram-se, utilizando belicista tecnologia de ponta.

Os EUA vivem, sempre viveram, no espírito e no procedimento dos seus Wyatt Earp e Pat Garret's. Sendo, já então, uma imensa potência guerreira, envolveram-se na II Guerra Mundial por retaliação ao cobarde ataque a Pearl Harbour. E estiveram no Vietname com a mesma postura com que quase exterminaram os peles-vermelhas...

Contudo, o seu poderio militar é uma salvaguarda nossa, europeus. Tal como a habitual sensatez do aliado britânico, sem cuja Commonwealth ficaríamos muito pequeninos. De um lado e do outro, devia resultar a lucidez do estado de guerra em que vivemos. Um novo tipo de guerra, mas isso ao caso interessa tanto quanto os combates de trincheira de 14/18, por comparação com a blitzkrieg de 39/45.

Entre o fundamentalismo religioso e os ódios étnicos do "deserto", a paz é uma ilusão para americanos, europeus, Oriente islamita e o que mais der na cabeça daqueles loucos. Sejamos crus: a guerra é lícita se o desiderato for a dita paz. Churchill assim o disse, sem rodeios, quando o Reino Unido enfrentava sozinho o poderio nazi. E não foi em conversas, exigiu a capitulação, a total rendição. Entre estes facínoras talibãs e Adolf Hitler, ainda não consegui perceber onde o mundo livre vislumbra diferenças...

"Se", por Carmo Gomes

por henrique pereira dos santos, em 30.08.21

“Se não houvesse vacinação, imagino o que isto era”, atira o epidemiologista Manuel Carmo Gomes.

Saltemos por cima desta estúpida mania de usar o verbo "atirar" da forma como é frequentemente usado na imprensa: é espantoso como profissionais da língua não reconhecem o peso das palavras e não sabem como atirar, no sentido de dizer, é agressivo, confesso que não sei de onde veio isto, sei de onde vem a alteração de significado de "ridículo", por exemplo, que os mais novos usam no sentido inglês da palavra, sei como o "eventualmente" inglês se infiltra no português, mas não entendo mesmo o fascínio que este "atira" exerce sobre tantos jornalistas.

Felizmente os políticos já perceberam que seria impossível continuar a dar ouvidos a estes paranóicos dos contactos e do covid zero (está a correr tão bem na Nova Zelândia e na Austrália que não se percebe como não está toda a gente a adoptar as mesmas políticas) e felizmente o caso do Reino Unido (em especial quando analisado ao mesmo tempo que o dos Países Baixos) veio deitar por terra as teorias dos efeitos inevitáveis dos contactos.

A Índia deveria ser suficiente para também deitar por terra esta conversa da variante Delta (antes chamada indiana, lembram-se?), e Israel os efeitos miraculosos da vacina nos contágios, mas nada, rigorosamente nada altera a ideia central destes doidos: se há contactos há contágios, os contágios são um problema imenso, logo, temos de reduzir contactos e gerir sociedades como se fossem hospitais.

Agora, que as coisas estão calmas - se medida pelo critério base que sempre presidiu à avaliação de epidemias, a mortalidade excessiva, não há nada de dramático desde meados de Fevereiro - e que os políticos fizeram um grande golpe de rins e passaram a adoptar o que, desde sempre, deveria ter sido a abordagem desta epidemia, não existe qualquer sinal de que estes defensores reconhecem que a sua abordagem à epidemia, defendendo que se matem moscas com tiros de canhão, sempre esteve errada, continuam na mesma linha de pensamento de que nunca saíram: "se, se, se...".

Seria irrelevante, não se desse o caso de estarem à espera (mesmo que inconscientemente) do próximo Outono/ Inverno para voltarem ao discurso do medo a propósito de uma doença que, dizem eles, não é sazonal nas nossas condições.

Veremos como reage a sociedade e imprensa nessa altura, mas não estamos livres de levar outra vez na cabeça com o martelo das medidas absurdas como a proibição de consumo de alcool na rua (acho que isso ainda não foi revogado) e outras coisas absolutamente fundamentais para controlar esta epidemia.

Os sinais não parecem ser bons, a julgar pela incapacidade da imprensa detectar contradições evidentes, como reconhecer que a vacina protege, mas o contágio (que na cabeça desta gente é equivalente a contacto) continua a ser um problema: "“Se olharmos para a distribuição da vacinação por faixas etárias, vemos que os grupos dos 10 aos 19 e dos 20 aos 29 são os que têm menor taxa de cobertura vacinal“, indica o investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa Carlos Antunes. Ou seja, “são os que estão mais expostos e têm um comportamento social de menor proteção”. Só que os jovens não contactam só com os seus pares e acabam por levar as infeções para outras faixas etárias."

Domingo

por João Távora, em 29.08.21

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. Marcos

Naquele tempo, reuniu-se à volta de Jesus um grupo de fariseus e alguns escribas que tinham vindo de Jerusalém. Viram que alguns dos discípulos de Jesus comiam com as mãos impuras, isto é, sem as lavar. – Na verdade, os fariseus e os judeus em geral não comem sem ter lavado cuidadosamente as mãos, conforme a tradição dos antigos. Ao voltarem da praça pública, não comem sem antes se terem lavado. E seguem muitos outros costumes a que se prenderam por tradição, como lavar os copos, os jarros e as vasilhas de cobre –. Os fariseus e os escribas perguntaram a Jesus: «Porque não seguem os teus discípulos a tradição dos antigos, e comem sem lavar as mãos?». Jesus respondeu-lhes: «Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito: ‘Este povo honra-Me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim. É vão o culto que Me prestam, e as doutrinas que ensinam não passam de preceitos humanos’. Vós deixais de lado o mandamento de Deus, para vos prenderdes à tradição dos homens». Depois, Jesus chamou de novo a Si a multidão e começou a dizer-lhe: «Escutai-Me e procurai compreender. Não há nada fora do homem que ao entrar nele o possa tornar impuro. O que sai do homem é que o torna impuro; porque do interior do homem é que saem as más intenções: imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, cobiças, injustiças, fraudes, devassidão, inveja, difamação, orgulho, insensatez. Todos estes vícios saem do interior do homem e são eles que o tornam impuro».

Palavra da salvação.

Comentário: A palavra de Deus pode vir a ser adulterada pelas palavras dos homens, mesmo quando pretendem explicar e aplicar a palavra de Deus. O Senhor adverte-nos para que saibamos ler a palavra de Deus à luz do Espírito de Deus, que a inspirou, e não com a visão estreita e acanhada, e, por vezes, interesseira, do nosso espírito, demasiado humano e limitado. A palavra de Deus é espírito e vida, e não apenas letra, que, por si só, pode matar.

O Chega, o PS e o BE, em defesa do Estado

por Jose Miguel Roque Martins, em 27.08.21

Não há nada mais popular, em Portugal, do que um pujante Estado director.  Todos os dias , sem excepção assistimos a variantes deste temas, em que os políticos competem por votos, no exercício crescente da imposição do Estado na vida de todos nós. 

Gostamos que o Estado se assuma como o Pai que cuida de nós. Geralmente não o faz bem, mas não faz mal. Alguém que pareça olhar para os nossos problemas, que nos ame, parece ser mais importante do que uma pindérica liberdade ou um bem estar superior, valores próprios de balofas burguesias.

Hoje o Chega, ajusta o seu programa, eliminando “excessos” em favor de um estado mínimo, convenhamos, um objectivo verdadeiramente ridículo, num partido que se pretenda populista em Portugal.

Outra variante do poder do Estado que adoramos é a proibição. Que os outros não possam fazer o que pretendam. Mesmo que não nos incomode pessoalmente muito.

Nesse sentido, Medina anuncia a intenção de congelar o alojamento local em Lisboa, não vá o mercado gerar riqueza, enriquecer senhorios,  gerar empregos e fazer de Lisboa uma cidade vibrante e bonita. O resultado é conhecido. Os mais desfavorecidos não vão passar a poder voltar para o centro de Lisboa, criam-se privilegiados, os detentores de preciosas licenças administrativas, geram-se menos empregos, limita-se a criação de riqueza. Medina é mais um dos moderados que tão bem nos gerem e que nos protegem de exageros, de que as pessoas possam viver realmente bem, ou tenham que partilhar o que é publico, de todos. 

Já o BE, obviamente, é mais radical: há que diminuir o numero de alojamentos turísticos com licença atribuída. Lembre-mo-nos que, antes do turismo, ninguém queria ir viver para o centro de Lisboa, nem os pobrezinhos, já que as casas estavam degradadas e em vez de animação havia insegurança. Já agora, como vamos escolher quem pode viver em Lisboa?

Claro que se percebem alcances adicionais das propostas bloquistas. En passant, aproveita-se para lembrar a  força do Estado, tramar mais uns investidores e, já agora, congelar rendas, para punir capitalistas e acelerar a decadência urbana. Que o Trotskismo não floresce com prosperidade.

Mais Estado, menos liberdade, menos riqueza. 

Nada de novo. Mas não deixa de ser cansativo. Até porque os protagonistas de hoje, também poderiam ser o PCP,  o PSD ou o CDS/PP. 

 

Ponte 25 de Abril , um triste símbolo do regime de Abril

por Jose Miguel Roque Martins, em 26.08.21

ponte salazar.jpg

 

Ontem, ao passar pela Ponte, lembrei-me do fim dos meses de Agosto em que não se pagavam portagens. Fiquei mais uma vez furioso e aqui recordo o que é fácil de esquecer mas importante lembrar. 

Com orgulho e esperança, em 1966, é inaugurada a primeira travessia do Tejo da cidade de Lisboa. Um sonho antigo, uma obra de engenharia magnifica, uma via de expansão da cidade. Num gesto raro de culto de personalidade, a ponte é baptizada com o nome de António de Oliveira Salazar, ainda vivo e então incontestado chefe supremo da Nação Portuguesa. Uma escolha de nome, no minimo, duvidosa. 

Veio a revolução e a ponte, a inocente ponte, inicia um novo ciclo, tornando-se um símbolo da  perversidade do novo regime.

Rebaptiza-se a ponte, símbolo de progresso, como ponte 25 de Abril e com ele, o triste habito de tentar reescrever a história, a instituição do revisionismo Histórico. Pior é ligar o nome da revolução a traços escandalosos, mas característicos, do regime de Abril: a falta de respeito pela lei, a injustiça publica, a voracidade fiscal, a incompetência ou corrupção do poder publico,  a mansa subjugação do povo.

Da taxa ao imposto fantasma e anticonstitucional

Um empreendimento da magnitude da ponte, não obrigou apenas a uma sofisticada engenharia civil. Impôs a necessidade de uma engenharia financeira exigente, mas conhecida e justa. O principio do utilizador / pagador é usado. A garantia do financiamento pelo Estado, a imposição de taxas aos utilizadores, que pagariam o seu custo. Uma vez paga, competiria aos utentes, o pagamento dos custos de manutenção ou, pela sua relativa irrelevância, face aos custos de cobrança de portagens, passaria a ser de utilização gratuita, suportando o Estado a manutenção de uma obra já paga.

A necessidade de fazer uma nova travessia do Tejo em Lisboa, a actual ponte Vasco da Gama, leva à ilegalidade e injustiça. A ponte 25 de Abril, é eleita como instrumento fiscal, usada para financiar outra ponte, ao arrepio da mais elementar  justiça e legalidade.

O “contrato” estabelecido pelo Estado com os utentes, à data da construção da velha ponte, estabelecia que depois de paga a sua construção, as portagens seriam reduzidas ou extintas. Com o contrato da Lusoponte,  os seus utentes, não só continuam a ter que pagar, mas até vêm aumentos consideráveis nos valores das portagens. Um morador na margem sul, que trabalhe em Lisboa paga, agora, 300 a 500 euros por ano de portagens, quando nada devia pagar.

A lei é violada, já que a apesar de nominalmente uma taxa, de facto é introduzido um imposto. Não se trata de uma mera tecnicalidade ou semântica. Se o pagamento  fosse instituído como imposto, seria inconstitucional, já que discrimina cidadãos, em função meramente do local onde vivem ou trabalham.

Infelizmente a imposição de injustiças e de ilegalidades cometidas pelo Estado, não se ficam por este caso, antes se multiplicam.

Incompetência ou corrupção?

Este episódio é tambem mais um caso de manifesta incompetência ou corrupção Publica. A vários níveis.

O Estado deve recorrer ao mercado, quando estão em causa a prestação de serviços que impliquem o uso de trabalhadores. Não quando contrata financiamentos, que acabam por ser sempre mais onerosos para o erário publico. Em Portugal preferimos normalmente o oposto ao recomendável.

A Vasco da Gama, também não foi uma simples manobra de desorçamentação, um pouco mais cara. Foi um desastre para os interesses do Estado, como denunciado pelo tribunal de contas, aqui e aqui, que não obstante, foi aprovando os vários contratos e adicionais. Uma rentabilidade de mais de 11% foi assegurada pelo contrato. Que sucessivos adicionais permitiram aumentar a valores desconhecidos, mesmo considerando que os custos de construção tenham sido os correctos. Tudo em nome da legitimidade democrática.

A responsabilidade original foi de Cavaco Silva e de Joaquim Ferreira do Amaral. Mas vários outros governos, estão envolvidos na manutenção e até agravamento deste desastre colectivo, do PSD e do PS. Joaquim Ferreira do Amaral, que negociou o contrato por parte do Estado, tornou-se presidente da Lusoponte. Um mistério para mim, a sua contratação por parte de quem assiste em primeira mão à forma aparentemente tão negligente como defende os interesses de quem representa.

 

Do Buzinão à submissão

 

Este episódio, de tão grave, conseguiu suscitar uma reacção popular de protesto, o celebre buzinão.  Um ligeiro recuo, apaziguamento, para depois voltar a repor o indefensável. O povo, extenuado, consciente da sua fragilidade, finalmente entende que, em fraca democracia, quem continua a mandar, são mesmo os de sempre.

Tudo somado, uma ponte, consegue representar o pior do regime.



Corta-fitas

Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

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