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Qatar 2022

por João Távora, em 20.11.22

O futebol é importante nas nossas vidas, porque entre outras coisas, ajuda a juntar pessoas de diferentes sensibilidades, nacionalidades, origens culturais. Juntar é sempre melhor do que dividir. A "pátria" de cada um terá sempre diferentes nuances e cumplicidades: familiares, políticas, históricas e estéticas - porque é que haveremos de estar sempre a querer afirmar a nossa originalidade "pessoal"? Essa experiência de unidade (na bancada de um estádio) é fascinante, mesmo com a reserva de quem não prescinde da racionalidade a olhar o mundo - não há perigo de diluição.
Pobres de espírito são aqueles que, de bicos de pés, na sua mediocridade, se acham superiores a tudo isto.
Aos mais renitentes, aconselha-se a que durante o campeonato do mundo de futebol, em vez de se sentarem em frente à televisão a remoer, leiam livros, muitos livros. Desse modo, no fim, nos entenderemos melhor certamente.

Domingo de Cristo Rei

por João Távora, em 20.11.22

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, os chefes dos judeus zombavam de Jesus, dizendo: «Salvou os outros: salve-Se a Si mesmo, se é o Messias de Deus, o Eleito». Também os soldados troçavam d’Ele; aproximando-se para Lhe oferecerem vinagre, diziam: «Se és o Rei dos judeus, salva-Te a Ti mesmo». Por cima d’Ele havia um letreiro: «Este é o Rei dos judeus». Entretanto, um dos malfeitores que tinham sido crucificados insultava-O, dizendo: «Não és Tu o Messias? Salva-Te a Ti mesmo e a nós também». Mas o outro, tomando a palavra, repreendeu-o: «Não temes a Deus, tu que sofres o mesmo suplício? Quanto a nós, fez-se justiça, pois recebemos o castigo das nossas más acções. Mas Ele nada praticou de condenável». E acrescentou: «Jesus, lembra-Te de Mim, quando vieres com a tua realeza». Jesus respondeu-lhe: «Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no Paraíso».

alavra da salvação.

O regresso do filho

por henrique pereira dos santos, em 20.11.22

Frank Zappa tem três discos de solos de guitarra de que me lembrei ontem: Shut Up 'n Play Yer Guitar, Shut Up 'n Play Yer Guitar some more e Return of the son of Shut Up 'n Play Yer Guitar.

Lembrei-me desta sequência depois de ver as notícias de que António Costa foi ontem a vários congressos do PS (esqueçamos a provável pegada de carbono e os excessos de velocidade necessários para que esta agenda seja exequível) falar.

Uma nota prévia sobre o facto de entre hoje e ontem António Costa andar de reunião em reunião do partido, é muito conveniente para os dois: por um lado Costa mostra que ninguém o pode substituir em lado nenhum, neste momento, por outro o partido fica preparado para dizer que nem o conhece, se a coisa der para o torto, como fez com José Sócrates.

A razão pela qual me lembrei destes discos de Frank Zappa é porque têm uma tradução directa para a vida do Partido Socialista: cala-te e defende o teu partido, cala-te e defende o teu partido um bocadinho mais e o regresso do filho de cala-te e defende o teu partido.

Num contexto em que assuntos sérios afectam o governo, poder-se-ia esperar que António Costa estivesse a fazer um esforço de mobilização do partido para estar vigilante em relação a comportamentos inaceitáveis ou mesmo ilegais que a prazo possam minar o apoio ao partido.

Mas não.

Costa sabe que há um videirinho a fazer negócios duvidosos que a justiça investiga e mesmo assim chama-o para o seu lado? O problema não é a complacência para com esse comportamento, o problema é que os adversários do PS não se conformam com a maioria absoluta.

Costa reconhece que ligou a um regulador para tentar influenciar a sua actuação? O problema não é o abuso evidente dessa actuação, o problema é que os adversários do PS não se conformam com a confiança que os portugueses depositaram no PS.

Poderia continuar a descrever casos e casinhos, mas não vale a pena, para Costa nada disso tem a menor importância, o que é relevante é a cabala montada contra o PS e é isso que é preciso dizer a cada um dos militantes: não se deixem impressionar por umas ilegalidadezitas ou por manifestações de ausência de sentido de Estado ou pelo enfraquecimento das instituições, isso não interessa nada e nem vale a pena discutir essas questões, o relevante é repetir incessantemente que há uma cabala contra o PS e todas essas notícias não passam disso mesmo, de manifestações dessa cabala.

Para qualquer observador independente, é evidente que o PS é vítima de uma orquestração a que uma imprensa hostil dá guarida, orquestração essa tem origem no facto dos adversários do PS não conseguirem digerir a maioria absoluta do PS.

Agora deixem o povo ver a bola…

por João Távora, em 18.11.22

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O que é que mudou desde a Cimeira do Clima ocorrida no Qatar em 2012, sob os auspícios das Nações Unidas?

Ao menos o Mundial de Futebol tem a virtude de ter ajudado, mesmo que tardiamente, o jornalismo em geral e muitos virtuosos comentadores em particular, a descobrir que o Qatar não é uma democracia liberal, antes pelo contrário. Um escândalo de que ninguém suspeitava...

E o que se pretende agora, além da exibição de virtudes piedosas, com a ostracização daquele regime autoritário com uma cultura anacrónica, que nos últumos anos vem preparando com tanto empenho o Mundial perante o silêncio cúmplice de (quase) toda a gente?  

Calores e omissões reveladores

por José Mendonça da Cruz, em 17.11.22

Admiro a expressão facial e gestual excitada e o tom acalorado com que pivôs de telejornais e comentadores atacam a Polícia portuguesa na generalidade, e nos previnem contra os terrores «da extrema-direita» com base numa dezena de tweets ou mensagens de grunhos.

Admiro o tom entusiasmado e a expressão facial e gestual calorosa com que pivôs de telejornais e comentadores defendem o entusiasmo «dos jovens» e nos recomendam o pânico ambientalista com base  numa dezena de patetas industriados pela extrema-esquerda (embora desconheçam a expressão).

Admiro os excessos das comemorações Saramaguistas em curso. Já quanto à indignação e o rasgar de vestes a propósito de uma censura tonta de Sousa Lara, admiro-a tanto tanto como admiro a omissão dos vergonhosos saneamentos cometidos por Saramago no Diário de Notícias.

Admiro, portanto, a forma como pivôs, comentadores e jornalistas proclamam e confirmam que não são sérios, nem fiáveis, nem profissionais recomendáveis.

Descendo à cidade

por João-Afonso Machado, em 17.11.22

O programa de vacinas Casa Aberta, anunciado como está, parece uma maravilha. É entrar, apanhar a 4ª dose num braço e a da gripe do outro. Zás! - e vir de regresso cheio de acautelada saúde.

Não é assim. O Casa Aberta não vai além das 100 doses diárias, afora as pessoas que tenham marcações mediante as sms's recebidas dos competentes serviços.

E não é assim, e assim não será até 24 de Novembro, devido às greves dos enfermeiros e dos funcionários públicos. Ante o desconhecimento dos muitos que se deslocaram esta manhã ao Quartel de Transmissões no Porto e bateram com o nariz na porta. Como foi o meu caso.

É claro, não perdi o ensejo de dizer, aos seguranças e a quem quis ouvir, as necessárias verdades sobre a República. E sobre esta democracia. E sobre o Governo de Costa que já vive apenas uma realidade que é só sua.

É um mundo atarantado onde o talvez único ministro decente, o da Economia, se vê desrespeitado e incomodado por um bando de meninos rabinos, de súbito preocupados com o clima (decerto privados por ora de praia) e saturados de noites de cerveja em copos de plástico até ser dia, com umas naifadas à mistura. Meninos rabinos que se colam ao chão e para isso usam produtos altamente tóxicos e poluentes...

E Costa nada diz. Nem manda calar o Pedro Nuno. Nem vai além de promessas e mais promessas, como não explica nem aplica a massa europeia que já não sabemos onde está.

O que realizou o Governo em concreto? Qual a sua obra na Saúde, no Ensino, na Justiça? O que está para além dos projectos anunciados com pompa, às catadupas, o modo ideal de os portugueses não fixarem nenhum e o Governo se aguentar no regabofe?

Feitas as contas, fiz 70 quilómetros para uma vacina que não tomei. Paguei portagens e, claro, gastei combustivel; ou melhor - paguei taxas e impostos para manter o Costa Pança.

Descer à cidade é o que dá. Ah!  - se eu visse a víbora e o Costa não teria mesmo qualquer hesitação. Calcava-o e tornava a calcar, pelo sim pelo não.

Não os tratem com condescendência

por henrique pereira dos santos, em 16.11.22

José Teixeira: "a importante questão das "alterações climáticas" é apropriada para alimentar uma agenda contestatária abrangente, a que alguns querem chamar "ideológica" mas que não o é, sendo apenas uma atrapalhada e atrevida mescla de itens de "agit-prop" da agenda esquerdalha (agora dita "woke" à falta de termo português para tal monsto), sob a evidente "mão visível" do BE. Isso poderia nada mais ser do que um pouco irritante, ou mesmo só risível, se a questão climática não fosse verdadeiramente relevante. E em assim sendo esta cacofonia, este "radicalismo pequeno-burguês de fachada ecológica" - como diria Álvaro Cunhal - aliena as necessárias, reflexões e verdadeiras acções face ao processo climático. Digo-o diante das patéticas acções de pirataria artística, agora encetadas, como deste "confusionismo": apenas obstam às coalizões sociais nos esforços ecológicos. ".

Fernanda Câncio: "Espero também que, ao contrário de tanta gente que insulta e menoriza os "jovens climáticos", como os apelidam nas notícias, seja capaz desse ato derrisório de autocrueldade que é ver-se do outro lado. O lado da injustiça, dos que deviam agir e não agem, o lado do poder e do deixa andar, dos que fecham os olhos e arranjam desculpas, dizem "ah mas é muito complicado, isso não é como vocês pensam, não se carrega num botão e já está, como seria depois?". O lado dos que desistiram de salvar o mundo, e se limitam a gerir. Recursos, empresas, países; o hábito. Porque é assim que esses jovens o vêem, nos vêem. E têm toda a razão".

A lucidez de Fernanda Câncio na interpretação do que vê à sua volta é lendária mas, neste caso, não tem razão nenhuma neste "E têm toda a razão".

Não tem razão nenhuma pelas razões que José Teixeira elenca acima: ninguém está a tentar salvar o mundo - o mundo não precisa de ser salvo - e, muito menos, gerir, recursos, empresas, países, é menos relevante e digno que querer mudar o mundo.

1) Primeiro que tudo talvez seja útil deixar de tratar esta raparigada e rapaziada (andava há tempos infindos à procura de uma oportunidade para ser tão politicamente correcto) como se fossem criancinhas do jardim escola, este pessoal é mais que crescido para ler, pensar, decidir e agir, e a sua falta de idade, uma coisa que passará com o tempo, não os exime de responsabilidades e muito menos lhes confere qualquer superioridade moral: dizem ou fazem asneiras, devem ser avaliados por isso, como qualquer outra pessoa, dizem e fazem coisas certas, devem ser avaliados por isso, como qualquer outra pessoa, não há nenhum estatuto aplicável aos jovens que lhes permita fazer parvoíces sem que tenhamos o direito a ter a opinião de que são parvoíces. E não, não é de esperar que, por terem pouca idade, desatem a colar-se ao hall da entrada das casas para que são convidados, eles sabem perfeitamente que é uma parvoíce, apenas acham que sendo parvos conseguem chamar mais a atenção para o que acham que os outros devem ouvir;

2) Em segundo lugar seria útil deixar de dizer que os jovens isto e os jovens aquilo, a partir do que este grupinho de 50 ou 100 pessoas, alguns não tão jovens que até já podem votar, diz, faz ou pensa, porque a esmagadora maioria dos jovens não está para aturar estas cegadas, como se tem visto pela evidente incapacidade de mobilização que caracteriza esta cega-rega;

3) Em terceiro lugar era o que mais faltava que agora se aceitassem argumentos idadistas para delimitar o que se pode ou não dizer destas parvoíces, estabelecendo uma relação de causa/ efeito entre dizer que há muita parvoíce nestas acções e ser velho;

4) Por último, seria sensato deixar de fazer comparações idiotas entre as intervenções da polícia democrática no cumprimento estrito da lei, com as intervenções da polícia da ditadura, apenas porque ocorrem no mesmo tipo de espaços. Comparar bastonadas indiscriminadas numa carga de polícia sobre uma multidão, com eventuais fissuras na pele provocadas pela falta de cuidado da polícia quando descola pessoas que voluntariamente se colaram a qualquer coisa, é uma tolice.

O argumento de que os outros deviam agir e não agem é um argumento de pura ignorância: a verdade é que há alguns países em que o PIB continua a crescer, mas as emissões começaram a diminuir (para não complicar nem falo das políticas de adaptação, dei só um exemplo de mitigação), o que quer dizer que se age, sim, que se tem feito alguma coisa, sim.

É insuficiente?

Até pode ser, mas como todos os países em que isso acontece são países capitalistas ocidentais, é incompreensível que o argumento central desta gente seja a incompatibilidade entre o modelo capitalista de produção e a acção climática consequente, em vez de argumentarem que o que é preciso é reforçar os mecanismos de mercado e capitalistas que têm estado a dar resultados, por exemplo, deslocando a taxação sobre factores de produção - capital e trabalho - para o consumo.

Embora eu os perceba, é muito mais fácil ter os jornalistas a dizer que é preciso acabar com os fósseis no governo que a aceitar a ideia de que o IVA deveria subir, e o IRS e IRC descer.

O que me parece confirmar que esta boa gente sabe mais de marketing que de alterações climáticas.

Quem foi, quem foi?

por José Mendonça da Cruz, em 15.11.22

«Todas as armas são letais, todas as armas não devem ser usadas», ouvi eu. Quem seria, pensei eu, o tonto que proferiu solenemente tal platitude no meio da guerra da Ucrânia?

Quem seria ?, perguntei eu. Disseram-me que foi um senhor muito agradecido por os pés de microfone lhe darem uma oportunidade de disfarçar de umas acusações graves que o afligem. Mais me disseram que o português deficientemente assimilado da frase é característico do referido senhor. Que é mesmo «expectável» (ou seja, previsível) e até «emblemático» (ou seja, característico).

Ah, então está bem, concluí eu. 

Despedimentos: um bem social

por Jose Miguel Roque Martins, em 15.11.22

Nada é mais impopular do que  despedimentos. Não devia ser assim: os despedimentos são um imperativo do bem social.

Hoje, na rádio observador, lá fui agredido por um jornalista, que lembrou a perversidade dos multimilionários das novas tecnologias de informação (Musk, Zuckerberg e Bezzos ) que, confrontados com a queda de resultados, desataram a despedir dezenas de milhar de trabalhadores, com a agravante que ao mesmo tempo, um deles prometeu doar uma quantidade milionária da sua fortuna a instituições de benemerência e culturais.

Não se pode negar que para o despedido, a situação é no mínimo desagradável, podendo atingir o dramático: não há nada pior do que o desemprego. Mas um trabalhador que deixou de contribuir positivamente para a sua empresa, já está, no mínimo, em subemprego, no máximo passou a ser um desempregado que continua a receber o seu salário, mas não contribui na plenitude das suas capacidades para a criação de riqueza da sociedade.

A solução preconizada pelo comentador, a manutenção do posto de trabalho à espera de melhores anos, em termos sociais representa um enorme desperdício, pelo menos em economias livres, como nos EUA.

Dos milhares de trabalhadores despedidos nos episódios descritos, dentro de pouco tempo, a grande maioria estará a fazer outra coisa, acrescentando valor real àsociedade, contribuindo para a sua prosperidade, ao invés de receber um subsidio de emprego da sua empresa, contribuindo pouco ou nada para a criação de riqueza de todos. Não despedir, não é só receber um subsidio de desemprego por parte das empresas (um erro) em vez de receber um subsidio por parte do Estado: é manter, até melhores dias, o estatuto dos redundantes enquanto contribuinte não efectivos para o bem comum, uma condenação ao desemprego perene, mascarado pela ilusão de uma contribuição que não existe ou é muito menos real do que colectivamente assumida. 

Despedir, é pois, um ato de racionalidade que protege os interesses legítimos da empresa, dos seus accionistas mas também um incentivo à prosperidade geral de uma sociedade, que permita mitigar o sofrimento dos excluídos de forma generosa. Despedir pode ser um enorme inconveniente para os visados, mas é um bem social de inegável valor. 

Porque somos quase todos empregados por conta de outrem, é natural que a realidade não pareça aceitável, porque poderemos ser nós a ficar redundantes. É uma opção mas,  enquanto assim for, enquanto quisermos emprego e não trabalho, não poderemos ser um país rico, em que muitos estejam muito bem e os mais desfavorecidos possam estar menos mal. 

Fim ao fóssil

por henrique pereira dos santos, em 15.11.22

Eu não tenho nada contra a possibilidade de um dia se deixar de usar energias fósseis.

Isso é completamente diferente de achar que é possível, sem imensa dor e sem prejudicar os mais pobres e frágeis, deixar de as usar num curtíssimo espaço de tempo, antes que se consiga perceber que fontes de energia alternativas se pretendem usar.

Eu sei, eu sei, o argumento é que basta poupar, usar menos, ser mais frugal, defender energicamente a austeridade energética.

Aliás, para quem queira conhecer a argumentação a partir de fontes primárias, tem aqui um video, bastante primário, sobre o assunto, em que um rapaz simpático nos explica que claro que podemos viver sem combustíveis fósseis porque, como espécie, já vivemos 299 800 anos sem eles, e se nos últimos 200 anos os usamos, é porque "eles" ganham com isso, e mais ninguém.

O que ele diz é, com certeza, muito sólido, basta ver que o video é produzido com os nossos impostos e ninguém iria desperdiçar os nossos impostos em histórias da carochinha contadas por pessoas que não sabem grande coisa sobre os assuntos de que falam.

Portanto, até 2030, acabamos com uso de energias fósseis e, com isso, encontramos uma alternativa energética que nos permita continuar a usar a síntese de Haber-Bosch, a descoberta humana que, singularmente, mais vidas salvou.

É essa reacção química, fortemente consumidora de energia, que está na base da existência de fertilizantes azotados, que são responsáveis directos pela alimentação de 35% da população mundial, para além de serem responsáveis pelo baixo custo dos alimentos de toda a população mundial.

E ainda me permitem estar aqui a escrever num computador em vez de estar a cavar batatas (não me macem com esta figura de retórica, sei perfeitamente que nesta altura do ano não se cavam batatas).

João Camargo tem toda a razão, durante uns valentes milhares de anos não usámos da forma como usamos as energias fósseis (ele não sabe que o carvão é usado há muito mais anos que nos últimos duzentos, ninguém é perfeito, mas é verdade que a escala do seu uso é nova, nos últimos 200 anos), era um tempo de elevada mortalidade infantil, um tempo em que morriam mulheres em barda em partos, um tempo em que a esmagadora maioria da população mundial passava fome, pelo menos em algumas épocas do anos ou sempre que as colheitas eram más, por causa das secas, das inundações, das pragas e todas essas coisas que agora se explica que têm origem no consumo de energias fósseis, um tempo de elevadíssimas desigualdades sociais, em que o estatuto das mulheres era claramente inferior, em que a escravatura era aceite em quase todo o mundo, etc., etc., etc..

Se estão mesmo, mesmo preocupados com o facto do uso dos combustíveis fósseis vos roubar o futuro, a minha sugestão é que garantam um bocadinho de terra, de preferência no fundo de um vale, com pelo menos uma pouca de água no Verão, e comecem a aprender a produzir os vossos alimentos, enquanto o uso de combustíveis fósseis vos permite garantir que não passam fome até aprenderem os rudimentos da actividade.

É que se por um acaso lunar, alguém resolver tomar as medidas radicais que preconizam, como, mitigadamente, tentaram fazer no Sri Lanka com a abolição da produção agrícola assente em fertilidade industrial, garanto que a probabilidade de terem três refeições por dia, ao preço da chuva, como agora acontece, é praticamente residual e ter um bocadinho de chão é ainda mais necessário que no caso de ninguém vos dar ouvidos, como temem (e eu, ardentemente, espero).

Alienação

por henrique pereira dos santos, em 14.11.22

Carmo Afonso ministra a sua habitual dose de alienação na última página do Público, descrevendo uma realidade privada, sem qualquer ligação com a realidade real.

Isso é o normal, o que já não é normal é que perante um artigo completamente absurdo (embora seja o que é de esperar de Carmo Afonso), o Público faça uma chamada de primeira página para um artigo de opinião indigente e, de caminho, subscreva a tese, delirante, de que o Qatar é um país liberal e um modelo de liberalismo sobre o qual a Iniciativa Liberal se deveria pronunciar, isso é muito mais divertido.

Nos índices de liberdade económica o Qatar está no primeiro terço, é verdade, mas abaixo de Portugal (em 160 países, Portugal anda pelos trinta e poucos e o Qatar pelo quarenta e qualquer coisa), no grupo dos países moderadamente livres.

Esta posição decorre do facto de haver factores em que o Qatar apresenta posições mais positivas (do ponto de vista de quem faz estes índices, claro) do lado da fiscalidade (que há quem confunda com liberalismo, basta ter a noção de que os países escandinavos, tipicamente com elevadas cargas fiscais, estão sempre nos lugares à volta do dez para se perceber como essa percepção é errada), mas bastante menos positivos em coisas essenciais para os liberais, como a liberdade de comércio, a liberdade do trabalho e, muito mais sensível para um liberal, o respeito pela lei e a independência do sistema judicial (não há grande originalidade nesta errada percepção de liberalismo, Fukuyama, se bem percebi a citação que um dia destes dele fez Pedro Bingre do Amaral, também cita a Somália como exemplo de aplicação do liberalismo, esquecendo o princípio central do respeito por uma lei igual para todos, como pedra basilar de sociedades e comunidades liberais).

Resumindo, que Carmo Afonso escreva disparates constantemente, é normal e é com ela, é para isso que foi contratada com certeza, mas que quem fechou a primeira página do Público resolva destacar, concordando, com o monumental disparate de considerar que existe um "triunfo do liberalismo no mundial da vergonha" é caso para se ficar envergonhado com a qualidade do jornal que se compra.

A nacional conferência revivalista

por João-Afonso Machado, em 13.11.22

Foi uma manhã toda de entrevistas e discursos. De análise política e de um auditório pintado de vermelho garrido onde se agitavam muitas bandeiras comicieiras. Deviam estar lá quase todos e oradores não se cansaram de invocar a grande participação nesta extraordinária autodenominada «Conferência Nacional». Afinal não se tratava de um decisivo congresso, conquanto a encenação lembrasse esses inesquecíveis do PCUS e, mesmo sem lá estar, sentia-se a presença de Lenine invectivando as massas - os soldados e os marinheiros, os operários e os camponeses. Não faltando, de resto, a alusão às conclusões do 21º, as quais peço desculpa por não recordar.

Era o solene momento da tomada de posse de Paulo Raimundo, o novo secretário-geral do PCP. O sucessor do já mais idoso e adoentado Jerónimo de Sousa que as câmaras televisivas não esqueceram no seu lugar entre os notáveis comunistas.

A plateia prossegue a sua frenética agitação de estandartes, repleta de bolcheviques à antiga - boina na cabeça, barba de revolucionário e lunetas de intelectual - muitos deles ainda jovens e sonhadores com o proletariado de todo o mundo unido.

A voz de Paulo Raimundo procura transmitir esse elan renovador. O PCP é imortal... A caminhada para a sociedade socialista imparável também. Os proletários é que foram banidos da terminologia comunista que insiste em batalhar pelos «direitos dos trabalhadores e do povo». Deixando fugir boca fora, de vez em quando, os «explorados e oprimidos».

João Ferreira e João Oliveira acederam à entrevista da locutora de serviço. Evidentemente, os seus postos na luta não os afastam do Parlamento Europeu e da nossa AR. Para Paulo Raimundo os sindicatos e a agitação na rua. E todos lhe agradecemos a turbação possível (e impossível...) do Governo de Costa com quem, num passado recente, acamaradou no processo revolucionário.

O PCP reafirma-se um partido de classe. As bandeiras vermelhas são como ventoínhas no pavilhão repleto. (Ocorre-me a imagem de uma assembleia geral de boavisteiros caturras, destilando raivinhas ao arquirrival, o poderoso F. C. do Porto.) - Venceremos!, venceremos!

Gozou merecidamente um longo momento de palco, o PCP. Passaram já muitos anos e todos esquecemos os boicotes e a arrogância, a legitimidade revolucionária e a ameaça de uma ditadura do proletariado. Os perigos são agora outros, provêm de outras bandas e mais melifluamente. Eu gostei de assistir à grande «Conferência Nacional», foi uma bela manhã revivalista.

Quantos são, quantos são?

por henrique pereira dos santos, em 13.11.22

Andam por aí uns spin-off do Bloco de Esquerda, acompanhados de umas organizações formatadas para estar sempre de bem com Deus e o Diabo, a fazer umas manifestações pindéricas de umas dezenas de manifestantes, umas ocupações de treta com meia dúzia de activistas, por vezes com as mães atrás, a dar apoio.

Parece que é tudo contra o fracasso climático.

Até aqui, nada de especial, faz parte do folclore, como o vira do malhão.

O curioso é que quando são criticados, ou alguém que acha que tem obrigações para com as pessoas que são prejudicadas por estas perfomances resolve dizer ou fazer o óbvio, aparecem logo umas quantas pessos a comparar a entrada da polícia nas universidades no tempo de Veiga Simão com intervenções corriqueiras da polícia democrática para resolver arruaças, e a dizer que é preciso valorizar o factos dos jovens lutarem por aquilo em que acreditam.

O normal consiste em saber o que são os jovens e o que querem.

Aparentemente, o que os jovens querem não se define em processos democráticos, em eleições, em associações, em organizações que se envolvem nas comunidades e resultam das comunidades, aparentemente parte-se do princípio de que, da mesma forma que acham que o que os trabalhadores querem é o que diz a CGTP que eles querem, apesar de haver hoje mais trabalhadores a votar no Chega que nos patrões da CGTP, também aqui o que os jovens querem é o que estas dezenas de pessoas dizem que os jovens querem.

Há alguma razão para fazer essa suposição?

As manifestações juntam milhares? As ocupações rebentam por todo o país, em todas as escolas, com forte apoio social?

Não, nada disso, são umas arruaçazitas, a que ninguém liga nenhuma, a não ser jornalistas e afins.

Qual é o critério de interesse social que leva boa parte do jornalismo a dar espaço e atenção a estes grupinhos de amigos?

Ninguém sabe.

Domingo

por João Távora, em 13.11.22

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, comentavam alguns que o templo estava ornado com belas pedras e piedosas ofertas. Jesus disse-lhes: «Dias virão em que, de tudo o que estais a ver, não ficará pedra sobre pedra: tudo será destruído». Eles perguntaram-Lhe: «Mestre, quando sucederá isto? Que sinal haverá de que está para acontecer?». Jesus respondeu: «Tende cuidado; não vos deixeis enganar, pois muitos virão em meu nome e dirão: ‘Sou eu’; e ainda: ‘O tempo está próximo’. Não os sigais. Quando ouvirdes falar de guerras e revoltas, não vos alarmeis: é preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim». Disse-lhes ainda: «Há-de erguer-se povo contra povo e reino contra reino. Haverá grandes terramotos e, em diversos lugares, fomes e epidemias. Haverá fenómenos espantosos e grandes sinais no céu. Mas antes de tudo isto, deitar-vos-ão as mãos e hão-de perseguir-vos, entregando-vos às sinagogas e às prisões, conduzindo-vos à presença de reis e governadores, por causa do meu nome. Assim tereis ocasião de dar testemunho. Tende presente em vossos corações que não deveis preparar a vossa defesa. Eu vos darei língua e sabedoria a que nenhum dos vossos adversários poderá resistir ou contradizer. Sereis entregues até pelos vossos pais, irmãos, parentes e amigos. Causarão a morte a alguns de vós e todos vos odiarão por causa do meu nome; mas nenhum cabelo da vossa cabeça se perderá. Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas».

Palavra da salvação.

Funcionalização em política

por henrique pereira dos santos, em 11.11.22

Suspeito, sem ter dado ao assunto muita atenção, que grande parte da divergência das duas candidaturas na Iniciativa Liberal se prende com o difícil equilíbrio entre funcionalização e abertura à sociedade, nos partidos políticos.

Não me meto na discussão de qual será a melhor opção para a Iniciativa Liberal, por um lado porque não sou militante, apesar da minha proximidade ideológica e colaboração, por outro porque conheço Carla Castro e Rui Rocha, não com proximidade, é certo, e gosto dos dois, achando que os dois são boas opções.

Os partidos (e mais ou menos todas as organizações sociais que pretendem ser transversais e chegar a todos) são sempre confrontados com a opção entre a lógica leninista de profissionalização e funcionalização para garantir a eficácia da acção, ou a abertura caótica à sociedade, para garantir criatividade e ligação da acção política ao quotidiano das pessoas concretas.

A candidatura de Rui Rocha parece-me pender para a lógica da eficácia eleitoral através da progressiva funcionalização do partido, a candidatura de Carla Rocha parece-me pender para a manutenção de uma matriz inicial do partido, de procura de pessoas e ideias políticas através de uma ligação mais aberta com a sociedade.

Não tenho muita base para fundamentar isto, mas é uma sensação com que fico.

Quando a Iniciativa Liberal lançou um concurso aberto para seleccionar umas dez pessoas para apoio ao seu grupo parlamentar, eu concorri, cheguei a uma fase de entrevista (acho que tiveram curiosidade em perceber por que raio um velho, com uma carreira profissional completamenta alheia à política, estava a concorrer a um lugar que tipicamente é preenchido por jotinhas e outros desirmanados da política) e até expliquei que estava a fechar a selecção para um lugar de chefe de departamento no sítio onde trabalhava, que eu tinha fortes probabilidades de ganhar (como ganhei, embora depois de ganhar tenha decidido não ocupar o lugar).

Uma das principais razões que me levavam a concorrer era mesmo sentir uma certa funcionalização da acção política da IL, que me parecia prejudicial, e portanto dar-lhes a oportunidade de escolher pessoas que não se reviam nessa lógica de funcionalização, acentuando mesmo que o meu contributo principal seria fazer pontes para terceiros, fora do partido, nas matérias para as quais tenho alguma competência.

Nada me move contra a profissionalização na política, mas políticos profissionais são os que concorrem a lugares políticos, o que jogam o seu futuro na roleta da política, não são os que vão pacientemente tecendo teias de influência na sombra dos partidos, nunca arriscando, para estar no lugar e tempo certo para serem nomeados para uma coisa qualquer que achem vantajosa.

Pode haver, como Mariana Vieira da Silva, pessoas com qualidade - pelo menos nunca ouvi ninguém dizer que não é uma mulher inteligente e trabalhadora - nesse grupo de funcionários que, com o tempo, até podem passar para o grupo dos políticos profissionais, depois de uma vida inteira na bolha social partidária, começando cedo nos gabinetes e afins, e continuando assim até à oportunidade de dar o salto de funcionário partidário para político.

Este é hoje o cenário esmagadoramente dominante no Partido Socialista, e dominante na generalidade dos outros partidos (ou, por exemplo, das associações ambientalistas, que conheço bem).

É inevitável que o mundo de Mariana Vieira da Silva seja o de quem nunca teve os problemas normais da generalidade das pessoas comuns, daquelas que não têm uns pais que pertencem às elites partidárias e sociais, que não têm a facilidade de uma extensa rede de contactos e por aí fora.

O que seria bom que uma pessoa com este percurso de vida fizesse, quando forma um gabinete?

Que tivesse consciência da sua condição e privilégio, que tivesse consciência de que isso condiciona a forma como se olha para as opções de política que tem de fazer, procurando limitar os problemas associados contratando pessoas de outros mundos e outras vidas, para que na diversidade do seu gabinete houvesse capacidade crítica suficiente para avaliar o que se vai fazendo.

Ao escolher quem escolheu, por adequação do perfil à tarefa pretendida - como bem nota Alexandre Homem Cristo, se aquele é o perfil adequado à tarefa, é porque se espera muito pouco da tarefa - Mariana Vieira da Silva demonstra que o contexto em que aplica a sua inteligência e capacidade de trabalho é um contexto miserável, em que a ambição não passa da intendência e mercearia partidária, intermediada pelo Estado, com dinheiro dos contribuintes.

Se dúvidas houvesse, António Costa fez a demonstração, ao escolher para seu secretário de estado adjunto Miguel Alves: o país não passa do cenário em que se movem os actores num palco e as pessoas comuns não passam de espectadores sem direito a intervir na peça que está em execução.

A acção central do governo consiste em arranjar quem pague a peça e o ordenado dos actores, visto que os espectadores têm vindo a perder a vontade de pagar pelo bilhete, tudo o resto, a qualidade da peça, a vida dos espectadores e esses pormenores não passam disso mesmo: pormenores.

Por paisagens marginais

por João Távora, em 10.11.22

Das pedras pão.jpg

Quem conheça um pouco Henrique Pereira dos Santos, autor do texto deste livro, sabia já como, a sua permanente busca de objectividade e fundamentos solidamente comprovados nas suas opiniões, esconde mal uma alma sensível e curiosa que, assumidamente agnóstica, se deixa arrebatar facilmente pela beleza, que é um assunto da metafísica. Isso percebe-se não só por algumas das suas simpatias literárias ou musicais, que por vezes deixa escapar nos seus comentários, mas pela forma como nos apresenta o objecto da sua formação académica e profissional em “Das Pedras, Pão”. Aliás suspeito que a matéria da Arquitectura Paisagista se preste a este perfil. Desses sinais nos dá conta a fascinante conjugação do texto com as fotografias da autoria de Duarte Belo, que entremeiam cada capítulo e nos estimulam o olhar ao longo de toda a obra. Aliás, a opção da não legendagem das fotografias concede-lhes um protagonismo equiparado à prosa, e não de seu suporte. Apesar da sua ordem obedecer de algum modo ao desfolhar dos temas discorridos pelo Henrique, no seu género de linguagem austera, o conjunto, como que uma composição, convence-nos da erudição estética que constitui a observação e reflexão sobre o clima, a paisagem e o homem em interacção. No mesmo sentido vai a atracção dos autores pelas paisagens “marginais” que são o objecto dos olhares derramados em imagem e texto neste livro. Terras marginais, explica-nos o Henrique, porque o são em termos da produção agrícola, “quase despidas de árvores, e para quer que se olhasse, só se viam charnecas, mato rasteiro e pedra.” Talvez que a nossa cultura cristã seja a fonte da atracção pela marginalidade que comungo com o Henrique. Estranho só que se recuse a ouvir os Genesis do tempo em que não eram mainstream.

Este livro é como que um passeio, o relato de um caminho, a explicação duma paisagem quase sempre áspera e desumanizada do país interior em torno da Serra da Estrela, com os seus recantos verdejados pela existência de água, paisagem que se explica a si mesma se a perscrutarmos. Diz o nosso arquitecto paisagista num pequeno assomo autobiográfico na introdução: “Faço parte daqueles para quem as coisas extraordinárias – os monumentos, os sítios obrigatórios, os museus que não se podem perder e, dentro deles, as peças imperdíveis – são essencialmente pretextos para o caminho.” Para uma peregrinação, direi eu. Uma peregrinação de interrogações e curiosidade sobre o que se nos calha revelar o caminho – não metafórico. Num tempo em que a realidade se nos impõe luminosa e intrusiva em múltiplos ecrãs, tornando os nossos olhos e mentes preguiçosas, arriscamos a perder a vida ao não olhar para o caminho: “De que vive esta gente? Por que razão num sítio se come mais coentros e noutro mais salsa? O que faz ali aquela vinha e que tal o vinho que de lá sai? Por que diabo há este queijo nesta região? A que se devem estas nuvens de insectos que me saem ao caminho?”

Mas esta obra (texto e imagens) não é propriamente poética. Com a sua leitura aprendemos nomeadamente da vantagem do pastoreio em relação ao fogo ou ao pousio – a função coproiética que permite ao solo a absorção de nutrientes devolvidos através da matéria orgânica dos animais. Uma alternativa ao fogo? Sempre o fogo tão incompreendido quando visto na cidade pela televisão num sofá. Fogo fatal que a nossa cultura acredita ser evitável a juzante, quando devidamente "domesticado", provocado fora de época e em condições de maior humidade e pouco vento, favoráveis ao seu controlo em intensidade e extensão. Uma alternativa ao abandono do homem, e aos paraísos que daí tardam surgir?

"Das Pedras, Pão" também é a revelação dum Portugal agreste e longínquo, misto atlântico e mediterrânico, hoje abandonado, mas que nos corre nas veias. Que aprendeu engenhosamente a fazer das pedras pão “de sangue” por causa da sua magreza, onde fosse possível medrar algum centeio. Esta é uma paisagem abandonada pelas pessoas, “onde a vegetação natural tem vindo a ocupar os espaços abandonados e que só o fogo parece perturbar” para a qual o Henrique, inconformado, reclama um olhar diferente, uma nova economia que a preserve humanizada, capaz de domesticar um território cada vez mais hostil, infernal – sempre os fogos.

O objecto do livro propriamente dito quase que vale por si mesmo pelo bom gosto do desenho. De capa dura e espessa, prescinde da tradicional lombada, o que facilita a passagem das páginas feitas num papel de boa gramagem com uma textura que concede às fotografias uma coloração baça e agreste quase como a paisagem que retrata, sempre despida de gente. É um livro para pousar numa mesa de sala, a convidar o passante a uma vistoria rápida, que talvez merecesse um tamanho (e um preço, eu sei) maior.

"Das Pedras, Pão" poderá ser adquirido no seu lançamento dia 15 às 18:30hs na livraria da Travessa R. da Escola Politécnica 46, ou no dia 16 às 17:30hs no salão nobre do Instituto Superior de Agronomia por ocasião duma conversa à volta do assunto. Estará também à venda nas livrarias ou no Museu da Paisagem.

Ficha técnica: 

Das Pedras, Pão/Bread from Stones, 254 páginas © 2022 Museu da Paisagem

Texto Henrique Pereira dos Santos

Fotografias: Duarte Belo

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O desafio da normalidade

por João Távora, em 09.11.22

Mascaras.jpg

Não só a recente epidemia de medo explica o fascínio (a saudade?) exercido pela Covid19 em tanta gente, mas o facto do assunto ter monopolizado as suas preocupações durante quase dois anos em que a vida aparentava ser confortavelmente simples: um assunto arrebatador que nos distraía das muitas pequenas e grandes misérias que afligem a vida de toda a gente, normalmente chama-se alienação. Agora que com o frio chegam as doenças respiratórias, há muitos especialistas à espreita de recuperar os seus lugares nos noticiários a espalhar o medo nos espectadores incautos ou com dificuldades de adaptação à "normalidade" da vida. Uma experiência sempre desafiante, sem dúvida.

Imagem: fotografia da secção de brinquedos dum qualquer supermercado ao pé de si

Sobre palhaços...

por José Mendonça da Cruz, em 09.11.22

... uma coisa de nada, hoje, no Observador, escrita em curto e grosso. Talvez exageradamente, mas quando o excesso mete nojo escrever curto e grosso alivia.

Toda a verdade sobre o PC segundo a Sic

por José Mendonça da Cruz, em 06.11.22

A Sic acaba de informar numa peça sobre Jerónimo de Sousa que o PC iniciou em 2005 «um ciclo de vitórias eleitorais», o qual «culminou em 2015 com a aproximação ao PS».

Eu repito: a Sic acaba de informar numa peça sobre Jerónimo de Sousa que o PC iniciou em 2005 «um ciclo de vitórias eleitorais», o qual «culminou em 2015 com a aproximação ao PS».

De onde sai confirmada a fiabilidade da informação da Sic.

Domingo

por João Távora, em 06.11.22

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, aproximaram-se de Jesus alguns saduceus – que negam a ressurreição – e fizeram-lhe a seguinte pergunta: «Mestre, Moisés deixou-nos escrito: ‘Se morrer a alguém um irmão, que deixe mulher, mas sem filhos, esse homem deve casar com a viúva, para dar descendência a seu irmão’. Ora havia sete irmãos. O primeiro casou-se e morreu sem filhos. O segundo e depois o terceiro desposaram a viúva; e o mesmo sucedeu aos sete, que morreram e não deixaram filhos. Por fim, morreu também a mulher. De qual destes será ela esposa na ressurreição, uma vez que os sete a tiveram por mulher?». Disse-lhes Jesus: Os filhos deste mundo casam-se e dão-se em casamento. Mas aqueles que forem dignos de tomar parte na vida futura e na ressurreição dos mortos, nem se casam nem se dão em casamento. Na verdade, já não podem morrer, pois são como os Anjos, e, porque nasceram da ressurreição, são filhos de Deus. E que os mortos ressuscitam, até Moisés o deu a entender no episódio da sarça ardente, quando chama ao Senhor ‘o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob’. Não é um Deus de mortos, mas de vivos, porque para Ele todos estão vivos».

Palavra da salvação.



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