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We the People of Joacine

por Pedro Picoito, em 24.11.19

Para além da comédia de enganos que é a pseudocisão do Livre, partido tão ecológico que recusa as vantagens do email, do telemóvel e do pombo-corrreio na comunicação interna, há um problema político de fundo. Em campanha, Joacine Katar Moreira invocou como principal - para não dizer único - mérito da sua eleição o facto de ser mulher, negra e gaga, o que levaria finalmente as minorias a estarem representadas no Parlamento. É uma dupla mentira. É mentira porque os deputados não representam fatias da população; representam o seu círculo eleitoral e, em última instância, todos os Portugueses. E é mentira porque Joacine não é a primeira negra eleita para São Bento e muito menos a primeira mulher. Admito que seja a primeira gaga, mas isso não constitui grande mérito parlamentar, como se tem visto (mais do que ouvido). 

O Livre, porém, não só deu menos importância à dupla mentira do que a um voto pela Palestina, como a cavalgou alegremente. Foi o exemplo mais bacoco de política identitária que vimos em Portugal desde que Miguel Vale de Almeida foi eleito deputado para fazer a lei do casamento gay - embora a sua ação política, honra lhe seja,  não se possa resumir à bandeirinha. Nem o PCP, "partido dos trabalhadores", tem uma visão tão classista da democracia.

Agora, Joacine está livre do Livre. A autoproclamada representante das minorias em regime de monopólio (a esquerda é contra os monopólios, excepto o dos pobrezinhos) representa-se apenas a si própria. Basta ver a retórica irredentista, clássica das cisões da extrema-esquerda, com que responde aos seus críticos no partido. Como antes respondia aos seus críticos fora do partido. Rui Tavares e o "grupo de contacto", irónico nome, são uns traidores e uns vendidos que nunca a apoiaram e ficaram mais contentes com a subvenção partidária do que com a eleição da messiânica deputada. Como antes Daniel Oliveira era comparado à extrema-direita por causa de um simples twitter, essa paixão funesta. 

Surpreende que tenha acontecido tão cedo, mas não surpreende que tenha acontecido. Quem recusa as regras democráticas do compromisso e da convivência com os adversários, também as recusará com os camaradas, companheiros ou compagnons de route. Quem começa por fazer a política de uns contra os outros, acaba a fazer a sua política contra tudo e todos. Dentro e fora. A esquerda, melhor que ninguém, devia sabê-lo. Mas repetir sempre os mesmos erros é parte do seu charme discreto. Minoritário, mesmo.

O barulho que seria, se não fosse o Bloco de Esquerda

por henrique pereira dos santos, em 24.11.19

O Bloco de Esquerda gosta de se apresentar como um campeão das políticas de combate ou adaptação às alterações climáticas (embora eu suspeite que poucos dos dirigentes tenham perfeitamente clara a diferença entre políticas de mitigação das alterações climáticas e políticas de adaptação, mas isso agora não interessa nada).

Para quem tenha paciência, pode ler aqui o programa do Bloco nesta matéria, em que se diz logo (embora não me lembre de ver alguém chamar a atenção para a contradição) que não é a aumentar o preço da energia que o problema se resolve.

 Catarina Martins continua agora a insistir na ideia de baixar o IVA da electricidade porque, diz Catarina, "A eletricidade e o gás são um bem essencial de primeira necessidade, a sua descida tem um efeito enorme na economia e também porque para as famílias quanto menos pagarem na conta da luz, mais fica de salário e de pensão".

Há quem não veja grande semelhança entre esta frase e este tweet de Trump "The Democrats’ destructive ‘environmental’ proposals will raise your energy bill and prices at the pump. Don’t the Democrats care about fighting American poverty?", mas claro, é só porque há gente que tem problemas de visão muito graves quando se trata de avaliar as propostas concretas do Bloco em vez de se ficar pela retórica.

Domingo

por João Távora, em 24.11.19

Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. 

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Colossenses


Irmãos: Damos graças a Deus Pai, que nos fez dignos de tomar parte na herança dos santos, na luz divina. Ele nos libertou do poder das trevas e nos transferiu para o reino do seu Filho muito amado, no qual temos a redenção, o perdão dos pecados. Cristo é a imagem de Deus invisível, o Primogénito de toda a criatura; Porque n’Ele foram criadas todas as coisas no céu e na terra, visíveis e invisíveis, Tronos e Dominações, Principados e Potestades: por Ele e para Ele tudo foi criado. Ele é anterior a todas as coisas e n’Ele tudo subsiste. Ele é a cabeça da Igreja, que é o seu corpo. Ele é o Princípio, o Primogénito de entre os mortos; em tudo Ele tem o primeiro lugar. Aprouve a Deus que n’Ele residisse toda a plenitude e por Ele fossem reconciliadas consigo todas as coisas, estabelecendo a paz, pelo sangue da sua cruz, com todas as criaturas na terra e nos céus.


Palavra do Senhor.

Eduardo Nascimento

por João Távora, em 23.11.19

Noto com pesar a morte do cantor Eduardo Nascimento. Acontece que eu tinha uma bonita voz quando era criança, e à época com 5 anos, importado directamente da cozinha onde se ouvia telefonia (!), eu interpretava com sucesso o tema "O vento Mudou" nos jantares de família. Para lá deste insignificante dado pessoal, o protagonismo deste cançonetista negro no Portugal "colonialista" dos anos sessenta fala por si. Ontem como hoje, à maioria interessa mais as pontes do que as fracturas - só assim poderemos todos viver melhor.

A manif dos polícias, um atrevimento "fascista"

por João-Afonso Machado, em 22.11.19

Ontem foi mais uma manifestação das forças da ordem - contra a desordem em que as suas Instituições vivem e a desordem que não lhes e possível ordenar - por falta de ordem e de meios. 

Foi uma manifestação exemplar. Plena de ordenação. Mas carregada de sentido. Desde logo, contra o Governo.

Essa malta - o Governo - refugia-se em 2013, na Troika. Votando firme na querença do eleitorado. Na sua desmemória. Uma legislatura volvida (e o problema vinha muito de trás) continua a sua mentira.

A realidade: os agentes de segurança (urbana ou rural) cada vez mais (politicamente correcto seria dizer: cada vez menos...) dispõem de meios para atingir os seus desideratos. Faltam armamento conforme, viaturas automóveis em bom estado, comunicações e pessoal, e a autoridade confirmada pelos tribunais na sua actuação.

(Entretanto, à cambada ministerial convém lembrar a elevada taxa de suicídios entre os agentes de segurança. Porquê isso?)

Outrossim, à ordeira manifestação de ontem, cabe lembrar estes e outros antecedentes. Não será por acaso, o Sr. André Ventura foi recebido em apoteose. Segue-se o "programa" da extrema-direita... Sem mais delongas, a extrema-direita foi sempre um conveniente produto da Esquerda. Tal qual o desenterro de Franco do Vale dos Caídos...

E depois, os sindicatos da policia. Críticas? Nenhumas. Eles são o Portugal dos dias feitos pela cambada. Ninguém os poderá contestar.

Mas a sublime voz da Esquerda não cala. Os «zeros» da manif deram-lhe o pretexto. O seu silêncio reforçou-o: foi a extrema-direira infiltrada. E daqui não sairemos com a porcaria da Imprensa a fazer eco de tais derivações.

Cabrita afaga a barbela. Costa ri. Salazar não faria diferente.

 

 

Correio Real - 10 anos *

por João Távora, em 22.11.19

CR_20_Capa.jpg

O primeiro sinal de capitulação no combate cultural que travamos contra o progressismo que assola e corrói as fundações da nossa pátria é a renúncia ao ideal monárquico, à legitimidade histórica dos Duques de Bragança na representação duma nação com quase 900 anos de história.

* Capa do Correio Real produzido pela Real Associação de Lisboa a ser distribuido em dezembro pelos associados da Causa Real. 

Media al borde de un ataque de nervios

por José Mendonça da Cruz, em 21.11.19

Como eles andam nervosos a ver supremacistas brancos em quem desenha um zero com o polegar e o indicador.

Como eles andam sobressaltados a afligirem-se por, dizem, não saber quem protesta, quando quem protesta não cabe nos sindicatos domesticados que se habituaram a venerar.

Como eles andam pressurosos a noticiar que o governo desmentiu uma afirmação de André Ventura (que não deram), quando o desmentido do governo (que dão largamente) não desmente coisa nenhuma.

Como eles andam zelosos a rematar cada notícia inquieta com declarações de um dos 100 ou 200 governantes, a dizer que é tudo um equívoco, que o governo já pagou, já investiu, já resolveu.

Como eles andam obcecados a ver extrema-direita em cada canto e cada esquina de onde não venha a música que os faz dançar.

Como eles andam alheados e acríticos quando, perante uma manifestação pacífica de polícias, o governo toma medidas de segurança dignas de um Estado policial.

Como eles andam distraídos da emigração de cérebros (já não há choros no aeroporto nem «testemunhos» de mulherzinhas histéricas nos comícios socialistas), dos desastres do SNS (já ninguém está a matá-lo, já a mediocridade e as captivações não matam ninguém), da queda das exportações e da subida das importações, do aumento em absoluto da dívida, do défice e da mediocridade das empresas públicas de transportes, do não funcionamento das instituições, do empobrecimento do país, do aumento de impostos.

Como eles andam desgostosos por verem que a informação que torcem ou escondem acaba por vir à tona, naquilo a que chamam fake news.

 

António Jacinto Ferreira

por João Távora, em 21.11.19

Antonio_Jacinto_Ferreira.png

A resistência monárquica em Portugal teve ao longo dos últimos cem anos muitos rostos, a maior parte deles anónimos ou esquecidos da História. Para corrigir essa falha proponho-me recuperar os nomes maiores: Este verbete na Wikipédia é o meu tributo a António Jacinto Ferreira, publicista e fundador do semanário "O Debate" que foi editado entre 1951 e 1974. Outros se seguirão.

"Vemos, ouvimos e lemos"...

por João-Afonso Machado, em 20.11.19

É sabido, morreu José Mário Branco. Como é do respeito devido a qualquer defunto, aqui expresso o meu sincero pesar. Estará, certamente, no reino dos justos, e o meu maior desejo é a resignação possível da sua Família.

Nada tenho a criticar à sua pessoa. Sobretudo agora... Mas revolve-me as tripas o tratamento dado pelas televisões ao infausto acontecimento. Sobretudo quando relevam a sua obra.

Porque JMB foi - felizmente de forma assumida - o que foi. Por exemplo, o autor do célebre tema  de que, até à exaustão, ouvimos agora o excerto - A cantiga é uma arma, eu não sabia, tudo depende da alma e da pontaria. Tudo depende da alma e da alegria.

Certamente. Mas o refrão era mais assim:

A cantiga é uma arma contra a burguesia (contra quem, camaradas?...). Tudo depende da raiva e da pontaria.

A parte, pois, que a actual Censura cortou.

Ora tal omissão, de tão significativo trecho, da responsabilidade da Comunicação Social, - sempre politicamente correcta - fere o passado que JMB nunca renegou.

Talvez porque os cabecilhas desta República sejam todos o exemplo crasso dessa burguesia digna de boa pontaria - de Marcelo a Costa, passando por Ferrangutângo. Todos eles menos parcos de que um genuíno voto de pesar.

O mais é nada. Cá por casa não há burgueses. Há algo que talvez JMB não entendesse. Seja como for - R.I.P.

Qual é a tua, ó meu?

por Pedro Picoito, em 20.11.19

Em entrevista ao Público, Manuel Monteiro diz que "a direita perdeu a batalha da cultura e tem de ter a capacidade de recuperar o combate cultural". É irónico que estas palavras surjam no mesmo jornal que dedica sete páginas a José Mário Branco ( com toda a justiça, acrescento). Porque a direita não perdeu a batalha da cultura: nem sequer a travou. Continua a pensar que a "cultura" é o que une um país, sem perceber que a "cultura" é o que a esquerda cria, difunde e consome para combater a direita. Um exemplo? O elogio (justo, repito) ao génio criador de José Mário Branco que inclui a "coerência", a "generosidade" e a "rebeldia" da sua intervenção política, muito próxima do discurso de ódio. O que é ainda mais irónico quando esse elogio vem de uma direita cada vez mais próxima do discurso de ódio. Elogio, suprema ironia, que José Mário Branco de certeza odiaria (e ainda mais justamente).  Enquanto pensar assim, a direita continuará a "perder a batalha da cultura". Por falta de comparência.

Uma grande perda

por José Mendonça da Cruz, em 19.11.19

Morreu o cantor e compositor José Mário Branco e será característico que durante dias sejamos fustigados com excertos apressados de «mudam-se os tempos, mudam-se as vontades», e recomendações de que «a canção é uma arma».

O Presidente da República lamentou a perda de um músico «importante para a democracia». A ministra da Cultura disse que o seu legado «é intemporal e é património coletivo». 

Não é uma coisa nem outra. A democracia afirmou-se sem ele e até contra ele, e o seu legado é datado e minoritário. Mas não tinha que ser assim.

Um dos elementos mais presentes na obra de José Mário Branco é a criação de grandes peças musicais subjugadas por textos extremistas e violentos. A canção não foi «uma arma contra a burguesia», que somos todos nós. A canção foi um serviço ideológico. E assim mesmo se menorizou, celebrando revolucionários, torcionários e genocidas, e suscitando quando muito leve e passageira irritação no seu alvo putativo.

A perda de José Mário Branco deve ser lamentada como a perda de um grande talento que se auto mutilou, que se pôs às ordens de agendas menores. Quem quiser ouvir uma amostra do que esse talento poderia ter sido deve ouvir «Gare de Austerlitz». É uma peçazinha instrumental de menos de 2 minutos, uma composição aparentemente simples, mas que abraça e nos transmite (e assim nos move) todos os sentimentos da emigração - a saudade, a esperança, a estranheza, o medo, a descoberta. Na «Gare de Austerlitz» -- o mais fundo e sentido do fado transmitido pelo mais doce do acordeão parisisense -- há mais grandeza artística, mais amor ao próximo, mais generosidade e talento do que em toda a obra de José Mário Branco. Foi pena.

Não há como evitar o risco

por João Távora, em 19.11.19

Não concordo que a culpa dos poucos que “sucumbem” e dos muitos que “resistem” seja da "sociedade capitalista" e duvido muito da solução que a Raquel Varela prescreve para pôr toda a gente de “espinha direita”. Porque no fundo não existe tal entidade com vontade própria chamada de “sociedade”, mas antes pessoas com as suas complexidades, forças e fragilidades, que só se poderão realizar (ou sucumbir) em Liberdade... Não há como evitar o risco sem fazer das pessoas marionetas. O resto, tudo bem.

Quem se importa, afinal?

por Corta-fitas, em 19.11.19

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Passo quase diariamente diante do Tribunal Criminal de Lisboa, em Monsanto, e de cada vez que o faço observo com estupefacção e incredulidade o estado degradado em que permanece — desde o julgamento Casa Pia (2004...) — o edifício, entrada e estacionamento do conjunto onde são deliberados assuntos que a todos interessam. Fica-se com a sensação consolidada de que o Ministério da Justiça é indiferente às condições de dignidade em que tais audiências devem ser feitas. Mas também é de notar que os contingentes de imprensa que ali se perfilam perdem a oportunidade para filmar tudo aquilo ao pormenor e expor à opinião pública até que ponto o Estado desleixa «a sua própria casa». É simplesmente impossível que ali se faça qualquer manutenção de pintura externa ou de jardinagem simplificada desde há muito, porque o abandono é patente. E no entanto uns e outros parecem conviver bem com essa degradação, e assim sendo...

Vasco Rosa

Escrutínio parlamentar, precisa-se!

por Corta-fitas, em 18.11.19

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Desconheço que actividade tem a Comissão de Cultura do parlamento português, ou que acção desenvolvem os assessores ditos culturais — se os há — dos partidos de centro-direita, mas não deixa de ser flagrante a ausência de escrutínio parlamentar às políticas de cultura dos governos de António Costa e seus aliados, diante do avolumar de casos de burocratização, desinvestimento ou do mais insultuoso desleixo patrimonial.

A recentíssima denúncia de que a maioria dos directores de museus e monumentos nacionais está em situação de precaridade por ausência de concursos, com todos os prazos legais ultrapassados para esse efeito — enquanto são forçados por lei nova a planos de actividade plurianuais que não sabem se eles ou outros vão cumprir —, é apenas um desses casos que raiam o absurdo de o próprio Estado não cumprir ele próprio leis que aprovou. Mas há bastante mais, desde a gravíssima e lastimosa situação da Biblioteca Nacional ao adiamento da renovação da lei do depósito legal de livros, da falta de uma campanha nacional de digitalização documental à medíocre mas bastante dispendiosa «internacionalização da cultura portuguesa», onde o clientelismo impera sem pudor, e milhões gastos de nada servem de facto. E claro — acima de tudo — a complacência e a tibieza com que vê empurrada com a barriga a permanência de um mentecapto «acordo ortográfico» com graves consequências educativas e culturais para as gerações do futuro.

Enfrentar e desmarcarar — e tão fácil é — o mais que propagandístico «amor da esquerda pela cultura» é algo que precisa de ser feito, e a chamada de ministros a prestar contas e esclarecer políticas deveria ser parte do trabalho parlamentar de quem não quer resignar-se a uma fatídica travessia de deserto.

Vasco Rosa

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Domingo

por João Távora, em 17.11.19

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas


Naquele tempo, comentavam alguns que o templo estava ornado com belas pedras e piedosas ofertas. Jesus disse-lhes: «Dias virão em que, de tudo o que estais a ver, não ficará pedra sobre pedra: tudo será destruído». Eles perguntaram-Lhe: «Mestre, quando sucederá isto? Que sinal haverá de que está para acontecer?». Jesus respondeu: «Tende cuidado; não vos deixeis enganar, pois muitos virão em meu nome e dirão: ‘Sou eu’; e ainda: ‘O tempo está próximo’. Não os sigais. Quando ouvirdes falar de guerras e revoltas, não vos alarmeis: é preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim». Disse-lhes ainda: «Há-de erguer-se povo contra povo e reino contra reino. Haverá grandes terramotos e, em diversos lugares, fomes e epidemias. Haverá fenómenos espantosos e grandes sinais no céu. Mas antes de tudo isto, deitar-vos-ão as mãos e hão-de perseguir-vos, entregando-vos às sinagogas e às prisões, conduzindo-vos à presença de reis e governadores, por causa do meu nome. Assim tereis ocasião de dar testemunho. Tende presente em vossos corações que não deveis preparar a vossa defesa. Eu vos darei língua e sabedoria a que nenhum dos vossos adversários poderá resistir ou contradizer. Sereis entregues até pelos vossos pais, irmãos, parentes e amigos. Causarão a morte a alguns de vós e todos vos odiarão por causa do meu nome; mas nenhum cabelo da vossa cabeça se perderá. Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas».


Palavra da salvação.

A ditadura do politicamente correcto

por João-Afonso Machado, em 15.11.19

Já em tempos idos me indignaram alterações produzidas no texto e no desenho de albuns de Hergé, como por exemplo o seu primeiro a cores, - Tintin no Congo, depois chamado Tintin em África.

No Congo porque, à época, - a Década de 20 do transacto século - essa uma possessão belga. Enfim, a coisa passou. Despercebidamente.

Leio agora nos jornais, a banda desenhada de Walt Disney - desde o Dumbo aos Aristogatos - vai também ser revista nos textos. O motivo, o mesmo, - inconveniências, desactualidade do discurso.

Falta apenas remexer os Lusíadas e rescrevê-los ao gosto das Joacires todas deste mundo. Afonsos de Albuquerque,e demais capangas, borda fora.

Um tal mundo que, afinal, não esqueceu o lápis azul, nem o vermelho. Um mundo que se quer - pretensiosamente - novo e livre do Passado.

Parece, esta tropa de doidos não percebeu o óbvio - a História contem o Passado, o Presente e o Futuro. Dentro da mobilidade do Tempo. Começá-la a partir de hoje é falseá-la.

Ou então, como procederia Estaline, manipulá-la. Já Jean François Revel escrevia, a arma do comunismo (hoje traduzido lato sensu) é privar os homens da visão histórica e utopista da História. Sem fronteiras de pensamento, o bicho socialista vive o seu dia-a-dia e não é contestado.

O tremendo Costa não é exactamente isto. Mas disto se serve para ser o que sabe ser - um reles politico.

 

O ressentimento como opção política

por henrique pereira dos santos, em 15.11.19

Susana Peralta escreve hoje no Público um artigo interessante, especialmente interessante pelo que não diz e não tanto pelo que diz.

O assunto é o englobamento das taxas liberatórias no rendimento geral e, do ponto de vista dos princípios eu não poderia estar mais de acordo com Susana Peralta: o ideal era simplificar os impostos e tornar tudo mais claro, razão, aliás, que me faz apoiar a proposta eleitoral da Iniciativa Liberal no sentido de englobar todos os rendimentos e taxá-los todos, acima de um limite, a 15%.

Logo no título, Susana Peralta diz ao que vem: a taxa liberatória é um presente para os 10% mais ricos.

Claro que tanto se pode dizer que as taxas liberatórias são um presente aos 10% mais ricos, como dizer que a possibilidade de englobamento voluntário é um presente aos outros 90%, mas essa hipótese não aparece no texto, apesar de ser a hipótese mais provável: o Estado, achando que taxar mais de 28% uma renda é um esbulho, permite, no entanto, que os contribuintes com menos rendimentos paguem ainda menos, englobando os rendimentos e pagando a taxa geral que pagam pelos restantes rendimentos.

Susana Peralta não se detém com essas minudências, o que a preocupa é que os ricos e o capital paguem mais que os outros e o trabalho, por isso, mesmo sendo professora numa escola de gestão, acha normal que em 1000 euros pagos por uma renda, 480 euros sejam para entregar ao Estado.

Num país completamente descapitalizado, com empresas e famílias descapitalizadas, com poupança em níveis preocupantemente baixos, o que o artigo não diz é que capital e trabalho são igualmente factores de produção que temos de valorizar, se queremos criar mais riqueza, pelo contrário, o que o artigo diz é, apenas, que os trabalhadores são umas vítimas da exploraçao capitalista e é preciso é ir buscar dinheiro onde ele existe.

Para o entregar a um Estado reconhecidamente mau gestor e com elevados níveis de corrupção. Não por ser um Estado, mas porque este em concreto é um Estado institucionalmente fraco e com um ódio de morte à liberdade e iniciativa das pessoas comuns.

Pelos vistos, não só somos pobres, como nas escolas de gestão se ensina como devemos continuar o caminho para sermos cada vez mais pobres, em termos relativos: obrigar os ricos a entregar ao Estado 480 euros de uma renda de mil e liquidar de vez a vontade de alguém poupar e investir.

A nova inquisição

por João Távora, em 14.11.19

conguitos.jpg

Ainda se recordam da polémica que envolveu Bernardo Silva, Benjamin Mendy e uma embalagem de Conguitos? Esta quarta-feira ficámos a saber que uma simples piada no Twitter envolvendo dois amigos, que esteve online durante exactamente 46 minutos no dia 22 de Setembro (Bernardo Silva apressou-se a apagá-la mal se apercebeu da polémica), custou ao jogador português 50 mil libras (cerca de 58 mil euros), um jogo de castigo no campeonato inglês e a necessidade de assistir a sessões de educação — ou, na preocupante expressão escolhida pelo The Guardian, que ainda soa mais totalitária e com cheirinho a lavagem cerebral num qualquer campo de reeducação para lá da Cortina de Ferro, Bernardo Silva “must undergo education”.

Note-se que o Manchester City, clube de Bernardo Silva e de Benjamin Mendy, protestou ligeiramente contra a decisão, mas engoliu o castigo e não vai recorrer, com medo de que ele possa ser agravado. O próprio Bernardo Silva fez o seu acto de contrição no processo, admitindo que o tweet poderia ser considerado ofensivo. Nem assim se safou. A federação inglesa afirma acreditar piamente que o jogador “lamenta as suas acções”, mas justificou o castigo com o facto de muitas das pessoas que viram a imagem “considerarem o seu conteúdo ofensivo devido à sua relação com raça, cor e origem étnica, de uma forma que inquestionavelmente desacredita o futebol”. Em resumo, Bernardo Silva disse que não queria ofender Mendy; Benjamin Mendy disse que não se sentiu ofendido; ambos reconheceram que são grandes amigos; a federação inglesa reconhece que ninguém queria ofender ninguém; mas nada disso foi suficiente para ultrapassar o facto de o tweet ter ofendido muita gente.

Se esta sequência (i)lógica, da multa de 50 mil libras ao jogo de castigo, já me parece bastante absurda, há um momento em que a decisão da federação inglesa salta para o campo da absoluta obscenidade e do assalto violento à consciência individual — quando decide obrigar o jogador “to attend a mandatory face-to-face education programme” no decorrer dos próximos quatro meses, declarando que se esse programa educativo “face a face” não for completado de forma satisfatória, Bernardo Silva será suspenso de todas as competições nacionais. Ou seja, um tipo que não é racista e que fez um tweet sem intenções racistas vai ter de ser ensinado a não ser racista porque muita gente o considerou racista. Em que mundo é que isto faz sequer vagamente sentido?

Pelos vistos, no perigoso mundo do século XXI.

Eu já assisti a manifestações repulsivas de racismo em campos de futebol, em particular quando demasiada gente na bancada decide imitar sons de babuínos para insultar jogadores adversários. Esse comportamento miserável deve ser combatido de todas as formas, encerrando estádios de futebol, se preciso for. No entanto, o futebol é um dos maiores trunfos contra o racismo que existem na nossa cultura, impondo uma comunhão de objectivos e de paixão entre pessoas de todas as cores. Haverá certamente muitos votantes de André Ventura que adoram as trivelas de Ricardo Quaresma, e todos sabemos que Eusébio e Mário Coluna já eram heróis portugueses quando os negros ainda eram diariamente explorados nas colónias africanas. Este caso dos Conguitos é a caça aos gambuzinos do racismo, e só é pena Bernardo Silva não poder mandar a federação inglesa meter o seu programa de reeducação no local em que ele merecia estar, porque ainda corria o risco de ofender mais uma minoria sensível.

João Miguel Tavares hoje no Público.

"(...) Mas uma pessoa não é definida apenas pelos seus actos. A monstruosidade de abandonar o filho à morte não transforma automaticamente aquela mulher num monstro. A condenação do acto não nos impede de olhar com misericórdia para uma humanidade de tal maneira desfeita e ferida que é capaz de um dos actos mais anti-naturais do mundo.

 

José Seabra Duque no Observador

Bebés no lixo

por João Távora, em 12.11.19

Tudo bem, temos de compreender as circunstâncias miseráveis da mãe que deitou o seu bebé no lixo. Nem que seja por Acção de Graças pelo milagre que foi o resgate do nascituro (os milagres sempre existem, é bom de ver), a mãe merece toda a nossa caridade (na acepção do termo) e uma oportunidade efectiva de recuperação da sua dignidade de filha legítima de Deus. Mas daí a fazerem dela uma heroína que foi mártir do sistema vai um grande passo. A hedionda atitude tem de ser sinalizada, até porque isso é fundamental para que a sua redenção seja autêntica.



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