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Domingo (Epifania)

por João Távora, em 06.01.19

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Retábulo da Basílica de São Tiago em Valência (Séc. XVI)

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus 


Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. «Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O». Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. Eles responderam: «Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo Profeta: ‘Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo’». Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos e pediu-lhes informações precisas sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela. Depois enviou-os a Belém e disse-lhes: «Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino; e, quando O encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-l’O». Ouvido o rei, puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O. Depois, abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra. E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho. 


Palavra da salvação. 

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Mudam-se os tempos...

por João Távora, em 05.01.19

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Numa pacífica manhã de sábado hoje passada com rituais nem sempre possíveis, logo depois do pequeno-almoço (em que ao fim-de-semana faço questão de comer torradas com manteiga) fui notificado no meu telemóvel da publicação da crónica do Alberto Gonçalves que li com gosto e divertido no telemóvel, já sentado na sala com boa música por companhia. Após me inteirar e responder a algumas mensagens no WhatsApp (aplicação culpada da vitória de Bolsonaro, dizem), pensei que estava na hora de ir comprar o Expresso, mas fiquei preso pelo artigo sobre o "Mata Sete", aquele hediondo crime ocorrido em 1987, no Observador. A manhã corria plácida, e ainda com o telemóvel na mão e o David Sylvian a tocar deliciosamente no gira-discos, inebriado pelo sol que entrava pela varanda, fui alertado por uma notificação dos e-mails do telefone da mensagem do "Macroscópio" do José Manuel Fernandes que li absorto, navegando por algumas ligações. Serviço público. Foi então que me lembrei de que ainda não tinha comprado o Expresso e que a tabacaria estava a fechar. Foi com algum esforço que contrariei o meu bem estar e fui à rua comprá-lo, agora que vem num inútil saco de papel. Resumindo, está minha tradição com décadas está por um fio. O Pedro Santos Guerreiro é um chato (para dizer o mínimo); e tirando o Pedro Mexia, os Henriques (Monteiro e Raposo) e a desconcertante Ana Cristina Pereira Leonardo, o tom geral do semanário é de uma snobismo bafiento - nós somos os maiores e a virtuosa ordem do mundo desmorona-se à nossa volta por culpa da internet e das redes sociais. Um conservador é um conservador, mas tem limites. E começo a sentir que este hábito se tornou num imposto à oligarquia. Nada de bom. 

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260 anos não apagam a memória

por João Távora, em 04.01.19

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Saiba mais aqui

 

«A aurora do dia 13 de janeiro de 1759 alvorejava uma luz azulada do eclipse d’aquelle dia por entre castellos pardacentos de nuvens esfumaradas, que a espaços saraivavam bategas de aguaceiros glaciaes. O cadafalso construido durante a noite, estava humido. As rodas e as aspas dos tormentos gottejavam sobre o pavimento de pinho. Ás vezes rajadas de vento do mar zuniam por entre as cruzes das aspas e sacudiam ligeiramente os postes. Uns homens que bebiam aguardente e tiritavam, cobriam com encerados urna falua carregada de lenha e barricas de alcateia, atracada ao caes defronte do tablado. Ás 6 horas e 42 minutos ainda mal se entrevia a facha escura com umas scintillações de espadas nuas, que se avisinhava do cadafalso. Era um esquadrão de dragões. O patear cadente dos cavallos fazia um ruído cavo na terra empapada pela chuva. Atraz do esquadrão seguiam os ministros criminaes, a cavallo, uns com as togas, outros de capa e volta, e o corregedor da côrte com grande magestade pavorosa. Depois urna caixa negra que se movia vagarosamente entre dois padres. Era a cadeirinha da Marqueza de Tavora, D. Leonor. Alas de tropa ladeavam o prestito, e á volta do tablado postaram-se os juizes do crime, aconchegando as capas das faces varejadas pelas cordas da chuva. Do lado da barra reboava o mugido das vagas que rolavam e vinham chofrar espumas no parapeito da caes. Havia uma escada que subia para o patíbulo. A marqueza apeou da cadeirinha, dispensando o amparo dos padres. Ajoelhou no primeiro degrau da escada, e confessou-se por espaço de 50 minutos. Entretanto rnartellava-se no cadafalso. Aperfeiçoavam-se as aspas, cravavam-se prégos necessarios á segurança dos postes, aparafuzavam-se as roscas das rodas. Recebida a absolvição. a padecente subiu, entre os dois padres, a escada, na sua natural attitude altiva, direita com os olhos fitos no espectaculo dos tormentos. Trajava de setim escuro, fitas nas madeixas grisalhas, diamantes nas orelhas e n’um laço dos cabellos, envolta em uma capa alvadia roçagante. Assim tinha sido presa um mez antes. Nunca lhe tinham consentido que mudasse camiza nem lenço do pescoço. Receberam-a tres algozes no topo da escada, e mandaram-a fazer um giro no cadafalso para ser bem vista e reconhecida. Depois mostraram-lhe um por um os instrumentos das execuções, e explicaram-lhe por miudo como haviam de morrer seu marido, seus filhos, e o marido de sua filha. Mostraram-lhe o masso de ferro que devia matar-lhe o marido a pancadas na arca do peito, as thesouras ou aspas em que se haviam de quebrar os ossos das pernas e dos braços ao marido e aos filhos, e explicaram-lhe como era que as rodas operavam no garrote, cuja corda lhe mostravam, e o modo como ella repuchava e estrangulava ao desandar do arrôcho. A marqueza então succumbiu, chorou muito anciada, e pediu que a matassem depressa. O algoz tirou-lhe a capa, e mandou-a sentar n’um banco de pinho, no centro do cadafalso, sobre a capa que dobrou devagar, horrendamente devagar. Ella sentou-se. Tinha as mãos amarradas, e não podia compôr o vestido que cahira mal. Ergueu-se, e com um movimento do pé consertou a orla da saia. O algoz vendou-a; e ao pôr-lhe a mão no pescoço, - não me descomponhas - disse ella, e inclinou a cabeça que lhe foi decepada pela nuca, de um só golpe.»

 

In "Perfil do Marquês de Pombal" de Camilo Castelo Branco em 1882, por ocasião do centenário da morte do minsitro de Dom José. 

 

 

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Para este próximo ano

por João-Afonso Machado, em 02.01.19

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A corvina, toda a vida, fora o mais formidável desempenho de barbatanas que o trazia preso à barra. Há quem diga, graças também ao exagero de algumas vozes mazinhas, a acrescentar-lhe o peso, a dignidade e a braveza do troféu, a delícia do pitéu. O certo é que empreendera na corvina.

E pontualíssimo, dia após dia, na foz, lançamento sobre lançamento, já não havia solha, cavala, sargo ou mesmo robalo (quando eles vêm em cardume, aos milhares, enormes), já nada sobrava para lhe satisfazer as aspirações. Senão a corvina.

Nunca a vira. Mas estudara-a, lera muito. Empenhou-se mesmo, para comprar a cana e o carreto adequados. Encheu o velho Opel Rekord de aparelhagens e iscos, cheques, sabão e víveres, o necessário para uma ausência prolongada. No carro dormia, no cais cozinhava e mirava o horizonte, conversava com as estrelas e as marés, com a lua... e infatigavelmente pescava.

Assim decorreu um ano todo. As gentes ribeirinhas segredavam entre si, aquilo ou enviuvara sem filhos, ou endoidecera. A criançada já esgotara a curiosidade de o espreitar, sempre igual.

Conheceu o fustigar das chuvas, as navalhadas do vento frio, o sol em brasa. Sem esmorecer. De coração posto na corvina, prateada, uma boca tubaranesca, para cima de uma arroba na balança... Assim ela entrasse no rio e se deixasse cativar pelos atractivos do seu anzol.

Está lá, neste exacto momento, o lutador. Viram-no receber a encomenda pesadíssima, um farto renovar do seu stock de apetrechos. E a um apiedado daquela fé, respondeu em vibrante entusiasmo - É já este ano!!!

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Fundo Florestal, dizem eles

por henrique pereira dos santos, em 02.01.19

Agora, porque várias pessoas o referiram a propósito do meu post sobre o Fundo Ambiental, aqui fica um exercício semelhante sobre o Fundo Florestal, um fundo criado em 2004, depois dos grandes fogos de 2003, e financiado em grande parte pelo consumo de combustíveis, que tinha como objectivos "apoiar a gestão florestal sustentável nas suas diferentes valências".

De acordo com o organismo que o gere, "Os principais objetivos do FFP são o de apoiar, de uma forma integrada, a estratégia de planeamento e gestão florestal, a viabilização de modelos sustentáveis de silvicultura e de ações de reestruturação fundiária, as ações de prevenção dos fogos florestais, a valorização e promoção das funções ecológicas, sociais e culturais dos espaços florestais, e ações específicas de investigação aplicada, demonstração e experimentação."  mas vejamos o que acontece na prática, lendo o Orçamento de Estado para 2019 e tendo em atenção que a floresta protuguesa é esmagadoramente gerida por privados, tem uma parte relevante gerida comunitariamente, e uma parte marginal gerida pelo Estado.

Artigo 169.º

Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, I. P.

O ICNF, I. P., enquanto autoridade florestal nacional, fica autorizado a transferir as dotações inscritas no seu orçamento, nos seguintes termos:

a) Para as autarquias locais, ao abrigo dos contratos celebrados ou a celebrar no âmbito do Fundo Florestal Permanente;

b) Para a GNR, com vista a suportar os encargos com a contratação de vigilantes florestais no âmbito do Fundo Florestal Permanente;

c) Para o Ministério da Defesa Nacional, com vista a suportar os encargos com ações de vigilância e gestão de combustível em áreas florestais sob gestão do Estado, ao abrigo de protocolo a celebrar no âmbito do Fundo Florestal Permanente.

...

26 - Transferência do Fundo Florestal Permanente para o orçamento do IFAP, I. P., até ao montante de 12 000 000 (euro), para o cofinanciamento nacional do apoio a projetos de investimento florestal, no âmbito do PDR 2020, proveniente de saldos de gerência, nos termos a definir por despacho dos membros do Governo responsáveis pelas áreas das finanças e da agricultura. (a parte que é atribuída para as verdadeiras funções do Fundo Florestal)

27 - Transferência do Fundo Florestal Permanente para o orçamento do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, I. P. (ICNF, I. P.), até ao montante de 20 000 000 (euro), para o financiamento de ações no domínio da defesa da floresta e da recuperação das áreas ardidas, proveniente de saldos de gerência, nos termos a definir por despacho dos membros do Governo responsáveis pelas áreas das finanças e da agricultura.

28 - Transferência de verbas do Fundo Florestal Permanente para o orçamento do ICNF, I. P., até ao montante de 13 538 392 (euro), para ações de prevenção estrutural e recuperação de áreas ardidas sob a sua gestão, nos termos a definir por despacho dos membros do Governo responsáveis pelas áreas das finanças e da agricultura.

...

58 - Transferência de verbas inscritas no orçamento do ICNF, I. P., no âmbito do Fundo Florestal Permanente, até ao limite de 3 716 675 (euro), para a GNR, com vista a suportar os encargos com a contratação de vigilantes florestais.

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Feliz Ano Novo!

por João Távora, em 31.12.18

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Estava á espera que algum dos meus colegas de blog hoje escrevesse alguma coisa de verdadeiramente inteligente sobre o ano velho que agora finda e o novo que desponta daqui a umas horas, mas nicles. Assim tive de interromper o réveillon à moda antiga que organizei em minha casa (na foto) para vir aqui escrever estas singelas palavras. Bom ano novo para todos os nossos leitores, que o Sporting seja campeão e que a direita não perca por muitos, são os meus mais sinceros votos.

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Fundo Ambiental, dizem eles

por henrique pereira dos santos, em 31.12.18

Quando alguém perguntar porque arde o país, porque escasseia a economia no interior, porque falta emprego no mundo rural, porque não se paga a gestão dos serviços de ecossistema a quem a faz, e essas pequenas coisas que um Estado decente tenderia a pagar por razões de coesão social, coesão territorial e soberania, penso que bastará fazer o que agora vou fazer: citar a finalidade e objectivos do Fundo Ambiental, e depois citar no que se traduz na prática.

Por mim, tenho uma proposta simples há bastantes anos (nem é nada original, lembro-me de a ter copiado de um país decente): o Estado financia-se através do Orçamento de Estado, o acesso a fundos autónomos e com objectivos específicos como o Fundo Ambiental ou o Fundo Florestal Permanente deve estar totalmente vedado a todas as entidades em que o Estado tenha um peso superior a 15%.

O Fundo financia entidades, atividades ou projetos que cumpram os seguintes objetivos:

a) Mitigação das alterações climáticas;
b) Adaptação às alterações climáticas;
c) Cooperação na área das alterações climáticas;
d) Sequestro de carbono;
e) Recurso ao mercado de carbono para cumprimento de metas internacionais;
f) Fomento da participação de entidades no mercado de carbono;
g) Uso eficiente da água e proteção dos recursos hídricos;
h) Sustentabilidade dos serviços de águas;
i) Prevenção e reparação de danos ambientais;
j) Cumprimento dos objetivos e metas nacionais e comunitárias de gestão de resíduos urbanos;
k) Transição para uma economia circular;
l) Proteção e conservação da natureza e da biodiversidade;
m) Capacitação e sensibilização em matéria ambiental;
n) Investigação e desenvolvimento em matéria ambiental.

O Fundo pode estabelecer mecanismos de articulação com outras entidades públicas e privadas, designadamente com outros fundos públicos ou privados nacionais, europeus ou internacionais, relacionados com o desenvolvimento de políticas ambientais para a prossecução dos objetivos do desenvolvimento sustentável.

57 - Transferência do Fundo Ambiental para o IHRU, I. P., no valor de 250 000 (euro), para realojamento das primeiras habitações dos pescadores da Ria Formosa.

58 - Transferência de verbas inscritas no orçamento do ICNF, I. P., no âmbito do Fundo Florestal Permanente, até ao limite de 3 716 675 (euro), para a GNR, com vista a suportar os encargos com a contratação de vigilantes florestais.

...

60 - Transferência do Fundo Ambiental para a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo, até ao valor de 35 000 (euro), para apoio a projetos a desenvolver no âmbito da Economia Circular, mediante protocolo a celebrar.

61 - Transferência do Fundo Ambiental para a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, até ao valor de 35 000 (euro), para apoio a projetos a desenvolver no âmbito da Economia Circular, mediante protocolo a celebrar.

62 - Transferência do Fundo Ambiental para a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, até ao valor de 35 000 (euro), para apoio a projetos a desenvolver no âmbito da Economia Circular, mediante protocolo a celebrar.

63 - Transferência do Fundo Ambiental para a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, até ao valor de 35 000 (euro), para apoio a projetos a desenvolver no âmbito da Economia Circular, mediante protocolo a celebrar.

64 - Transferência do Fundo Ambiental para a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, até ao valor de 35 000 (euro), para apoio a projetos a desenvolver no âmbito da Economia Circular, mediante protocolo a celebrar.

65 - Transferência do Fundo Ambiental para a Direção Regional do Ambiente da Região Autónoma da Madeira, até ao valor de 70 000 (euro), para apoio a projetos a desenvolver no âmbito da Economia Circular, mediante protocolo a celebrar.

66 - Transferência do Fundo Ambiental para a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte de 5 700 000 (euro), para os efeitos previstos na Resolução do Conselho de Ministros n.º 98/2017, de 7 de julho, que autoriza a realização da despesa com a aquisição de serviços para a remoção de resíduos perigosos remanescentes depositados nas escombreiras das antigas minas de carvão de São Pedro da Cova.

67 - Transferência do Fundo Ambiental para o Fundo de Serviço Público de Transportes, até ao valor de 3 000 000 (euro), para apoio a projetos de melhoria das condições de serviço público de transportes.

68 - Transferência, até ao valor de 150 000 (euro), do Fundo Ambiental para a realização do «Projeto Reabilitar como Regra», compreendendo o apoio à rede de pontos focais, mediante protocolo, nos termos da Resolução do Conselho de Ministros n.º 170/2017, de 9 de novembro, que determina a realização do «Projeto Reabilitar como Regra».

...

75 - Transferência, até ao limite de 100 000 (euro), do Fundo Ambiental para a Transtejo - Transportes Tejo, S. A., para adaptação da frota de navios para transporte de bicicletas, no sentido de aumentar a mobilidade sustentável no transporte fluvial.

76 - Transferência, até ao limite de 40 000 (euro), do Fundo Ambiental para a Soflusa - Sociedade Fluvial de Transportes, S. A., para adaptação da frota de navios para transporte de bicicletas, no sentido de aumentar a mobilidade sustentável no transporte fluvial.

77 - Transferência de 10 500 000 (euro), do Fundo Ambiental para o Metropolitano de Lisboa, E. P. E., para financiamento da aquisição de material circulante e do sistema de sinalização.

78 - Transferência, até ao limite de 3 800 000 (euro), do Fundo Ambiental para a Metro do Porto, S. A., para financiamento da aquisição de material circulante.

79 - Transferência, até ao limite de 781 053 (euro), do Fundo Ambiental para a Transtejo, S. A., para financiamento do Projeto de Renovação da Frota da Transtejo.

80 - Transferência de receitas do Fundo Ambiental, até ao limite de 15 764 200 (euro), do Fundo Ambiental, para financiamento do Projeto de Expansão da Rede do Metropolitano de Lisboa, E. P. E.

81 - Transferência de receitas do Fundo Ambiental, até ao limite de 24 248 400 (euro), do Fundo Ambiental, para financiamento do Projeto de Expansão da Rede da Metro do Porto, S. A.

82 - Transferência de receitas do Fundo Ambiental, até ao limite de 5 103 000 (euro), do Fundo Ambiental para a CP - Comboios de Portugal, E. P. E. (CP, E. P. E.), para financiamento da aquisição de material circulante.

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Domingo - Da Sagrada família

por João Távora, em 30.12.18

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas 


Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. Quando Ele fez doze anos, subiram até lá, como era costume nessa festa. Quando eles regressavam, passados os dias festivos, o Menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem. Julgando que Ele vinha na caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-l’O entre os parentes e conhecidos. Não O encontrando, voltaram a Jerusalém, à sua procura. Passados três dias, encontraram-n’O no templo, sentado no meio dos doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas. Todos aqueles que O ouviam estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas. Quando viram Jesus, seus pais ficaram admirados; e sua Mãe disse-Lhe: «Filho, porque procedeste assim connosco? Teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura». Jesus respondeu-lhes: «Porque Me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?». Mas eles não entenderam as palavras que Jesus lhes disse. Jesus desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso. Sua Mãe guardava todos estes acontecimentos em seu coração. E Jesus ia crescendo em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens. 


Palavra da salvação. 

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História de um país pobre

por henrique pereira dos santos, em 30.12.18

"No circunstacialismo de tempo e lugar acima exarados, na sequência de uma denúncia para a linha SOS e Ambiente, ..., a denunciar a falta de gestão de combustíveis, este Núcleo deslocou-se ao local. No local constatou-se que não foi criada a descontinuidade horizontal e vertical da carga de combustível, através da modificação ou da remoção parcial ou total da biomassa vegetal, nomeadamente por corte ou remoção, por forma a criar uma rede de faixas de combustível, uma vez que o estrato arbóreo se encontra sobre a referida artéria, bem como as edificações."

Este é o texto parcial de um auto de notícia que me foi remetido pela vítima da prepotência do Estado que a absurda política de gestão do fogo tem vindo a criar e fomentar.

Para sustentar a tese do auto, os senhores guardas fotografam a situação que consiste em ter umas tílias, dentro de uma propriedade murada, separada dos edifícios próximos por uma estrada estreita, cuja copa se estende para cima da rua e, marginalmente, dos edifícios. A fotografia do auto é tirada de fora do muro e diz nada sobre a gestão de combustíveis, apenas mostra uma tília com uma copa magnífica por cima de um muro.

Do lado de dentro do muro, o risco de incêndio pode ser avaliado por esta fotografia

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Mas como a vítima da prepotência do Estado posta ao serviço das mesquinhices da vizinhança não quer complicações, ainda assim desramou a tília

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Pois, ainda assim, os vizinhos não descansam e querem que o Estado obrigue a vítima a cortar as tílias.

Ou seja, se por acaso a vítima ceder (e eu espero que não) o que vamos ter no fim é a destruição de património paisagístico relevante, provocado por quezílias entre vizinhos, suportadas na má aplicação da lei pelo Estado, e exactamente o mesmo risco de incêndio que, neste caso, em Macieira da Maia, é um risco ridículo porque as áreas florestais estão totalmente cercadas de áreas agrícolas intensamente usadas e por tecido urbano disperso, isto é, com uma elevadíssima descontinuidade de combustíveis.

Quando alguém achar que ganha muito pouco, sendo isso frequentemente verdade, talvez valha a pena explicar-lhe que isso não é uma fatalidade, é uma escolha nossa, de sociedade, ao sermos mansos e coniventes com um Estado que (descrevo para este assunto, mas na realidade é verdade para dezenas de outros assuntos):

1) Trata a gestão do fogo como um problema de segurança interna e não um problema de gestão do território e uma falha de mercado;

2) Por causa disso adopta uma filosofia de gestão absurda, ineficaz e extremamente cara;

3) Por ser ineficaz, mas ser objecto de avaliação paupérrima, o Estado vai investindo no reforço do absurdo, mantendo a ineficácia, mas aumentando o custo;

4) Por ter uma filosofia de gestão absurda, legisla excessiva e estupidamente sobre o assunto porque o problema nunca mais se resolve;

5) Por legislar estupidamente sobre o assunto, o cumprimento da lei é residual e dura o tempo de um ou dois anos depois de grandes fogos, porque cumprir a lei implicaria arruinar pessoas, sem qualquer vantagem social;

6) Porque a lei não é cumprida (naturalmente) o Estado reforça os mecanismos de fiscalização, mas como tem uma filosofia absurda de abordagem do assunto, entrega essa fiscalização a quem não tem competência técnica para entender a lei e, muito menos, a forma de a aplicar (desviando estes recursos de fiscalização das tarefas que realmente deveriam estar a fazer);

7) E porque tudo isto se passa assim, o Estado gasta recursos imensos, aplicando-os nas coisas erradas, provocando ineficiências de gestão brutais, sem qualquer vantagem social relevante.

E isto é um fardo que contribui pesadamente para a nossa pobreza: um Estado ineficiente, a precisar sempre de mais recursos, para os aplicar de forma prepotente, ignorante e, neste caso, bastante estúpida, prejudicando as pessoas e a economia, quer porque induz ineficiência no processo produtivo, quer porque retira recursos a mais através dos impostos, sem com isso resolver o problema social que está na base da sua intervenção.

E nós achamos isto bem, ao mesmo tempo que nos queixamos do único resultado que é possível obter da forma como nos organizamos: a pobreza, quer económica, quer, como neste caso, patrimonial.

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A vanguarda monárquica

por João Távora, em 29.12.18

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A ler o artigo "Integralismo e Modernismo" de Diogo Ramada Curto publicado hoje na revista do Expresso sobre a rejeição da república e do seu puritanismo conservador "pelos homens de arte livre, os humoristas, os modernistas e futuristas"; da influência de Maurras ao Municipalismo nos escritores e artistas de vanguarda do primeiro quartel do séc XX - a maior parte assumidamente monárquicos, de Amadeo de Souza-Cardoso, passando por Fernando Pessoa, Almada Negreiros, Alberto Monsaraz, António Sardinha, Luís de Almeida Braga, Santa-Rita, Hipólito Raposo, Cortes-Rodrigues etc...  

A realidade é muito mais complexa do que a pintamos.

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Parvoíces mascaradas de notícias

por José Mendonça da Cruz, em 29.12.18

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Esta é uma fotografia de 2008, e - a acreditar no que se disse agora da viagem de Trump ao Iraque - mostra Obama, ainda senador, «a fazer campanha eleitoral junto das Forças Armadas».

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Esta é uma fotografia de 2012, e mostra a primeira dama, Michelle Obama - segundo o que se diz agora da viagem de Trump ao Iraque - «a fazer campanha eleitoral junto das Forças Armadas» nos EUA.

A primeira fotografia também mostra - segundo o que se diz agora da viagem de Trump ao Iraque - Obama a revelar as caras de soldados em localizações e missões secretas.

Seguidamente, alguns pormenores que era fácil verificar, mas os palermas de serviço nos media não verificaram, porque leram a Newsweek ou o Guardian e ficaram muito excitados:

- toda a gente sabia que há Navy Seals no Iraque; a sua presença não é secreta (covert); se fosse «covert» nunca apareceriam, nem perante o presidente, porque «covert» significa a possibilidade de negar a autoria de qualquer acção ou sequer a presença;

- os militares que aparecem junto a Trump na foto do seu tweet não são Seals, são da 3ª divisão de infantaria;

- e sim, é claro que depois de criticarem Trump por nunca ter visitado tropas americanas destacadas para teatros de guerra, os media das fake news necessitavam agora de criticar Trump por ter visitado tropas americanas destacadas para teatros de guerra. Passarão a seguir para a «construção do muro» que, no entanto,  já está meio construído por Clinton e Obama. Estes jornalistas estão próximos em sagacidade e conhecimento daquele rapper que comparava o muro EUA/México ao Muro de Berlim «construído pelos nazis», ou da infeliz que o comparava à muralha de Adriano (a qual, para infortúnio dela, serviu integralmente os seus propósitos).

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2% (pelo menos)

por henrique pereira dos santos, em 28.12.18

"Em declarações ao Público, Pedro Soares, do BE, explica que "ninguém aceitaria que apenas 2% dos serviços de saúde ou dos serviços de educação estivessem sob responsabilidade do Estado", pelo que diz não compreender "como é que se pode aceitar que, no caso da habitação, que é igualmente um direito definido na Constituição, tal possa acontecer"."

Como os direitos definidos na Constituição são muitos e variados, usemos antes a lista de Sérgio Godinho: "A paz, o pão, a habitação, saúde, educação" para discutir a ideia de Pedro Soares e do BE.

Admitamos que há um consenso muito alargado sobre o papel do Estado na garantia da paz e vejamos o que diz Pedro Soares sobre a garantia dos outros direitos, saltando por cima do facto de Pedro Soares, apesar de apenas representar 10% do eleitorado, achar que a sua opinião é a opinião de toda a gente ("não há ninguém que", etc.).

Pedro Soares acha inacreditável que o Estado quase não tenha terras a produzir cereais, não ter moagens e não ser dono de muito mais que 2% das padarias do país, visto que o pão é um direito tão central como a habitação, saúde e a educação.

E tem muita razão: só o facto do Estado se ter demitido da produção, fabrico e distribuição de pão explica a tremenda escassez de pão que se encontra pelo país, e que essas actividades sejam completamente dominadas pelos interesses que só pensam no lucro, sem a menor consideração pelo bem comum, transformando a produção, fabrico e distribuição de pão num negócio privado.

Estou com Pedro Soares, é completamente inaceitável.

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O presente de Natal do BE e do Público

por Vasco Mina, em 26.12.18

O jornal Público e o BE optaram por um presente diferente neste Natal: a Eutanásia. Sim, a edição de 24 de Dezembro tem como um dos subtítulos: “BE faz da eutanásia um compromisso para as legislativas”. Nas páginas interiores uma longa entrevista com José Manuel Pureza, deputado do BE e um dos principais defensores da legislação em favor da despenalização desta prática. No jornalismo e na política nada acontece por acaso ou, no caso, por distração de data. Assim, colocar esta entrevista, na capa do jornal, na véspera de Natal, é uma opção editorial e ideológica. Também não deixa de ser relevante que o referido deputado não tenha sido confrontado com a opinião do Papa Francisco sobre a eutanásia; não, não foi uma distração, mas sim uma opção conveniente quer para a opinião do referido deputado quer para a opção editorial do jornal pois assim não assumiram uma rota de colisão com aquilo que o Papa defende; tal confronto não seria conveniente quer para os leitores mais distraídos quer para o desejado apoio eleitoral em ano de eleições. Para os que não tenham presente o que o Papa Francisco pensa sobre a eutanásia refiro a sua intervenção quando ocorreu o caso do pequeno Alfie Evans: “Gostaria de repetir e confirmar, com força, que o único dono da vida, do início ao fim natural é Deus”. Mais, a opção pela eutanásia “é sempre errada, na medida em que a intenção da eutanásia é causar a morte”. Felizmente, vivemos num país livre com total liberdade política e editorial. Compete aos jornalistas e aos políticos manifestarem as suas opções e, com a mesma liberdade, compete aos leitores e eleitores acompanharem, ou não, as linhas editoriais e políticas. Obviamente, não acompanho!

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O dia seguinte

por João Távora, em 26.12.18

A manhã despertou com uma luz cinza, desolada, profana: nem ouvi o sino tocar na igreja aqui ao lado. Vejo a praceta deserta da minha janela, onde junto aos caixotes do lixo esvoaçam uns farrapos de papel de embrulho colorido e rolam garrafas vazias, despojos da véspera. No parque em frente uma solitária criança aplica-se afoita no baloiço, num vai e vem estonteante e sincopado, insistente. Desconfio que ela preserva os seus olhos onde ainda brilha o milagre do Natal que foi ontem. Nas crianças é que depositamos a nossa esperança, não é verdade?

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Paz na terra aos homens de boa vontade

por João Távora, em 25.12.18

Mesas-de-natal.jpg

Curioso é como por estes dias se ouve demasiada gente preocupada com a exibição de muita hipocrisia e incoerência. As festas familiares às vezes forçadas induzem essa percepção. Pela minha parte não vejo as coisas assim: sendo os maus sentimentos e vulnerabilidades inevitáveis no relacionamento interpessoal por via da complexidade humana (que é nossa riqueza, também) julgo que a festa do Natal justifica que as pessoas contrariem gestos e atitudes que reflitam esses "desamores" e conflitos. Se os nossos sentimentos não são controláveis, os juízos que deles emanam envenenados são-no; e o que nos resta fazer é agir contrariando-os com vista à harmonia. 

Como se pode exigir a paz no mundo se não a conseguimos implementar nem que seja por um dia nas nossas vidas? Bendita hipocrisia nos permite conviver com os outros. O que seria se assumissemos sempre as palermices que nos passam pelo traiçoeiro coração...

Um Santo Natal para todos os leitores são os meus votos. 

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Bom Natal!

por João-Afonso Machado, em 24.12.18

NATAL.jpeg

Vivo o Natal de um modo decerto diferente da maioria das pessoas. Para mim, o Natal é, sobretudo, saudade. É, e quero que continue a ser - muito limitado quanto a alegrias.

No entanto, imensamente agradado por muitos - quase todos - fazerem desta época um momento de bem-estar espiritual e convívio familiar, aqui deixo expresso o meu voto de uma Festa feliz em que reine o Deus Menino.

Para lá de todas as vicissitudes, a inabalável certeza do Presépio.

A todos - parceiros do Corta-Fitas, leitores do blog e os mais, - um Santo Natal, as maiores felicidades... e Paz!

 

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Domingo - 4º do Advento

por João Távora, em 23.12.18

Visitation_aux_2_foetus_zoom.jpg

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

 

Naqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se apressadamente para a montanha, em direcção a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio. Isabel ficou cheia do Espírito Santo e exclamou em alta voz: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Na verdade, logo que chegou aos meus ouvidos a voz da tua saudação, o menino exultou de alegria no meu seio. Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor».

Palavra da salvação.

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Reverentes e obrigados

por João Távora, em 22.12.18

Coletes amarelos.jpg

Ontem passei a manhã nas finanças de Cascais a resolver um problema da minha mãe onde estava seguramente mais gente à espera de ser atendida que na manifestação dos “coletes amarelos” à portuguesa (um embaraçoso equívoco) no Marquês de Pombal. Às tantas naquele ambiente macambuzio e coibido ouvi um colega de infortúnio perante a perspectiva de passar o resto do dia ali retido desabafar à sua companheira que “é melhor ficarmos, que isto com as finanças não se brinca”. Todos sabemos o que pode acontecer se cairmos em desgraça às mãos da inquisidora e eficiente máquina tributária. Foi antes de sair de lá com o preciosos impresso que me custou uma manhã de trabalho, que me chegou pelas redes sociais a iconográfica fotografia dos Coletes Amarelos cercados pelas forças da ordem na Rotunda, e foi então que me consciencializei de como o Poder está confortavelmente respaldado na eficiência destes dois vectores: a Máquina Tributária e as Forças da Ordem. No fundo o Estado bem pode falhar na justiça, na saúde, nas catástrofes, podemos continuar pobres e exauridos, mas a ordem está garantida: a oligarquia que nos pastoreia tem a faca e o queijo na mão.

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Deixem arder, por favor

por henrique pereira dos santos, em 22.12.18

A confirmarem-se as previsões que vejo hoje, e a ser certa a interpretação que faço do que vejo (o que está longe de ser seguro, não é uma área de que perceba muito), suspeito que entre o Natal e o Ano Novo haverá bastante área a ser objecto de queimadas.

A questão do post não é se esta previsão tem boas ou más probabilidades de estar certa, mas o apelo que faço agora e que é válido para qualquer altura em que as condições sejam razoáveis para queimar no Inverno: por favor, senhores da protecção civil, senhores comandantes dos bombeiros, senhores autarcas, senhores do ICNF, senhores jornalistas e senhores decisores, deixem arder, não corram a apagar estes fogos.

A menos que exista risco real, imediato e concreto de afectação de pessoas, infraestruturas, edifícios ou povoamentos florestais cujo valor social ou económico seja diminuído por estes fogos, deixem arder, controlem só o desenvolvimento da queimada, avaliem friamente a evolução que é possível esperar da queimada, para proteger os valores citados mas, na medida do razoável, deixem arder.

Arder agora, nas condições que se prevê que existam entre o Natal e o Ano Novo, é contribuir para os 50 mil hectares anuais de fogo controlado (é verdade que estas queimadas não são um fogo controlado, mas funcionalmente são muito semelhantes e desempenham o mesmo papel) que o Plano Nacional de Fogo Controlado tem como objectivo e, de forma mais substancial, é contribuir para uma gestão de combustíveis que nos permita ganhar controlo sobre o fogo, diminuindo o risco dos dias de meteorologia extrema que existem quase sempre no Verão.

E, ao Governo, talvez não seja pedir muito pedir que se deixe do discurso do Portugal sem fogos e passe a um discurso em que claramente se explique que as opções não são entre arder ou não arder, as opções são entre arder agora, de forma serena, sem efeitos relevantes sobre o solo e a biodiversidade, em mosaicos na paisagem, ou arder violentamente no Verão, de forma contínua e intensa, calcinando tudo pelo caminho e degradando o solo e toda a vida que contém, quando está de boa saúde.

Arder agora é uma vacina que a paisagem toma para evitar a doença no Verão.

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EM DUAS PENADAS É ISTO:

por Vasco Lobo Xavier, em 19.12.18

A história conta-se em duas penadas. Há uns anos atrás o PSD mandou Rui Rio fazer o papel de idiota útil e vir para o Porto perder as autárquicas para Fernando Gomes. Ele prestou-se ao papel e, sem saber como, o pântano de Guterres foi completamente varrido por todo o país e caiu-lhe em sortes no regaço a Câmara do Porto, município para o qual não tinha qualquer ideia ou proposta para além do combate aos agentes da cultura, ao FCP, e umas vagas ideias confusas sobre o Parque da Cidade. O Parque da Cidade foi uma das coisas boas que se ficaram a dever a Fernando Gomes, que conseguiu que os proprietários privados, confiantes e de boa fé, permitissem a sua criação e fruição pelas pessoas antes de ficarem concluídos todos os acordos firmados. Rio não fez caso e rasgou os acordos em tirinhas, o que deu origem a diversos processos judiciais cujo destino viria a ser, indubitavelmente, o insucesso. Perante tal cenário, foram-se fazendo novas combinações, gastando-se milhões ao contribuinte, e Rio saiu do palco de rabinho entre as pernas. Vem daí o seu ódio à justiça e aos tribunais.

Daí que não se possa estranhar que o seu sonho, agora claramente manifestado, seja poder controlar o poder judicial (não tenhamos ilusões, é disso que se trata quando este PS e o PSD pretendem alterar os estatutos dos magistrados judiciais e os dos magistrados do Ministério Público). É bem certo que o PS acabou por deixar Rio a falar sozinho e a fazer as tristes figuras a que nos tem vindo a habituar mas também aqui não tenhamos ilusões: com a habilidade trapaceira que se lhes deve reconhecer, Costa e o PS voltarão à carga pois também sonham controlar o poder judicial (coisa que não têm logrado alcançar apenas com a pressão remuneratória, face à qualidade e honradez da maioria dos magistrados). Convirá não esquecer: Costa é aquele a quem telefonavam a pedir batatinhas aquando do inquérito do abuso sexual a menores desprotegidos, Ferro Rodrigues era o que na mesma altura pretendia evacuar (batatas também?) sobre o segredo de justiça, e os seus actuais apaniguados são praticamente os mesmos que acompanharam alegremente Sócrates no seu demencial percurso. Não me surpreende a campanha do PS e de Rui Rio, embora confesse estranhar bastante que esta seja a posição do PSD, mas é lá com eles.

A suposta separação de poderes e independência do poder judicial na verdade não existe completamente quando o poder legislativo e o executivo desrespeitam permanente o poder judicial (e têm-no feito, sempre, quer pela via remuneratória quer pela questão dos seus estatutos, praticamente imutáveis há mais de 30 anos). No fundo manda quem pode, obedece quem deve. Foi assustadora e muito perigosa a não recondução da melhor Procuradora-Geral da República que o país teve em muitos anos (e não me venham com inexistentes critérios formais). É igualmente assustadora e muito perigosa esta tentativa recente de criticar a actual Procuradora-Geral da República por ter dito o óbvio, aquilo que qualquer pessoa com coluna vertebral diria (simplificando: aceitei o cargo e as funções dentro de um determinado quadro e cenário, não o farei se o alterarem).  

Perante os políticos que temos, perante este PS e este PSD, a sociedade civil (e a comunicação social mas esta, neste país, vale quase nada e ainda mendiga esmola aos contribuintes) deveria estar atenta ao que se está a passar. A sociedade civil e o Presidente da República mas este, como se tem visto, também tem valido de muito pouco…

 

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