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Vitor Bento

por Jose Miguel Roque Martins, em 26.06.20

Não conheço nem nunca vi Vítor Bento. Mas tenho ao longo dos anos tido o enorme prazer de ler e ouvir o que ele tem para dizer. Hoje, comecei o dia a ouvir uma entrevista que deu á rádio Observador. Mesmo quando não concordo plenamente com ele, fico deliciado com a sensatez, conhecimento e inteligência dos seus argumentos.

É maior a reverência longínqua, diziam os Romanos. Estou, no entanto, plenamente convencido que Vítor Bento, como muitos outros, é mais um caso de desperdício nacional de talento e capacidade. Não que a sua carreira não seja brilhante.  Mas parece-me que, para além da sua enorme dimensão intelectual e enquanto economista, é, naturalmente, um Estadista.

Quando olhamos para a qualidade dos políticos que nos tem governado ao longo dos anos, é automático fazer a pergunta: como é possível que Portugal possa desperdiçar o contributo de pessoas como Vítor Bento na mais alta condução dos assuntos nacionais?

Esta noção de que, potencialmente, nada falta para sermos um tremendo País mas nos contentamos com a mediocridade do bom aluno que chumba no fim do ano, deprime-me.

A OMS e os gambuzinos

por henrique pereira dos santos, em 26.06.20

Por razões que francamente não entendo, a OMS continua à procura de Gambuzinos.

Quanto ao ressurgimento de casos na Europa, o melhor mesmo é olhar para a mortalidade excessiva no Euromomo

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Quanto à aceleração global da pandemia, o melhor é olhar para a mortalidade registada como Covid.

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Infelizmente não existe uma espécie de euromomo global que nos permitisse saber como está a mortalidade excessiva, o máximo que podemos é comparar os cerca de 5 200 mortos diários covid dos últimos dias com a média diária global de mortos no mundo que deve andar pelos 150 000 (quase 50 mil por doenças cardiovasculares, 25 mil de cancro, 10 mil de doenças respiratórias, 7 mil de doenças respiratorias infecciosas - que inclui a gripe -, etc., se os dados desta página estiverem razoavelmente certos).

Dissonâncias

por henrique pereira dos santos, em 26.06.20

Para combater o facto de haver, como seria de esperar, um número apreciável de testes positivos de pessoas assintomáticas, resultantes em primeiro lugar da coabitação, o governo resolveu, outra vez, recorrer à patusca figura jurídica do dever cívico de recolhimento.

Como evidentemente não faz sentido nenhum que pessoas que não estão doentes sejam impedidas de trabalhar, esse dever, na periferia operária de Lisboa, Amadora, Odivelas e parte de Sintra, tem várias excepções, uma das quais resulta de se determinar que não existe esse dever para se ir trabalhar.

Eu não sei bem quem contrataram para desenhar as medidas de gestão da epidemia, mas sei que é gente com muito sentido de humor.

Depois de determinarem que crianças têm de manter distâncias sociais nas creches e escolas, depois de determinarem num dia que os supermercados fecham às oito e no dia seguinte já podem fechar às dez agora fizeram umas regras que sugerem que as milhares de pessoas que se levantam às cinco e seis da manhã (ou antes) na Amadora, Odivelas, Sintra, etc., o fazem para ir jogar golfe ou para ir à caça, de maneira que o relevante para gerir a epidemia é regular essas saídas de casa.

Só que temos gente de inegável bom senso a desenhar este rendilhado de medidas administrativas e por isso, com certeza, é preciso equilibrar as regras para que as poucas pessoas que vão trabalhar possam continuar a sua vida.

É que se em vez destas regras se deixasse as pessoas gerir as suas vidas e se reforçassem os mecanismos dos sistemas de saúde para tratar dos doentes, de certeza que finalmente se materializariam os cenários apocalípticos que nos andam a prometer desde o início e que teimam em não se verificar em lado nenhum.

Lesivos

por José Mendonça da Cruz, em 25.06.20

O que se ouve nas tvs sobre a questão da TAP, cujos equivalentes já estão resolvidos segundo o interesse nacional nos países desenvolvidos, é a linguagem desadequada do ministro Santos, sempre ideológica, sempre ofensiva e suspiciosa da iniciativa privada, sempre estranha ao interesse nacional; e as fluentes patetices de Catarina Martins, que acha que o accionista privado da TAP é «lesivo».

É assim mesmo que se garante a falência de uma empresa interessante em particular, a fuga do investimento em geral, e a pobreza no fim.

Se cá nevasse fazia-se cá ski

por henrique pereira dos santos, em 25.06.20

Onde se dá o grosso da transmissão da covid?

Em coabitação.

O que pretendem as medidas que têm vindo a ser tomadas?

Que aumente o tempo de contacto na coabitação.

Eu sei qual é o argumento usado para defender isto: só há transmissão em coabitação porque alguém foi infectado fora de casa, se ninguém sair de casa, quebramos a cadeia de contágio e resolve-se o problema do contágio em coabitação.

Como lá muito atrás dizia um cientista sobre esta epidemia, é verdade que se em todo o mundo, ao mesmo tempo, toda a gente ficasse quatro semanas em casa, o vírus desaparecia.

Claro que esta solução implicaria que os doentes deixariam de ter assistência médica, morrendo em casa, infectando os de casa, ninguém recolhia o lixo, ninguém ia às compras, ninguém consertava uma torneira estragada, ninguém resolvia um curto-circuito, etc. e, ao fim de quatro semanas, uns tinham morrido, outros tinham deixado de ser infecciosos, não tendo o vírus como sobreviver.

O essencial era que isto fosse cumprido por todos, em todo o mundo, ao mesmo tempo.

Aparentemente a orientação política (há outra? a ideia de que existe uma orientação técnica e outra política na gestão de fenómenos sociais de larga escala parece-me completamente absurda) que temos em execução parte do princípio de que se ficarmos todos em casa tempo suficiente, quebramos as cadeias de contágio, mas sem atender ao pressuposto base inerente a essa política: todos têm de fazer o mesmo, em todo o lado, ao mesmo tempo, mais ou menos quatro semanas.

Ou seja, a alternativa à política clássica de tratar doentes, acompanhar cadeias de contágio conhecidas e preparar os serviços de saúde para responder às necessidades, sabendo que não há doenças potencialmente fatais sem doentes e mortes é, pelos vistos, a ideia de que se cá nevasse fazia-se cá ski.

E, com base na ideia de que se cá nevasse fazia-se cá ski, está o país inteiro a pagar uma enorme pista de ski.

Soluções perfeitas para problemas desconhecidos

por henrique pereira dos santos, em 25.06.20

Ninguém sabe as razões pelas quais algumas regiões e locais foram fortemente atingidas pela epidemia e outras regiões não, havendo os que dão ênfase aos factores sociais (densidade populacional, comportamentos, grandes ajuntamentos, etc.) e os que dão ênfase aos factores que influeciam a actividade viral (factores ambientais, nomeadamente, poluição, raios ultra-violetas, características do vírus, etc.) sendo provável que todos tenham uma parte da razão, só que não sabemos qual é a parte em que cada um tem razão.

Pelas mesmas razões, ninguém sabe de onde aparecem os surtos locais (aqui, na Alemanha ou na Califórnea) e os factores que os influenciam, havendo os que acham que tudo resulta de comportamentos irresponsáveis (brandindo a sua condenação moral pela irresponsabilidade dos que fizeram uma festa em Odiáxere) e os que acham que o vírus anda por aí e, por razões que não sabemos, tem picos que tanto podem ser atribuídos a festas (estes, de maneira geral, lembram que as festas se fazem a partir de círculos sociais próximos e portanto é difícil saber se a festa é a origem do surto naquela bolha social ou se é a circulação do vírus nessa bolha social que põe os holofotes nessa festa) como serem completamente inexplicáveis, como os surtos recentes em lares (por exemplo, o surto em Reguengos não é explicável por qualquer das muitas razões apontadas para o que se passa em Lisboa).

O que sabemos, de forma absolutamente segura, é que os contágios resultam, por esta ordem, de coabitação, de contexto laboral e de contexto social.

Infelizmente a comissária política que tutela esta área não tem explicado as percentagens que cabem a cada uma das situações, mas suspeito que a esmagadora maioria dos casos estão associados à cohabitação.

Pois bem, não sabendo nós de forma clara as razões para o que se está a passar - ou seja, havendo elevada incerteza na caracterização do problema - sabemos de certeza que a principal origem de novos casos está na coabitação (que não se resume a famílias nucleares, inclui lares, albergues, dormitórios de trabalhadores deslocados, etc.).

A resposta em que, de acordo com o Público, o governo está a pensar?

Voltar ao dever de recolhimento domiciliário.

Devo dizer que quando a DGS manda instruções para a noite de São João na manhã do dia 24de Junho, ou quando a senhora directora geral explica as excepções de distanciamento na aviação com o facto das pessoas viajarem a olhar para a frente, isso não me preocupa excessivamente e tem a virtude de me fazer rir.

Já quando, ao fim destes dias todos de exposição diária, nunca houve a assunção de responsabilidades do que quer que tenha corrido mal - fiquei especialmente incomodado, quando surgiram os primeiros problemas em lares, ao ouvir a senhora directora geral fugir de quaisquer responsabilidades referindo o facto das entidades gestoras dos lares não cumprirem os planos de contingência -, aí sim, fico preocupado: somos governados por responsáveis que ignoram que quando se perde uma guerra, a responsabilidade nunca é dos soldados, é sempre dos generais.

E generais que responsabilizam os soldados pelas derrotas são generais extraordinariamente perigosos, não para os seus inimigos, mas para os homens que os seguem, porque não só não aprendem com as derrotas, como tendem a procurar as soluções que garantam que salvam a sua pele e estatuto em vez de procurarem soluções que salvem o máximo possível dos seus homens, mantendo os objectivos que justificam a guerra.

Custos da Pandemia

por Jose Miguel Roque Martins, em 25.06.20

Discutimos muito frequentemente as vantagens e desvantagens das medidas de combate á Pandemia. O que, em abstrato e sem estimar os beneficios e custos de cada medida, tornam as discussões estereis. È verdade que ainda não existem dados. Mas já começam a existir algumas previsões que nos dão algumas ordens de grandeza. 

Ontem o Guardian  revelou  as ultimas previsões do FMI para o impacto da Pandemia na Economia Mundial: 10,5 biliões de euros.

Este numero não é mais do que uma estimativa (ainda)  grosseira das perdas financeiras incorridas pela pandemia, mas é uma ordem de valor informada. Como se pode ver, são muitos os paises que, só este ano, vão perder mais de 10% do seu produto. 

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Não se conhece o numero de vidas salvas pelas medidas que Estados e individuos tomaram. Apenas como escala, se 10 milhões de vidas forem salvas, cada vida custou , aproximadamente, 1 milhão de Euros. Assumindo os valores desta previsão e que os custos são sobretudo resultantes das medidas de combate á pandemia. 

A estes valores financeiros há a somar as vidas perdidas pelo atraso de cuidados médicos ( não encontrei estimativas crediveis) e por aqueles que resultarem de fome, subnutrição e outras caisas de morte associadas á pobreza. 

As estimativas de investigadores do Banco Mundial, apontam para que , entre 71 e  100 milhões de pessoas entrem em pobreza extrema, previsões  que têm vindo a aumentar  ao longo dos ultimos meses.  Uma percentagem ( ainda não estimada)  desses novos pobres irão morrer. 

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PS: Ainda estamos longe de perceber os verdadeiros custos da crise economica provocada pelo confinamento. Mas seguramente estamos a falar de um valor por vida salva, muito superior ao que os SNS dos paises desenvolvidos assumem normalmente noutras doenças. Sobretudo se ás vidas salvas subtrairmos as vidas que se vão perder.

 

 

O mercado do cidadão

por José Mendonça da Cruz, em 24.06.20

Os demagogos eleitos ou nomeados que andam por aí a impor normas, multas e proibições deviam fazer uma visita (por obrigação, e prolongada) à Loja do Cidadão do Saldanha, no mercado 31 de Janeiro. Deve ser o nome do sítio, 31 de Janeiro, que escusa as instalações de um mínimo de ordem, asseio, cuidados sanitários e, evidentemente, eficácia. 

As coisas que eles já não dizem

por José Mendonça da Cruz, em 24.06.20

Nos tempos em que os governos não são da sua simpatia -- ou seja, socialistas, e de preferência com Bloco à tiracolo -- os serventes da Sic utilizam um instrumento para manchar qualquer notícia que possa ser considerada positiva para o executivo, ou dar a ideia de que algo foi feito bem e competentemente. No fim da matéria de facto, e terminada a intervenção de algum protagonista, os serventes acrescentavam: «Só não disse...», após o que inscreviam a sua crença de que na verdade tudo corria mal.

Com governos como os de Guterres, ou Sócrates, ou Costa, o «só não disse» é metido na gaveta. Ao contrário, quando alguma coisa corre «aparentemente» mal, e em vez do estribilho do «só não disse», a Sic parece buscar desesperadamente «o que falta dizer», e corre zelosa a entrevistar um ministro, um membro qualquer do governo, um sociólogo, alguém, para que diga que está tudo supimpa no mundo dos milagres e maravilhas.

Ontem, a Sic (e todos os orgãos de comunicação social) noticiou que a criminalidade violenta tinha aumentado 3% em Portugal no ano de 2019. Donde, a Sic foi a correr «auscultar» o ministro da administração interna, Eduardo Cabrita, que a descansou dizendo que Portugal é um dos países mais seguros do Mundo (imaginem o que a Sic de antanho diria que o pobre homem «só não disse» sobre o seu próprio descaso).

Ontem, a Sic noticiou (e todos os orgãos de comunicação social) que há um surto grave de infecções do coronavirus em Reguengos de Monsaraz. Donde a Sic informou pressurosamente que estava a ser feito um rastreio exaustivo (elaborem sobre como a Sic se divertiria com a diferença entre prevenção e aflição).

Ontem, a Sic noticiou (e todos os orgãos de comunicação social) que o aumento de infectados em Lisboa esgota os meios de vários hospitais da região de Lisboa, e coloca outros próximo do esgotamento. Logo, a Sic «colheu» declarações do secretário de Estado da Saúde, que disse que era assim, mas que havia outros  hospitais que estavam muito bem (entusiasmem-se com as oportunidades que a Sic de antanho teria para vituperar amplamente a criatura pelo que «só não disse»).

Eu julgo que é supérfluo elaborar sobre se isto é jornalismo ou outra coisa, e que tipo de coisa ela é. O certo, é que no domínio deste tipo de «informação» extravagante, aguardo ansiosamente que a senhora da tvi que era, segundo o seu director de informação, do melhor que lá têm e que acusou o Norte de ser pouco culto, queira explicar agora, a propósito dos números de Lisboa, se eles se devem ao facto de -- como ela antes dizia -- uma «população menos educada e mais pobre estar a potenciar uma maior incidência da epidemia» na capital. [Há, evidentemente, duas boas razões para que a senhora jamais faça isto. A primeira, é que foi repreendida. A segunda, é porque agora é verdade. Mas, evidentemente, não se pode dizer que há bairros degradados, transportes inadequados, e gente pobre, menos educada e ferreamente confinada num paraíso socialista.]

 

António costa, vendedor de ilusões e de sonhos

por Jose Miguel Roque Martins, em 24.06.20

Com total legitimidade democrática, António Costa ascendeu ao poder. Surfou a onda do crescimento iniciada pelo governo anterior, baseada essencialmente no turismo, que nunca teria crescido sem a liberdade que foi, então, dada aos privados.

Felizmente manteve a tão necessária ortodoxia financeira do governo anterior. As medidas tomadas pelo governo de Passos Coelho, antes tão criticadas, não foram alteradas, em termos fiscais, o que explica a subida da carga fiscal. Apenas “austeridade” passou a chamar-se “contas certas”.

Conseguiu um deficit menor do que o imposto pela Europa. Mas deixou-se de seguir, como antes, uma política mais troika do que a troika. Passámos foi a ser fiscalmente responsáveis.

A única reforma digna de nota que implementou, foi, para os funcionários públicos, a reposição dos salários, alguma progressão nas carreiras  e a diminuição das horas de trabalho para 35 horas semanais. Uma “reforma” que permitiu também dizer que se investia mais na Saúde.

Os outros Portugueses, continuaram basicamente na mesma mas com diminuição do desemprego, o que foi muito bom.  O turismo, com muito esforço e dificuldades, assente na precariedade e em baixos salários, foi o motor das melhorias alcançadas. Não foi um caminho ótimo, mas a única saída possível para todos aqueles que tinham caído na vala comum.

Em síntese, objectivamente, António Costa nada fez de relevante ou novo, durante uma legislatura inteira, a não ser transferir dinheiro do sector privado para o publico, aproveitando a folga concedida pelo turismo.

Já em termos psicológicos, estamos na presença de um verdadeiro prodígio que, é verdade, envergonha Passos Coelho.  

Conseguiu convencer os Portugueses de que a austeridade tinha acabado e que tinha sido o responsável por um crescimento económico que aconteceu apenas apesar das suas políticas. E o seu optimismo, conseguiu devolver um sentimento de esperança aos Portugueses, o que é verdadeiramente positivo e extraordinário! Créditos lhe sejam concedidos.

Acontece então a Pandemia que, temos que reconhecer, é um desafio formidável para qualquer um.

O pior é que o forte de António Costa não é enfrentar desafios. É fazer de conta que eles não existem. O estúpido do coronavírus, ainda por cima, não ouve nem discute. Um problema adicional.

Quando precisamos de um primeiro ministro, continuamos a ter apenas um super vendedor! Podemos, apesar de tudo, contar com a capacidade de nos iludir de António Costa. Se a pandemia não é contida, como acontece em Lisboa ( e noutras cidades da Europa), nada como uma explicação fácil. Os conselhos e freguesias atacadas, parecem ser aqueles em que mais gente depende dos apinhados transportes públicos. Mas o problema identificado é, primeiro,  na construção civil. Depois de jovens festivos e inconscientes. Como não se consegue resolver o problema dos transportes, como não podemos deixar de trabalhar, então podemos sempre instituir o fecho de cafés e comercio ás 20.00. Se nada funcionar, então é porque existe alguma nova justificação, apesar dos assertivos esforços anteriormente feitos. Garantida é uma nova explicação que, se não acalmar os ânimos (as pessoas estão outra vez em casa), pelo menos permite não assumir incapacidades. É o que António Costa faz como ninguém, iludir o seu publico, animar e fazer sonhar os Portugueses, dizendo o que eles querem ouvir.

Não está sozinho neste tipo de discurso  por este mundo fora. Nem é negativo animar uma população prostrada.

Mas nem o maior mestre consegue mentir, a todos, sempre. Nem é possível resolver problemas objectivos, sem primeiro procurar e  aceitar as realidades.

As ilusões e sonhos de António Costa e dos Portugueses, contra todos os meus desejos, parece-me que vão fatalmente bater numa parede.

PS: A profunda crise que se vive nas democracias Ocidentais e o aumento do radicalismo, tem muito a ver com esta forma de estar na política.

O reforço do aparelho repressivo

por henrique pereira dos santos, em 24.06.20

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Num outro contexto, ando a ser acusado de nem percebo o quê por algures, lá atrás, ter feito referência a uma coisa em alemão, língua de que não percebo raspas. Espero que agora, usando um boneco em sueco, não me venham também dizer que isso tem um significado qualquer retorcido para além do significado normal: o google tradutor é uma coisa muito útil.

A informação diária sueca sobre a covid que está nas bases de dados mais usadas é exasperante porque tem variações muito acentuadas unicamente decorrentes do registo administrativo da informação.

Este boneco, da página oficial sueca sobre a covid tem informação interessante que, no conjunto, nos ajuda a discutir o que faz falta discutir: que medidas de política são úteis para convivermos com esta epidemia e com as próximas?.

À esquerda temos o número de casos (confirmação laboratorial) por classes de idade. No meio das três figuras da esquerda temos o número de cuidados intensivos, por classe de idade e na direita desses três gráficos, o número de mortos, também por classe de idade.

À direita temos três gráficos que dizem respeito aos mesmos indicadores (de cima para baixo, total de casos, cuidados intensivos e mortes) mas com a totalidade diária, ao longo do tempo.

O primeiro comentário, por mais repetitivo que seja, é o de que o número de casos depende da existência da doença, com certeza, mas depende também do número de testes e por isso é uma informação que, sendo essencial, deve ser interpretada sabendo bem as suas limitações.

Se olharmos apenas para o gráfico de cima, à direita, com a totalidade de casos, a coisa parece muito preocupante, com um aumento mais ou menos contínuo e uma estabilização em níveis muito altos.

Mas olhando para o número de casos em cuidados intensivos e mortes, a coisa é completamente diferente e a curva sueca não é, essencialmente, diferente das dos outros países. Uma nota para lembrar que falar dos números totais de cada país é uma simplificação excessiva porque se esbatem as enormes diferenças locais e regionais de incidência da doença, cuja explicação está longe de estar perfeitamente estabelecida.

O exemplo sueco tem uma grande virtude: permite deixar de lado as discussões sobre a real eficácia das medidas de confinamento radicais e coercivas, do género de fechar as lojas às oito da noite, porque, embora tendo havido, e bem, uma política de contenção social no contexto da gestão da epidemia, não se adoptaram medidas radicais de confinamento, na ausência das quais vários modelos matemáticos previam milhares de mortos (nomeadamente na Suécia), acabando por influenciar a aceitação das medidas absurdas com que temos convivido.

O que me interesse neste boneco é fazer notar que a incidência de casos, por idades, é uma coisa, a incidência de cuidados intensivos por classes etárias é outra e, por fim, que a incidência da mortalidade tem ainda outra distribuição etária.

É de supôr que a quase ausência de cuidados intensivos acima dos 90 anos, e a sua reduzida expressão acima dos 80, corresponda à aplicação do princípio médico de que só se devem aplicar tratamentos fortemente impactantes em doentes para os quais se espera que essa terapia represente um ganho real que a justifique (e não, não é apenas por causa dos custos é, em primeiro lugar, para preservar o doente e o que lhe resta de vida, evitando o encarnecimento tecnológico que nos leva a pretender ir ao limite da resistência à morte, mesmo quando isso se traduz num prolongamento da vida sem qualquer qualidade).

Muito provavelmente não se trata de uma segmentação por idade mas sim pela condição física que, naturalmente, se relaciona com a idade.

Ou seja, a ideia de que ao aumento de casos corresponde, necessariamente, um aumento de cuidados intensivos e, consequentemente, de mortalidade, é uma ideia que pode ser aceite, mas tendo em atenção que essa correspondência não é nem directa, nem perfeita: se o aumento de casos é em idades abaixo dos sessenta anos não parece haver grande problema, se o aumento é acima dessa idade parece haver um problema menor entre os 60 e os 70 anos, um problema sério acima dos 70 anos e um problema muito sério acima dos oitenta anos.

Impedir jovens de ir brincar ao São João nas praias de Matosinhos pode ser muito útil politicamente, pode até satisfazer a necessidade que todos temos de ter a sensação de que controlamos o que nos rodeia, mas a verdade é que não parece ter grande utilidade na gestão da doença.

Que se informem as pessoas dos riscos que correm, que se peça que as pessoas tenham uma boa noção das pessoas com quem estiveram em contacto para rapidamente se tracearem cadeias de contágio se elas existirem, que se peça às pessoas que estiveram nessas aglomerações que contactem os serviços de saúde o mais rapidamente possível se houver algum sintoma, que se preparem os serviços de saúde para respostas rápidas e eficazes a estas necessidades de traceabilidade e resposta à doença, tudo isso parece sensato.

Que se pense que é preciso forçar as pessoas a deixarem de ser pessoas, à força se for preciso, e que isso se faz reduzindo horários de centros comerciais ou proibindo a venda de bebidas alcoólicas em alguns sítios e reforçando o aparelho repressivo em vez de reforçar o aparelho de saúde, isso é que me tem custado a aceitar.

Santo Efraim nos valha...

por João Távora, em 24.06.20

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Isto agora do governo pretender que depende do comportamento de cada um não ser infectado com o COVID 19 é uma crença tão conveniente quanto perigosa, a despertar os magotes de torquemadas adormecidos. Sem que isso dispense a prudência, enquanto não houver uma vacina a doença será uma ameaça de que ninguém está livre a não ser que se encerre dentro duma redoma. Já dizia Santo Efraim, compositor e doutor da igreja (306 - 373 DC) que são 3 as grandes tentações com que nos confronta uma crise como a que vivemos: a preguiça, o desânimo e a ânsia de domínio – esta última é no meu entender a mais daninha.

Cloaca

por José Mendonça da Cruz, em 23.06.20

Na Tvi, Pedro Pinto noticia que há escândalo em Madrid onde morreram «muitos velhinhos». Será cretino se lhe ocorreu aquilo, ou será cretino/a quem escreveu o texto, e cretino ainda quem aceitou ler a coisa. É indiferente. A Tvi é uma cloaca. 

Matar o pai...

por João Távora, em 23.06.20

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Quem ingenuamente pensou que o ocidente tinha entrado na adolescência (etapa para a maturidade) no Maio de 68 poderá agora, em face à pandemia de vandalização de estátuas, concluir que hoje é a delinquência, ela própria legitimada pelo relativismo das últimas décadas, que se sente encorajada a assaltar o poder. Sempre a descer. Muitos acreditam que a sociedade existe como corpo pensante, mas ela deveria ser apenas a soma das partes de indivíduos solidários e com vontade própria. Se fosse verdade que ela se move na história como um cardume ou como um bando de pássaros migratórios, dir-se-ia que estes ataques às estátuas não eram mais que um fenómeno de automutilação grupal, uma espécie de rebelião contra o passado, como a revolta dum perturbado "adolescente colectivo" contra o pai, incriminado por todos os seus condicionalismos genéticos e culturais. A culpa pela insatisfação que carregamos vida fora já não é dos corruptos, dos gananciosos, dos tiranos; o frigorífico está sempre fornecido e a ignorância e alienação é tolerada e distribuída democraticamente pela televisão, social media e noutras fórmulas mais perversas. Curioso como o combate civilizacional (?) depois do despotismo e da desigualdade agora se está a virar contra o mais inexpugnável dos inimigos: a História. Na certeza de que, se sobrevivermos (como civilização) a esta contenda, um dia seremos julgados por ela, mais cedo do que imaginamos. Acontece que uma rebelião contra as nossas origens é sempre uma forma de autodilaceração. Porque para nos olharmos ao espelho e prosseguirmos em frente teremos sempre de aceitar o pai.

Ódios de estimação, desonestidade ou mistério?

por Jose Miguel Roque Martins, em 23.06.20

 

Fazendo uma avaliação do que o governo tem feito em tempos de crise, vejo muitas ações bem feitas. Começando pelo Lay-off simplificado e pela tentativa de fazer chegar créditos ás empresas.

Vejo também aquilo que aparentam ser manifestações de ódios de estimação absolutamente lamentáveis.

Os sócios gerentes, foram a única categoria profissional, com carreira contributiva, que não beneficiaram de qualquer apoio. Primeiro, de forma total. Depois excluindo, na pratica, quase todos os que tinham funcionários (a quem tiveram que pagar a quota parte do Lay-off de responsabilidade da empresa). Qual a justificação apresentada? Nenhuma. Pelo contrário, foi o governo pródigo em publicitar os apoios que concedeu aos sócios gerentes. Fazendo-o de forma que a população em geral , não percebesse que as limitações de faturação das empresas, excluía todos ou quase todos os pretensamente beneficiados. Uma manobra premeditada de ilusão política. Memorias do PREC, confundindo os sócios gerentes com o grande capital que se tem que perseguir? Votantes considerados perdidos? Embirração pura e simples? Não sei se algum dia iremos saber exatamente. O que ficou claro foi  que criadores de emprego, com pouco capital, não merecem consideração do PS, por mais declarações publicas que proclamem o contrario.

É também o caso relativo às rendas comerciais. O Estado obriga estabelecimentos a estar fechados e,  ao mesmo tempo, quer que estes paguem a renda de um espaço que não podem utilizar. Os senhorios também não são responsáveis pelo encerramento dos estabelecimentos situados nos seus imóveis. Não seria ao Estado que compete o pagamento das rendas? 

A saúde privada é, sem surpresas, outra das vítimas . No inicio da crise, quando o medo que o SNS não fosse capaz, sozinho, de fazer face à pandemia, foi pedido que os privados se preparassem para acolher casos de COVID, fixando-se o mesmo valor comparticipação por doente pensada para os Hospitais públicos.

Quando a Sra. Ministra da Saúde, intuiu que o SNS seria suficiente para fazer face à pandemia, explicou que se tinha tratado de um lapso e que os hospitais privados não iriam ser ressarcidos dos custos que tiveram com os doentes que tinham recebido. Uma vergonha. Em nome do combate aos serviços de saúde privados? Apenas por desonestidade?  Para proteger os funcionários públicos, clientes do Privado? Porque razão?

Certo é que, mais uma vez,  não há explicação conhecida e razoável.

 

PS: Em Lisboa e vale do Tejo, se o SNS ficar saturado, quero ver o que vai acontecer se o Privado for necessário.

 

 

A TAP, um cérebro fossilizado e dois tiros nos pés

por José Mendonça da Cruz, em 22.06.20

Ao privado que tenha simultaneamente a propriedade da TAP, de uma companhia aérea no Brasil e de uma companhia aérea nos Estados Unidos não interessa outra coisa senão manter um cubo de roda em Lisboa que alimente e seja alimentado pelos raios que liguem a diversos aeroportos europeus; e que alimente e seja alimentado pelos cubos e os raios das suas companhias nos EUA e no Brasil.

Foi assim que a TAP cresceu em aviões, rotas, pessoal e resultados. E, com cínica mas compreensivel oportunidade, pensou: já que a cegueira dos socialistas e de uns líricos de olhos tapados os obrigou a fingir que «reverteram» a privatização, e a meter o pescoço por prejuízos, vamos aproveitar para investir mais e deixar os lucros para depois. O governo, pela voz tonitruante de Pedro Nuno Santos, resmungou umas coisas e pagou.

Depois veio a pandemia, que colocou a TAP sob ameaça de extinção. Mas, tal como já aconteceu com a Lufthansa e outras companhias importantes para outros interesses nacionais, também a TAP poderia ser salva com uma injecção de dinheiros públicos. Porque quando a pandemia abrandar ou acabar, o turismo e a TAP voltarão a ser muito interessantes e rentáveis.

Estamos, porém, no Portugal socialista, logo, o executivo vai no terceiro mês de hesitação. Acresce, agora, que dois dos principais interessados no incremento do turismo -- a Associação Comercial do Porto e os Empresários de Turismo do Algarve -- querem inviabilizar o empréstimo de 1,2 mil milhões à TAP, a pretexto de que a TAP não gosta de fazer voar aviões vazios para confortar complexos de inferioridade regionais. O gesto, que deveria ficar na história como o mais monumental tiro no pé (sendo que o tiro ao pé é, como se sabe, um dos mais confrangedores exercícios de estupidez), coloca Porto e Algarve em perfeita sintonia com o cérebro fossilizado do socialista Pedro Nuno Santos, o ministro das infraestruturas sem infratestruturas, que sonha gerir a TAP com o rol de aptidões e experiência que vem penosamente demonstrando.

Deste imbroglio, que pode sair caríssimo aos seus promotores  e ser fatal à TAP, sobra uma esperança, ténue e difusa: a do fim político de Pedro Nuno Santos, modesto ganho, mas sempre era algum. Pode ser que Santos não empreste, assim se responsabilizando pela extinção da companhia «de bandeira» , e, do mesmo passo tornando supérfluo um novo aeroporto; tendo em conta o seu pelouro, seria curioso isto de um ministro das Infraestruturas que torna dispensáveis as Infraestruturas. Ou então, Santos pode emprestar ainda que continue a não mandar na TAP, como acontece hoje para nossa felicidade e da empresa, mas com grande pesar e crítica dos seus fãs da esquerda alucinada. Ou, então e ainda, o ministro empresta e consegue algum mando, com o qual assumirá a responsabilidade pela reestruturação e o despedimento de vários milhares de pessoas.

Seja como for, e sendo este o Portugal socialista, é bem possível que apesar de um desastre na TAP, o governo, e Santos, e o Porto, e o Algarve, e, por definição, o povo, fiquem, feitas as contas e por fim, muito satisfeitos com  solução derradeira de uma companhiazita «pública» e pequenina, deficitária, com 10 ou 12 aviões, a fazer voos semivazios entre Lisboa, Funchal, Terceira, Porto e Faro para glória e pobreza de todos. 

Madrid é que deve estar a fazer um esforço para que as gargalhadas não se ouçam cá. Arrasada a TAP pelo socialismo e os tiros no pé,  Madrid assumiria prazenteira e lucrativamente o papel de plataforma Europa/América.

O gosto da proibição

por henrique pereira dos santos, em 22.06.20

"As restrições não se ficam por aqui. As regras para os restaurantes mantêm-se: devem encerrar às 23h00. Os adereços alusivos ao S. João estão proibidos, quer no interior, quer no exterior dos estabelecimentos, e a música está proibida a partir das 21 horas. 

Também “as lojas de conveniência, incluindo as que se encontram instaladas nos postos de abastecimento de combustível, têm ordem para fechar às 19 horas”. O comunicado alerta que “estão proibidas as festas particulares”, o “consumo de bebidas alcoólicas na via pública” e “a venda ambulante de comida e bebidas”.

As principais artérias do concelho serão patrulhadas pela PSP, GNR e Polícia Municipal, “durante a noite e madrugada no sentido de evitar ajuntamentos”."

Note-se bem, estáo proibidos os adereços alusivos ao São João e estão proibidas as festas particulares.

Deixem-me usar um exemplo que não tem nenhuma relação directa com a epidemia, embora tenha muitos paralelismos.

Mais uma vez, uma notícia sobre "Um idoso morreu atingido pelas chamas numa queima nuns terrenos agrícolas, em Barcelos. A vítima teria entre 80 e 90 anos."

Todos os anos há vários casos destes.

Alguns existiriam sempre, mas o que dizem algumas das pessoas que mais estudam os fogos, a adopção de uma política proibicionista em relação ao fogo atira as queimadas para fora do controlo social, ou seja, em vez de serem actividades sociais, integradas socialmente e controladas socialmente, as queimadas passam a ser actividades individuais que se fazem pela calada.

E, quando correm mal, não há ninguém para dar uma mão.

A epidemia tem dado livre curso à veia proibicionista que tem o peso que tem em Portugal.

E que peso, a julgar pela tranquilidade a que se assiste quando alguém me proibe de decorar o meu restaurante ou pretende proibir uma festa feita de forma privada, em espaço privado e a que só vai quem quer.

Fecham-se praias à noite, usam-se os meios repressivos do Estado para aplicar regras não escrutinadas que violam direitos constitucionais e, mesmo assim, não se passa nada, vamos todos na carneirada.

Não há esperança, capítulo 277

por José Mendonça da Cruz, em 22.06.20

Hoje, o Observador faz, ufano, a pre-publicação de um livro de Angela Davis, a quem chama «activista» e «professora universitária». «Activista» quer dizer, na verdade, comunista; professora universitária quer dizer, na verdade, que estudou dois anos durante a década de 1960 numa universidade da RDA, e que agora faz parte do departamento de «estudos feministas» de uma madrassa qualquer da Califórnia. Como ganhou o Prémio Lenine da Paz na década de 1970, o Observador achará, portanto, que é uma intelectual.

Esperam-se novos furos do Observador, como uma nova biografia hagiográfica de Che Guevara ou uma reportagem dos êxitos socialistas de Maduro.

Entretanto, no costumeiro interlúdio anti-Trump, a Tvi indignava-se hoje com o presidente americano, que diz obcecado com a reeleição. Já viram coisa mais invulgar e repulsiva, isso de um político que quer ser reeleito?

Uns são responsáveis, outros são só autoridades

por henrique pereira dos santos, em 22.06.20

Poucos dias depois de identificado o problema sueco da elevada mortalidade em lares de terceira idade, há já muito tempo, os responsáveis suecos diziam que de facto havia um problema, que a Suécia tinha falhado na identificação e gestão do problema e que tinha de trabalhar melhor a relação com os trabalhadores dos lares, muitos dos quais falam, aliás, pouco sueco.

Lá, tal como cá, os trabalhadores dos lares são frequentemente muito pouco qualificados. A diferença maior será que lá há muitos somalis a trabalhar no sector e a sua lingua materna não é o sueco, ao contrário dos trabalhadores dos lares em Portugal, onde também existem muitos trabalhadores pouco qualificados vindos de outros países, mas cuja língua mãe é o português.

Repare-se na diferença para Portugal.

Apenas hoje, meses depois do problema ser o que é, é que a comissária política responsável pelo assunto resolveu dizer que "assim que surge um caso de infeção num lar, as visitas são “de imediato” suspensas, mas que “de facto, muito mais do que as visitas, que têm regras muito específicas”, os trabalhadores são o “grande vetor de entrada” do vírus nos lares ... sublinhando o facto de alguns destes profissionais terem emprego “em mais do que uma instituição."

O mais relevante é que não vi (pode ser que tenha sido dito e não transcrito nas notícias que vi) como tencionam as autoridades lidar com o assunto, tendo em atenção que é nessas circunstâncias que ocorre grande parte da mortalidade. Nem vi a assunção de que alguma coisa tenha corrido mal que seja da responsabilidade das autoridades.

O que sabemos é que para resolver os ajuntamentos com dezenas de pessoas o governo acha óptimo diminuir o número de pessoas que se podem juntar, passando de 20 para 10.

Faz todo o sentido: quando quarenta pessoas se juntam apesar de haver uma restrição que estabelece um máximo de vinte, tenho a certeza de que todos vão achar que se a restrição fosse de dez já não se juntariam os quarenta.

Confesso que estou verdadeiramente cansado desta gestão de expectativas e percepções públicas sem qualquer relação com a substância da gestão de uma epidemia.

O que me irrita mesmo mais é ter uma imprensa inteira domesticada ao ponto de não só achar isto normal, como achar normal que um direito constitucional como o direito de reunião possa ir sendo gerido administrativamente a bel prazer do poder, fundamentando-se no número de infecções em lares e locais de trabalho as restrições de outras actividades que têm pouca relação com isso.

O único caso recente que liga uma festa a um surto é uma história muito mal contada, ao ponto de boa parte dos tais testes positivos dizerem respeito a crianças que não estiveram na festa, ficando eu na dúvida sobre o que leva os responsáveis a saber que a generalidade dos contágios resultam da festa e não de outra coisa qualquer.

Ou também houve festas nos lares de Reguengos, Cinfães ou Caneças?

Prioridades

por João Távora, em 22.06.20

Muito mais importante que o calendário da liga dos campeões é o do próximo ano lectivo. É nesse campo que se joga o futuro dos nossos filhos.

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