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André Ventura e os Intocáveis

por Jose Miguel Roque Martins, em 17.11.20

Ontem, não deixei de assistir á entrevista ao homem do momento, André Ventura.

O entrevistador, Miguel Sousa Tavares, mais parecia um Pitbull. Como teria sido bom vê-lo tão assanhado nos tempos de Sócrates!

O entrevistado, até foi dando boa conta de si, defendendo as suas posições mais populistas da forma possível, aqui e além procurando agradar ao entrevistador.

Quando começaram as discussões económicas é que foi mais complicado. Para explicar como compensaria a diminuição de impostos que propõe, André Ventura concentrou-se em dois temas.

O primeiro, que devíamos deixar de pagar PPP`s ou as contas que aparecem do passado, como a falência do BPN. Sabe que os Portugueses acreditam que foram prejudicados e que ninguém quer pagar esse tipo de contas. Na pratica,  aprendeu com o Bloco, que os compromissos não são para cumprir e que devíamos assumir de uma vez por todas que não somos um Estado de direito. Mais por uma questão de principio, do que pelos valores envolvidos.

O segundo, a extinção de Institutos e serviços que não servem para nada.  A este propósito, André Ventura revelou que é afinal completamente do sistema. Extintos esses institutos, não seriam despedidos os Funcionários Públicos.  Seriam reciclados. Afinal, não temos funcionários públicos a mais, nem correspondem a um custo importante ou que não seja sempre justificado.

Da esquerda à direita, dos radicais aos moderados, parece existir apenas uma verdade absoluta e inquestionavel. Os funcionários públicos são intocáveis.

O argueiro e a trave

por José Mendonça da Cruz, em 16.11.20

Hoje, as redações televisivas andam muito preocupadas com o que Andrew Cuomo, governador de Nova Iorque, diz que Trump disse sobre a distribuição de vacinas Covid nos EUA. Assim se distraem e tentam distrair-nos a nós dos factos de que em Portugal, o país a que não dão atenção quando não convém aos donos:

a) nem as vacinas de gripe estão disponíveis, e as marcações em cada farmácia ultrapassam centenas de pessoas e dezenas de semanas; e que

b) quanto a vacinação Covid, ao contrário dos países desenvolvidos da Europa, não há plano nenhum; há apenas o anúncio por Costa de uma «comissão técnica» encarregada de o fazer, a qual, porém, não existe.

Portaram-se todos bem ontem?

por João-Afonso Machado, em 16.11.20

Já lá vai o primeiro fim de semana de castigo. Não sendo frequentador de cafés nem turista de montras e lojinhas, o efeito foi-me o mesmo, salvo quanto ao deprimente silêncio, e vazio, das ruas, na realidade quase apocalíptico.

Seguir-se-ão muitos mais similares castigos. Costa, que gosta de surpresas, só as irá anunciando às pingas, não vá o eleitorado enfurecer-se.

Depois foram as manifs dos lesados da restauração/bares: será que a sua ocorrência não anula os efeitos pretendidos com o dito castigo?

Provavelmente sim. O castigo não adianta - talvez até induza o agravamento da situação. Sucede - apenas... - o Governo perdeu o controle da pandemia. E entre deixar correr o marfim e mostrar trabalho, optou por desenhos caricatos.

A República habituou os portugueses a um País decidido e posto em marcha por decreto - algo de tentadora e deliciosamente servindo para desrespeitar. A classe política baniu do nosso Povo - pelo seu exemplo - a consciência cívica. E é sobretudo com este poder sobre nós próprios que se combatem pandemias e males quejandos.

O mais são miúdos, rapazolas,  fumando às escondidas.

"Que farei quando tudo arde?"

por henrique pereira dos santos, em 16.11.20

“Não espera razões, tudo é despeito,
tudo soberba e força; faz, desfaz,
sem respeito nenhum; e quando em paz
cuidais que sois, então tudo é desfeito.”
Sá de Miranda

A verdade é que não me liberto desta maldição de estar sempre a escrever sobre a epidemia

A escaramuça civil à direita

por Jose Miguel Roque Martins, em 16.11.20

 

O espaço de direita em Portugal, está a discutir, com paixão, dois temas.  As eleições dos EUA e a questão do Chega. Mas o que está verdadeiramente em confronto é uma luta entre uma corrente pragmática e outra mais conceptual.

De um lado, aqueles que consideram que se deve apoiar de forma incondicional aqueles que são da mesma família política. Porque o outro lado, vai aproveitar as “divisões” para capitalizar a sua agenda. Uma posição que foca mais no pragmatismo do que nos princípios. No atingir de resultados, do que na doutrina. Grupo a que chamo os “realistas”.

Do outro, aqueles que consideram que os valores devem prevalecer em qualquer cenário. São mais doutrinários do que práticos, mais filosóficos do que politicamente profissionais.  A quem  chamo  “ idealistas”. 

Os primeiros , ao contrario dos segundos, tendem a não atacar ou a defender Trump e o Chega. Os segundos, ao contrario dos primeiros, consideram que devem expor os seus podres. 

Percebem-se ambas as posições, mas também os desafios.

Será difícil para os realistas estabelecer a linha vermelha a partir da qual se tornam marxistas. E difícil para os idealistas,  acabar por não aceitar as realidades praticas do jogo político, que se venham a colocar, sob risco de irrelevância.

No final, se tudo correr bem, será apenas uma tempestade num copo de água.

 

Domingo

por João Távora, em 15.11.20

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus


Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: «Um homem, ao partir de viagem, chamou os seus servos e confiou-lhes os seus bens. A um entregou cinco talentos, a outro dois e a outro um, conforme a capacidade de cada qual; e depois partiu. O que tinha recebido cinco talentos fê-los render e ganhou outros cinco. Do mesmo modo, o que recebera dois talentos ganhou outros dois. Mas o que recebera um só talento foi escavar na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor. Muito tempo depois, chegou o senhor daqueles servos e foi ajustar contas com eles. O que recebera cinco talentos aproximou-se e apresentou outros cinco, dizendo: ‘Senhor, confiaste-me cinco talentos: aqui estão outros cinco que eu ganhei’. Respondeu-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel. Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes. Vem tomar parte na alegria do teu senhor’. Aproximou-se também o que recebera dois talentos e disse: ‘Senhor, confiaste-me dois talentos: aqui estão outros dois que eu ganhei’. Respondeu-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel. Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes. Vem tomar parte na alegria do teu senhor’. Aproximou-se também o que recebera um só talento e disse: ‘Senhor, eu sabia que és um homem severo, que colhes onde não semeaste e recolhes onde nada lançaste. Por isso, tive medo e escondi o teu talento na terra. Aqui tens o que te pertence’. O senhor respondeu-lhe: ‘Servo mau e preguiçoso, sabias que ceifo onde não semeei e recolho onde nada lancei; devias, portanto, depositar no banco o meu dinheiro e eu teria, ao voltar, recebido com juro o que era meu. Tirai-lhe então o talento e dai-o àquele que tem dez. Porque, a todo aquele que tem, dar-se-á mais e terá em abundância; mas, àquele que não tem, até o pouco que tem lhe será tirado. Quanto ao servo inútil, lançai-o às trevas exteriores. Aí haverá choro e ranger de dentes’».


Palavra do salvação.

Eliminar pontas soltas

por Jose Miguel Roque Martins, em 15.11.20

Catarina Martins, voltou a defender a requisição civil do sector da saúde. Como a ministra já reconheceu que o custo da contratação no privado é inferior ao custo do SNS, qual o objectivo? Tornar mais caro o combate à pandemia? Ou impedir que mais factos incómodos se tornem evidentes para a população?

As PPP´s na Saúde, já tinham provado a superioridade do sector privado, provavelmente razão pela qual estão em vias de extinção. Não convém que demasiados factos estraguem a narrativa demagógica. Mesmo com o recurso ao sofisma, à mentira e aos amigos dos media, é sempre perigoso deixar pontas soltas.

Os  Portugueses, lá terão que sofrer pelo bem maior, a caminhada para o socialismo. 

 

Coisas velhas...

por João Távora, em 14.11.20

Desculpem-me vocês, pessoas inteligentes e cultas que são minhas amigas: o nosso grande drama na História acontece quando deixamos de ter contacto directo com aqueles que testemunharam o tempo anterior ao nosso. Aí é que nasce toda uma sorte de mitos que nos perturbam a interpretação do passado. Com nefastas consequências no futuro.

Fábrica de radicais

por Jose Miguel Roque Martins, em 14.11.20

É verdade que a pandemia ataca todos. Mas o nível de sofrimento imposto no seu combate é muito desigual . Lembra a sociedade da galinha e do porco para fornecer Ovos com Bacon.

Centenas de milhar de trabalhadores e pequenos empresários, desempregados ou falidos, apenas sabem que a sua situação tem a ver com proclamadas necessidades de saúde publica. Até podem concordar com elas. O que não percebem ou  aceitam é  que, ao contrario do resto da sociedade, tenham passado a ser uns desgraçados.

A cereja em cima do bolo é o contra exemplo da TAP. Que se diz ser ( ao contrario dos outros) indispensável. Que queima, num ano, muito mais do que o apoio concedido ao resto dos trabalhadores e empresas também trucidadas. Que vai despedir, porque nas palavras do ministro, não tem trabalho para todos. Que foi comprada por 50 milhões ao accionista privado, depois do descalabro anunciado e chancelado.

Nada como mais  desigualdade e fome para atiçar a revolta.

Somos um pais de brandos costumes. Mas Portugal parece hoje uma fábrica de infelizes e radicais, que só por milagre não vão engrossar os PCP, Blocos e Chegas deste cantinho à beira mar plantado.

 

 

A experiência social

por henrique pereira dos santos, em 14.11.20

Uma amiga que não conheço (estranho mundo este) recusou-se a aceitar a classificação de "experiência social" que usei para falar da gestão da epidemia.

Argumentou que as pessoas que tomam decisões, e as que apoiam tecnicamente quem toma decisões, simplesmente chegaram à conclusão de que não havia alternativa a estas opções de gestão da epidemia, mas não pretendem fazer experiência social nenhuma.

O que pretende quem toma decisões, e quem apoia tecnicamente quem toma decisões, e quem apoia socialmente quem toma decisões, é matéria em que não me meto: o mundo é grande e diverso e com certeza há muitas intenções diferentes dentro dos três grupos que referi acima.

Centremo-nos no que é objectivo.

Que é uma experiência social o que estamos a viver, não vejo como negar.

Nunca, em nenhuma altura da história, se pretendeu esmagar um vírus, ou manter a pressão na mola, para manter o elevado nível do discurso oficial sobre o assunto, através da supressão dos contactos entre pessoas saudáveis.

Isso é uma novidade absoluta e, forçosamente, uma experiência social que consiste em formatar todos os contactos sociais de uma espécie gregária, e com estruturas sociais complexas, em função do objectivo único de bloquear a actividade de um vírus.

Pode argumentar-se que não há alternativa a esta opção para bloquear um vírus que nos ameaça.

Este pressuposto exige respostas a duas questões centrais "sine qua non":

1) A ameaça é de tal ordem que justifique os efeitos negativos associados a essa opção?

2) Mesmo que o seja, esta opção é exequível e gera o resultado previsto?

Deveria ser na resposta a estas duas questões que deveria entrar a ciência ou, pelo menos, o tal apoio técnico à decisão, deixando a decisão, que é forçosamente social e política, a quem tem legitimidade para definir "o bem comum": os nossos representantes, não os técnicos.

A ciência, ou tecnicidade, por trás das respostas que têm sido dadas a estas duas perguntas é, infelizmente, nenhuma.

A resposta à primeira pergunta, insuflada e validada pela Organização Mundial de Saúde, não se tem baseado em mais que modelação matemática cuja adesão à realidade é, para ser delicado, questionável.

A resposta ao escrutínio sobre a imensa distância entre os resultados dos modelos e a verificação da realidade é a de que as medidas adoptadas para controlar a epidemia têm sido muito eficazes, ao ponto de reduzirem a incidência da infecção entre dez a vinte vezes (é essa a diferença que se verifica entre os resultados dos modelos e a realidade).

Só que essa resposta tem um problema central: ninguém, até agora, demonstrou com a dados da experiência dos últimos oito meses, de forma clara, de que forma essas medidas conseguiram esse resultado, e como se explicam diferenças brutais de incidência em localidades sujeitas às mesmas medidas, nem como se explicam semelhanças estruturais das curvas de evolução da epidemia por regiões, independentemente das medidas diferentes em cada local. A resposta a estas objecções tem assentado, de novo, em modelação matemática que tem como pressuposto o que se pretendia demonstrar: o efeito das medidas.

Para além de, naturalmente, estar a ser difícil explicar a simultaneidade, geográfica e temporal, das variações da curva da epidemia, ao arrepio dos resultados das tais modelações matemáticas (são os modelos que têm vindo a seguir a realidade em vez de cumprirem a sua única função útil, que é prevê-la).

A resposta à segunda questão, a da exequibilidade da aplicação da solução adoptada - bloquear a actividade víral pela supressão dos contactos sociais - é a de que, salvo condições muito estritas, como na Nova Zelândia, o facto é que tem sido impossível reduzir os contactos abaixo de níveis considerados eficazes, com a agravante de que as tentativas para o conseguir estarem a fazer crescer exponencialmente (posso usar também aqui o peso desta palavra, mesmo quando na realidade não quer dizer grande coisa, podemos estar a falar de exponenciais mais ou menos preocupantes?) os efeitos sociais negativos que lhes estão associados.

É aqui que voltamos à tenebrosa experiência social em que estamos metidos para fazer notar o seguinte:

a opção entre bloquear a actividade viral por supressão dos contactos sociais, ou adoptar o modelo de protecção focada nos vulneráveis que conhecemos da epidemiologia clássica (não há como coisas destas para revelar os vultos intelectuais mundiais que se escondem em Portugal, como é o caso do pneumologista Filipe Froes, durante tantos anos ignorado pela inteligentzia mundial da epidemiologia, que agora pode finalmente reduzir os regentes de epidemiologia de Oxford, Harvard e Stanford à sua real condição de três médicos, nada mais que isso), é uma opção social e política com muito pouca relação com questões médicas.

Somos nós, os nossos jornais (extraordinária a peça de hoje do Público em que Maria João Guimarães aplica as técnicas de jornalismo mais sofisticadas como citar os relatórios do ECDC europeu a partir do Guardian, e não do original, para zurzir na Suécia), os nossos técnicos de saúde, a nossa Direcção Geral de Saúde (aproveito para explicar por que razão critico tão pouco Graça Freitas, penso que é uma vítima da epidemia, e não mais que isso), os nossos políticos (ontem era o Vice-Presidente do PSD a querer já que evitássemos a onda de Março/ Abril, que esta em que estamos já está a borregar) que decidimos, em conjunto, atirar cem anos de epidemiologia pela janela, trocando-a por uma bruxaria moderna que substitui bolas de cristal por ecrans de computador.

Há muitos cientistas envolvidos nisto, isso é certo, mas ciência, muito pouca.

Nos fundos mais reles da desinformação

por José Mendonça da Cruz, em 13.11.20

Quem quiser ver e ouvir ao vivo um exemplo de até onde pode chegar o jornalismo acéfalo e servil deve, tendo essa possibilidade, ver a peça transmitida na 5ª feira, 12, no final do jornal8 da Tvi sobre os «negacionistas» da Covid. «Negacionistas» é como os idiotas chamam a tudo o que contrarie as pobres certezas que têm, eles ou o patrão deles. A peça é um mostruário do que de mais abjecto se pode fazer na desinformação: entrevistados que foram convidados só para serem troçados; declarações truncadas; desinformação; terrorismo e promoção do pânico; total ausência de seriedade, raciocínio ou investigação.

Talvez os autores da peça e a estação que a transmitiu pudessem ter um breve sobressalto  ao ler a manchete de amanhã do insuspeito Expresso (Contágio não baixou nos concelhos que confinaram há mais tempo), ou um  curto lampejo de dúvida ao verem as manifestações, no Porto, dos condenados à falência e à fome. Mas duvido que os tenham. Quando se tem a vocação de um verme ou de um cão nada consegue abalar a agenda.

Uma terrível invenção do Demo

Sobre a chegada do fonógrafo (e do telefone) a Portugal

por João Távora, em 13.11.20

edison1878.jpg

Em 1878, no ano em que Edison patenteou o seu primeiro fonógrafo, um "senhor de casaca" foi fazer uma demonstração do invento Rei Dom Luís I no Palácio da Ajuda. É o que nos descreve Thomás de Mello Breyner com muita graça a páginas tantas nos seus diários que eu transcrevo aqui

Privados na Saúde, roubam mas são mais baratos!

por Jose Miguel Roque Martins, em 13.11.20

A ministra da Saúde, revelou que o custo de cada doente Covid tratado no privado (sem ventilação) custará €2.495 ao Estado. Já no SNS, a estimativa de custo é de €2.759.

Claro que desvalorizou o facto de ser mais caro, já que o valor foi empolado em 10% para fazer face a imprevistos (que não podem ocorrer no Privado) .

Esta revelação, não vai desmoralizar os defensores de um SNS monopolista e que tanto protestam pelo roubo que os privados estão permanentemente a fazer.

Podem sempre argumentar que como a saúde no privado é mais eficiente, apesar de serem mais baratos que o sistema publico, ainda se atrevem a ganhar dinheiro.

De menos do que crápulas, os privados não escapam.

Os horários dos invisíveis

por henrique pereira dos santos, em 13.11.20

Com a eventual abertura de supermercados às seis e meia da manhã apareceu uma espécie de coro grego a falar da violência dos horários dos trabalhadores.

A mim fez-me lembrar o barulho que foi quando no tempo de Passos Coelho se pôs a hipótese de fechar o Metro às onze, em vez da uma da manhã, para reduzir custos operacionais, o que gerou um barulho gigantesco por parte da tout Lisbonne que escreve e fala de forma audível, sem que ninguém aproveitasse para defender que se era para fechar às onze da noite, o Metro começasse às cinco, em vez das seis e meia.

Compreende-se, os milhares de trabalhadores que cruzam o Terreiro do Paço a correr entre os barcos e autocarros a essas horas são completamente invisíveis para muita gente: são pobres, maioritariamente pretos e mulatos, não lêem jornais, não dão entrevistas e não querem confusões que desfaçam o frágil equilíbrio das suas finanças.

E ainda por cima fazem trabalhos pouco criativos, como limpar os escritórios e casas que queremos impecáveis, ainda tendo de aturar o cinismo politicamente correcto de Francisco Louçã a falar da "senhora que ajuda lá em casa" para designar o trabalho que fazem e que só valorizamos quando alguma coisa ficou desarrumada ou menos bem limpa.

Já agora, por falar em hiprocrisias sobre limpezas, talvez caiba aqui lembrar que nos tempos do confinamento da Primavera, quando a burguesia que pretende deter o monopólio da compaixão pedia aos seus pares para por favor deixarem as suas empregadas ficar em casa, pagando-lhes por inteiro, para não as expor à infecção, a CGTP mantinha o serviço de limpeza da sua sede, um outsourcing que diz mais sobre os efeitos da lei laboral que outra coisa qualquer, quando até a CGTP prefere contratar empresas externas a dar vínculos definitivos aos trabalhadores que garantem a limpeza das suas instalações.

A que horas pensam que se levantam os padeiros, os distribuidores de jornais, os merceeiros, os polícias, etc.?

Quando a Rosarinho abria o quiosque às cinco e meia, e a pastelaria abria pelas seis, eu não era o único cliente habitual, ou menos habitual, a estar por ali a beber um café e ler o jornal, depois de ter vindo pela rua a cumprimentar as senhoras que estavam a acabar o seu turno na minha rua, essas também com um horário difícil (uma delas ainda me deve um euro para tabaco, que a noite tinha sido má, ainda me cruzo com ela de vez em quando por aqui, mas dou por muito bem gasto esse euro que nunca me pagará, à conta das vezes que a ouvi cantar fado muitíssimo bem, nos dias em que lhe dava para aí).

Há vidas duras, há vidas muito duras, e há as nossas vidas, as de quem pode escolher horários e preços e ainda ter tempo para vir achar que não há ninguém que vá ao supermercado às seis e meia da manhã, só porque no conforto das vossas vidas são incapazes de imaginar que o mundo é muito grande e diverso, e que o vosso mundinho não é o mundo.

Daí não viria mal ao mundo se esse barulho todo não fosse feito pelas elites que se conseguem fazer ouvir por governos fracos que passam a tomar decisões em função desse bruáá, sem a menor consideração pelas vidas dos outros, os invisíveis.

E já agora, uma vez por outra, a comprar o jornal no quiosque ainda me cruzei com Alexandre Soares Santos, a caminho de qualquer sítio, a comprar o jornal sem sequer sair do carro, algures entre as seis e as seis e meia.

ANTONIO COSTA, ESCORREGOU!

por Jose Miguel Roque Martins, em 12.11.20

Provavelmente farto de fazer má figura, ou porque já começaram manifestações de rua, António Costa puxou dos galões e anunciou uma compensação de 20% sobre a diminuição de receita dos restaurantes, nos próximos dois fins de semana. Medida mais simbólica do que uma indemnização adequada.

Sem intencionalidade, foi reconhecido pelo Estado, o  principio de que estabelecimentos duramente atingidos por medidas administrativas, sejam parcialmente indemnizados.

Durante meses, no primeiro confinamento, restaurantes, ginásios, bares, discotecas, salas de espectáculos e outros,  estiveram “administrativamente” encerradas.

Este confinamento obrigatório deveria ter sido compensado pelo Estado. Como a medida anunciada hoje confirma. Mas não foi. Seria ridículo argumentar que o prejuízo de dois fins de semana é passível de compensação/indeminização, mas o prejuízo de 2 meses, não o é.

O que vai sair daqui?

 Espero que no mínimo, os lesados do confinamento, tenham a capacidade de se organizarem e pedirem uma indemnização. Precedente legal do principio, desde hoje, já existe.

 

Dar contexto

por henrique pereira dos santos, em 12.11.20

semana 45.jpg

Publicar, com alguma regularidade, este gráfico sobre a mortalidade em grande parte da Europa não é desvalorizar a epidemia, é dar-lhe contexto.

A mortalidade, com todas as suas dificuldades de registo e interpretação, continua a ser o dado mais fiável para avaliar o efeito de uma epidemia.

Claro que é preciso saber que a mortalidade tem um desfasamento em relação à infecção, detecção de casos e hospitalizações, e claro que é preciso saber que ninguém sabe como vai evoluir a mortalidade no resto do Outono/ Inverno, mas isso não invalida um facto central: até este momento, esta época de Outono/ Inverno está a ser diferente por provocar uma mortalidade excessiva mais cedo (volta da semana 41 em vez das semanas 46 ou 47), mas não há nenhuma razão para se insistir no discurso de que se está a passar alguma coisa nunca vista, até agora a mortalidade excessiva está ao nível normal de qualquer dos anos anteriores.

O Pingo Doce e os impostos nos Países Baixos

por henrique pereira dos santos, em 12.11.20

É certinho: sempre que há qualquer questão com o Pingo Doce, há dezenas de pessoas a falar dos impostos que o Pingo Doce pagará nos Países Baixos.

O Pingo Doce, tal como a Padaria Portuguesa e outras empresas de sucesso em Portugal que se recusam a ceder à chantagem de sindicatos com representatividade marginal nos seus trabalhadores, são regularmente malhados por boa parte dos portugueses pelo crime hediondo de criar riqueza.

Até aqui, nada de novo, a opção portugueza pela pobreza é uma evidência com uma longa história, que se fundamenta, em grande parte, no facto de haver uma fracção muito importante da população que jamais deixará que os factos influenciem as suas opiniões.

É por isso que por mais que se explique que o Pingo Doce paga os seus impostos em Portugal - incluindo a grossa maquia da tributação do trabalho que resulta de ser dos maiores empregadores nacionais e o Estado achar boa ideia tributar os factores de produção em detrimento da tributação do consumo - e que é a holding que detém o Pingo Doce que paga impostos nos Países Baixos (como todas as maiores holdings portuguesas), nunca se deixará de ouvir a conversa de que o Pingo Doce não paga impostos em Portugal.

Em traços largos, se eu tiver uma barbearia, uma pastelaria e um bate-chapas, o Estado considera que o dinheiro que eu consiga ganhar com estas empresas, depois de deduzidos todos os impostos, é meu e eu posso gastá-lo onde quiser, incluindo o clássico mulheres e vinho verde, que ninguém tem nada com isso.

Mas se resolver consolidar estas três empresas numa holding, cujas receitas sejam o tal dinheiro que seria meu sem holding nenhuma, há uns espíritos iluminados que querem voltar a tributar esse dinheiro.

Naturalmente, o mais razoável é fazer a holding num país em que esses iluminados mandem pouco e, de preferência, escolho um país com um bom rating porque isso influencia o rating da minha holding e me facilita o acesso ao crédito que preciso para gerir as minhas empresas.

Por isso todas as grandes holdings portuguesas estão fora de Portugal.

O que exige o povo português?

Um sistema fiscal mais simples e inteligente, mais amigo da criação de riqueza?

Não, o que exige é que o Estado se substitua às empresas e tome decisões de gestão corrente como definir horários de abertura de lojas e coisas que tal, independentemente do resultado final ser menor criação de riqueza e ficarmos todos mais pobres.

Carlos Guimarães Pinto fez hoje um post exemplar exactamente a chamar a atenção para o verdadeiro caso de estudo que é a relação de uma das poucas multinacionais portuguesas bem sucedidas com a sociedade que serve e com a qual cria riqueza.

Sermos um país pobre não é karma, é mesmo a nossa opção.

Catarina Martins - Acabe-se com o trabalho!

por Jose Miguel Roque Martins, em 12.11.20

"Estão a utilizar a pandemia como uma forma de um enorme abuso sobre os trabalhadores e os seus horários porque aquilo que está a ser pedido aos trabalhadores, nomeadamente do Pingo Doce, que passem a abrir às 06:30 é uma violência tremenda que é feita com a desculpa da pandemia"

Para mim, violencia é não haver trabalho, como acontece a centenas de milhar de pessoas afetadas pela pandemia! 

Ribeiro Telles e a Ecologia Integral

por João Távora, em 12.11.20

GRT.jpg

Bom seria que se entendesse de uma vez por todas que as profundas convicções ecológicas de Gonçalo Ribeiro Teles, expressas no seu cepticismo pelos excessos da “engenharia” do homem no meio natural, são as mesmas que conduzem e fundamentam as suas convicções monárquicas: Portugal, como nação composta por comunidades naturais autónomas encimadas pela Instituição Real legitimada por 800 anos de história, a consolidar e agregar os portugueses, penhor da liberdade de todos, “o suporte interessado na boa organização e gestão da rés-publica” nas suas palavras.

Deve-se a Edward Jenner, um médico britânico, a invenção da primeira vacina, a da varíola, em 1798.

A vacina contra a febre amarela foi criada por Max Theiler, da Rockefeller Foundation, em 1951.

Maurice Hilleman, um americano que ingressou na farmacêutica Merck em 1957 e lá trabalhou toda a vida, inventou mais de 40 vacinas, entre elas a do sarampo e a da rubéola. Deve-se-lhe e à sua empresa a salvação de milhões de vidas.

A empresa PaxVax,da Califórnia, em parceria com a universidade do Maryland, criou em 2016 uma vacina contra a cólera.

Está em curso uma campanha-piloto de vacinação contra a malária, resultado de investigação da empresa GlaxoSmithKline.

Deve-se à Novartis, suíça, a criação da vacina contra o vírus H1N1, que causa a doença fatal Influenza A, conhecida popularmente como Gripe Suína.

A empresa farmacêutica AstraZeneca, suíça, a parceria americana-alemã Pfizer-BioNtech, e a americana Johnson&Johnson estão em fase final de desenvolvimento de uma vacina contra o Covid, que já infectou 25 milhões de pessoas e matou mais de 850 000 em todo o mundo.

A iniciativa privada, a liberdade económica, a concorrência, o investimento privado, a perspectiva de lucro, e o lucro que permite mais investimento salvam milhares de milhões de vidas. São a forma mais pronta e eficaz de altruísmo.



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