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A César o que é de César

por Corta-fitas, em 30.10.06
Normalmente evitaria polemizar com João César das Neves (JC das N). Tenho sempre a impressão de que discutir com ele é como discutir com um taxista e, no final, somos nós que pagamos a factura. Pode ser que me engane mas tenho dúvidas (ao contrário dele, pelo que parece).
Hoje, JC das N defende a geração que fez o 25 de Abril. Uma malta injustiçada pelas críticas que lhe fazem os jovens que «mesmo com cursos superiores, não conseguem carreira estável e andam no desemprego, a recibo verde ou trabalho temporário». Apesar disso, escreve JC das N, «a geração anterior sofreu muito».
Ora pode ser que tenha sofrido, pelo menos aqueles que não andaram nos copos na Sorbonne e em Oxford. Mas a verdade é que, de gestão e microeconomia, nenhum deles percebia nada. Veio a revolução e a ideia brilhante que tiveram foi obrigar quem sabia o que era uma empresa a sair do país e entregar a gestão ao Estado e aos “colectivos”. O ouro foi para o bandido e para o estrangeiro, como pagamento das dívidas das experiências marxistas-maoistas-leninistas e a agricultura ficou em cacos com as terras ao abandono.
Depois, foi o rebound. No rebound, em português a tabelinha, a bola da ideologia já estava enfiada no buraco e na mesa de bilhar restava outra bola: Os «tachos» do esquema rotativista criado pela dita geração. Uns TLP estatizados, por exemplo, tinham dois edifícios. Um para o partido no Governo e outro para os quadros na prateleira, que alternavam alegremente. A malta continuava a não perceber nada de gestão e microeconomia mas já sabia como gerir a sua conta bancária e os interesses entre as capelinhas.
Hoje, a geração seguinte quer governar isto e não consegue. Há facturas para pagar que nunca mais acabam e dívidas do tamanho do continente africano. JC das N vem falar-nos de «sofrimento»? Tenha dó! Quem sofre, todos os dias, somos nós. E temos sorte se não for até ao final da vida.



7 comentários

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De Hexagonista a 04.11.2006 às 02:19

Concordo com Menir. E acrescento que não sei se sofro ou não, mas sei que tenho medo do JCN. Muito medo.
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De LB a 31.10.2006 às 18:39

Por acaso acho o João Cesar das Neves um dos melhores economistas da nossa praça. Nem me chegam a causar muita espécie aqueles artigos 'estranhos'(eufemismo) sobre assuntos de sexualidade e moral, porque os vejo como extravagâncias de um homem inteligente com uma parte da razão alienada (todos temos uma).

O JCN tem uma peculiar sensibilidade social que falta muitas vezes a outros economistas, incapazes de explicar e contextualizar números macroeconómicos com o lado "humano" e social da coisa. Este, sobre o 25 de Abril, é um belíssimo exemplo. Acho a opinião desse artigo perfeitamente razoável e apoiada em factos que qualquer um de nós pode observar.

Olhe que seu apanhasse um taxista assim, era capaz de lhe dar gorjeta :)

Cumprimentos
LB
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De Ricardo Sebastião a 31.10.2006 às 11:18

esta geração é que anda a sofrer e bem para pagar as reformas à geração do 25/4!
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De ergela a 30.10.2006 às 14:33

Prémio:Raramente me engano,raramente tenho duvidas.
Bem ao estilo do nosso PR a escola é a mesma.Ah! Desculpem ele agora está em estado de graça não posso critica-lo.
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De Anónimo a 30.10.2006 às 13:58

O Sócrates percebe de economia à beça.

A chatice é que isto está cheio de dívidas e ele, coitado, para mandar fazer o aeroporto da Ota e o TGV não consegue arranjar guito. Mas não é por falta de conhecimentos.
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De Anónimo a 30.10.2006 às 13:37

Ao menos o Louçã percebe de economia.

De economia, de justiça, de negócios estrangeiros, de agricultura, de saúde, de transportes, de administração interna, de ordenamento do território, de pescas, de caviar, de caviar, de caviar, de...
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De menir a 30.10.2006 às 13:19

Caro Joãõ, deixe-o falar, é um dos que me faz (sempre que esbarro com um dos seus artigos) soltar estrondosas gargalhadas...

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