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As críticas de Alegre e o receio de Sócrates

por Pedro Correia, em 30.01.08

A mini-remodelação que José Sócrates ontem anunciou, enquanto decorria a abertura oficial do ano judicial, responde a todos aqueles que juravam pela inutilidade do milhão e duzentos mil votos obtidos há dois anos nas urnas por Manuel Alegre. Percebe-se agora muito bem que o histórico socialista pode condicionar a renovação da maioria absoluta do PS. A possível repetição nas legislativas de 2009 do que ocorreu nas presidenciais de 2006 e da eleição intercalar em Lisboa do Verão passado (em que Helena Roseta, sem máquina partidária, obteve 10%) é talvez hoje o maior pesadelo do primeiro-ministro. As críticas de Alegre ao péssimo desempenho do ministro da Saúde, dando voz ao que milhares de socialistas pensam, ditaram o destino de Correia de Campos. Mais ainda: a substituição de Campos por uma ex-apoiante de Alegre, com a clara intenção de condicionar as intervenções críticas do poeta nesta área, são a melhor prova de que Sócrates receia o ex-candidato presidencial. Há uma esquerda socialista que, não se revendo no PCP nem no Bloco, jamais voltará a votar no actual primeiro-ministro mas optaria por uma alternativa eleitoral corporizada por Alegre, que também sem aparelho obteve 20% na corrida a Belém. Quem desvalorizar isto arrisca-se a falhar todos os vaticínios.
Alegre, que teve um papel importante nas presidenciais, pode ter uma intervenção decisiva nas próximas legislativas. Tudo depende da sua vontade. E Sócrates sabe isso melhor que ninguém. Daí o seu receio.



14 comentários

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De Aqueduto Livre a 01.02.2008 às 11:16

Caro Pedro,

Ontem tinha escrito um longo post a pretexto do seu "As criticas de Alegre e os receios de Sócrates".

Entretanto, incompetência bloguista minha, perdi o texto e não lho consegui remeter.

Como a minha memória já não é o que foi - não consigo recordar o que, realmente, dedilhei.

Aqui vai outro.

Espero, sinceramente, que não o aborreça a leitura deste, se a isso se der ao cuidado...

Digo-lhe, desde já, que aprecio bem mais os pré-socráticos.

Aquela cena do "só sei que nada sei" ao que o outro retorquiu "e, eu, nem isso sei!" - convenhámos, está já estafada e um pedaço fora de moda!.

O Eça, o das Farpas, se por aqui andasse, bem nos diria ao seu jeito sarcástico: " Não temos emenda nem reparo!"

Na primeira nesga e oportunidade com se nos deparámos, aí estamos com nós os nossos "mitemas" de sempre: ele é o D. Sebastião, que há-de voltar para nos desenrascar dos passes manhosos e estreitos do quotidiano, das incompetências e da corrupção dos políticos; que nos há-de levar aos céus do Olimpo, para recuperarmos de TODOS os nossos atrasos, os endémicos e os outros - que se nos colocam desde as Indias por descobrir e por ganhar.

Cá estamos nós com o novo Messias, o Salvador:Manuel Alegre!

Digo-lhe com a maior das sinceridades: gosto do Vate, cultuo sobretudo o enorme novelista e contisata que ele é!

Já do politico...essa é outra conversa.

Incomoda-me o estilo, a pose aristocrética (não no sentido do medievo casticista, mas no sentido que os gregos antigos emprestava a esta qualidade: os "aristoi", os melhores da cidade e que cultivavam, ao modo de Péricles a "areté" - que era a "qualidade" que o Grego possuia, cultivava e cultuava...mas que era escrutinado e atribuido pela pela Atenas e pelas suas singularissimas instituições, constituições.)que ele se arroga para Ele.

Então nos últimos tempos, um certo discurso de pendor "moralisante" não quadra, na minha opinião nem com o personagem, nem com a biografia do político Manuel Alegre.

Manuel Alegre foi eleito em Lista patrocinada pelo PS para deputado à Assembleia da República; Alegre foi eleito Vice-presidente da Assembleia da República com os votos, essenciais, da bancada socialista.Alegre, enquanto cidadão, decidiu candidatar-se à Presidência da república sem o apoi do PS, desejando-o, querendo-o, mas não conseguindo o apoio de Sócrates...é história conhecida.

Depois deste episódio...tudo como dantes. Aparentemente, nada se modificou? Alegre continua na bancada do PS, continua Vice- presidente e continua nos órgãos nacionais do PS.

Não me conhecendo, aceite como verdadeira esta minha inóqua condição: sou um velho, pequeno actor da história pátria recente e da luta antifascista, observador atento e informado hà já mais de quarenta anos.

Recordo-me,pois, do manuel Alegre de Argel, amigo do Piteira Santos e do Gabriel Pedro, a sonharem intentonas, revoltas, sedições e revoluções contra os Fascismo; recordo-me do Manuel Alegre, neófito socialista, no pós 25 de Abril, a safar o Soares de perder o PS para o Manuel Serra (que será feito deste personagem de romance?...), para este o colocar de mão beijada na estratégia do PC/Álvaro Cunhal então em desenvolvimento; recordo-me do Manuel Alegre então Secretário de Estado da Comunicação Social (creio que era este o cargo...)dum dos primeiros Governos Constitucionais dirigido pelo Soares, a encerrar "O Século" (fundado pelo ínsigne republicano e maçon, Sebastião Magalhães Lima, que teve um papel de primeira plana na instauração da 1.ª República e que foi Grão-mestre do GOL...), sem acautelar o destino dos trabalhadores (alguns foram-no bem trágico...), sem assegurar o espantoso acervo fotográfico de mestre Joshua Benoliel, o primeiro repórter fotográfico de imprensa...e mais não digo!

Um amigo meu, que esteve nos jornais, revistas e RTP, mais de quarenta anos, quando recordava, amargamente este episódio, dizia do vate, com alguma ironia e sóbria indignação: o poeta d'"O Século"!

Eu pressinto que, uma certa esquerda, que acredita ainda nos amanhãs que cantam, sem casa, sem família, sem profetas, sem patriarcas,sonhe no retorno do nosso rei menino (isto em tempo de centenário do regícidio...até que pode caír mal!), do D. Sebastião das rudes planuras de Alcácer-quibír, que sonhe com um V império, sem soberba, nem conquistas, nem exploração de povos nativos.

Os nossos "mitemas" são persistentes, preversos e, a cada curva apertada da nossa história (que é onde estamos na actualidade)lá emergem eles, poderosos, devastadores!

Mas, com renovada sinceridade lhe digo, o Manuel Alegre não é o nosso Vasco da Gama, muito menos o nosso imperial Afonso de Albuquerque, o Leão dos Mares (perdoe-se-me a metáfora, pois que a mística do Alegre o remete para uma outra alimária...a Águia vitória.)

Não me parece que o Manuel Alegre possa ser o nosso António Maria Fontes Pereira de Melo, o do Partido Regenerador, nem me parece que tenha vontade de cavalgar um Movimento, á séria, consistente, que se propunha a regeneração da Pátria (ou Mátria como gostava de dizer a Natália...).

Com renovada sinceridade, lhe digo, que gostaria de ver o Manuel Alegre a utilizar a sua, dele, VOZ, o seu fino trato tribunício e a sua erudição para, em "su sitio", na Assembleia da República, para fustigar, para denunciar, par remendar, para corrigir, para exercer o seu mandato de influência - que lhe dum estatuto que ele ganhou: duma certa consciência ÉTICA e MORAL da, ou duma, ESQUERDA em Portugal!

Para terminar, que o prosear já vai longo, deixo-lhe duas perguntas (porventura com algum veneno:

1/ A corrupção na sociedade portuguesa, nos negócios, nas Câmaras Municipais,na Assembleia da República, nos partidos políticos (TODOS!...)e etc., não faz parte da Agenda política do Manuel Alegre?

2/ E a coinceneração de Souzelas? Como é que está a lidar com este dossier?

Bem haja, por pensar, por escrever, por opinar, por exercer os seus direitos indeclináveis de cidadania activa.

O estarmos em desacordo, o termos abordagens distintas para as mesmas realidades, não fará de nós, certamente, nem adversários, nem menos ainda inimigos (eu, para esse peditório das irredutibilidades, dos absolutos, da minha VERDADE, como sendo melhor que a dos outros...).

Fará, com alguma probabilidade, de mim, no futuro, um seu leitor atento e dedicado.

Aceite os protestos da minha genuina e sincera consideração,

José Albergaria
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De Anónimo a 31.01.2008 às 13:27

Eu quando for grande também quero fazer moças!
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De Anónimo a 31.01.2008 às 09:00

o senhor da fotografia a fazer moças seria algo pouco dignificante de ver.

Já as mossas que provoca na fraca crosta do sistema, aí sim !!!
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De Anónimo a 30.01.2008 às 21:42

Pois eu penso que tem razão. É que o Alegre não está sózinho. E tem um quase Zapatero na manga , do qual muitos socialistas dos antigos gostam . Até eu gosto. É meiguinho.
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De cfa a 30.01.2008 às 20:03

Pedro, este teu texto é irónico, certo?
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De Pedro Correia a 30.01.2008 às 18:28

Ergela, compreendo-o bem.

António, daqui a algum tempo voltaremos a falar.

Um abraço, compadre.
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De ergela a 30.01.2008 às 18:14

Pedro gostava de poder intervir neste debate,mas circunstâncias que o meu amigo conhece impedem-me.
Só posso dizer que muita coisa se escreve que não corresponde à verdade.
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De j.c. a 30.01.2008 às 18:12

Certeiro, compadre! Sem tirar nem pôr. Ao contrário do que diz António P., se faz moças é relevante. Enquanto se faz estragos não se passa à História.
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De António P. a 30.01.2008 às 18:05

Pedro Correia,
com todo o respeito que Alegre me merece penso que é um personagem completamente irrelevante na actual situação quer nacuonal quer do PS...isto não quer dizer que não faça moças, o que é distinto de ser relevante.
Eanes, en su dia, também fez estragos e depois passou à história.
Cumprimentos
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De Anónimo a 30.01.2008 às 16:12

Aquele da foto é Statler ou Waldorf?

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