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Contágio

por henrique pereira dos santos, em 30.11.21

Alemanha

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Austria

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Portugal

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Estes três bonecos são produzidos automaticamente pelo Our World in Data e contrariam o essencial do discurso mediático sobre a epidemia.

Sim, é verdade que na Alemanha a incidência é mais do dobro da que existiu no pior pico anterior, sim, é verdade que a incidência na Austria é quase o dobro do pior pico passado e sim, é verdade que a incidência em Portugal está a subir (aparentemente está já a dar sinais de abrandar, mas até ao lavar dos cestos é vindima).

Também é verdade que as hospitalizações, doentes em cuidados intensivos e mortes, não acompanham a incidência como anteriormente, de tal maneira que se torna difícil aceitar a conversa da sobrecarga dos hospitais alemães, já que as hospitalizações estão bastante abaixo dos anteriores picos.

Essencialmente, o que se pode dizer é que a vacina tem cumprido bem a sua função de protecção individual (há quem argumente que as variantes que se tornam dominantes são as que são mais infecciosas, mas menos letais, não vou entrar nessa discussão, de uma maneira ou de outra há um claro desfasamento entre a evolução do número de casos e a evolução de hospitalizações, cuidados intensivos e mortes) mas, aparentemente, não é uma grande ajuda no bloqueio do contágio.

Dizer isto não significa que a vacina não possa ter algum efeito de contenção do contágio, significa é que há outros factores mais importantes a determinar a evolução do contágio - sejam as tais variantes mais contagiosas, sejam os factores ambientais, também não entro nessa discussão - e a variação de contágio comunitário que a vacina possa induzir é absorvida pelos outros factores que duplicam, triplicam, e mais, os contágios, numa ou duas semanas.

Resumindo, para quem adoptou o contágio como o critério central de evolução da epidemia, a situação é hoje muito complicada na Europa, para quem adoptar os efeitos reais da doença nas pessoas, medido em hospitalizações, cuidados intensivos e mortes, a situação actual é tranquila na Europa quase toda.

Note-se que o padrão de hospitalizações, cuidados intensivos e mortes não é exactamente igual, não há uma sequência de evolução da doença que seja hospital, cuidados intensivos e morte.

Há muitas hospitalizações que não evoluem para cuidados intensivos e, sobretudo, as pessoas que estão a morrer correspondem a grupos sociais muito diferentes dos que estão nos cuidados intensivos.

Os que estão a morrer são pessoas muito velhas e doentes, vacinadas ou não. São, de maneira geral, pessoas cuja vida pode desaparecer com covid ou com outra coisa qualquer, à mínima perturbação correm riscos de vida elevadíssimos, não sendo de esperar, na esmagadora maioria, que na ausência de covid vivessem muito mais tempo.

Os que estão a ser hospitalizados e levados para cuidados intensivos, de maneira geral são mais novos, às vezes sem histórico de doenças prévio, e não morrem, em grande parte, são tratados e voltam para casa.

Ou seja, com a vacina, ou com as variantes mais transmissiveis mas menos letais ou com uma combinação das duas coisas, a verdade é que a covid deixou de ser uma doença que crie mais risco social que a gripe.

Aqui chegados, é mais que legítimo perguntarmo-nos por que razão há crianças que desde o ano lectivo já estiveram isoladas em casa três vezes, catorze dias de cada vez.

E a resposta é desarmantemente simples: porque as pessoas que tomam decisões sobre o assunto acham muito importante diminuir o contágio de uma doença - medido laboratorialmente é bom lembrar - e não atribuem grande importância à frequência da escola.

Luís Aguiar-Conraria rendeu-se ao pragmatismo e no seu último artigo do Expresso (aliás, muito bom, embora eu tenha dúvidas sobre a parte final, que é a que estou aqui a comentar) defende que como será sempre assim, o melhor mesmo é vacinar as crianças para que as deixem em paz na escola.

Em compreendo esse pragmatismo, também dou tanta importância à frequência presencial da escola que acho que mais vale garantir a sua frequência que discutir se as políticas públicas estão certas ou erradas, mas não consigo ir tão longe.

Não porque veja grande risco na vacinação de crianças, que acho essencialmente um gasto ineficiente de recursos e energia (para além de uma injustição evidente face aos países que nem a sua população de risco têm vacinada), independentemente de reconhecer as questões éticas que se levantam.

O problema é que se mantivermos o foco no contágio medido laboratorialmente, não são só as escolas que vão ser destinatárias de medidas de gestão da epidemia que, além de estúpidas, são na verdade contraproducentes (os efeitos de longo prazo na confiança dos processos vacinais, que é elevadíssima em Portugal, talvez não seja dispicienda), é toda a sociedade.

E eu continuo a achar que é preciso perguntar por que raio continuamos a discutir isto com base em incidências de casos, visando um bloqueio de contágio irrealista, em vez de nos concentrarmos no essencial: hospitalizações, mortes e protecção dos mais susceptíveis.

Se há coisa que, mais uma vez, como nas outras epidemias, parece ficar demonstrado, é que tentar fazer bloqueios de transmissão de doenças deste tipo, sem que existam instrumentos farmacêuticos adequados - medicamentos e vacinas - é uma rematada idiotice, com custos sociais brutais e completamente desproporcionados face aos benefícios que se obtêm.

Uma coisa é usar medidas não farmacêuticas na protecção individual, outra coisa é confiar nelas para evitar surtos, tal como uma coisa é gerir os efeitos de um incêndio em concreto recorrendo a meios de combate, outra coisa é confiar na diminuição das ignições e nos meios de combate para obter o padrão de fogo que se pretende.



8 comentários

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De Susana V a 30.11.2021 às 15:49


É óbvio que está tudo doido. Vivemos numa sociedade de velhos alucinados, governada por velhos ainda mais alucinados.
Não me vou alongar  neste comentário, só queria frisar que esta ideia que já vi expressa muitas vezes " o melhor mesmo é vacinar as crianças para que as deixem em paz na escola" é, na minha opinião, muito perigosa. 
É como obrigar as pessoas a ir à missa porque mal não faz, e até pode fazer bem a alguns. A certa altura é preciso dizer não. Para eu vacinar as minhas crianças têm de me dar fundamentos médicos, não políticos.
Além de que não é preciso ser muito perspicaz para perceber que nada vai fazer que nos deixem em paz (crianças incluídas) excepto a erradicação do vírus, o que, também já percebemos, não vai acontecer.
Os adolescentes foram vacinados e continuam a usar máscara na escola, a tremer de frio nas aulas por causa das janelas escancaradas, a comer a comida fria porque está interdito o uso de microondas e a ficar duas semanas em casa quando testam positivo, mesmo sem quaisquer sintomas.
Para nos deixarem em paz temos de ser nós, como sociedade, a exigir essa libertação. Mas, infelizmente, não estou a ver isso a acontecer...




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De Carlos Sousa a 30.11.2021 às 16:57

Realmente, num país onde num dia morrem 18 pessoas de covid (?)e 277 de outras doenças, é mesmo caso para dizer, está tudo doido. 
Não lhes interessam as miocardites nos putos, não lhes interessa o vírus sincicial que está a aumentar drasticamente nas crianças, não lhes interessa o parecer dos técnicos porque já compraram as vacinas, estão cegos,surdos e mudos.
Não sei o que é que estão à espera, mas qualquer dia salta mesmo tudo à mocada.
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De balio a 01.12.2021 às 11:10


Vivemos numa sociedade de velhos alucinados, governada por velhos ainda mais alucinados.


Nem mais.
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De Anónimo a 30.11.2021 às 19:13


Muito bem, no alvo. Inocular com uma mistela que insofismavelmente não é uma vacina para estes virus, num adulto, assintomático, lá por que acusa, expremidamente, qualquer coisa no organismo é apenas a demonstração do pânico que graça nas autoridades e o poderosos negócio da industria farmaceutica.
Alhos e bugalhos.

Repetir esse leviano processo em crianças assintomáticas, apenas baseados num constatadamente impreciso teste, alhos e bugalhos, é crime.
Quanto médicos se responsabilizarão numa situaçõe específica -uma criança, um médico- por "vacinar" com este "produto" (OMS) um assintomático?.
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De balio a 01.12.2021 às 11:12

Tal como avisei no dia em que António Costa decretou a "libertação", não haverá libertação nenhuma enquanto não se deixar de impôr quarentenas a todo e qualquer infetado pelo vírus. A liberdade é diametralmente oposta a quarentenas.
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De balio a 01.12.2021 às 11:13

Ontem tivemos a notícia de que uma secção inteira de um hospital foi colocada em quarentena e, em consequência, essa secção do hospital deixou de funcionar durante duas semanas. Talvez isto faça despertar os médicos e a população para a inaceitabilidade desta ditadura pseudo-sanitária a que estamos submetidos.
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De Anónimo 78 a 01.12.2021 às 11:34

Peço antecipadas desculpas por erros de pormenor mas não tenho tempo agora para pesquisar.
Algures nos anos 50 houve umas terríveis chuvas em Portugal que terão causado mais de 700 mortos (as características do regime não permitiram números exactos).
Numa reunião em S. Bento, Salazar, face à evidência que erros e falhas de comunicação teriam agravado muito as consequêncis, mostrava-se muito incomodado e o secretário de Estado da presidência, vendo isso, disse-lhe que, se quisesse, poderia elaborar um manual de procedimentos em casos de catástrofes.
Salazar, claramente agastado, retorquiu, faça isso e, já agora, limite o manual a uma única instrução: Em caso de catástrofe os lugares-chave devem estar ocupados por pessoas inteligentes.
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De Anónimo a 02.12.2021 às 16:08


HPS, eu penso que o compreendo; mal, mas faço um esforço.
Com o a$uda de Soros, Gates, Clinton, Rockfeller, o ocidente já começou a ter razão para se coçar.
Os pulhas viram logo o modo económico de dar termo a democracias e dar vida a ditaduras.
Aguardemos que sejam, em breve, destruídos.
De resto não vale gastar cera...
Se não existisse o Rock, arranjava-se outro animal.

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