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De como vai o CDS

por João-Afonso Machado, em 31.10.21

O meu caríssimo Amigo João Távora interroga-se, e protesta, sobre o presente e o futuro da sua fidelidade partidária longínqua, o CDS. Sei-o bem capaz de jamais abandonar as suas convicções. Somente, creio ele (não) ser um exemplar caso de crença.

O João Távora, aqui no CF, critica os «portistas» seus correligionários. Preambularmente - não sou do CDS, nem sou contra portuenses ou lisboetas. A questão parece-me totalmente longe da geografia, antes entrosando nas ideologias. Vamos a uma tentativa de explicação:

Algo existe e subsistirá, economico-socialmente, neste infeliz e desinformado País: a divisão entre a Esquerda e a Direita.

Durante anos e anos, o eleitorado votou, como se diz, «ao centro»: ora no PSD, ora no PS, maioritariamente, conforme as benesses atribuídas à Função Pública a faziam sentir mais confortável. O CDS serviu uma escolha e outra - ambas - no rescaldo do supremo escrutínio popular.

Se havia fé democrata-cristã ou social-democrata? Salvo raríssimas excepções - não! Quando muito havia líderes que pela palavra arregimentavam gente ao clube.

Assim, por via da falha de oratória, o CDS foi perdendo espaço entre os votantes. Realidade que saíu reforçada com a golpada de Costa em 2015. E daí às questiunculas internas é que se adivinha.

Ao invés (para exemplificar), a Iniciativa Liberal, de parto recente, apostou nas suas ideias. Na diferença. São poucos, mas a tendência é de serem mais. Assim se mantendo, as guerras intestinas ficam mais além.

Já o CDS - ideologicamente - tentou as boias de salvamento e foi oscilando entre o liberalismo e a democracia-cristã. Nele floresceram correntes antagónicas que nada dizem ao eleitorado. E os resultados, em cada eleição, foram-se vendo.

Chegámos a hoje. «Portistas» e lisboetas não discutem um rumo certo programático para o Partido. Apenas, à tona dos intervenientes, a manutenção de um lugar no mapa partidário. O CDS é uma vítima de si mesmo. Como Portugal também.

É por isso que (no meio desta confusão toda) sou e serei sempre monárquico por opção de regime e social-democrata por aposta ideológica. Mas o que vale isto? - nada!

Daí o meu empenhado afastamento de quaisquer organizações, políticas e partidárias. Independência e liberdade, in casu, confundem-se.

 

 



8 comentários

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De Anónimo a 31.10.2021 às 18:24

Quando li o artigo aqui referido julguei que Portistas tinha que ver com Paulo Portas e não com o clube de futebol.
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De João-Afonso Machado a 31.10.2021 às 18:43

Não seria com o futebol mas com o Nuno Melo, nortenho. Mas agora que reli a crónica do João Távora, parte final, onde expressamente faz alusão a Portas, dou toda a razão à sua observação.
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De Anónimo a 31.10.2021 às 19:26

O centro direita deve ter líderes pragmáticos!! Que isto como está não está para líricos mas sim de termos a capacidade de nos adaptarmos rapidamente a realidades que mudam rapidamente, sem estarmos agarrados a ideologias mas apenas a valores
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De Anónimo a 31.10.2021 às 20:21

Concordo consigo: pragmatismo acima de tudo, para se fazer o que tem de ser feito! É disso que se precisa, sem ideologias mas com valores.
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De João Távora a 31.10.2021 às 20:16

Amigo João: tenho uma perspectiva conservadora, democrata-cristã (temperada de liberalismo é certo) como solução para a munha Pátria, e desde sempre tentei afirmá-la no partido de Amaro da Costa e Freitas do Amaral a que me associei em 76 quando o PDC foi irradiado. Nessa coerência, nos últimos 15 anos juntei-me com alguns amigos a um dos melhores nortenhos que conheço, o Filipe Anacoreta Correia, para me bater pelos valores católicos que defendo e que tanto gostaria de ver reflectidos na governança do País, em sentido contrário à tese de Paulo Portas que quis um partido "abrangente" a concorrer no eleitorado do PSD. O resultado é o que se vê: temos 5 deputados no parlamento e o pior resultado de sempre em europeias obtido pelo Nuno Melo. 
Aqui chegados, anos e anos depois, a minha rapaziada (toda ela independente da politica para viver - alguns deles bons monárquicos), tem hoje os dois pés no partido. E estamos decididos a fazer tudo para corresponder às expectativas daqueles que se identificam com a nossa mundividência. Apesar do Chega e dos Liberais estou em crer que pior do que conseguiram os nossos antecessores é difícil. O anúncio da morte do CDS foi um manifesto exagero, daqueles que receiam uma direita civilizada e afirmativa na corrida ao poder. Prefeririam sempre concorrer com palhaços inconsequentes.  
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De João-Afonso Machado a 31.10.2021 às 23:08

Caro João: antes de mais, as minhas desculpas pela gaffe geográfica. Quanto ao resto não dúvido nem um segundo das tuas convicções democrata-cristãs, até porque és um homem disso -  de convicções.
As minhas são outras, mas antes de se ser democrata, é-se civilizado e isso basta para respeito mútuo.
Aquestão que quis frisar é que não interessa nada acreditar-se numa ideologia porque o eleitorado português nem quer saber disso nem de programas partidários. Quer clubismo e dirigentes que lhes falem aos seus interesses. Por isso Rui Rio se vê aflito no PSD, por exemplo.
E atéagora foram esses partidos (PS e PSD) que mercê dos seus aparelhos dominaram tudo. Oxalá as coisas mudem para bem de um País mais culto e democrático.
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De pitosga a 02.11.2021 às 11:53


João-Afonso Machado, deixe lá 'isto'.

'Isto' é, para mim, um paiseco e um povo de bosta (mot consacré par un raciste noir du Sénégal).


Viva em Paz.


Qualquer FP — significando um manga-de-alpaca e não um filho-de-uma-mãe-querida — vive naquilo que pensa ser a paz.


Creio que o Senhor está muito acima destas bostas.
Como já o informei não sou, por vontade de Deus, adepto de alguma agremiação mas aceito que haja homens que o sejam. Não subscrevo mas aceito.



Sempre com estima bem como pelo seu valor,
Abraço
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De João-Afonso Machado a 02.11.2021 às 12:55

Obrigado, caro Pitosga.
Um abraço.

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