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Agora falando sério

por Corta-fitas, em 09.04.07
A notícia principal do Diário de Notícias de hoje é um assunto muito, muito sério. Suficientemente sério para não poder nem merecer ficar por aqui. O Ministério da Educação deve responder quanto antes e, caso não o faça, esta é uma daquelas situações em que a tão propalada sociedade civil deve pressionar, de forma solidária, a que haja um esclarecimento claro dos critérios utilizados, da sua adequação e da sua validade.

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5 comentários

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De Leonor Barros a 09.04.2007 às 22:44

Apenas para finalizar, resta-me dizer, na sequência do que referiu o manhente, que a formação dos professores é fundamental para que se proceda a uma alteração/melhoria do ensino em Portugal. Com o novo Estauto os professores só poderão frequentar acções de formação em horário pós-laboral, o que exclui liminarmente qualquer seminário, congresso, acção de formação que se desenrole me plena luz do dia e nos horários em que habitualmente estes eventos têm lugar. Seremos todos muito bons em Tecnologias, a única oferta disponível, de resto receio que muitos de nós, e perdoem-me a boçalidade da expressão, ficarão com palas. Lamentável e vergonhoso!
Desde já peço desculpa pelo desabafo, mas a educação é demasiado séria para que se ande a brincar com ela há tanto tempo.
Cumprimentos a todos
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De João Villalobos a 09.04.2007 às 20:44

Obrigado pelos comentários a todos e ao manhente em especial pelos contributos para um melhor esclarecimento das questões em causa.
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De MANHENTE a 09.04.2007 às 19:07

João:

Leve-se o seu título "a sério"; faça-se um trabalho de investigação jornalística aprofundado (com observações in loco e comparadas)e muitas das ideias feitas sobre o estado da educação em Portugal darão, garanto-lhe, uma grande volta. Como no vosso excelente corta-fitas escrevem pessoas do ou próximas do meio, seria bom que pudessem deligenciar para tal. Um desafio.

Quanto ao seu post, parabéns. Uma leitura atenta do artigo do DN para que remete e o comentário da Leonor Barros merecem-me alguns apontamentos:

- Com algumas nuances, os alunos com problemas de aprendizagem são, grosso modo, identificados como tendo Necessidades Educativas Especiais (NEE)ou necessitando de apoio pedagógico acrescido específico (apoio individualizado, aulas suplementares...)

- Pelo que sei, o conceito de NEE foi adoptado a partir da apresentação ao parlamento britânico do Relatório Warnock (1978), segundo o qual uma em cada cinco crianças apresenta NEE em algum período do seu percurso escolar, o que não corresponde à proporção de deficientes (perdoe-se a crueza do termo). Por esta razão se adoptou este conceito. Se a proporção de alunos com NEE em Portugal é a apresentada no artigo, veja-se a diferença.

- Como se depreende do comentário da Leonor, a grande maioria dos professores não tem formação para identificar alunos que se possam enquadrar neste domínio e que não sejam deficientes. E quando isso acontece nos Conselhos de Turma, os alunos são encaminhados para os Serviços de Apoio da escola para que se faça um diagnóstico mais especializado. Ora, se alguns dos professores destacados para estes serviços não têm a formação adequada...

- Os alunos que aparentemente revelam dificulades de aprendizagem específica a determinadas áreas curriculares são geralmente indicados para frequentar aulas de apoio (muitas vezes, por falta de docentes ou má distribuição do serviço, em grupos-turma tão grandes que são "mais do mesmo"). A este respeito, que conste: uma percentagem elevada destes alunos falta a estas aulas, com conhecimento (obrigatório) dos encarregados de educação.

- Como a Leonor diz, a única preocupação do Ministério parece ser de ordem financeira. Tudo o resto é folclore e não se preocupa verdadeiramente com a formação dos nossos jovens. Aliás, o novo Estatuto da Carreira Docente trará consequências gravíssimas (é muito possível que num prazo de 10-15 anos tenhamos problemas idênticos aos do Reino Unido ao nível da disponibilidade de docentes; por muito que isso possa parecer estranho face ao excesso actual de licenciados na área). Não tenhamos ilusões: para uma educação de sucesso, um dos factores decisivos é a motivação do corpo docente (e isso também passa pela vertente financeira).

- Para que conste também: uma das codições para a progressão na carreira é a realização de 50% da formação na área específica de leccionação de cada professor. Os novos critérios estabelecem que apenas algumas áreas de formação (novas tecnologias, bibliotecas escolares...) serão financiadas; isto é: os professores terão que pagar do próprio bolso a formação que também é da responsabilidade do Ministério da Educação.

- Um último dado para estudo(polémico, mas que já começa a iluminar alguns "fazedores de opinião"). Os maiores factores de insucesso escolar em Portugal são a falta de "cultura de trabalho" dos nossos jovens (o saber não é suficientemente valorizado pela sociedade e pelas famílias) e as políticas educativas "desintegradas".

Desculpe a extensão do texto, mas pareceram-me apontamentos relevantes (mas que apenas deixam pistas e são apresentados esquematicamente por essa razão).

Um abraço.
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De Anónimo a 09.04.2007 às 19:03

Caro JV
a notícia é chocante e deve envergonhar-nos e revoltar-nos a todos. 70 mil alunos de ensino especial atirados ao mar? Temos um país dirigido por gente degradante.
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De Leonor Barros a 09.04.2007 às 14:29

O único critério que conheço naquele Ministério é o de corte de despesas. Tudo se resume lamentavelmente a um economicismo bacoco, no qual se inclui também o presente Estatuto da Carreira Docente. Este ano na escola onde lecciono foi colocada uma colega de Francês para dar apoio aos alunos com necessidades educativas especiais. Não tendo nunca tido formação neste âmbito, faz o que melhor sabe, certamente não será o melhor que devia ser feito. Foi o próprio Ministério quem a colocou, sabe, portanto, que não tem as habilitações necessárias e desjáveis para um cargo com tanta importância e responsabilidade.
Cumprimentos

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