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A lista e o silêncio

por Vasco Mina, em 29.12.13

 

O Jornal Público editou há dias um artigo sobre um livro recentemente editado pela Paulinas Editora com o título A Lista de Bergoglio – Os que foram salvos por Francisco. O autor, Nello Scavo, é um jornalista italiano que ficou impressionado com as primeiras notícias que saíram na comunicação social logo após a eleição do Cardeal Jorge Bergoglio para suceder ao Papa Bento XVI: tendo dificuldade em acreditar na escolha de um homem com um passado que era propagado como tenebroso pelas cumplicidades com os ditadores argentinos, partiu para Buenos Aires para investigar localmente o que verdadeiramente tinha acontecido. Após uma prolongada investigação com recolha de múltiplos testemunhos concluiu que afinal o livro que iria escrever seria sobre aqueles que o agora Papa Francisco tinha ajudado e salvo das perseguições a que estavam sujeitos. Mais, tinha corrido sérios riscos e nunca lhe faltou coragem para enfrentar várias situações sempre em defesa dos perseguidos. É imensa a lista de pessoas ajudadas e tudo indica que irá sendo (aliás, já está a ser) aumentada à medida que irão sendo conhecidos novos testemunhos. Talvez que uma das dimensões mais impressionantes deste percurso seja o silêncio. Bergoglio nunca falou (nem antem, nem depois e nem agora) sobre o que fez. Para um jesuíta, o silêncio significa não o silenciar mas sim a atitude de meditação, contemplação e de oração sobre os acontecimentos do quotidiano: seguindo a metodologia dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola é no silêncio interior que buscam a via para a maior glória de Deus (Ad maiorem Dei gloriam é o seu lema). Este silêncio não significa ocultar e muito menos calar injustiças mas sim traduz a humildade de quem sabe quem é O Verdadeiro autor do Bem e da Paz. Por tudo isto fogem da propaganda sobre o que fazem.

Infelizmente não faltaram, também por cá, aqueles que buscam, a qualquer preço, o que quer que seja que possa ser usado contra a Igreja. Vergonhosamente tentaram passar a mensagem de um Arcebispo que teria sido cúmplice de um regime ditatorial. Foram, na altura, denunciados aqui pelo Malomil pois o Esquerda.Net tinha publicado um post em que apresentava uma foto (falsa) em que aparecia um sacerdote (que seria o Padre Bergoglio) a distribuir a comunhão ao General Videla. Fruto da investigação do Malomil ficou provada a falsidade e que obrigou o esquerda.Net a retirar a foto e a pedir desculpas. Mas nem uma palavra foi retirada ao texto que afirmava o seguinte: «Jamais condenou os ditadores argentinos, apesar de saber que Videla e os seus sequazes torturavam, assassinavam, faziam desaparecer milhares de pessoas. Não pode alegar que não tinha conhecimento, porque era o confessor e dava a comunhão a Videla.» Depois desta campanha veio o silêncio mas o que cala a sujidade feita e mata a reputação de pessoas de bem como o Papa Francisco. É agora o mesmo Esquerda.net, com um artigo de José Manuel Pureza, que evoca o mesmo Papa que pretendeu manchar. Quando o discurso é conveniente cita-se o Papa mas antes (e vamos ver se depois) o silêncio que vive e deixa matar é a opção politicamente correcta. Como bem refere Henrique Monteiro no seu artigo de 15 de Dezembro, “a esquerda não costuma gostar de Papas”. Fica a esperança de “uma conversão: não do Papa, como pretende a esquerda, mas da própria esquerda”.

 

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