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Mais dois vislumbres da gestão socialista (a pagamento agora)

por José Mendonça da Cruz, em 21.11.13

Ontem, na Sic Notícias, no programa Negócios da Semana, onde José Gomes Ferreira faz repetidamente - e nas palavras do seu convidado Sérgio Monteiro - serviço público, ficámos a saber mais duas preciosidades da gestão do governo Sócrates.

Primeira: em 2010, as empresas públicas de transportes do país tiveram um resultado operacional negativo de 250 milhões de euros, sensivelmente o mesmo que no ano anterior. Nesse mesmo ano, o total das receitas não chegou para cobrir os custos de pessoal -- e, obviamente, menos ainda os de manutenção, substituição de material circulante, peças, juros de empréstimos, etc. Com as medidas tomadas pelo novo governo, em 2012 as mesmas empresas públicas tiveram um resultado operacional positivo de 5 milhões de euros.

Mas isso não interessa nada, dirão socialistas e comunicação social, isso é passado!

Ora, precisamente, não é: quem sustentou os desequilíbrios foram sempre os contribuintes; e, ainda hoje, apesar de todas as medidas, os 5 milhões não chegam para pagar os juros da dívida que as empresas de transporte acumularam. Donde vem o dinheiro para pagar o que falta? Da banca (que assim o nega à economia) e dos nossos impostos pesadíssimos. Ou seja, a austeridade de hoje, a falta de dinheiro de agora, os impostos exagerados destes anos, são resultado directo do desgoverno anterior e das facturas que continuam a cair-nos em cima. E também é bom ter isto em mente da próxima vez que um grevista da CP ou do Metro do Porto nos vier dizer que paralisou em defesa da empresa e dos utentes.

Segunda nova da gestão danosa: a factura das sete estradas que o governo de Sócrates e Paulo Campos contratou entre 2008 e 2011 chega em 2014. Os socialistas costumam dizer que essas PPPs não têm custos. Agora ficámos a saber porque é que o dizem: é que se baseiam nas estimativas de tráfego feitas na altura (algumas delas pelas próprias empresas concessionárias, segundo Gomes Ferreira) que apontavam para uma receita de 710 milhões de euros em 2014. Mas, na realidade, a receita que verdadeiramente será apurada será de 276 milhões de euros.

Como foi possível uma estimativa tão descabeladamente optimista? Como é possível errar tão grosseiramente com dinheiros públicos caso se esteja de boa fé?

Não se sabe.

O que se sabe é que, mais uma vez, a factura que chega no próximo ano é de 401 milhões, mesmo depois das renegociações conseguidos por este governo, com poupança de 300 milhões em 2013 e 377 milhões em 2014.

Será, talvez, aquilo a que João Cravinho chamava as «vantagens» das PPPs para o orçamento - ou seja, um enorme tapete sob o qual esconder hipotecas futuras. Ou será, então, aquilo a que Seguro e a tralha socrática chamam «política de crescimento» - no fim, até tem uma conta «para as pessoas». Ou será, ainda, «o dinheiro que aparece sempre» do Soares das esquerdas - sem custos para ele, como nas «SC»UT, porque somos nós, contribuintes, que pagamos.



4 comentários

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De Joaquim Amado Lopes a 21.11.2013 às 15:52

"Como é possível errar tão grosseiramente com dinheiros públicos caso se esteja de boa fé? Não se sabe."
A resposta não é "não se sabe", a reposta é "não é possível".
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De esse antonio a 21.11.2013 às 17:55

Não é possível, quer dizer o quê? Que os números referidos não são verdadeiros, ou, pelo contrário, significam que não deveria ter sido possível fazer tantas burrices à custa de todos...
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De Joaquim Amado Lopes a 21.11.2013 às 23:56

Quer dizer que, "caso se esteja de boa fé", não é possível errar por tanto. A conclusão óbvia e irrefutável é que os responsáveis por esses "erros" não estavam de boa fé.
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De zé luís a 21.11.2013 às 19:20

Como o JGF é o único que ainda me faz ver a SIC, com N ou com nada mais, obviamente também vi e pasmei. Vi hoje ao almoço, dispensando de bom grado os telejornais da treta de qualquer canal, SIC incluída.

Tenho pena que JGF não dê uma pequenina formação de Economia aos descabelados colegas da estação que só dizem asneiras a comentar assuntos da área, então na "movida" paralamentar é disparate acumulado como dívida tuga e facciocismo das anabelas de serviço é coisa de bradar aos céus.

Quanto à ruína socrática, pois já nem é novidade, novidade é passarem sempre pelos pingos da chuva com jornalistas como os da SIC, à excepção do JGF.

A vantagem do programa de JGF é que dá em directo à 4ª à noite e em diferido à 5ª ao almoço (13-14h) e ao sábado de manhã (7-8h). Há sempre opções de estar bem informado e ser bem formado.

Gostei da postura serena mas incisiva do sec. Estado e do sempre bom posicionamento do moderador que dá aulas de jornalismo televisivo a qualquer tipo da área.

Da SIC não me perguntem mais nada, deixei de ligar àquela manada.

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