Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




OE 2014?! Não, a agenda é a reforma do Estado

por José Mendonça da Cruz, em 31.10.13

Temos então os seguintes e felizes eventos:

a) que, afinal, o guião para a reforma do Estado não é -- como muitos desejavam -- um mero enunciado de intenções pias, mas sim um programa com medidas concretas e, sobretudo, coerentes;

b) que esse guião foi apresentado num tom de claro apelo à concertação;

c) e que, por tudo isso, não há outro assunto na agenda política.

É muito divertido observar os resultados. Primeiro, a inteira perplexidade do PS, que não conseguiu hoje, no debate parlamentar, articular uma ideia sobre o tema (o que, em termos optimistas, talvez queira dizer que compreende que não pode ficar à margem). Segundo, a reacção ressentida dos pivôs televisivos mais dependentes do Rato, que vão recheando de reservas e menorizações cada notícia sobre o guião da reforma, porque foi apresentado «ao fim de dois anos, por fim», ou porque tem «pouco mais de 100 páginas», como se isso fosse esclarecedor ou decisivo -- sem, no entanto, criticarem abertamente o guião, visto que o PS não lhes disse o que dizer, ainda. E, terceiro, a reacção previsível da Fenprof do arcaico Nogueira, que considera que incentivar professores a tornarem-se proprietários de escolas é o mesmo que «livrar-se» deles -- uma indicação preciosa de que Nogueira entendeu que tal medida liberta os professores dele, velho Nogueira.

Ou seja, este guião era necessário, exige atenção (quem, com boa razão, não queira ficar-se pelas «impressões» teleguiadas da Sic pode ler o documento aqui) e o governo está a fazer política.

Autoria e outros dados (tags, etc)



1 comentário

Sem imagem de perfil

De carlos a 31.10.2013 às 17:55


A “reforma”, que em guião o governo irá apresentar, procurará essencialmente em reduzir as funções sociais do Estado, na Educação, na Saúde e na Protecção Social. Em sintonia com a política neoliberal seguida pelo governo, pretendendo lograr o chamado “estado mínimo” tão requerido pelos economistas ortodoxos, pelo capital financeiro. Na verdade, os cortes de 4.000 milhões de euros anunciados em Maio estão associados a este projecto anti-social e creio mesmo que anticonstitucional. Cortar na Saúde, na Educação, na Protecção Social, não significa outra coisa que uma redução significativa das funções sociais do estado e assim, enfraquecer efectivamente o estado social.
Na sociedade portuguesa existem dois entendimentos quanto à chamada reforma do estado. Aqueles, para quem uma verdadeira "reforma do estado" seria a eliminação de todos os órgãos parasitários da administração pública, as verdadeiras gorduras do estado, mantendo e melhorando as suas actuais funções sociais e aqueles que advogam a redução ao mínimo possível das funções sociais do estado, privatizando o património do estado e acelerando a privatização na Saúde, Educação e Protecção Social.
Eu diria, com toda a propriedade, que é neste digladiar das duas posições que se manifesta hoje com todo o esplendor a velha e adormecida até aqui luta de classes. Uma classe que vive dos rendimentos do seu trabalho, empobrecendo dia a dia com os cortes com que tem sido atingida, que beneficia do estado social e uma outra, de altos rendimentos, que nunca precisou do estado social para nada (seus filhos sempre frequentaram colégios privados e sempre usaram hospitais privados e não necessitam de qualquer protecção social dada a sua riqueza) e portanto considera um desperdício mantê-lo. Consideram que o dinheiro que nele é gasto seria muito melhor aproveitado se estivesse em suas mãos. Declaram-no abertamente mas, naturalmente, por outras palavras, quando falam em “libertar a economia das amarras do estado”.
Na verdade, o que realmente está em jogo é a transferência de rendimentos da classe média e dos mais pobres para os mais ricos, o aumento das desigualdades sociais, neste guião para o estado mínimo a apresentar pelo governo. Numa nova distribuição da riqueza produzida socialmente - que favoreça os mais ricos, os banqueiros, os grandes accionistas das grandes empresas, os grandes empresários, os gestores económicos e financeiros e as elites políticas do “arco da governação”.

Comentar post



Corta-fitas

Inaugurações, implosões, panegíricos e vitupérios.

Contacte-nos: bloguecortafitas(arroba)gmail.com




Notícias

A Batalha
D. Notícias
D. Económico
Expresso
iOnline
J. Negócios
TVI24
JornalEconómico
Global
Público
SIC-Notícias
TSF
Observador

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Comentários recentes

  • Anónimo

    Salva qualquer um com magros resultados no balanço...

  • Anónimo

    o pescador é um predadoranualmente são lançadas no...

  • Anónimo

    os seres humanos anteriores à agricultura morriam ...

  • António

    A I.L. pode não ter amarras, mas tem tiques. Não f...

  • Anónimo

    Não havendo escrúpulos,sem atenção à diversidade d...


Links

Muito nossos

  •  
  •  
  • Outros blogs

  •  
  • Links úteis


    Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2018
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2017
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2016
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2015
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2014
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2013
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2012
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2011
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2010
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2009
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2008
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D
    157. 2007
    158. J
    159. F
    160. M
    161. A
    162. M
    163. J
    164. J
    165. A
    166. S
    167. O
    168. N
    169. D
    170. 2006
    171. J
    172. F
    173. M
    174. A
    175. M
    176. J
    177. J
    178. A
    179. S
    180. O
    181. N
    182. D