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Ética Republicana

por Vasco Mina, em 05.10.13

Sempre que os mais altos dignatários do Poder se confrontam com questões que consideram altamente relevantes e que remetem para princípios fundamentais do regime político, vem a uso a expressão “ética republicana”. Naturalmente, a data de 5 de Outubro estimula ainda mais a opção por esta terminologia. Assim hoje aconteceu com o Presidente da República que, no discurso proferido na varanda da Câmara Municipal de Lisboa, alertou para a “necessidade de não baixarmos os braços na defesa da ética republicana”; na mesma intervenção acrescenta que “numa República ninguém possui o monopólio da ética”.

António José Seguro, referindo-se a Rui Machete, considerou que "em causa, está a dignidade que a ética republicana exige aos seus governantes"

Faço aqui uma declaração de interesses: não sou monárquico mas sim um comodista republicano (vivo bem em República sem a defender na praça pública). Isto dito pergunto: a ética nao é apenas a ética? Existe uma ética republicana e uma ética monárquica? Será que também existe uma ética portuguesa e uma outra espanhola ou cubana? Será que a ética de um partido no Poder é diferente da reclamada por uma partido da oposição? Será que a ética benfiquista é diferente de uma ética sportinguista? Como bem disse Cavaco Silva ninguém tem o monopólio da ética e por isso se contradiz totalmente quando alude a uma ética republicana. A ética é transversal  aos regimes políticos, aos partidos, às nações, aos clubes… enfim, transversal a tudo o que é actividade humana. A ética não tem dono e muito menos pode ser apropriada por quem quer que seja. Pior ainda, como hoje aconteceu, é a ética ser usada como argumento de superioridade como quem quer vender a ideia de que a “ética republicana” é superior a qualquer outra. Por isso pergunto aos republicanos convictos: o que entendem por “ética republicana”? Existe algum código de “ética republicana”? Estamos a falar da mesma “ética republicana” quando nos referimos a qualquer das 3 Repúblicas em Portugal? O que se entende por dignidade exigida pela “ética republicana”? Como republicano comodista gostaria muito que explicassem estas questões pois, comodisticamente, gostaria de permanecer como até aqui e não ter de mudar de posição por falta de uma ética que parece não ser entendida por quem a reclama.



6 comentários

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De Nuno a 05.10.2013 às 21:26

Terá sido a ética republicana que atirou o país três vezes para a bancarrota? Não é que a monarquia não tenha também feito o mesmo...
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De escudo-cplp a 06.10.2013 às 01:10

Vou provoca-lo um 'cadinho. 5 de Outubro tb foi a data da assinatura do tratado de Zamora de 1143. Existiram pouco antes umas cortes, as de Lamego, em Almocrave, onde Afonso I fora "eleito" rei, tb nas actas desa corte se nota uma nova ética, uma ética face às mulheres, face à igualdade entre pares (nobreza, clero, e representantes das municipalidades) e até à ética familiar. Diz-se nas actas das Cortes de Lamego que aquele governante [rei] que transferir soberania, que não seja para Roma com a intenção de ver o reino reconhecido [substitua aqui Roma por tudo o que permitirá Portugal continuar a existir], não poderá reinar.

Mas vamos lá a coisas sérias. A ética repúblicana é um embuste gigante, perpetuado até por Salazar e que se reveste um pouco de ética de funcionários públicos. Na verdade é ética liberal, o resto é petas e tretas. Existe uma ética liberal, fundada em 1822 e se perpetua com mais ou menos intensidade, sendo que a 1ª república a reduz face ao periodo imediatamente anterior [já agora existiram muitas monarquias liberais em Portugal de 1822 a 1910].  Crêm os Setembristas, Passos Manuel, Sá da Bandeira e o seu mais radical Costa Cabral (maçons como na 1ª república) que o cidadão tem de ser instruido para o ser, e ampliando o amplo criam liceus por todas as capitais de distrito e a novidade nas capitais coloniais. Desta revolução educativa, de que resultou uma crise financeira, passados 40 anos 33% da população masculina já podia votar, anteriormente apenas algo próximo dos 10% (população masculina que soubesse ler e escrever). Os repúblicanos prometeram sufrágio universal masculino, cuja desilusão se verificou logo nas primeiras eleições de 1911, passando limitar o voto apenas aos chefes de família, algo como 10% da população, acresce ainda que boa parte nem teve como votar. De entre das muitas mentiras abonatórias perpetuadas na II república sobre a I república esclarece o contrasenço que a II República instituiu o voto universal, para todos homens e mulheres. Há que entender que a II República ludibriou os grupos monárquicos (e liberais de direita), mas cedo se apercebeu que estes queriam impor um regime partidário e de liberdade ideológica.

Talvez em 100 anos os politólogos e historiadores acordem em dizer que em 1995 nasceu a VI República. E que apesar da continuação nos lugares de poder dos mesmo protagonistas da III República, o âmbito a lei mudaram de forma decisiva. Historicistidamente não se numeram as Monarquias Liberais que se sucederam, ou alternaram com numeração mas com movimentos Políticos. Que sucedeu à Abrilada de 74 (usando uma terminologia mais liberal)? O Europeismo!
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De MG a 06.10.2013 às 07:09

É mais uma questão de diferença entre moral e ética...
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De Anónimo a 06.10.2013 às 19:16

O pensador Pina Moura, se não estou em erro, definiu a ética republicana como sendo a lei. Pronto, é tudo. É legal? Então é ético. É tão simples e pouco exigente para as lindas cabecinhas que nos governam...
Carmen
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De João Ferreira do Amaral a 06.10.2013 às 22:58

Vasco, a ética republicana era um instrumento de propaganda que pretendia justificar o totalitarismo do PRP, a perseguição à igreja, etc. Viu-se no que deu. Não queiras nada com essa escória.
Abraço.
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De Anónimo a 07.10.2013 às 15:07

Sim. Esses dignAtários não têm dignAdade nenhuma. Se calhar, se fossem dignitários, teriam a dignidade que se lhes pede no texto. Só essa pequena nota a um texto com o qual concordo.

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