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Mais cinco... de Outubro

por João-Afonso Machado, em 05.10.13

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O republicanismo de Ramalho Ortigão é apenas mais uma mentira da República, ela própria. A circunstância de, logo em 1911, o escritor ver a sua casa devassada por um bando de caceteiros do Partido Republicano, sob a suspeita de esconder armas para a reacção é absolutamente verídica e... mais uma omissão da História do actual Regime.

De resto, as três Repúblicas apresentam, todas elas, um factor comum: a propaganda, a emulação. Disso mesmo dá conta Ramalho, nas suas Últimas Farpas (1911-1914), na seguinte forma magistral, quando alude ao Governo:

«Reproduzindo-se tão prolificamente, por meio da fotografia e associando assim a humanidade inteira às intimidades da sua existência, é indubitável que está o Governo, dia a dia conquistando um considerável relevo de simpatias aos olhos do mundo e sobretudo aos seus próprios olhos. É este, sem questão alguma, um dos mais relevantes serviços prestados à causa democrática, ao ressurgimento da nacionalidade pelo gabinete verde e encarnado».

E logo após:

«Além das felizes inovações introduzidas nas artes decorativas e sumptuárias (...) ao gabinete (...) cabe ainda a glória de estar, por meio de lavor intenso de reportagem, enriquecendo copiosamente a cacologia nacional com preciosos neologismos, entre os quais não quero perder o ensejo de registar o vocábulo homenagear,  (...) do qual é sujeito o povo (...) e complemento objectivo o Governo».

Afonso Costa, Bernardino, Salazar, Marcelo, Soares, Cavaco... Quantos deles não viveram quase só da propaganda do Regime? Da mentira transformada em verdade sobreposta a um sem-número de crimes e e golpes baixos, como recomenda a «ética republicana»?

Por isso desabafava Ramalho, ainda na mencionada sua obra: «A República Portuguesa continua dando ao mundo o mais espantoso e inacreditável espectáculo - existe!».

Miraculosamente, um século volvido, enxovalhada por toda a vergonha republicana, a Nação Portuguesa continua a existir também...



10 comentários

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De Flic Flac a 05.10.2013 às 12:42

Chapeau ao texto. Até quando? ao último parágrafo.
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De Pedro a 05.10.2013 às 17:30

Falta aos monárquicos reconhecer que poucos mexeram um dedo para salvar a monarquia, de tão podre que estava. Nem o povo, que se esteve nas tintas, nem os poltrões do regime, que na imensa maioria ficaram quietinhos ou se puseram a milhas. 
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De João-Afonso Machado a 05.10.2013 às 17:44

Os «poltrões» do regime foram os serventuários da República. Na época chamaram-lhes «adesivos».
o povo... no fundo nuca mudou muito o seu procedimento. Vai aceitando.
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De Pedro a 05.10.2013 às 18:30

E onde estavam os "não adesivos"? Quais foram os valentes que a monarquia criou,para além de um ou outro? Aquela coisa caiu e pronto, perante a indiferença geral. Os monárquicos, os chamados verdadeiros, em geral,é muito paleio, não estão dispostos a defender nada. Foi o que se viu. Poltrões. E o povo, pelos vistos, estava-se mesmo nas tintas. Monarquia sem o apoio do povo, é o quê? 
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De João-Afonso Machado a 05.10.2013 às 18:45

Todos os que arriscaram vida e haveres nas muitas incursões monárquicas e deram o seu apoio a Sidónio.
O povo manteve o medo que já tinha ante a agressividade da propaganda republicana.
Não vamos começar discussão: preparo-me para sair de casa.
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De Pedro a 05.10.2013 às 19:46

O povo com medo? Não, o povo ficou indiferente, como sabe. Estranho que oitocentos anos não tivessem chegado para criar uma união do povo com a monarquia. É claro que sendo assim, as incursões do norte não deram em nada. Ou acha que o povo do norte é medroso? Conclusão: a monarquia nem povo, nem um regimento de jeito, nem elites para a suportarem. Caiu e pronto. Mas percebo que esta discussão não lhe interesse.
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De Anónimo a 05.10.2013 às 20:35

O que vale a santa ignorância!!!
O homem parece que nunca ouviu falar na monarquia do Norte.
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De Pedro a 05.10.2013 às 23:02


A monarquia do Norte? O último estertor e acabou-se o que restava. Nem sequer houve grande luta, como bem sabe. Rapidamente desbaratados. Fugiram todos e os que ficaram, na maior parte, ou se acomodaram à República, ou vieram depois a prestar vassalagem ao Salazar. Há que cuidar da vidinha. Bem diziam quase todos os estrangeiros que aqui passaram que os nossos fidalgos eram uma comédia de ignorantes. Tinhamos a monarquia mais desprezada da Europa. Quer uma monarquia a sério, com apoio do povo? A Inglaterra.
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De escudo-cplp a 06.10.2013 às 01:30

Discordo, Salazar e os seus lacaios ludribriaram os Monárquicos.
Nas bibliografias de Marcelo conta-se que seria um adepto da restauração da monarquia, à quase vergonha nacional que era a eleição do presidente, contudo, ao se ter encontrado com D. Duarte Nuno, mudou de opinião.
É sabido que o monarquismo de Salazar era um delirio Salazar-Vergas de reunir a margem ocidental do império português [Brasil] com a ocidental [Portugal], com vantagens mútuas. Portugal de Salazar legitimava-se mundialmente, o Brasil de Vargas fugiria ao âmbito Norte-Americano [pan-americanismo] criando um mercado alternativo em África para manter as elites "apoiantes", por isso D. Duarte Nuno fora casado com a prinsesa Brasileira hereira dos Bragança do Brasil. Quando Vargas caiu (se suicidou ao saber que iria ser traido pela geneolocia italo-germânica do sul do Brasil) Salazar manteve o mito, pois assim mantinha a tradição e a igreja sobre controlo...
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De escudo-cplp a 06.10.2013 às 01:20

Engana-se, os monarquicos e o povo ficaram envergonhados com a fuga percose de D. Manuel II e sua mãe.

- Fuga de D. Maria I e Regente D. João para o Brasil
- Decisão Régia de D. Carlos de fazer cumprir o Ultimato Inglês

Para o Povo e Nobreza e Monárquicos D. Manuel seria por isso um infame ao ter fugido.

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