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Contra Cavaco e as sopas consensuais

por José Mendonça da Cruz, em 11.07.13

 

 

Muitas vezes me pergunto se a «falta de liderança» de que muitos se queixam na Europa não consiste exactamente neste ditame político de não chamar os bois pelos nomes, de não defender com brutal firmeza as nossas ideias e programas. Muitas vezes me pergunto se os Portugueses não teriam inteligência suficiente para compreender um protagonista ou uma força que lhes propusessem uma política clara, um caminho, um futuro, e simultaneamente lhes explicasse que só o podem alcançar em alternativa ao que está, por oposição, em nobre combate político, na nobreza do confronto político. Muitas vezes me pergunto se o cansaço com os políticos não resulta precisamente deste tipo de sopa tépida consensual que Cavaco nos propõe (do mesmo passo que resolve alguns azedumes pessoais). Cavaco apostou tudo, Cavaco «encavou» no pior da política portuguesa. Agora, temos todos que fingir. Podemos abominar este presidente, mas temos que fingir que agiu para nosso bem. Têm PSD e CDS que fingir que não registaram a insuportável desautorização, e, em vez de se demitirem, em activa, acesa e verbalizada discordância, têm que fingir, «a bem do país», «em prol da salvação nacional», que é possível cortar despesa e aumentar o Estado Social, investir no «crescimento» e controlar a dívida, ter um Estado ágil e eficiente e deixar satisfeitos todos os interesses instalados, conciliar quem quer reformar e quem quer voltar atrás.

 

Em França, antes de Sarkozy, a complacência da esquerda perante os problemas económicos e sociais, nomeadamente a violência da imigração que recusa a integração, presenteou a Frente Nacional de Le Pen com votações de mais de 20%. A esquerda, cheia de medo, pronunciou as suas vácuas e costumeiras condenações ao inferno. Sarkozy ouviu os eleitores, tomou medidas «politicamente incorrectas», e conquistou a presidência (e, é verdade, decepcionou depois).

Em Portugal, perante uma economia sem futuro e que exige reformas ousadas, perante um Estado Social que não podemos sustentar, perante um Estado omnipresente, asfixiante, ineficiente, paralisante e voraz, perante tudo isto, Cavaco sugere-nos um universal acordo com quem construiu essa economia e deu forma e preponderância a esse Estado. Sugere-nos Cavaco que, para debelar a crise, adoptemos os mesmos comportamentos que nos trouxeram aqui. Cavaco é, por isto e para mim, um adversário político. Muitas vezes me pergunto se os Portugueses não apreciariam mais clareza e mais rumo na política. A clareza e o rumo, por exemplo, de tratar os adversários como tal. 

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2 comentários

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De monge silésio a 11.07.2013 às 19:30

E ...os miltantes do CDS podem começar a tratar , não das vidinhas , mas de demitir o seu Presidente...e a ganga lodosa...certo?
SIGNIFICAVA:
--no CDS, há consequências a jogos;

O Grupo Parlamentar também se demitiria...nem com substituições....

ELEIÇÕES, já.
E o CDS ganharia capital político para governar no interesse nacional, respeitando a propriedade de cada um ...
Sem imagem de perfil

De antonio cristovao a 12.07.2013 às 11:21

O Cavaco tenta manter a discussão e atenção dos eleitores dentro do regime. Dados as sondagens estão mais que favoráveis ao sucesso dum D.Sebastião.
basta ser respeitável " e tenha um programa claro e objectivo. A dificuldade é que em Portugal a maioria pertence a Brigada das Colheres (volta do tacho publico); como é certo arriscar trocar o tacho por um bife mas virtual doi.

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