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Promover a instabilidade em nome da estabilidade

por José Mendonça da Cruz, em 10.07.13

Cavaco Silva decidiu ser presidente ao fim de 7 anos.

Começou tarde e muito mal.

Em nome da acalmia dos mercados provocou o nervosismo dos mercados; em nome da 8ª e 9ª avaliações comprometeu-as sem data à vista; em nome da credibilidade e solidez perante os credores institucionais (UE, BCE, FMI) provocou a perplexidade. Em nome de um consenso de salvação nacional sob a égide de um misteroso personagem alienou o apoio de PSD e CDS e viu confirmada a pena que o PS tem de o ver em Belém.

Temos agora uma coligação pós-eleitoral acabada de reforçar, cujos partidos somam a maioria absoluta ... e que, porém, não pode governar, porque lhe foi retirada toda a confiança. Temos eleições antecipadas, mas só em 2014. E temos uma alucinação de bloco-central + CDS que seria muito bonita (para quem aprecia consensos pantanosos), não fora a total indisponibilidade do PS (que, repete-se, é um adversário do presidente, coisa que ele fez por esquecer).

Não temos, portanto, governo. E deixámos de ter possibilidade de o ter.

Cavaco encheu a boca de estabilidade. E, depois, com ar pio e equidistante, distribuiu o caos.



10 comentários

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De Anónimo a 10.07.2013 às 22:28

Sim, claro José. Foi o presidente que retirou a confiança nesta coligação. Claro que foi.
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De José Mendonça da Cruz a 11.07.2013 às 03:10

1. A confiança mede-se na AR, e lá há maioria absoluta (a esquerda só gosta das suas maiorias absolutas, mas isso tem a relevância de uma birra infantil).
2. O governo PSD/CDS tem legitimidade reforçada, porque é uma coligação pós-eleitoral e foi reforçada com entrada de dois vices.
Apesar do que o presidente da estabilidade decidiu desestabilizar.
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De Anónimo a 11.07.2013 às 10:43

José, acha sinceramente que uma solução forjada num contexto de traição e de total incompatibilidade de visão estratégica traduz uma solução reforçada? Eleições antecipadas é um cenário a esquecer. Mas poderia o PR correr o risco de deixar indíviduos da estirpe de um Portas a corroer o executivo correndo o risco de chegar a Setembro com nova crise política?
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De José Mendonça da Cruz a 11.07.2013 às 14:28

Meu caro anónimo, há-de desculpar-me o cinismo mas a palavra «traição» em política parece-me reservada a coisas muito mais graves do que as que PP fez. Foi lamentável que desencadeasse uma crise, mas a solução era sólida. Em vez disso, o que temos agora é uma enorme trapalhada. E a despropósito: mesmo que goste do resultado, não aplicaria também a palavra «traição» a Cavaco Silva?
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De Lionheart a 10.07.2013 às 22:43

E ainda apela à substituição das lideranças dos partidos da maioria, porque não gosta deles. Pois os líderes dos partidos da maioria também não gostam dele e estão igualmente fartos de sua excelência. De modo que, fica assim. 

Da parte que mais me toca, como militante do CDS/PP, enquanto o Portas for candidato à liderança tem o meu voto. E graças a Deus sou Monárquico.
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De henrique pereira dos santos a 11.07.2013 às 08:55

De maneira geral gosto muito de o ler e do seu sólido bom senso. Acho que neste caso há um aspecto que está a desvalorizar. Estamos de acordo que cavaco provocou instabilidade no curto prazo. Mas penso que a sua ideia (se funciona ou não, veremos) não é preocupar-se com este Governo (é razoavelmente irrelevante que governo temos agora porque qualquer que seja o que tem é de cumprir o programa de ajustamento) mas com o destino da correcção dos desequilíbrios no pós troica. O que Cavaco parece querer é um compromisso (não necessariamente de governo) em questões centrais do pós troica. Eu não acredito que ele seja capaz de forçar esse compromisso, mas só posso esperar que ele tenha razão e o compromisso veja a luz do dia. Talvez esta instabilidade de curto prazo valha a pena se houver de facto compromisso quanto à saúde das contas públicas e mais duas ou três questões chave da nossa adesão europeia. henrique pereira dos santos
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De José Mendonça da Cruz a 11.07.2013 às 13:08

É muito razoável o que escreve. O que eu creio, todavia, é que o acordo de salvação nacional sonhado por Cavaco é impossível. E que terminaremos com eleições antecipadas, mas não em 2014: antes, bem mais cedo, após um período de caríssimas hesitações e desavenças. Depois, o PS terá que cumprir o Programa de Reajustamento, embora há mais de 1 ano venha simulando que nada tem a ver com ele. e cumprirá, mas teremos perdido meses preciosos.
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De Treinador de Bancada a 11.07.2013 às 09:00

ANTIGAMENTE, NÃO TINHAMOS LIBERDADE MAS ESTAVAMOS UNIDOS ! HOJE, NEM ESTAMOS UNIDOS NEM TEMOS LIBERDADE.
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De Equipa SAPO a 11.07.2013 às 22:41

Boa noite,

O seu post está em destaque na área de Opinião da homepage do SAPO.

Atenciosamente,

Catarina Osório
Gestão de Conteúdos e Redes Sociais -
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