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Certezas momentâneas

por José Luís Nunes Martins, em 29.04.13

Há cada vez mais gente cheia de certezas. Têm teorias para tudo... sem se darem conta, erguem assim as próprias desgraças, porque assim criam as suas sempre grandes ilusões a que se seguem, invariavelmente, as terríveis desilusões.

 

Quase todas as ideias e teorias têm a sua validade condicionada no tempo, são aceitáveis apenas e só até que apareça outra melhor. Erramos muito. O conhecimento humano funciona por melhoramentos contínuos. Assim evoluem as ciências e assim, também, se devem melhorar as nossas crenças a respeito de tudo.

 

Este aperfeiçoamento passa pela capacidade de descobrir os erros e problemas nas soluções existentes para assim encontrar soluções diferentes, melhores, mais perto da verdade... nunca aceitando por bom ou suficiente o que se sabe.

 

Claro que há aqueles que se consideram fora do tempo, julgam-se o corolário de toda a evolução, como se o universo se tivesse alinhado para os criar e servir... o apogeu da humanidade! Têm sempre quedas tremendas... justas.

 

O nosso conhecimento evolui à medida que vamos subindo a escada da torre que andamos a construir... sem pressas nem presunções. Ninguém descobre a verdade, vamos sim construindo modelos temporários que nos aproximam dela.

 

Quando, numa atitude humilde, navegamos nos mares das nossas incertezas, dúvidas e fracassos, há momentos em que uma simples palavra, um olhar ou um pequeno nada, nos permitem pressentir a verdade absoluta da existência, a eternidade toda num só segundo: a absoluta certeza de um amanhã que nos espera.

 

Esses momentos valem mais que uma vida inteira, porque são instantes da vida eterna.

 

 

 

 

(publicado no jornal i - 27 de abril de 2013)

 

ilustração de Carlos Ribeiro

 

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4 comentários

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De vasco silveira a 30.04.2013 às 12:32

O caminho para Ítaca

Se partires um dia rumo a Ítaca
Faz votos de que o caminho seja longo
repleto de aventuras, repleto de saber.
Nem lestrigões, nem ciclopes,
nem o colérico Posídon te intimidem!
No teu caminho jamais os encontrarás
Se altivo for teu pensamento
Se subtil emoção o teu corpo e o teu espírito tocar
Nem lestrigões, nem ciclopes
Nem o bravio Posídon hás-de ver
Se tu mesmo não os levares dentro da alma
Se tua alma não os puser dentro de ti.

Faz votos de que o caminho seja longo.
Numerosas serão as manhãs de verão
Nas quais com que prazer, com que alegria
Tu hás-de entrar pela primeira vez um porto
Para correr as lojas dos fenícios
e belas mercancias adquirir.
Madrepérolas, corais, âmbares, ébanos
E perfumes sensuais de toda espécie
Quanto houver de aromas deleitosos.
A muitas cidades do Egipto peregrinas
Para aprender, para aprender dos doutos.

Tem todo o tempo Ítaca na mente.
Estás predestinado a ali chegar.
Mas, não apresses a viagem nunca.
Melhor será muitos anos levares de jornada
E fundeares na ilha velho enfim.
Rico de quanto ganhaste no caminho
Sem esperar riquezas que Ítaca te desse.

Uma bela viagem deu-te Ítaca.
Sem ela não te punhas a caminho.
Mais do que isso não lhe cumpre dar-te.
Ítaca não te iludiu.

Se a achas pobre

Tu te tornaste sábio, um homem de experiência.
E, agora, sabes o que significam Ítacas.

(Tradução de José Paulo Paz)


tags: efemérides (http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/tag/efem%C3%A9rides), kavafis (http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/tag/kavafis), poesia (http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/tag/poesia)
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De vasco silveira a 30.04.2013 às 12:41


Caro José Luís

Enviei o anterior comentário sem qualquer acrescento meu, porque de outra forma era demasiado longo.
Achei que este poema, repleto de sabedoria, que acabei de ler no "delito de Opinião", publicado por Ana Vidal era apropriado ao post de cima.
Queria também "retribuir", utilizando outros mais sábios do que eu, o prazer que eu tenho tido tna leitura dos seus textos.

Um abraço

Vasco Silveira
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De José Luís Nunes Martins a 30.04.2013 às 22:46

muito obrigado. um grande abraço, Vasco Silveira.

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