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Jornalismo a grande distância

por José Mendonça da Cruz, em 17.04.13

 

Cavaco Silva de visita à Colômbia

 

Vou agora contar-vos duas histórias sobre a Colômbia que não ouvirão nas televisões nem lerão na imprensa.

1ª história: a Jerónimo Martins está a entrar com a mesma política na Colômbia com que entrou na Polónia, um super mercado de gama baixa com preços muito competitivos. Vários potenciais fornecedores mostraram-se muito impressionados com as metodologias de optimização de trabalho, que vão permitir vender produtos a cerca de metade do preço dos supermercados correntes de lá. Ou seja, é possível que a cadeia Jerónimo Martins da Colômbia não tenha que passar pelos anos de vacas magras que passou o empreendimento da joaninha polaca. De qualquer forma, o investimento da empresa portuguesa foi extremamente bem acolhido naquele país, não tendo tido que passar por nenhum dos calvários de licenciamento a que é sujeito -- até desistir, de preferênca -- qualquer potencial investidor em Portugal (a menos que se trate dessa forma de investimento tão querida dos socialistas, os projectos PIN, em que investidores com muito dinheiro tratam directamente com um ministro).

2ª história: Bogotá tem uma espécie de sistema social ou de redistribuição muito eficaz, mas que causaria muitos engulhos e as maiores dificuldades de posicionamento a qualquer socialista. A capital está dividida em 6 classes de zona. Nas zonas 6, as mais afluentes, tudo é mais caro: gás, água, electricidade, supermercados, comércio em geral. Os preços baixam na zona 5, mais na 4, e assim sucessivamente. Os sobrepreços cobrados nas zonas mais altas são utilizados para financiar os preços dos bens nas zonas mais baixas, sendo que a zona 1 e 2 não são contributivas, mas apenas subsidiadas. As quintas e condomínios de luxo existentes ou nascidos nos arredores da cidade não entram nesta classificação, embora, caso entrassem, devessem ser zona 7, 8 ou mais.

São dois casos interessantes sobre a Colômbia, onde está o presidente da República, Cavaco Silva.

Agora vou citar-vos o que preocupa a reportagem de Anabela Neves, da Sic, em Bogotá, Colômbia: diz Anabela Neves que este presidente da República, que tanto aconselhou convergência e diálogo político no ataque à crise, poderia querer comentar um convite de Passos Coelho a Seguro, mas que não, Cavaco Silva nada respondeu sobre isto às inquirições da repórter. Ou seja, a repórter inculca que Cavaco deveria pronunciar-se durante uma visita a Bogotá sobre uma minudência acontecida em Lisboa, uma convicção absurda; Cavaco não cai no absurdo de pronunciar-se; e a notícia acaba por ser o facto de o presidente não ter agido como só poderia imaginar a pobre cabecinha da repórter. E é assim: quando o nosso mundo é muito pequenino, a gente nunca viaja realmente.

 

A Colômbia segundo Anabela Neves, da Sic.

 



4 comentários

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De Maria Teixeira Alves a 17.04.2013 às 12:27

Gosto tanto deste pot Zé. Só tenho um reparo não é "abelhinha polaca" é "joaninha polaca" :) mas de resto cinco estrelas, não posso estar mais de acordo.
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De José Mendonça da Cruz a 18.04.2013 às 07:27

Obrigado pelas duas simpatias, Maria. Gosto que goste e corro a emendar o texto.


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De Lagardère a 17.04.2013 às 13:11

Enfim... que se pode responder a isso? Quando Deus Nosso Senhor andava a distribuir a inteligência, havia gente trancada na casa de banho...
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De murphy a 17.04.2013 às 16:48


Anabela Neves não engana, os seus directos e reportagens na AR são sempre pontuados por esse tipo de "à partes".

Esta comunicação social lusa visa doutrinar, não informar. No jornalismo caseiro critica-se o mensageiro em vez da mensagem. É tão óbvia a lógica dos "filhos e enteados" - veja-se declarações de Soares Vs F Ulrich; Arménio Carlos Vs I. Jonet) -, a falta de ética e deontologia, que dá dó...

http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/04/da-esquerda-inimputavel.html (http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/04/da-esquerda-inimputavel.html)

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