por Luísa Correia, em 14.03.13
Mr. Darcy faz duzentos anos. A personagem apresentou-se ao mundo em 1813, embora a sementinha viesse germinando nos papéis de Jane Austen desde havia mais de uma década. São duzentos anos de uma existência polémica, que divide, opinativa e ferozmente, os dois sexos. As mulheres adoram-no, porque o sonho de todas elas é fazerem entrar nos carris - ou nos seus carris - um homem rico, bonito e descarrilado. E os homens detestam-no, porque o sonho de todos eles é possuirem riqueza e charme... e poderem, graças a ambos, descarrilar. As mulheres quereriam ter Mr. Darcy; os homens, ser.
Mr. Darcy conseguiu sobreviver, sabe Deus como, a tão extremados gostos e desgostos. Sabe Deus como e eu adivinho. Sobreviveu porque é feito do estofo das letras de Jane Austen, única no manejo da delicada, quase enternecida ironia com que representa a classe média, baixa e alta, do seu tempo e expressa emoções verdadeiramente universais. Sobreviveu porque, nesta quadra de materialismo, de cepticismo, de oportunismo e de toda uma série de outros desgraçados ismos que poderiam dar-lhe o golpe de misericórdia, se viu encarnado na figura insuperavelmente atraente de Colin Firth e enquadrado numa das mais hábeis adaptações televisivas de sempre de uma obra literária.
"Long live Mr. Darcy!"