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Três provas do sentido da vida

por José Luís Nunes Martins, em 11.03.13

A única Verdade que existe é aquela da qual cada homem faz parte. Muitos são os que defendem a ideia de que a Verdade absoluta não existe, alegando que existem sim muitas verdades e até que cada um tem a sua, e mais do que possuí-la, pode-se até, segundo eles, modificá-la a gosto! Cada um de nós vê a Verdade a partir de uma posição diferente, mas não existem verdades. Só há uma, a autêntica... o resto são preguiças, enganos ou tolices.

 

Aquilo que cada um de nós deve buscar de forma pessoal é o sentido da vida. Da sua. Aqui sim, é pertinente distinguirmo-nos uns dos outros. Afinal, a existência humana é profundamente individual e subjetiva. A minha vida é completamente pessoal e incomunicável, também o rumo que segue resulta de decisões minhas, mais ou menos conscientes, até mesmo quando decido não decidir... sou eu, e eu só, quem decide.

 

A história resulta do encontro da liberdade individual com a realidade. O sentido da vida não surge do exterior. Cada homem é parte importante da Verdade. Mas, a cada um de nós é dado escolher-se dentro dela.

 

A essência da existência humana é a profunda abertura do ser em relação ao que há de ser. Ao futuro. A cada homem é dado decidir o que será a sua vida, aquilo em que se tornará no momento seguinte. Um instante basta para que se mude uma vida inteira.

 

Alguns passam os dias a acumular e a carregar cobranças e reclamações a respeito do mesmo mundo em que, outros, conseguem sempre encontrar bondades para agradecer e, voluntária e generosamente, multiplicar...

 

Ninguém pode encontrar um sentido para a sua vida que não passe pelas três provas essenciais à sua autenticidade: a culpa, o sofrimento e a morte.

 

A culpa é a prova da liberdade. Resulta de um reconhecimento responsável pela autoria do mal. Mas, se fomos livres para ter errado, hoje continuamos livres para agora fazer diferente. Se a ninguém é dado viver o mesmo momento duas vezes, a vida é uma cadeia quase infinita de instantes... Para o melhor e para o pior, há sempre mais tempo. Assim, apesar da culpa, temos sempre o futuro para nos escolhermos melhor.

 

O sofrimento é prova da coragem. Quem sente a dor profunda, sabe que ela é uma vontade de não-ser, como que uma investida de um inimigo que é estranho à justiça e que visa apenas a destruição. Mas sofrer faz parte da vida, não se trata de uma eventualidade a que alguém se possa furtar, não. O sofrimento é parte essencial de cada vida humana. Viver é também atravessar a dor e ser por ela atravessado... Assim, talvez os nossos piores dias sejam, na Verdade, os melhores. Vale a pena – qualquer pena – sermos capazes de recordar os momentos em que o sofrimento nos engrandeceu.

 

A morte é a prova do Amor. Esta vida tem fim. Todos morremos. Alguns lamentando não terem sido capazes de viver, de se entregar pelo Amor. Mas os que amam, ao dar-se, passam a viver no coração daqueles a quem amaram, sobrevivendo assim à própria morte. A morte vence tudo menos o Amor. O Amor não acaba. Nunca. Mas assim como nos leva a Deus também nos faz passar pelo inferno... engrandece mas também crucifica...

 

Os caminhos da vida são duros e penosos.

 

A alegria é só parte da história e metade da Verdade.

 

Ninguém busca a felicidade, o que todos procuramos é uma razão para sermos felizes... por entre todas as que nos fazem sofrer.

 

 

 

(publicado no jornal i - 9 de março de 2013)

 

ilustração de Carlos Ribeiro

 

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1 comentário

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De António a 11.03.2013 às 13:47

"mas não existem verdades. Só há uma, a autêntica"
?

Qual é a Verdade?

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