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Os postes são como as cerejas...

por Luísa Correia, em 13.01.13


A «banalização do mal» explica, para muitos, fenómenos como Eichmann e o seu papel no genocídio dos judeus. A tese, magnificamente ilustrada pelo filme «O Leitor», defende que a disciplina - ou uma interpretação formal da noção do dever - pode, em determinadas condições, marcadas, designadamente, pelo autoritarismo e pela propaganda, anestesiar a sensibilidade, gerar uma apatia crítica capaz de arrancar a uma pessoa «normal» actos de inesperada brutalidade, desde uma indelicadeza gratuita – digo eu - até crimes contra a humanidade.
A tese é tanto mais perturbadora quanto vivemos um momento de equiparável desnorte valorativo, em que a forma (ou letra) das leis atropela o seu espírito, e em que as ideias enquistam numa correcção «política» ou «cultural» que faz perder de vista a essência das coisas e vai ao ponto de anatematizar as ideias de sentido contrário ou apenas diferentes. Por isso, não são, nem nunca serão demais as vezes em que questionarmos as nossas certezas absolutas.




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