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Ter a morte por perto assusta, mas permitir que esse medo seja tão incapacitante que só a própria morte lhe possa por fim é algo tremendamente absurdo.
Aquilo de que verdadeiramente a maior parte das pessoas tem medo é de viver uma vida sem sentido. Passar o seu tempo, o único tempo que tem, a fazer escolhas erradas. A verdade da vida parece bem mais evidente perante a consciência do seu/nosso fim iminente.
Saibamos escutar os conselhos tranquilos e sábios dos mais velhos, sem cair na tentação de os confrontar com a sua própria vida; talvez tenha sido precisamente por terem escolhido mal para si que, agora, nos possam ajudar a não fazermos o mesmo.
Aprender a procurar a tranquilidade e a vivê-la é algo extremamente simples e valioso. Trata-se de aceitar com um sorriso o que a vida nos dá, apreciar o pouco que seja, em vez de andarmos alienados a sonhar com coisas tontas. A nossa ansiedade, raiva e frustração são sinais de que algo de essencial está errado entre nós e o mundo, e talvez não seja o mundo.
Nada na vida é garantido e isso torna-a ainda mais bela. Um dom.
Devíamos deixar que a paz nos guiasse por entre os nossos dias e noites. Afinal, a felicidade não está nos sonhos, mas sim na capacidade que temos de aceitar e admirar calmamente o fragmento de vida que nos anima.
Quem assim sabe viver talvez possa encarar a morte como apenas mais um momento mau entre duas tranquilidades.
(publicado no jornal i - 5 de janeiro de 2013)
ilustração de Carlos Ribeiro
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