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Educação - a Internacional do Bafio

por José Mendonça da Cruz, em 22.11.12

Os canais TVCine passaram recentemente um documentário sobre o estado da educação que faz mais serviço público em 90 minutos do que a RTP numa semana. Chama-se «À espera do Super-Homem» e é sobre o ensino secundário nos EUA. Mas podia ser sobre Portugal.

O filme parte de várias observações no terreno: a falta de quadros formados para as necessidades do mundo contemporâneo (e porque é que tiveram que ser importados da Índia, da Coreia, do Japão, da China); o misterioso caso dos bons alunos que se transformam em maus no 3º ciclo (porque foram sendo passados no sistema, até que a sua ignorância atinge o limite); a percentagem de desistentes do ensino secundário, que ultrapassa os 50% (e, sobretudo, o que é que fez que milhares de escolas merecessem o baptismo de «fábricas de desistentes»).

O documentário analisa duas soluções, uma externa, outra interna.

A solução externa são as charter-schools, semelhantes às nossas escolas com contratos de associação, para onde se precipitam as famílias de baixos rendimentos que querem um futuro para os filhos. As candidaturas excedem largamente as vagas, pelo que a entrada é feita por sorteio público. Os alunos que entram nessas escolas, entram para o pior pesadelo do eduquês (e, portanto, para uma educação séria): altas cargas horárias, disciplina, exigência, avaliação de alunos e professores, e, em alguns casos, internato.  

A solução interna, vê-a o documentário pelos olhos de Michelle Rhee, uma americana-coreana, a quem foi entregue a responsabilidade pelas escolas públicas da área da capital americana, o District of Columbia.

Michelle Rhee, que tem 46 anos, trazia ideias perigosíssimas. A primeira ideia era que os professores não têm «o direito de ensinar». Têm, sim, segundo ela, «o direito de ensinar se proporcionarem bons resultados aos alunos». O sindicato local começou logo a franzir-se, porque para os Nogueiras de qualquer país é exótico pensar que os alunos sejam a determinante.

A segunda ideia perigosa de Michelle Rhee era que não precisava de mais dinheiro. As escolas públicas da área de Washington, proclamou ela, tinham dinheiro à farta; o que se passava, dizia mais, era que depois entrava a burocracia que era suposto gerir as escolas e espatifava o dinheiro em entraves e labirintos.

A terceira ideia (um corolário da primeira) era um novo contrato para os professores. Toda a gente diz, disse ela ao sindicato, que os professores ganham mal («mal», nos EUA, é 5000 euros); pois eu proponho-vos isto: larguem o contrato de efectivos, aceitem ser avaliados, e ao fim de um ano poderão auferir, por mérito, 10 000 euros. O sindicato poderia ter levado a ideia a votos entre os seus filiados. Mas o sindicato pensou melhor: a ideia de Michelle Rhee era tão perigosa, que o melhor mesmo era nem votá-la. E optou pelo bloqueio do silêncio.

Um remate com esperança, no entanto: Michelle Rhee é hoje uma figura destacada do partido democrata, em cujas fileiras os educadores como ela estão a substituir uma classe em tempos dominante ... os professores  

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1 comentário

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De Paulo G. a 23.11.2012 às 12:16

É sempre emocionante assistir a alguém chegar atrasado a certas descobertas, já muito discutidas algures.
menos emocionante é a útil confusão entre as posições sindcais (existem uns 14) e "os professores", essa classe "dominante.

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