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O GOL de rabo ao léu

por João-Afonso Machado, em 31.08.12

A divulgação de uma lista extensa de filiados no Grande Oriente Lusitano (GOL), a mais antiga agremiação maçónica cá do burgo, revelou-se do maior incómodo para quem se sentiu, digamos assim, denunciado. De acordo com os jornais, António Reis, ex-Grão-Mestre, atribuiu  a façanha a hackers. À pirataria informática, em suma.

De resto, a identificação dos maçons não trouxe surpresas de maior. Grande parte deles encaixa-se no PS, afinal o "herdeiro moral" da malandragem primo-republicana. Já se sabia.

A questão de defendido (e ofendido) secretismo da organização é que levanta interrogações mais relevantes, designadamente no plano do Direito. Qual a natureza jurídica das estruturas maçónicas? Do que eu conheço do Código Civil, associações de direito privado não são concerteza. Impossivelmente passariam no crivo fiscalizador do Ministério Público. Do mesmo modo, não cabem na tipologia das entidades jus-publicistas. E ignoro legislação especial que as preveja e, consequentemente, lhes reconheça personalidade e capacidade jurídica.

Acresce a imensidade de preceitos constitucionais que o seu secretismo e desigualitarismo violam. O que repugna sobretudo porque, se há defensores estrénuos da Constitução da República, são eles os "senhores da Ética", os nossos maçons.

Por isso, o que é então a Maçonaria e o que significa em Portugal, além de uma rede vastíssima de conluios, conspirações e sindicatos de voto?

Talvez agora pudessemos ser todos esclarecidos. Sem filosofias baratas e com alguma sustentação de iure.

 

 

 

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12 comentários

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De Ex-quê? a 31.08.2012 às 20:40

Trémuos?!
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De monge silésio a 31.08.2012 às 20:41


Numa sociedade livre, há também a liberdade de seus membros não divulgarem os nomes dos seus associados. Numa sociedade livre, há liberdade para um dos sócios propôr um individuo a associado, não aceitando outros...Numa sociedade livre, a liberdade de associação existe e a de consciência também.

Numa sociedade livre, a instituição egrégia não acompanha a podridão de alguns, e se acompanha, está mal, e tenho a certeza que muitos dos seus membros acompanham a retidão e a fraternidade que os norteia.

A maçonaria faz parte do património ocidental, e se não percebem isto, é porque o Ocidente dá sinais de decaír, como a própria organização em face das posturas de alguns dos seus membros...

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De João-Afonso Machado a 31.08.2012 às 21:14

Podia comentar isso de muitos modos.
Mas colquei a questão apenas no aspecto jurídico, no fundo com esta interrogação: legalmente como defenir a Maçonaria. é, ou não, uma pessoa jurídica? Há legislação especial que a contemple? Porque na lei geral ela não tem cabimento.

Posso até continuar a comparação com a Opus Dei - a sua existência deriva não do Direito português mas da legislação canónica...
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De Borges a 31.08.2012 às 21:34

Não vi a lista, só li alguns comentários, como os deste post.
Seria interessante saber quantos dos maçons pertencem à classe política, quantos trabalham para o Estado directa ou indirectamente (por exemplo como consultores), quantos ocupam cargos de nomeação política, etc.
Suspeito, mas gostaria de ver confirmado, que muito poucos trabalham na economia privada competitiva sem dependerem do Estado ou da Administração Pública.
Se assim for, é uma indicação que são um grupo de interesses e que se protegem debaixo da capa do secretismo.
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De monge silésio a 31.08.2012 às 23:15


Dizer que a Maçonaria não tem cabimento no Direito Privado vale zero. Demonstre. Por ex. porque razão não passaria sob o crivo do Ministério Público?
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De João-Afonso Machado a 31.08.2012 às 23:25


Porque o CC prevê um orgão executivo, outro fiscal e uma Assembleia Geral que delibera sobre os assuntos de maior relevância, designadamente a eleição dos restantes orgãos.
Porque exige a existência de uns estautos que devem ser tornados publicos e levados ao conhecimento das competentes autoridades.
Porque dificilmente aceita votos de qualidade entre os associados.
Porque o nome da associação deve ser previamente aprovado pelo RNPC.
Porque a associação só é (era) validamente consituida por escritura pública.
Porque...

E não me parece que estes dados sejam visiveis no GOL. Em que Cartório Notarial terá sido constituido?
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De monge silésio a 01.09.2012 às 01:32

É uma questão de procurar...
Tem a certeza que já procurou? Como é público qualquer pessoa pode requerer, ... certo?
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De monge silésio a 01.09.2012 às 02:13


Se isto fosse assunto nos EUA ou na Inglaterra, a resposta era a gargalhada no mínimo.

... quantos políticos e homens de negócios são do Benfica? E algo impedirá de os mesmos se reunirem no Gambrinus, ou no vão de escada da capela da mais recondita aldeia da Beira? E sabe-se do que falam?
Nas sessões de estudo da Opus Dei, o que será a conversa do orientador e do estudante, ou mais tarde do postulário?

Em Portugal, a malta é pouco dada à racionalidade, objetiva, distinta, clara....; antes, perante a dificuldade de abordagem de um assunto,  vai-se à estrela (qual?) e conclui-se, como se tivesse vivido na estrela...sendo facto claro e objectivo que nenhum ser humano terrstre esteve numa estrela...mas...aqui o paleio...se fôr dado com uma batuta de solenidade e uma aparência "da moda"...

João, as suas questões são pertinentes, em nada quero deslocá-las, mas a treta da Maçonaria, da Opus Dei, dos Illuminatti, ou a Trilateral faz parte daquele tipo de conversa ... que a nada leva. É poeira.

Todos os atos que nos levaram ao estado que estamos foram públicos, muitos aclamados pela populaça acéfala que não renega um subsídio ou uma cunhita pública. Enquanto chovia guito, não havia coisas da "twilight zone"... Falava-se da Maçonaria quando os fundos comunitários choviam e a malta tinha terras cuja área a ser real ocuparia a espanha? Falva-se da Maçonaria quando o tiranete local tinha os seus empreiteiros de estimação e que davam cabo do ordenamento do território? Agora que o pessoal está sem cheta...tentam encontrar uma explicação...e da treta maior à menor tudo servirá, quando a história nos mostra a qualidade de um povo que quando chega à corte da Rússia depressa é denominado de "patife" (portugaliesko), ... e nessa altura a desculpa não era a maçonaria, ...era o frio da Rússia! Por favor, ...

Todos os governantes eleitos foram-no mediante eleições livres. E os PM deste país foram ora do PS ora do PSD. Será que falta qualidade ao eleitorado para antever a classe política que elege? Ou será que como POVO somos avessos a menos Governo a entrar nas nossas vidas, a roubar os que têm por sangue ou por mérito, a curar o nosso corpo, a educar-nos como quer, a ter ...sim, a ter o que é fruto da iniciativa livre dos que produzem? A nossa Constituição foi votada em 1975 por quase 90% do eleitorado (o CDS votou contra)...alguém a leu?
Isto são dados claros. O que sabe sobre a Maçonaria e a nossa Constituição? E a Dos EUA?
Não bate a bota com a perdigota, pois ao fim e ao cabo vai notar que os que fizeram isto tudo só têm uma coisa em comum: são portugueses e foram eleitos por portugueses.
Temos isso sim que repensar todo o conceito de Educação que damos aos nossos jovens, todo o conceito de Ética no trabalho privado e público, por aí...e deixarmos de conversas fiadas, de clubecos, de incontornáveis explicativos, de argumentos pessoais ou telenovelares, ... assim não conspurcamos seja a Igreja, seja a Maçonaria, seja o Benfica... pois independentemente de nós EXISTIRÃO e que haja homens que na permanência do tempo façam o que são.
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De João-Afonso Machado a 01.09.2012 às 10:52

Tudo muito certo.
Mas quando penso na Maçonaria, penso no seu papel no derrube da Monarquia e na anarquia que foi a 1ª república, em que o seu «braço armado» esteve sempre presente.
Depois, na 2ª república, penso em Salazar que a obrigou à clandestinidade e nos lugares de relevo no aparelho de estado que sempre foi dando a maçons. Típico de Salazar.
E na 3ª penso no verdadeiro loby de interesses económicos e financeiros em que se tornou.
Tudo isto de forma organizada e direcccionada, como entidade identificável -  a Maçonaria - cuja existência e caracterização legal desconheço.


 
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De José Manuel a 01.09.2012 às 15:30


O rei D. Carlos era maçon, assim como o Marechal Carmona. Já para não falar em diversos bispos e cardeais.
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De EMS a 02.09.2012 às 15:03

O Rei D. Carlos tenho duvida que o fosse. O seu avoengo Pedro IV era-o de certeza. E curiosamente continua a não ser rara a permanência da realeza na maçonaria. O Príncipe Filipe de Inglaterra por exemplo.
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De Antão do deserto a 01.09.2012 às 03:22

Estrénuo... estrénuo

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