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O folhetim roxo

por Vasco M. Rosa, em 18.05.12

            

 

 

Desde domingo que procuro entender por que carga d'água (para não dizer outra coisa) dedicou o Público a capa e oito — oito! — das quarenta páginas da sua revista do último fim de semana ao perfil de Isabel Moreira, uma replicante pele e osso, feia e incomestível (a expressão é grosseira, desculpem, mas não vejo outra tão precisa quanto esta) que decidiu tatuar no braço esquerdo uma data: a data em que o casamento gay foi autorizado no nosso país. A brutalidade estética da tatuagem é tremendamente chocante. Qualquer oxigenada mandaria fazer menos pior.

 No jornal, até os títulos são delirantes: «a enfant terrible do PS» e «a deputada descalça», logo ela que na fotografia de toda a página seguinte nos aparece dominando a escadaria do antigo convento, vestida de roxo (a carácter, diz-se no Brasil), botas pelo joelho e mãos na cintura. (Não, não se está propriamente na Praça de Espanha em Roma… Ainda não lá chegaram… Algum equilíbrio jornalístico faltou claramente… Por alguma razão terá sido!)

Uma mulher? Permitam-me uma réstea de liberdade, e evite esse qualificativo que muito prezo, estimo e admiro…

 Isabel Moreira, não duvido, tem feito por esse tipo de liberdade que valoriza, e isso é sempre bom. Mas não vejo motivos para que se fale dela com parangonas, para mais num folhetim cor-de-rosa arraçado a gay, que faz o elogio da jurista combativa mas nada nos diz acerca do seu trabalho quotidiano como parlamentar, em comissões e no plenário. Ou o seu cargo e remuneração de deputada são apenas e só o prémio por serviços prestados?

Mesmo no jornal que leio sempre com gosto e estímulo, aparecem-nos estes cromos que nos deixam a pensar: mas que é isto, tomam-nos por parvos?!…

Liberdade é intimidade, não é espectáculo nem feira de vaidades.

Isabel é filha de Adriano Moreira, um Senhor — educado e tolerante (não pouco execrado no passado menos longínquo que se faz crer, o que é omitido). Nesse sentido, digamos até, a verdadeira razão da reportagem seria ele, capaz de estimar muito («ela é fantástica, não é?») a filha que escolheu os seus antípodas. Mas isso, claro, seria pedir de mais…




33 comentários

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De edviges a 18.05.2012 às 10:35

não tendo nada a ver com esta senhora nem com as causas que defende, acho este post inqualificável. 
Se Adriano Moreira é um senhor, tente então imitar-lhe a educação e eleve o nível a escrever, ou este blog agora é uma caserna?
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De Vasco M. Rosa a 18.05.2012 às 11:10

Não creio que este blogue seja uma caserna, e se eu fizesse fazer dele uma, pode acreditar que não iria avante. 
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De TIREM-ME/NA DAQUI!!! a 18.05.2012 às 10:36

Deputados/as, entre outras coisas, deviam estar previamente sujeitos a rigorosos testes de boa regulação da cabeça (digamos assim, que para esta telhuda chega).

Ao menos, devia organizar-se uma peticção nesse sentido.
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De Vasco M. Rosa a 18.05.2012 às 11:13

Muito haveria a dizer sobre a qualificação da classe política, assim chamada. O meu comentário foi sobre o excesso de protagonismo e mediatização. Não vislumbro qualquer espírito de serviço a quem se coloca no alto dessa escadaria como numa passadeira de modelos.
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De Certo, certo a 18.05.2012 às 13:06

Percebi perfeitamente, mas há pessoas, como é o caso desta camarada, que à légua se constata são desiquilibradas, não jogam com o baralho todo.

Estão desesperadamente precisadas de ir ao psicoterapeuta.
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De João-Afonso Machado a 18.05.2012 às 10:37

Caro Vasco, o post promete...
Concordo com quase tudo, não valorizo algumas coisas. E acho espantoso o pormenor da tatuagem.
Não comentarei a Senhora. Sou livre de não ser como ela é e concebe o mundo. Daí o «vice-versa».
Mas há um ponto em que nós dois discordamos: só «pele e osso»? Não, há mais, há mais mas talvez não se note por causa daquela expressão de fanatismo.
Abraço.
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De Vasco M. Rosa a 18.05.2012 às 11:15

Obrigado, João Afonso, pela paciência. Um abraço!
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De Desesperado a 18.05.2012 às 10:39

Não é a garota desta sexta-feira, pois não?

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De Rui Crull Tabosa a 18.05.2012 às 12:13

Considera aquilo uma garota?
Certeiro e desassombrado Post, caro Vasco.
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De Figo Maduro a 18.05.2012 às 11:08

Quanto a tatuagens, parece-me bem mais  divertida a história daquele que tinha mandado tatuar em certo apêndice "Bombeiros Voluntários de Vila Real de Santo António"...
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De Graça a 18.05.2012 às 12:50

Esta srª deputada é outra das que eu sustento com os meus impostos e me irrita com afirmações idiotas e grosseiras. Junta-se à insuportável pseudo parisiense Inês Medeiros e a mais umas quantas. O que fazem exactamente estas criaturas? Penso que deveríamos ter conhecimento sobre que projectos se debruçam, e/ou concretizam, para podermos fazer o nosso próprio juízo.  
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De Vasco M. Rosa a 18.05.2012 às 14:13

Tem razão — a atctividade do parlamento haveria de ser transparente e os deputados responderem nominalmente aos seus votantes directos — mas também a qualquer português. Isso está longe de acontecer, obviamente.
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De Cfe a 18.05.2012 às 13:16

O posto é certeiro e há muito que fazia falta.


Mas qualifica-la de "incomestível" neste  blog parece-me demais pela deselegância do ato.
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De Vasco M. Rosa a 18.05.2012 às 14:08

Eu próprio reconheci a deselgância. Mas a senhora deputada traja-me de modo inadequado às suas funções de estado.
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De Vasco M. Rosa a 18.05.2012 às 15:00

A explicação está dada. é hoje lançado um livro na IGLA sobre os dois anos da aprovação casamenteira. Isabel Moreira escreve nesse livro absolutamente fundamental
JS estará presente?
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De José Mendonça da Cruz a 18.05.2012 às 16:44

A mim parece-me que os eleitos que se comportam com particular presunção e exotismo justificam que os comentários ao seu comportamento acolham algumas liberdades poéticas. E a benefício dos politicamente correctos podes sempre traduzir para «intragável». Um abraço, grande Vasco
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De Vasco M. Rosa a 18.05.2012 às 16:54

Intragável a todos os títulos.


Pronto.


Satisfeitos?
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De Vasco M. Rosa a 18.05.2012 às 16:59

Um abraço, José Mendonça. Bem sei quanto este jornalismo entre aspas te incomoda.
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De jsp a 18.05.2012 às 16:55

Pergunta de um provinciano : Se esta criatura, exibicionista e vagamente histérica, não fosse filha de quem é, alguém a conheceria  fora do triângulo P.Real, Chiado, Bairro Alto?...
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De Vasco M. Rosa a 18.05.2012 às 18:12

O triângulo a que se refere também é provinciano. Quanto ao mais, incluindo o vagamente que sugere, não sei responder-lhe, mas diria que o apelido aqui tem um certo peso, como é habitual no nosso país. Nem sempre as melhores árvores dão bons frutos — é um adágio que ora me ocorre também.

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