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A Fundação Cupertino de Miranda, em V. N. de Famalicão

por João-Afonso Machado, em 29.12.11

«(...) Uma obra de semelhante envergadura, onde até há pouco a feira, das gentes queridissima, era rainha e senhora, causou incómodos, perplexidades e críticas. O modelo arquitectónico escolhido, esse, - pura e simplesmente chocou a grande maioria dos famalicences. Cupertino de Miranda houve disso plena consciência e reconheceu-o em voz alta, quando da apresentação do "Palácio" às entidades oficiais: "tem dado escândalo o seu exterior",  referia, mas "seria impensável construi-lo de modo a que as suas linhas, perspectivas, alturas, proporções, tonalidades, a todos agradassem".

(...) Estava-se em 1971, mas a inauguração (...) apenas aconteceria no ano seguinte. (...) E já então a complacência da população, para com aquela torre  de 34 metros de altura, era mais perceptível. É claro, os seus quatro paineis cerâmicos, imensos, a tocar nas estrelas, continuavam a ser encarados como uma ramboiada de mulheres nuas, distorcidas, escondidas atrás da arte abstracta (...).

Vieram os entendidos à liça, esclarecendo o povo sobre o trabalho do escultor Charters de Azevedo - a maior superfície de azulejos decorativos da Europa, obra figurativa com um significado perfeitamente determinado, simbolizando: o painel norte, "o Homem e o Universo"; o sul, uma "alegoria à Educação e às Artes"; o nascente, a "protecção"; e o poente, a "conjugação de esforços". Nada, pois, que, rebuscadamente embora, visasse marotices de (enormes) pequenas em pêlo.

(..) Famalicão honra-se do seu Banqueiro "socialista" - no apolítico (ou, pelo menos, politicamente descomprometido) sentido de quem utiliza a sua fortuna, reflexo do seu labor, como um instrumento de bem-fazer à comunidade. (...) Cupertino, um dos homens que os excessos de 1974-75 anatematizaram, discursava, em 1913, a inaugurar o Congresso do Partido Socialista, em Guimarães...

(...) orgulhoso das suas origens, proclamava, em 1971, pretender-se com a Fundação "aproximar-se Lisboa de Famalicão" e não "Famalicão de Lisboa" (...)».

 

(in Famalicão - Recordações de uma Vila, ed. Circulo da Cultura Famalicence, 2004).

 

(Dispôs Mário Cesariny de Vasconcelos que, à sua morte, todo o seu espólio literário pertenceria à Fundação Cupertino de Miranda, em V. N. de Famalicão, onde actualmente se conserva).



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