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Desmistificando

por João-Afonso Machado, em 12.12.11

De comiseração as parangonas dos jornais mais recentes: a "Inglaterra" no escalão secundo-divisionário da União Europeia, à conta do voto único contra a revisão do Tratado. Mais diziam: Cameron (e os seus Conservadores) estavam, sem apelo nem agravo, condenados.

Justamente ao contrário da Imprensa britânica, que aplaudiu unânime a tomada de posição do seu Governo.

Sejamos claros: a UE não existe para além de uma congregação de egoísmos. O dos ricos e o dos pobres; o dos necessitados contra o dos independentes.

Atente-se, a propósito, nos casos da Alemanha e de França, a sua porta-voz; e no de Portugal (o que mais nos diz) - por um lado. Por outro, no do Reino Unido, obviamente interessado na cooperação económica, mas de todo indisponível para abdicar da sua autonomia.

A circunstância é que o imperialismo britânico jamais foi expansionista. Quase só, limitou-se a desbravar; e, inteligentemente, a manter laços da melhor influência nesses territórios "conquistados" e depois libertos.

É o que a História nos ensina. Na hora da verdade, sempre a Grã-Bretanha surgiu ao lado dos que batalhavam contra a sofreguidão totalitária. Para mal dos nossos pecados, Portugal já não está em posição de reconhecer a verdade.

E muito menos de se colocar do seu lado...


45 comentários

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De Rui Felício a 12.12.2011 às 21:34

Com isto tudo, continuo sem perceber a frase"o imperialismo britânico jamais foi expansionista"... Frase extraordinária que ficará para a história. 


O João Afonso Machado troca convenientemente agora o "jamais", pelo periodo após a partir da primeira GG. Pois se  a partir dessa altura a Inglaterra já não tinha capacidade nem militar, nem humana, para conquistar nada, restando-lhe manter a muito custo, o império que tinha! Nunca houve uma nação mais expansionista, enquanto teve poder militar. Uma nação que provocou guerras sujas para manter o seu domínio. Um dos exemplos mais repugnantes foi o caso da guerra do ópio na China, que demonstra o pior da degradação moral de um povo que se julgava o mais civilizado. 
E verifico com tristeza que continuamos de cócoras perante os que ainda julgam a nossa mais velha aliada, uma nação que sempre apenas defendeu os seus interesses nas relações com Portugal, incluindo em África. Eles sim, são uma nação orgulhosa, a nós cabe o papel de servir de seus capachos.
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De João-Afonso Machado a 12.12.2011 às 22:04

Caro Rui Felicio:
Devia atender ao que eu escrevi - a) sobre a «congregação de egoismos». b) Em resposta ao Rui Crull - o «expansionismo» mede-se numa civilização como a actual em que uma soberania pura e simplesmente pretende tomar outra semelhante. c) que a GB se limitou a «desbravar» territórios à época considerados primitivos. Tal como nós, aolongo de toda a costa Africana, na India e no Indico, no Brasil - há 500 anos.
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De Rui Felício a 12.12.2011 às 22:34

Bom, confesso que é um conceito de expansionismo que eu não conhecia. Aprendi pelo manual do velho Matoso e outro historiadores do meu tempo e não me dei conta disso. Nem sequer notei que lá se adoptasse esse conceito de "subgente" que utilizou. Se os territórios eram relativamente selvagens e inóspitos em África e no continente americano, o que não desculpa de forma nenhuma as atrocidades que por lá se praticaram e que não eram sancionados sequer pelo direito natural ou internacional à época, o mesmo não se passava na India e no Extremo Oriente. Estou disposto a aceitar que as nações se guiavam por interesses egoistas comerciais´ou de estratégia militar, não me parece que se deva aceitar o conceito muito conveniente de que se estava simplesmente a ocupar território de ninguém. 
O seu conceito de "subgente", ainda que se entenda que reportado à época, leva, no limite a legitimar a ocupação da Europa pelos alemães na 2ª GG. Grande parte dos europeus eram precisamente considerados untermenshen pelos alemães...
Em rigor, nada devemos aos ingleses. Não me parece que o direito internacional lhes dissesse grande coisa no que aos territórios portugueses diz respeito. Mas, curiosamente, continuamos com essa espécie de devoção filial respeitosa em relação a eles.
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De João-Afonso Machado a 13.12.2011 às 06:57


Para não me repetir, veja, sff, a minha resposta ao Rui Tabosa. Obrigado.
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De Réspublica a 13.12.2011 às 16:36

Basta ver que a Inglaterra nunca entrou numa guerra para suprir uma outra nação civilizada durante o período colonial, como o procurou a França ou a Alemanha!!!
A noção de Bellum Iustum variou ao longo dos tempos, mas foi inclusive aceite intervir militarmente como retaliação por danos económicos ou para cobrar dívidas, como ocorreu na guerra do ópio que se refere, só com a Convenção de Haia de 1907.
O Rule Britania é diferente dos demais:
1. Os portugueses iniciaram a conquista primeiro pela Fé (em Marrocos), depois pela economia, dilatando o império, em certas áreas pretendeu-se a ocupação efectiva, noutras bastavam entrepostos comerciais.
2. A Espanha quis uma ocupação efectiva e total, se necessário exterminado ou convertendo à força os nativos (só com a acção da Igreja tal foi alterado protegendo-se os índios);
3. Os franceses procuravam ocupar o território por aliança com nativos, tornando-os franceses (América do norte e polinésia), para na África entrarem na conquista pura e submissão;
4.Os alemães quiseram a sua fatia mais sem uma política plena, muitas vezes procuravam invadir territórios de outras nações incitando os respectivos nativos contra a administração colonial.
5. A Itália via a África como a restauração do Império Romano, reivindicaram regiões que lhe tinha pertencido e a Etiópia.
6. A Inglaterra procurou instaurar a ideia de Dominium, criou estado satélites à imagem da própria Inglaterra (commonwell) e colónias sujeitas ao domínio britânico, se necessário por recurso à força das armas para assegurar esse dominium. A Índia era império por corresponder a um conjunto de Estados sujeitos à soberania britânica desde o raj aos estados nativos.
Nenhuma outra nação colonial, à excepção da Inglaterra criou institutos de autonomia política para algumas colónias.
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De Rui Crull Tabosa a 13.12.2011 às 16:48

E como descreve o domínio inglês sobre a Irlanda, caro Respública?
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De Réspublica a 13.12.2011 às 17:43

Por acaso estive para inserir um parêntesis sobre a questão irlandesa e escocesa, mas como foi anterior ao período colonial pensei melhor não, por os escoceses terem apoiado a política colonial britânica.
Na Irlanda pode inclusive ver-se a política de Dominium, na fase tardia da ocupação inglesa da ilha esmeralda, mas até ao século XIX sim houve uma política opressiva e uma tentativa de destruir a identidade nacional irlandesa, em particular por questões religiosas. Os ingleses nunca viram os irlandeses como iguais, por serem Católicos e Celtas, não normados e anglos-saxões. Mas a Irlanda não pode ser vista como uma colónia, os ingleses consideravam que era parte da nação inglesa, mesmo que não gostassem do povo que lá vivia... até alguns irlandeses fazem o mesmo, os tais chamados unionistas.
Na Escócia a situação sempre foi diferente, tratou-se de uma união dinástica, que durante muito tempo implicava uma autonomia política, institucional e religiosa total, foi a tentativa de uniformização religiosa dos Stuarts escoceses que geraram as guerras que culminaram na revolta de Cromwell. A posição escocesa na política inglesa até é mais de dominante, que de dominado, os escoceses votam em Westminster, mas os ingleses não votam em Holyrood!
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De Rui Crull Tabosa a 13.12.2011 às 18:15

E quer o meu caro agora tirar a conclusão lógica sobre o expansionismo inglês na Irlanda?
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De Réspublica a 14.12.2011 às 09:57

À luz do direito internacional actual (estatuto do TPI) tratar-se-ia de uma limpeza étnica... não muito diferente do que os príncipes da Liga de Schmalkaden fizeram!
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De Rui Crull Tabosa a 14.12.2011 às 12:33

Só para poder tirar conclusões: equipara "limpeza étnica" a genocídio?
é que a comparação que faz a seguir chega a ser revoltante, tal é o tendenciosismo e falsidade histórica que revela.
Só faltava mesmo comparar o domínio inglês na Irlanda ao Império do Oriente de Albuquerque...
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De Réspublica a 14.12.2011 às 12:54

Limpeza étnica é um tipo de crime de genocídio, trata-se de procurar destruir uma identidade religiosa de um povo, um comportamento típico dos príncipes protestantes, expulsavam-se os Católicos para colocar no lugar protestantes (ou em alternativa convertiam-se).
Albuquerque nunca fez tal coisa, onde tal ocorreu, onde expulsou os hindús?!?
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De Rui Crull Tabosa a 14.12.2011 às 14:58

Pois, "étnica" subsume-se em "identidade religiosa". deve ser isso...
E tem razão: era um comportamento "típico" dos protestantes. Os reis católicos não faziam dessas 'limpezas', como bem o demonstra, por exemplo, a 'noite de S. Bartolomeu', que deu início a um vasto conjunto de matanças ode morreram dezenas de milhares de ... ups,... protestantes!
E, agora sem ironia, é claro que Albuquerque nunca faria tal coisa, mas como o meu caro anda tão embevecido com a pérfida Albion...

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