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Nos balanços de vida, tomamos em geral os factos mais relevantes e assumimos que o tempo entre eles existe apenas para inserir intervalos de espaço que os permitam brilhar em simultâneo. Nessa perspectiva, a vida será a soma simples de dias muito bons com outros muito maus. Mas todos os demais fazem igualmente a nossa vida. Aliás, serão estes até mais significativos dela que os extremos que atingimos apenas em raros momentos.
A vida é como o mar, inconstante e infiel, com bens e males infindáveis, mas de todos os tamanhos, sendo na maioria pequenos, simples e quase insignificantes.
Da vida fazem também parte as longas e monótonas calmarias, quando as exigências mais comuns ganham peso maior, por os nossos ombros perderem força. Nesses muitos dias, como no mar, a água e os alimentos começam a escassear ao mesmo tempo que vão perdendo o gosto... tudo é só cansaço, tudo sempre os mesmos pensamentos, tudo tédio. Vivemos ainda, mas é um lamento viver, esperamos que novos sonhos nos salvem da pena deste estado dormente, mas nem sonhos temos senão crus, fracos e inúteis.
Mas há sempre um vento, um sol ou uma onda que deixamos que nos toquem, que aceitamos como um presente da vida e que mudam o valor, a cor e a substância de tudo.
De súbito sentimo-nos vivos de novo, reanimados por um choque de alegria inexplicável. Uma vida. Um toque subtil que nos desperta e nos faz lembrar que a vida é muito curta e que os barcos também naufragam no cais.
(publicado no jornal i - 26 de novembro de 2011)
foto cedida pelo amigo Marcos Sobral
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