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Ingenuidade instrumental

por João Távora, em 27.11.11

 

O Diário de Notícias titula "Anarquistas Radicais" pelo 2º dia consecutivo notícias referentes a investigações a tumultos e ligações à marginalidade. Isto parece-me tratar-se de uma redundância pouco inocente: em todos os momentos da História em que se deu actividade "anarquista", esta sempre foi radical e marginal por inerência.



15 comentários

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De Lura do Grilo a 27.11.2011 às 21:50

Radicais e de que maneira. Basta lembrar a Espanha de 36: arrancavam literalmente a pele uns aos outros em vida.
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De Réspublica a 27.11.2011 às 21:56

Caro João, não é bem assim. Há um grupo de anarquistas que não são radicais, mas anarco-capitalistas.
De Souto, David Friedman, Hoppe, Rothbard ou Block, não são radicais, Bem pelo contrário, tratasse de filósofos políticos que defendem uma visão mais ou menos anti-estatista e ultra-liberal, em que em nome da liberdade individual plena se deve destruir o Estado.
Hoppe chega a criticar a Revolução Francesa, que considera radical, por limitar a liberdade individual!
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De Renato a 27.11.2011 às 22:55

Os anarco-capitalistas não são radicais? Mas se você mesmo diz que advogam a destruição do Estado! Em que ficamos? Os anarco-capitalistas são ultra-liberais, homem. Dizer que eles não são radicais é uma contradição nos termos.
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De Réspublica a 28.11.2011 às 20:06

Leia Hoppe, e depois diga se são radicais, é anti-democrata, defende uma monarquia, por a primeira ser o governo da populaça.
Rothbard defende que a igualdade da Rev. Francesa não é natural, que apenas traz o desastre.
Block defende a possibilidade de serem realizados contratos de escravatura privada.
Os anarco-capitalistas defendem a liberdade em vez da democracia, entende que tudo deve ser privado, desde o exército à polícia.
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De Pedro a 29.11.2011 às 10:26

Ó homem, dizer que tudo deve ser privado, até o exército e a policia, e contratos de escravatura privada, não é uma proposta radical? É o quê? moderada?
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De Réspublica a 29.11.2011 às 13:04

O radicalismo aplica-se às ideologias saídas do Iluminismo e da Revolução Francesa, que se impuseram por via de acção das armas com concepções novas (à data) da sociedade, os anarco-capitalistas defende o oposto, entendem que se deve voltar a um status quo ante de organização social, fazem quase o apelo às comunidades locais pré-romanas.
O Iluminismo pretende a restauração do modelo romano de sociedade e de direito, o individualismo jurídico do Ius Praetorium do Direito Natural nas relações privadas, daí o passo seguinte tivesse sido o Positivismo, em que a lei regula as relações entre o Estado e os privados e entre privados, quando se ultrapassarem os limites considerados naturais nessas relações.
Os anarco-capitalistas defende que o estado/direito natural não é legal e público, mas privado os privados fazer o que quiserem.
Se considerar como radical o anarco-capitalismo, qualquer ideologia é radical, com excepção do conservadorismo (embora os anarco-capitalistas politicamente se aproximem mais destes que do liberalismo clássico).
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De Pedro a 29.11.2011 às 10:43

respublica, para sua informação

http://www.libertarianism.com/pop_celebrity/221 (http://www.libertarianism.com/pop_celebrity/221)

"Murray Rothbard (1926-1995) was America's greatest radical libertarian author"

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De Réspublica a 29.11.2011 às 11:23

Os anarco-capitalistas são mais feudalistas, digo-lhe, as revoluções radicais no entendimento deles destruíram o sistema feudal que eles tanto admiram.
A ideia fundamental é nenhum estado e o poder aos privados, nisso distinguem-se dos verdadeiros liberais que defendem o Estado para o ius imperium, não para prestar serviços ou limitar as liberdades económicas.
Se quiser até lhe digo, não os considero liberais e muito menos discipulos de von Mieses, von Haek ou  von Wieser.
A questão é simples no exercício do poder de autoridade o Estado dá uma utilidade superior que os privados.
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De Pedro a 29.11.2011 às 13:35

Respublica, espanta-me que ainda não tenha percebido. Acabar com uma instituição que tem milhares de anos, que é o estado, é uma proposta radical. O Estado é uma instituição antiquissima, a maior contribuição dos romanos foi, precisamente, o Estado. O Feudalismo foi um retrocesso e nem sequer aboliu o Estado, apenas criou uma miriade de estados, transferindo o poder de um governo central, rei ou imperador, para os senhores feudais, que continuavam a cobrar impostos aos seus servos, que não tinham qualquer auto-determinação. Ora, acha que é isto que os anarco capitalistas querem? O Respublica aceitaria ser servo de quem? Vou dizer de outra forma, se não percebeu que as propostas deles são radicais: São os próprios anarco-capitalistas que se dizem radicais. São os próprios que o dizem. Diga-me lá o respublica se não concorda com os próprios anarco sindicalistas e se acha que a proposta de abolir o estado não é radical, mudando completa e absolutamente a sociedade?
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De Pedro a 29.11.2011 às 13:42

"as revoluções radicais no entendimento deles destruíram o sistema feudal que eles tanto admiram."

Iisto, então, é espantoso. O sistema feudal foi destruido quando? Com o iluminismo e a revolução francesa? Sim, que o Rei Sol era um perigoso jacobino radical ;))
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De Réspublica a 29.11.2011 às 16:54

Sabe qual foi o propósito dos Liberais portugueses, abolir as instituições vindas do feudalismo, é certo que a enfiteuse apenas foi abolida em 77, mas a maioria dos sistemas do feudalismo foram abolidos com as Revoluções Liberais.
O rei Sol defendia o centralismo, não aboliu os direitos feudais sobre os servos, esses só caíram com a Convenção! 
Os direitos e privilégios feudais só caíram com os parlamentos modernos, o rei governava sem consultar as cortes, mas a propriedade do solo e o governo local pertencia aos senhores nobres.
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De Pedro a 29.11.2011 às 19:33

Em Portugal não existiu feudalismo. Quanto ao resto,não sei se percebe que usa um conceito marxista de feudalismo;)
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De Réspublica a 30.11.2011 às 10:33

Não há em Portugal feudalismo como na França, mas instituições feudais.
O feudalismo caracteriza-se pela subordinação de uma parte da população a outra, isto é, cada senhor livre exerce o seu domínio sobre os habitantes de certa área ou parcela do solo, com todos os poderes que são inerentes a esse domínio.
A ideia que era o estado que cobrava impostos (mesmo a própria ideia de Estado como vindo dos romanos) só surge com as Revoluções Liberais, até essa altura os impostos e tributos eram definidos casuisticamente por forais e similares (à excepção da décima militar de D. João IV).
No que respeita ao indivíduos, os homens livres ou "homens bons" consideravam-se superiores aos servos, esta ideia é abominável para os liberais (menos os anarco-liberais).
Não se trata de uma concepção marxista mas histórico-jurídica, até porque Marx vai surgir no contesto da jurisprudência dos conceitos ou da escola histórica alemã, que evoluiu na Áustria na escola normativista ou de Viena.
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De Pedro a 29.11.2011 às 21:40

respublica, arrume o seu raciocínio e foque-se numa coisa: Disse: revoluções radicais no entendimento deles destruíram o sistema feudal que eles tanto admiram.


Ora bem, é do feudalismo que você diz que existia em Portugal antes das revoluções liberais (por acaso,nunca existiu cá) que você diz que os anarco capitalistas libertários gostam? é o feudalismo que existia à data da Convenção que eles defendem? VoCe´não sabe o que o feudalismo é, nem sabe bem o que defendem os libertarians.
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De Réspublica a 30.11.2011 às 10:36

Veja o comentário em cima.
O feudalismo é uma concepção jurídica, que resultam na utilização de institutos jurídicos de domínio sobre alguns. Os anarco-capitalistas não passam de uma versão da oligarquia socrática moderna, em que em nome da liberdade querem atribuir o poder a alguns muito ricos. Isso é contra a essência do liberalismo, em que todos nascem livres e iguais em dignidade e direitos, em que se aboliram os privilégios que não dependam da capacidade de cada um. Ou seja, a essência do liberalismo é o self made man, em que cada um deve ter aquilo que as suas capacidades lhe permitem.

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