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O ajustamento

por João Távora, em 26.10.11

Por mim nada tenho contra os funcionários públicos, alguns dos quais estimo francamente porque um dia me foram genuinamente úteis ou porque são meus amigos pessoais. As únicas coisas que me preocupam na “classe”, são: 1) a excessiva protecção no emprego que adultera as regras dum salutar mercado de trabalho, 2) de onde vem o dinheiro para pagar tamanha corte, 3) a sua tremenda influência politica, (jamais deixam a eleição do seu patrão em mãos alheias). Coisa pouca para quem tem uma casa e quatro filhos para criar numa economia em implosão.
A mais de resto até se percebe porquê o Cavaco, o professor Marcelo e outros diligentes políticos da nossa praça serem tão extremosamente críticos quando se fala de despedimentos, cortes nas regalias da função pública e das empresas estatais. Temem ter de tomar posição numa “guerra civil”: um verdadeiro regalo que levavam por tabela e lá se iam as aspirações políticas para as calendas. Um ajustamento definitivo.
Eu por mim volto ao início da conversa: o meu pai foi um digno empregado da biblioteca da Assembleia da República (imagine-se!), não há Estado sem funcionários públicos, e eu como não sou anarquista, tenho-lhes muito respeito, admiro e gosto de alguns, principalmente dos meus amigos.
Mas nós lá em casa Graças a Deus nunca usufruímos do subsídio de morte, há muito que não temos horários, não recebemos nem pagamos subsídios de Natal ou de Férias. Fuçamos cada mês para ter vencimento, viver com dignidade e pagar as contas todos os meses. O trabalho não cai do céu, conquista-se com ciência, muita garra e sem indignação, que afinal faz tão mal ao fígado. 


5 comentários

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De Eu também a 26.10.2011 às 19:01

Também me afligo muito com a termenda influênçia pulítica de gardineiros, moturistas, auchiliares admenistrativos e acim.
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De carlos a 26.10.2011 às 22:44

Pois, falemos dos funcionários públicos.
Dos PROFESSORES UNIVERSITARIOS das nossas universidades;
dos GENERAIS e OFICIAIS das forças armadas;
dos JUIZES e PROCURADORES dos nossos tribunais;
dos MÉDICOS ESPECIALISTAS e ENFERMEIROS dos nossos hospitais;
dos PROFESSORES das nossas escolas;
das FORÇAS DE SEGURANÇA;
dos nossos INVESTIGADORES;
falemos enfim, de todos estes que representam 60% dos nossos funcionários públicos.


 
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De Renato a 27.10.2011 às 12:12

Falemos também dos outros 40%, nas escalas abaixo. Os funcionários da limpeza, os calceteiros, os coveiros, os funcionários dos impostos (sem os quais nem tinhamos médicos no público, estradas, etc), os auxiliares  (sem os quais médicos, enfermeiros, professores, etc, não poderiam fazer o seu trabalho) os meterologistas, os funcionários das estações de tratamento de água, dos aterros sanitários. Etc, etc.
Acho que o joão Távora, na sua bolha, não sabe que para manter a sua dignidade toda, precisa de muitos mais funcionários do que aqueles que uma vez ou outra diz lhe foram "genuinamente úteis", como ele diz. Para ele os funcionários públicos, com honrosas excepções (aqueles que lhe foram "genuinamente úteis", seja lá o que isso for, ou familiares ou amigos) é tudo uma massa informa, uma gentinha, uma "corte", que só o atrapalha e que lhe vai ao bolso.
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De Renato a 26.10.2011 às 23:33

Mas usufruiu com certeza de subsídios de Natal e de Férias que o seu pai recebia, não? entre outras regalias,incluindo a protecção no emprego que o seu pai tinha. 
Portanto, tem estima pelo funcionários públicos que lhe foram úteis e pelos que são seus amigos. Os outros, os que vivem sem a dignidade que reconhece a si próprio e aos que lhe servem, é que fazem parte da "corte" e têm uma tremenda influência politica. O seu pai, não sei, mas o meu foi guarda-rios do estado durante quase quarenta anos, e nunca lhe vi influência politica nenhuma. E menos soberba,senhor João Távora?
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De João Távora a 27.10.2011 às 17:01

Alguns comentários aqui postados, justificam os pruridos (ou medo) de alguns políticos em tocar no monstro. O mais, é pura má fé na interpretação das minhas palavras.

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