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Revolução…

por Francisco Mota Ferreira, em 17.10.11

"Os espíritos de primeira ordem, que produzem as revoluções, desaparecem; os espíritos de segunda ordem, que tiram proveito delas, permanecem."

 

François Chateaubriand

 

Não é por acaso que dos poucos Ministérios que não terão cortes neste Orçamento de Estado e que até verão algumas verbas reforçadas é o da Administração Interna. O País caminha a passos largos para a explosão social e os riscos são imensos.

Obviamente que, com isso, não estou a falar da tontice de algumas dezenas de pessoas supostamente indignadas, essas não fazem mossa ao Governo. O povinho que podia fazer alguma coisa sempre foi individualista e, por isso, podem as autoridades estar descansadas. Não serão seguramente alguns nostálgicos do Maio de 68 ou miúdos armados com iPhones e iPads que irão provocar insónias a Passos Coelho.

As revoluções morreram e já não se fazem. Destruíram as Forças Armadas, colocaram yes man em lugares chave e o País está ligado por uma teia de interesses que junta partidos do poder e partidos da oposição, empresários inaptos, administradores nomeados, e a todos (e são muitos) a quem interessa o status quo. O País está a arder? Não importa.

Não temos por isso, grandes alternativas. Até dou de barato que este Governo poderá estar a tentar fazer o melhor que pode e sabe, mas o caminho para o abismo é inexorável. E vamos ser a nova Grécia.

Não há confiança e instalou-se o desânimo. O Governo pede, pede pede, mas os sinais que dá em troca são muito fracos. Os gabinetes estão cheios de boys, os ministros e secretários de Estado começam a desentenderem-se (não é Álvaro?) e diz quem sabe e está lá dentro que “estes gajos estão desesperados e não sabem muito bem o que andam aqui a fazer (sic)”.

Estamos, por isso, sem grandes alternativas à vista. Não modernizamos o País, não temos recursos, vivemos sempre acima das nossas possibilidades. Não podemos fazer uma Revolução, não temos movimentos cívicos fortes, quem nos governa não sabe o que fazer e o povo, essa massa anónima, continua a encher os centros comerciais, a andar de carro, a marcar férias como se não houvesse amanhã. Se calhar terão razão. É que, por este andar, não teremos mesmo amanhã. E não serão os 900 anos de História que nos vão salvar.


9 comentários

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De sampy a 17.10.2011 às 12:20

Caro Francisco, permita-me que o tranquilize.
Não vamos ser a nova Grécia. Somos um povo sereno e, até ver, sempre soubemos encontrar um Salazar à altura da situação. É uma pena para os comunistas; mas eles podem sempre exilar-se em Paris, como o outro.
Não, connosco não haverá problemas de maior. O perigo mora ao lado: Espanha e Itália é que vão ser as novas Grécias. E a História diz-nos como eles gostam de se matar uns aos outros, e de arrastar a Europa para as suas lutas fratricidas...
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De Francisco Mota Ferreira a 17.10.2011 às 17:33


pessoalmente, até acho que vamos ser pior que a Grécia. Não precisamos de Salazares, pecisamos de políticos capazes, que aceditem no País e que estejam dispostos a fazer sacrifícios como todos nós. Precisamos de líderes e não de oportunistas que minem a vontade de quem foi para este governo por acreditar que podia fazer a diferença - e há, tenho a felicidade de conhecer alguns que estão genuinamente empenhados nisso. A UE vai rebentar e será cada um por si... não sei se virá a guerra, mas se vier, estamos acabados... não combatemos com chaimites.... ah e dois submarinos...
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De sampy a 17.10.2011 às 18:47

Desculpe, mas tenho de contradizê-lo. Na era contemporânea, nenhum político que tenha chegado ao poder soube ler melhor Portugal e os portugueses; nenhum viveu de forma sacrificada mais do que ele; nenhum soube, como ele, disciplinar as contas públicas. Claro que o país pagou um alto preço pela sua governação; assim como já está a pagá-lo agora pela desgovernação da Abrilada.
Acredito que conheça políticos empenhados e capazes de mudar o rumo às coisas. A questão é: onde vão eles buscar o poder para dominar as corporações e seus interesses?...
Quanto à guerra, ao fim e ao cabo, há muito que estamos nela. A diferença é que ela agora se trava nas bolsas e nas praças comerciais. E nesse palco, estamos realmente quase acabados.
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De Tiago Mouta a 17.10.2011 às 15:30

Ah valente Francisco...

Um post que poderia perfeitamente figurar no Farplex...
Uma análise real do que se passa por aí!
Concordo absolutamente com tudo o que escreveu, sobretudo com a frase de François Chateaubriand!
Aja uma posição desassombrada de partidarites!

Cumprimentos
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De Francisco Mota Ferreira a 17.10.2011 às 17:28

Obrigado Tiago. Como disse à Luísa, adorava não ser pessimista...
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De zedeportugal a 17.10.2011 às 21:18

Haja lá essa "posição desassombrada de partidarites!" da parte de mais gente. Image
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De Luísa Correia a 17.10.2011 às 17:05

Não partilho do seu pessimismo, Francisco, embora reconheça que, em casa onde não há pão, todos ralham e nenhum tem razão. :-)
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De Francisco Mota Ferreira a 17.10.2011 às 17:27

eu adorava não ter razão Luísa e sou, por natureza, optimista. Ao longo da nossa História sempre soubemos correr com quem não nos convinha. Espanhóis, Reis, Presidentes, regimes. Hoje tudo é diferente. Para rebentar vai mesmo ter de ser por dentro. Precisamos de uma IV República que esta está moribunda. Ainda acredita em milagres???:-)
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De João Távora a 17.10.2011 às 19:03

Um ponto que o Francisco se esquece é que na Grécia o governo NÃO foi capaz de aplicar as directivas acordadas com a Troika. Parece-me que as medidas estão encaminhadas por cá. E para já, é saudável uma recessão, reflectida pelo abrandamento do incomportável consumo privado. Fala-se de um ajustamento de 30% para manter Portugal no Euro: é duro mas não há nada a fazer.

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