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Ia-se lá. Contra os protestos da assistência, os avisos dos prudentes, o escarcéu das vendedeiras nazarenas. Ia-se lá.
O olhar fixo da gaivota parece pedi-lo. Medo? Paralisia? Fome e sede?
Ia-se lá.
Não é impossivel a pedra esteja doente, salitrada, sabe-se o quê da força com que a terra a agarra?! Fuas Roupinho, dez séculos de lenda, a escarpa muitas e muitas dezenas de metros a pique. Uma morte certa, tão no fundo, estilhaços caindo sobre a praia.
Debaixo do azul carregado do sol dessa tarde - ia-se lá!
Talvez a medo, rastejando sobre a esponja empedernida, joelhos ensanguentados, os dedos de alguém tacteando os tornozelos estirados, derradeiro elo de segurança, obviamente um símbolo, tudo muito vagaroso para não irritar a pedra, não assustar a gaivota... Ia-se lá...
E com meia sardinha na mão, a chamá-la, a modos de quem cativa um gato. O braço esticado, o corpo sempre colado à aspereza daqueles nódolos. Ia-se lá!
Mas antes de lá chegarmos, um bater de asas piado, lúgubre, indolente. Mal-agradecido. Um voo curto e o poiso na amurada, em outra saliência rochosa, talvez. Mesmo ao lado. Com igual expressão parada e curiosa, impassivel. Afinal não amedrontada.
De nada valeria praguejar. Nem dar o tempo por perdido. É assim a Natureza. Apenas se tinha ido lá... escusadamente.
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Até àquela idade eu não tinha a mais pálida noção ...
As verdades incomodão
A realidade, sem tirar nem pôr."Isto" transformou-...
o gaju é du puertu
fudeu-me a vida