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A rejeição da cruz

por João Távora, em 20.08.11

 

A um pequeno texto meu publicado aqui há dias, alguém comentava no Facebook, qualquer coisa como “trabalho sim, padecimento não”. Este pensamento traduz o terrível preconceito que há muitos anos nos vem condenando ao fracasso. Porque o sofrimento é definitivamente o sentimento que precede a redenção do Homem. Porque é essa a afeição que o mais das vezes precede o Conhecimento, a Criação Realização humana. E é-o ironicamente desde o brutal momento em que nascemos.
Mas desçamos aos exemplos comezinhos: como pode a criança memorizar a tabuada ou aprender gramática, o adolescente exercitar a matemática, como pode o jovem aspirar a médico sem muita renúncia e contrariedade? Não é certamente prazer o que sente ciclista em pleno esforço a subir à Senhora da Graça, nem é sem muita austeridade que se obtém a boa forma física e clarividência mental. Da “violência” do despertar bem cedo, ao cioso cumprimento das nossas tarefas, o sucesso de qualquer projeto profissional depende em grande parte da renúncia aos nossos apetites. Ou de como o confronto sem paliativos com a depressão e a dor são antecâmera da redenção e do crescimento da Pessoa, e a evasão inevitavelmente a sua desgraça.
A obstinada recusa da Cruz (na acepção cristã do termo), pela contemporaneidade ocidental não é mais do que um trágico sinal da nossa decadência. Abstendo-nos do seu profundo significado religioso detenhamo-nos ao menos no seu simbolismo mais prosaico e terreno: sobre o que a sua recusa significa na adolescentocracia em que a nossa civilização encalhou e se afunda.

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9 comentários

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De FF a 20.08.2011 às 22:09

Excelente. Concordo plenamente!
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De José Manuel Faria a 21.08.2011 às 10:53

Subir à Senhora da Graça não tem nada de: agonia, dor, tormento ou tortura - sofrimento. Sofrer é acordar todos os dias e questionar se vale a pena viver. Os ciclistas quando o quiserem desistam.
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De Dinada a 21.08.2011 às 12:45

Caro João,
Leio-o e gosto de o ler.
Identifico-me com os seus escritos e daí hoje, depois dum texto pertinente e cheio de verdades tenho de intervir por desacordo num ponto do que escreve.
E é um ponto fulcral: a depressão sem paleativos.


O meu amigo não pode misturar as águas.
Trata-se duma doença. E grave, castradora, que precisa de ajuda médica. Tal como uma perna partida precisa de gesso.


Deus percebe isso.


Não confundamos as coisas, por favor.
Já chega o preconceito para com quem sofre da 'doença dos fracos', por favor...


Um abraço.


Graça Abranches
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De João Távora a 21.08.2011 às 17:28


Não me terá entendido bem, a Graça. Os paliativos a que me refiro são as todas as alienações e falsas luzes hoje disponíveis no mercado. Até podem ser drogas, disso não tenho dúvidas.
Cumprimentos,
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De Renato a 21.08.2011 às 14:26

O João Távora não sabe certamente o que é o sofrimento, ou não escreveria este post.  Confunde sofrimento com trabalho árduo e renúncia. Muitos de nós trabalhamos arduamente a vida toda, renunciando a muito para dar de comer aos nossos filhos, mas garanto-lhe que ninguém gosta de sofrer,e que quando se sofre pede-se ajuda, os tais "paliativos" que despreza. Quem dera a muitos, amigo, ter meios para os paliativos. Espero que nunca venha a ter dificuldades e depressões.  O sofrimento não redime nada, o trabalho sim.  Esse seu post é psicologia barata.
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De João Távora a 21.08.2011 às 16:17


Certamente não vou maçar o Renato e os leitores com os meus sofrimentos. Limito-me a testemunhar umas palavras que me ficaram na memória num período particularmente difícil da minha vida, proferidas por uma enfermeira psiquiátrica (que não por acaso frequentava sociologia em Coimbra). Dizia ela que estava convencida que ao final do dia, os sofrimentos das pessoas não são comparáveis, o mesmo é dizer - são iguais. Porque cada individuo teve a sua experiência de dor, avassaladora para si, porque intimamente sentida na sua "pele".
Cumprimentos,
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De Renato a 21.08.2011 às 17:28

Diz que teve essa experiência e faz a apologia do sofrimento e diz que a dor e a depressão sem paliativos são redentores? Deve estar a brincar.  E que eu já sofri e não senti nenhuma redenção por causa disso e tive mesmo de procurar paliativos para não sofrer mais.  Não, a sua dor não foi igual à minha, de certeza. 
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De Herr Flick a 21.08.2011 às 16:38

Rejeição da Cruz? Sim! (não de Jesus) Ninguém quer ser crucificado. Não há redenção no sofrimento. Jesus aceitou a morte, mas não queria morrer assim. Esta exortação do sofrimento, tão cara à igreja para fazer prevalecer os seus propósitos, não era a mensagem de Jesus. É a deturpação da mesma, como tem sido ao longo do tempo esta igreja que Ele não mandatou e que se ergueu em seu nome como um dos grandes embustes.
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De Alma Peregrina a 21.08.2011 às 20:14

Ai não mandatou? Interessante... então mandatou a quem? A si? É que você fala como se fosse a Sua porta-voz.
 
E aí eu pergunto: quando é que Jesus a mandatou a si para dizer como Ele queria morrer ou não? Quando é que Ele lhe disse como queria morrer? Onde é que nas Sagradas Escrituras diz "Tu és m.a.g. e sobre esta m.a.g. construirei a minha Igreja e tudo o que ligares na Terra será ligado nos céus e tudo o que desligares na Terra será desligado nos céus"?

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